Resumo
A utilização intensiva de mão-de-obra é uma das características do setor de frigoríficos de aves. A responsabilidade social, que abrange a proteção à saúde e segurança dos trabalhadores, é um tema bastante atual no empreendedorismo. O estudo teve como objetivo estimar os custos dos afastamentos associados aos acidentes de trabalho. Os resultados obtidos indicam que o afastamento típico pode ser definido como: proveniente de mulheres (82,3%), com funções de PCO Frigorífico (54,22%), no setor de Sala de corte de aves (79,13%), devido à doença F32 - Episódios depressivos (30,6%). Quanto à distribuição dos custos, 60% são absorvidos pela empresa e o restante pelo INSS. Os resultados obtidos fazem parte do projeto de tese apresentado ao programa de pós-graduação em nível de doutorado em engenharia de produção – ergonomia.
Relevância para a indústria: O estudo pode servir como elemento motivador para que os empreendedores do setor industrial adotem medidas protetivas à saúde e segurança dos trabalhadores a fim de evitar a ocorrência de acidentes.
Palavras-chave: Acidentes de trabalho; empreendedorismo; custos.
THE FINANCIAL COSTS OF ACCIDENTS AND OCCUPATIONAL DISEASES IN THE POULTRY REFRIGERATION INDUSTRY
Abstract
Labor-intensive use is one of the characteristics of the poultry refrigerator industry. Social responsibility, which covers the protection of workers' health and safety, is a very current theme in entrepreneurship. The study aimed to estimate the costs of leave associated with work accidents. The results obtained indicate that the typical clearance can be defined as: coming from women (82.3%), with functions of PCO Frigorífico (54.22%), in the poultry cutting room sector (79.13%), due to f32 disease - Depressive episodes (30.6%). As for the distribution of costs, 60% are absorbed by the company and the rest by the INSS. The results obtained are part of the thesis project presented to the graduate program at the doctoral level in production engineering – ergonomics. Relevance for industry: The study can serve as a motivating element for entrepreneurs in the industrial sector to adopt protective measures for the health and safety of workers to avoid accidents.
Keywords: Accidents at work; entrepreneurship; costs.
- INTRODUÇÃO
A indústria de abate e processamento de aves é um dos mais vigorosos setores da indústria nacional. A utilização intensiva de tecnologia de ponta e um sistema integrado de produção permitem ao setor alcançar resultados econômicos positivos. Estima-se que, em 2013, o setor de frigorifico de aves produziu 12,30 milhões de toneladas de carne de frango, principal espécie de ave abatida e processada. O Brasil é o terceiro maior produtor e o principal exportador mundial de carne de frango – 3,918 milhões de toneladas. O setor avícola é responsável por 3,6 milhões de empregos diretos e indiretos que agregam produtos, frigoríficos e exportadores, gerando mais de 300.000 empregos nas indústrias frigoríficas de abate e processamento de aves. O Estado de Santa Catarina foi responsável por 16,6% dos abates e 24,07% das exportações brasileiras ou 936.849 toneladas de carne de frango e o setor gera no Estado, cerca de 40.000 empregos diretos (UBABEF, 2014).
Nesse segmento a utilização intensiva de mão de obra é uma realidade em todas as fases de produção (BARZOTTO, 2013). Como consequência, o setor apresenta índices preocupantes de acidentes de trabalho, incluídos os acidentes típicos e as doenças ocupacionais. Estudos realizados no Brasil relatam um ambiente de trabalho nos frigoríficos marcado pelo sofrimento físico e psicológico materializado na alta incidência de acidentes e lesões musculoesqueléticas (ALENCAR, 2005; TOKARS, 2012; REIS, 2012). No mesmo sentido, Musolin et al., (2014a); De Perio et al., (2013); Rosenbaum et al., (2013); Schulz et al., (2013) afirmam que no segmento de frigorífico de aves os trabalhadores estão expostos a fatores de risco que afetam sua integridade física e psicológica.
O bem estar e a segurança dos trabalhadores são apontados como elementos fundamentais na gestão dos negócios na indústria. Entretanto, nas últimas décadas os acidentes e lesões decorrentes do trabalho tornaram-se uma das maiores preocupações das empresas e órgãos oficiais de saúde. Os acidentes repercutem na produtividade e equilíbrio financeiro (FERNÁNDEZ-MUÑIZ, MONTES-PEÓN e VÁZQUEZ-ORDÁS, 2009). Mas estes não são os únicos malefícios a serem contabilizados. Igualmente prejudicial é a queda da qualidade dos produtos e serviços, o retrabalho, a deterioração do ambiente laboral, os custos financeiros para o sistema público de saúde, o impacto social e a perda de vidas humanas (JENKINS; RICKARDS, 2001; JENSEN, 2002; CRAWFORD, 2005; DRIESSEN et al., 2008; SANTANA et al., 2012; CARNERO e PEDREGAL, 2010).
