Como já foi demonstrado pelos livros de história, filosofia, matemática, artes e diversas áreas do conhecimento humano, a Grécia Antiga foi marcada por uma verdadeira ebulição de produção científica, literária e cultural, podendo ser destacado o trabalho de um dos mais importantes estudiosos desse período, trata-se de Pitágoras, cujas ideias de tão avançadas e revolucionárias, foram utilizadas como justificativa para sua perseguição, o que é paradoxal, visto que de seus ensinamentos, encontra-se muita sabedoria. Por volta do século VI a.C., por exemplo, ele já dizia: “educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”.
Partindo-se, então, deste pensamento, a primeira impressão que ele pode passar é que tal educação diz respeito, apenas, ao aspecto intelectual e social dos indivíduos, quando, na verdade, pode também ter um sentido mais amplo – como o emocional – afinal, a medicina já demonstrou que quando algo está errado com o corpo humano, alguns sinais são expressos. Logo, com a mente humana não seria diferente.
Contudo, conforme estas informações, um questionamento pode surgir: “como a educação emocional pode estar relacionada com a problemática do bullying nas escolas? ”, e a resposta consiste no fato de que é, justamente, pela ausência de uma educação emocional, que tal problemática existe e afeta não só as vítimas desta violência, mas, também, os próprios agressores, partindo-se da premissa de que o “valentão” – significado da palavra bullying em português –, na realidade, não só é uma pessoa que possui medo como, principalmente, baixa autoestima, o que explica o prazer pelo sofrimento alheio, pois como muito bem pontuou Augusto Cury, escritor e psiquiatra da atualidade, idealizador da Escola da Inteligência, bem como da Teoria da Inteligência Multifocal que trata da criação dos pensamentos, “toda pessoa que fere, um dia já foi ferida”.
Aliás, um dos possíveis exemplos para essa frase, é o “Massacre de Suzano”, ocorrido na cidade de Suzano, Estado de São Paulo, em fevereiro do ano de 2019, quando um adolescente de dezessete anos e um jovem adulto de vinte e cinco, entraram em uma escola pública realizando disparos de arma de fogo e machadadas em alunos e funcionários, tendo alguns ficado tão gravemente feridos, que faleceram.
Segundo algumas informações veiculadas nos principais meios de comunicação do Brasil, um dos agressores, o adolescente, sofreu bullying e teve dificuldades de relacionamento com os colegas de classe, ou seja, trata-se de traumas anteriores à ocorrência da tragédia, o que Augusto Cury caracteriza como janelas killers que, traduzidas para o português, significam janelas assassinas, o que possivelmente o levou a desistir dos estudos, tendo o crime terminado também com a sua morte e de seu comparsa – quando o homicida mais velho disparou contra ele e, em seguida, suicidou-se – o que demonstra a gravidade desta violência, uma vez que pode tornar-se um ciclo vicioso.
Além disso, é importante lembrar que a globalização facilitou o acesso à comunicação, tendo o poder de promover a conscientização das pessoas e dos alunos, ajudando-os a serem agentes sociais de transformação que podem não só intervir nesse tipo de violência, como ainda formar outros agentes sociais, o que denomina-se na sociologia de O ponto da virada, expressão criada por Malcolm Gladwell, que diz respeito ao surgimento de um vírus social que, nesse caso, é benéfico e espalha-se como uma epidemia ou pandemia, trazendo resultados positivos.
Porém, deve-se ressaltar que, infelizmente, ainda não foi possível atingir esse ponto da virada, tendo, inclusive, o acesso à comunicação, feito com que alguns dos problemas do “mundo real”, migrassem para o “mundo virtual”, pois, por vezes, diversas dessas adversidades acompanham o desenvolvimento tecnológico.
Um espelho disso é o próprio bullying, que passou a existir no ambiente virtual por meio das redes sociais e games – trata-se do cyberbullying – e, apesar disso, os seus efeitos na vida das vítimas são incontestáveis, apresentando-se também como um desafio para o Direito, daí a importância da Lei Nº 13.185/2015 (que Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, o Bullying) e o próprio Marco Civil da Internet (Lei Nº 12.965/2014), além de diversos outros dispositivos legais que regulam o uso da rede, os direitos e deveres, além da tipificação dos crimes virtuais.
Como foi demonstrado, a escola possui um papel importantíssimo em detectar possíveis problemas psicológicos e desequilíbrios emocionais, além de coibir e até prevenir a prática do bullying, por meio da implantação de programas que estimulem e desenvolvam a inteligência emocional. Mas, a função da família também é crucial, pois a casa e a escola são os lugares em que as crianças, jovens e adolescentes, passam o seu maior tempo, sendo necessário haver o diálogo entre esses dois ambientes, ou seja, entre pais, familiares, professores e demais membros escolares, visto que sempre existe um sinal comportamental de que a mente humana não está saudável – podendo ser observado o rendimento, média, frequência, participação, interação escolar, além do comportamento em casa.
Assim, parafraseando o pensamento de Pitágoras, se for dada importância à educação emocional das crianças e adolescentes, consequentemente, não só os adultos não serão punidos com notícias de conteúdo tão triste e trágico, como toda a sociedade, podendo ser salvas a tempo, inúmeras mentes e vidas.
BIBLIOGRAFIA:
VARGAS, André. O massacre de Suzano. Isto é, 2019. Disponível em: https://istoe.com.br/o-massacre-de-suzano/. Acesso em: 13/04/2020.
VEJA. Mãe de um dos assassinos diz que bullying fez filho parar de estudar. 2019. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/mae-de-um-dos-atiradores-diz-que-bullying-fez-filho-parar-de-estuda.... Acesso em: 13/04/2020.