Quarta onda feminista: pelo fim da violência doméstica

10/08/2020 às 19:17

Resumo:


  • O movimento feminista surgiu no século XIX e XX, com as sufragistas exigindo direitos políticos.

  • A segunda onda feminista, dos anos 60 aos 90, focou na exploração da mulher e no direito reprodutivo.

  • A terceira onda, iniciada nos anos 90, buscou universalizar o conceito de mulher e promover a liberdade de escolha.

Resumo criado por JUSTICIA, o assistente de inteligência artificial do Jus.

A violência doméstica têm sido amplamente divulgada e as mulheres estão começando a entender que não precisam viver sob violência para ter felicidade. Assim, está surgindo a quarta onda feminista que visa buscar respeito e liberdade e o fim da violência.

Há alguns anos ficou conhecida a luta pela igualdade material das mulheres, a qual iniciou-se quando elas descobriram o poder de suas vozes e o poder da união.

Sempre vista como um objeto de reprodução pelo homem e um ser inanimado pela igreja, as mulheres começaram a descobrir seu valor entre o século XIX e XX, quando surgiram os primeiros grupos de mulheres que se denominavam “feministas”.

Neste movimento, podemos dizer que existiram 3 (três) grandes ondas feministas: a primeira nasceu no final do século XIX e início do século XX com as sufragistas, que exigiam o direito da mulher ao voto e sua participação na política e na vida pública. A segunda onda surgiu em meados dos anos de 1960 e durou até meados de 1990, conhecido como um feminismo radical que versou principalmente sobre a condição de exploração da mulher acerca da sexualidade e o direito reprodutivo. É mais ou menos nesta época que se inicia a discussão de sexo e gênero, e foi amplamente divulgado um dos jargões feministas mais conhecido: “sisterhood is poweful”, ou seja, “a irmandade entre mulheres é poderosa”. Já a terceira onda feminista surgiu no início dos anos 90 com uma discreta continuação no desenvolvimento das ideias da segunda onda, porém com a intenção de universalizar o conceito de mulher através do reconhecimento das diversas identidades e experiências das mulheres.

É na terceira onda que as feministas buscaram recuperar o estereótipo feminino através do batom, do sutiã, da saia e do salto alto na intenção de exigir a liberdade de escolha de cada mulher, trazendo a pornografia e a prostituição como liberdades sexuais, bem como a apropriação de termos misóginos e pejorativos contra as mulheres ao retirar-lhes sua conotação negativa.

Outrossim, século XXI, ano de 2020 e nossa luta não para!

Hoje o grito feminino é por igualdade e liberdade: é por uma vida digna e livre de violência.

A violência doméstica vem sendo alvo diário na mídia e já mostrou que não ocupa classe social, raça ou idade. E prova disso é que a mulher está se dando conta de que não precisa se calar por medo da opressão social ou por medo de ser morta por seu agressor. A mulher está entendendo que a luta de nossas irmãs nos séculos passados teve resultado social e agora chegou a nossa vez de lutar, que está na hora de mudar. Está na hora de exigir nova evolução sobre os direitos da mulher, pois nós já nos cansamos da miséria que nos foi dada e clamamos respeito.

A grande divulgação nos casos de violência doméstica está fazendo as mulheres deixarem seus lares violentos e buscarem a tutela estatal disponível pela Constituição Cidadã de 88 através de um dos principais fundamentos basilares, a dignidade da pessoa humana, através da compreensão de que ela é capaz de gerir seu lar sozinha, ou que consegue manter uma casa com filhos e sem um marido, e principalmente, que ela conhece seu valor e é autossuficiente para exigi-lo, além de educada o bastante para tratar as desigualdades que a cercam com inteligência, urbanidade e graça.

Daí eu me questiono: será que as mulheres do século XXI percebem que chegamos na quarta onda do feminismo? Será que elas conseguirão ser tão fortes e lutar até o fim como lutaram Cleópatra, Joana D’Arc, Dandara, Robin Morgan, Nísia Floresta Augusta, Chiquinha Gonzaga, Bertha Lutz, Therezinha Zerbini, Maria da Penha Maia Fernandes e tantas outras que tiveram que enfrentar esse sistema opressor, patriarcal e machista?

Eu sei que a luta pelo fim da violência doméstica está apenas começando, mas como todas as outras guerras enfrentadas pelas mulheres e que foram vencidas, eu tenho certeza de que o fim da violência não é apenas uma utopia e quando novamente a irmandade se der conta do poder que tem, as mulheres se levantarão e se unirão por mais uma vitória pela sua liberdade e pelo respeito entre os sexos.

Sobre a autora
Jacqueline Polachini Batista

Advogada. Especialista em Direito Penal. Especialista em Direito de Família e Sucessões. Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Criadora do Movimento Coragem Feminista. Concursanda.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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