Os empreendedores estão mais propensos a adotar medidas protetivas aos trabalhadores quando embasados por argumentos financeiros que indiquem o custo-benefício dessas medidas. Trabalhos desenvolvidos por Rikhardsson (2004) e pela OSHA-UE (2014) enfatizam que é relevante compreender que a maneira mais eficaz de sensibilizar os gestores da indústria quanto à importância de oferecer um ambiente laboral ergonomicamente apropriado passa pela demonstração do efetivo dano financeiro causado pelo detrimento das condições de saúde dos trabalhadores.
A importância econômica e social do segmento de abate e processamento de aves para a economia do Estado de Santa Catarina justifica o aprofundamento de estudos no sentido de mensurar o impacto financeiro dos acidentes de trabalho.
Dessa forma, o estudo tem como objetivo estimar os custos dos afastamentos associados a acidentes de trabalho no setor frigorífico de aves. Espera-se que os resultados incentivem os empreendedores do setor a adotar medidas de proteção à saúde e segurança de seus trabalhadores.
- REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Adizes e o ciclo de vida das organizações
Na visão de Adizes (2002), as organizações podem ser comparadas aos organismos vivos. Por esse ângulo, as empresas crescem e envelhecem. Esses dois fatores: crescimento e envelhecimento tem relação com as características de flexibilidade e controle dessas organizações. As empresas quando jovens tendem a ser altamente flexíveis e pouco controláveis, quando envelhecem, há uma inversão, tornando-se mais controláveis e menos flexíveis.
Ao contrário do que se poderia supor o tamanho e o tempo de existência da organização não têm relação direta com o crescimento e envelhecimento. A juventude de uma organização é determinada pela sua capacidade de adaptar-se às mudanças com relativa facilidade, ainda que o baixo nível de controle torne suas ações relativamente imprevisíveis. De outro lado, o envelhecimento de uma empresa é determinado pelo comportamento controlável, mas inflexível, pouco afeito à mudanças tão indispensáveis à longevidade (ADIZES, 2002).
Há, porém, um meio termo entre a juventude e a velhice, onde as organizações desfrutam das vantagens inerentes à consolabilidade e flexibilidade. Nesse degrau de evolução, denominado plenitude, a empresa mostra capacidade de equilibrar o autocontrole e a flexibilidade. Nesse estágio, a empresa possui sistemas e estrutura organizacionais funcionais definidos; visão e criatividade institucionalizadas; orientação para os resultados; planejamento; superação das expectativas de desempenho e manutenção do crescimento das vendas (ADIZES, 2002).
No decorrer de sua existência, as organizações se vêm diante de problemas. As dificuldades podem surgir como uma consequência natural de seu desenvolvimento ou nos momentos de transição de uma fase para outra. A capacidade da organização em resolver os problemas reduz-se com o envelhecimento. Nesse contexto, o empreendedor deve demonstrar capacidade em distinguir os problemas normais, decorrência natural do crescimento ou mudança de estágio dos problemas patológicos ou anormais que podem decretar a interrupção dos negócios. São apontados dois tipos de tratamento que objetivam evitar o envelhecimento da organização. A intervenção curativa tem como objetivo eliminar os problemas patológicos e assim permitir que a empresa progrida para a fase subsequente e volte a enfrentar os problemas normais. A intervenção preventiva consiste em desenvolver a capacidade da empresa de evitar dificuldades anormais nos estágios subsequentes do ciclo de vida. Pretende-se evitar o surgimento de novas patologias ou complexidades (ADIZES, 2002).
Para o autor, o ciclo de vida das organizações obedece a vários estágios, cada uma com características e peculiaridades próprias. Esses estágios fazem parte do desenvolvimento da organização (crescimento e envelhecimento).
No estágio pré-inicial das atividades, denominada de “namoro”, a empresa ainda não nasceu. Subsiste tão somente uma ideia e possibilidades. É um período marcado pelo diálogo e pouca efetividade nas ações.
Na infância, o diálogo e os planos são substituídos pela ação. Nesse estágio há escassez de diretrizes, sistemas, procedimentos e orçamento. Há uma forte centralização e desconhecimento acerca dos pontos fortes e das vulnerabilidades da organização. O ambiente é marcado pela pessoalidade e tentativa de satisfazer os clientes. Na gestão, inexiste um processo ordenado para contratação de colaboradores e não se avalia ainda o desempenho da organização. Nesse estágio a possibilidade que erros sejam cometidos é muito elevada (ADIZES, 2002).
