Em 2017 já havia a informação de que ocorria uma fraude há cada 5 segundos no e-commerce nacional e só em 2017 foram registrados mais de 200 milhões casos no comércio eletrônico brasileiro.
Em 2020, o índice de tentativas de fraude já era de 3,99% do total das compras realizadas no e-commerce brasileiro. Dados ainda mais assustadores.
Para tentar se proteger dos golpes, cada vez mais evoluídos, lojistas apostam em intermediações de pagamentos e sistemas anti-fraude que realizam a análise do método de pagamento escolhido, ligam para o cliente e fazem o que podem para evitar transações que ocorrem com dados de cartões roubados, por exemplo.
Mas, o que fazer em caso de auto-fraude?
O método cada vez mais utilizado por “pessoas de bem” tem se popularizado e criado um verdadeiro dilema para o mercado nacional.
Na auto-fraude, o verdadeiro dono do cartão realiza uma compra e após receber, cancela a compra com a operadora, dizendo que não foi quem realizou o pedido.
Nesse caso, o lojista envia o produto e fica sem o pagamento.
Aparentemente, seria uma questão fácil de resolver, visto que bastaria comprovar o envio e a entrega, porém não é assim que as coisas funcionam.
A prática comum no Brasil é que a operadora cancele a compra sem maiores dificuldades para o cliente e caso o lojista queira, pode fazer o registro da ocorrência em uma delegacia e entrar com um processo judicial contra o comprador.
A questão é que, na grande maioria das vezes, as compras são de valores grandes demais para perder, mas pequenos demais para lutar na justiça.
É o que conta à Bruna Bozano, a CEO da Joias Boz: “Anualmente, temos um número considerável de tentativas de fraudes no nosso e-commerce. Uma grande quantidade é filtrada pelo antifraude e evita até mesmo que o pedido seja faturado, porém há um número de pedidos que são aprovados, mesmo após a filtragem. Nesse caso, fazemos uma análise manual e estornamos e cancelamos compras com suspeita de fraude. Em algumas situações, entramos em contato anteriormente com o cliente para solicitar a fotografia dos documentos do titular do cartão, para evitar que seja um caso de uso de dados roubados. Ainda assim, há situações em que o próprio cliente realiza a compra, recebe e depois estorna a compra, sem nenhuma alegação. A prática é conhecida e tem até os tipos de produtos preferidos dos fraudadores. Geralmente são joias de prata, escapularios masculinos, correntes e pulseiras de alto valor. Buscamos entrar em contato com o cliente antes de enviar a compra sempre que possível. Assim geramos mais provas a respeito da compra, mas na maioria dos casos, o valor da compra faz com que o caso não seja direcionado à justiça e os fraudadores sabem disso”.
Diante do cenário, diversos lojistas buscam grupos na internet onde possam criar um cadastro de clientes fraudadores, mas sabem que operar dessa forma pode ser perigoso e ilegal.
Judicialmente, parece não existir ainda uma saída.
Referências:
Estudo mostra que tentativas de fraude no e-commerce brasileiro acontecem a cada 5 segundos. Disponível em: <https://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2018/02/estudo-mostra-que-tentativas-de-fraude-no-e-commerce-brasileiro-acontecem-cada-5-segundos.html> acesso em 17/02/2021
Tentativas de fraude ao e-commerce aumentam no primeiro semestre de 2020, diz Konduto. Disponível em: <https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/fraude-primeiro-trimestre-konduto/> acesso em 17/02/2021