Século, XIX, o ano é 1888, A Lei Áurea (Lei nº 3.353), foi sancionada por uma mulher, a princesa Isabel, filha de Dom Pedro II, no dia 13 de maio. Concedendo a liberdade total aos escravos que existiam no Brasil, uma média de 700 mil.
Dois séculos após, no ano de 2020, alguns dados: 5% do total de pessoas resgatadas do trabalho escravo são mulheres (Ministério da Economia - 2020); 2003 a 2018, 47.760 trabalhadores encontrados em condições análogas às de escravo no Brasil - 35.943 vítimas contavam com informações na base de dados do seguro-desemprego, dentre elas, 1.889 eram mulheres – (Trabalho escravo e gênero: quem são as trabalhadoras escravizadas no Brasil?, produzido pelo programa de educação da organização, o Escravo, nem pensar!, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho); o primeiro registro de trabalho escravo para fins de exploração sexual (Operação Cinderela-2019); e, segundo trimestre de 2019, no Brasil a força de trabalho subutilizada é composta por mulheres que representam 55,3% do total de 24 milhões (IBGE); demonstram que ainda há muito a ser feito para acabar a escravidão e em especial, a feminina.
É salutar informar que nas últimas décadas, observa-se um crescimento considerável da participação da mulher brasileira em postos importantes na esfera política, por exemplo, eleição da primeira presidente. A trajetória feminina na área de Direito, em especial, também é positiva como se vê na nomeação de ministras para o Supremo Tribunal Federal, Superior Tribunal de Justiça, demais cortes superiores e de segunda instância. Ratificando o fortalecimento do gênero na aprovação de leis, na realização de justiça e, como resultado no fortalecimento da democracia moderna.
Contudo, a cultura obscurecida do preconceito ainda é forte e fruto de uma desigualdade social e violação dos direitos humanos. As mulheres continuam em condições de vulnerabilidade socioeconômica e permanecem mais suscetíveis ao aliciamento para a exploração laboral: atividades agropecuárias (corte de cana-de-açúcar e a produção de carvão), atividades domésticas (maternidade, cozinha e limpeza) e exploração sexual (estupro e prostituição).
Embora haja movimentos feministas em prol de defesa do gênero, a desigualdade ainda é um dos eixos da estrutura das diferenças sociais não só no Brasil, mas no mundo todo. Muitas mulheres buscam reconhecimento para si e para as demais, mesmo que isso seja contrariar tudo que a sociedade machista, sexista e misógina impõe as gerações presentes e futuras como verdade absoluta. Ser mulher é ser escrava de um preconceito enraizado, é ser calada por meio da violência física, verbal, psíquica e emocional. Infelizmente esses tipos de escravidão não foi abolida o que compromete o verdadeiro sentido do papel social feminino que vai além da gestação, criação, servidão e escravidão.
Muito ainda tem que ser feito na democracia atual. Ela necessita passar por uma remodelagem de conceitos, pois, a ideia de igualdade se encontra deturpada e todos precisam entender o princípio fundamental constitucional da isonomia e da dignidade da pessoa. Afinal, as mulheres são dispensáveis, mortas, sem pudor, para serem caladas e não gerarem confusão, ou seja, muitas vidas são perdidas, mas a ideologia persiste. Não se trata de confundir e sim esclarecer o papel igualitário dentro da sociedade e sua competência.