No estágio posterior, a organização começa a colher os frutos do trabalho. Na fase toca toca, o fluxo de caixa foi equacionado e a movimentação de mercadorias (vendas) aumenta. O foco se desloca do produto para o mercado. Há um risco de que a organização se torne arrogante, devido ao sucesso inicial. A arrogância aliada à excessiva orientação para vendas pode provocar o descuido nos investimentos.
Na adolescência, há o descolamento da figura dos fundadores (família) e a empresa. O conflito e a inconsciência são características desse estágio. O fundador se vê obrigado a delegar autoridade, oferecendo a seus colaboradores a oportunidade de mostrar sua capacidade.
Na última fase do crescimento, alcança-se a plenitude. Nesse estágio as empresas tem uma noção clara do que estão fazendo e o caminho a se seguido. É o ápice da curva de crescimento, ponto ideal que merece esforços para sua manutenção. Para Adizes, a plenitude não é o ponto de chegada da organização, seu destino final. A organização plena tem como principal desafio permanecer na plenitude, fomentando seu próprio crescimento.
No processo de envelhecimento, a primeiro estágio é a estabilidade. A empresa demonstra força, mas vai perdendo a flexibilidade. A disposição à mudanças e inovação vão sendo perdidas. As organizações estáveis são caracterizadas pelas expectativas mais modestas de crescimento; pouca ambição em conquistar novos mercados e tecnologias; temor às mudanças; valorização e recompensa àqueles que cumprem as ordens de forma estrita e desinteresse pelos riscos.
Na aristocracia a redução da flexibilidade gera consequências em longo prazo, como a diminuição da capacidade de obter resultados. O padrão de comportamento das organizações nesse estágio se caracteriza pela aplicação de recursos em sistemas e modelos de controle, benefícios e instalações; foco em como as coisas são feitas e não no que é e por que é feito; excesso de formalismo e baixo nível de inovação interna.
Na fase seguinte, a burocracia incipiente, a empresa preocupa-se com os causadores dos problemas e não nas soluções. Os conflitos internos são bastante intensos e o cliente e suas necessidades são relegados ao segundo plano. Importam mais as regras internas que os clientes.
Na fase terminal, a burocracia ou morte, a empresa está alienada do seu ambiente de negócios, concentrando-se em si mesma. Os clientes são obrigados a criar mecanismo complexos para poderem trabalhar com a empresa. Nesse estágio, a organização não pensa em resultados, não há perspectiva de mudanças ou trabalho em equipe. Há ênfase nos sistemas, nas estruturas, normas e rituais (ADIZES, 2002). Para Chiavenato (2011), Na organização burocrática, as diretrizes emanadas por meio de regulamentos e normas tendem a adquirir um valor próprio, passando a substituir gradativamente os próprios objetivos da empresa. Os colaboradores tem sua visão encurtada e esquecem que a flexibilidade é uma das características mais importantes das atividades empreendedoras. O funcionário burocrata tende a se tornar um especialista, não por possuir conhecimento profundo de suas tarefas, mas por conhecer perfeitamente as normas da organização.
Os estágios do ciclo de vida organizacional caracterizam-se pela repetitividade e previsibilidade. Dessa forma, o conhecimento da posição ou estágio da organização nesse ciclo permite que o empreendedor antecipe decisões preventivas, enfrentando precocemente os possíveis problemas característicos de cada estágio.
2.2 Responsabilidade social do empreendedor e bem-estar dos trabalhadores
No Brasil, há uma aparente contradição entre o crescimento econômico vivido na última década e elevado número de trabalhadores acidentados. O sofrimento imposto pelos acidentes de trabalho não atinge exclusivamente os trabalhadores e seus familiares. Oneram as empresas economicamente com as despesas de tratamento, com as reparações indenizatórias, com a desagregação do ambiente de produção e risco de repetição dos acidentes. Há, dessa forma, um evidente prejuízo material ocasionado pelos danos ao patrimônio da empresa e à sua imagem (RAMOS; AZEVEDO, 2012). Os acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais têm ainda outras consequências que atingem o empreendimento: a estabilidade adquirida pelos funcionários, as reclamações trabalhistas, os direitos à reintegração ao emprego, indenizações compensatórias, autuações dos órgãos de fiscalização e as ações regressivas propostas pelo órgão previdenciário (ALBUQUERK, 2009). De forma conjuntural, pode-se afirmar que os acidentes de trabalho refletem suas consequências sobre todos os elementos que possuem alguma relação de dependência com o empreendimento. São afetados os demais empregados não envolvidos diretamente no acidente, os clientes, o município e a depender da importância da empresa, toda uma região econômica.
A responsabilidade social surge na literatura a partir do sáculo XIX e, desde então, tem adquirido maior expressão, atenção e interesse por parte dos estudiosos, empresários e o público em geral. A responsabilidade social tem tido nas últimas décadas uma forte expansão que se tem traduzido na sua aplicabilidade estratégica no mundo dos negócios (FERNÁNDEZ; BOGA; DA SILVA FARIA, 2014)
As definições sobre o empreendedorismo e a figura do empreendedor ressaltam em maior ou menor grau a responsabilidade social da atividade produtiva. Para Schumpeter (1982), empreendedor é o agente de mudanças capaz de gerar constantemente novos produtos, novos métodos de produção e novos mercados. Para Dolabela (1999), o empreendedor deve conduzir seu negócio ao desenvolvimento econômico, gerando e distribuindo riquezas e benefícios para a sociedade.
Pode-se conceituar a responsabilidade social como um conjunto de princípios, políticas e programas nos âmbitos econômico, social e ambiental que objetiva incorporar na estratégia empresarial valores dos públicos internos e externos (MARTINEZ et al., 2005). A responsabilidade social engloba um conjunto de ações que atingem diversos elementos da sociedade, como os empregados, os acionistas, os fornecedores, os consumidores e a sociedade. Em relação aos empregados, as empresas são responsáveis dentre outras coisas, em proporcionar adequadas condições de trabalho (COWPER-SMITH; GROSBOIS, 2011).
No entanto, a mera responsabilidade moral ou social não parece servir por si própria, como elemento que incentive o empreendedor a tomar decisões no sentido de salvaguardar o bem estar e a saúde dos trabalhadores. O aspecto financeiro é fundamental na decisão.
A questão do gerenciamento dos custos dos acidentes de trabalho ainda é um assunto pouco explorado no setor empresarial brasileiro, sobretudo industrial. Inúmeros fatores, como a dificuldade na sua mensuração, sistema previdenciário que absorve fatia considerável destes custos e o despreparo dos empreendedores, devem ser considerados. Lezana (1995) afirma que, dentre os diversos tipos de conhecimentos, os empreendedores devem entender dos aspectos técnicos do negócio, principalmente o produto e o processo de produção. Dessa forma, os empreendedores devem estar atentos às condições de trabalho oferecidas a seus colaboradores.
Os custos com afastamentos de trabalhadores por acidentes de trabalho tem sido uma preocupação crescente para o setor industrial, motivando a adoção de medidas que reduzam os acidentes no trabalho. Acidentes representam uma despesa substancial para a sociedade, para os sistemas de seguridade social e para as empresas individualmente, afetando, sobretudo sua produtividade e competitividade. Nesse sentido, a redução dos custos financeiros é um fator importante a ser considerado quando da análise dos custos acidentários (KLEN, 1989; RIKHARDSSON, 2004; MACEDO e SILVA, 2005). Intervenções que melhorem os aspectos ergonômicos, a saúde e o ambiente de trabalho, ainda que de baixo custo e baixa tecnologia, geralmente são bastante benéficas para as empresas (TOMPA; DOLINSCHI; NATALE, 2013).
Nesse sentido, o estudo pretende preencher uma importante lacuna na literatura nacional, carente de estudos que subsidiem, em termos financeiros, a decisão dos empreendedores em matéria de proteção à saúde dos trabalhadores.
2.3 Responsabilidade Social na precaução de acidentes na Indústria frigorífica de aves
Na condução dos negócios, desde a fundação a até etapas mais evoluídas em termos de tamanho e complexidade, os empreendedores se deparam com desafios característicos a cada um dos estágios alcançados (DELLA BRUNA JR. et al., 2013; ADIZES, 2002). A organização, cenário deste estudo, pode ser enquadrada no estágio de plenitude, no modelo de ciclo de vida organizacional (CVO) proposto por Adizes (2002). Nesse estágio, a organização possui capacidade de controlar seu próprio destino e a manutenção de seu crescimento está associada à capacidade de lidar com problemas maiores e mais complexos. Para Della Bruna Jr. et al., (2013), nesse estágio, o objetivo da organização é consolidar e controlar os lucros advindos do crescimento e, simultaneamente, manter o espirito empreendedor e a flexibilidade diante dos desafios do mercado. Assim, a redução dos desperdícios e o uso eficiente dos recursos são objetivos da gestão.
Saúde e bem-estar são valores humanos básicos que devem ser vistos como um valor de negócio e um valor para os funcionários. Configuram-se em elementos essenciais para o aumento ou manutenção do desempenho do empregado, a produtividade, satisfação e o engajamento dentro do ambiente de trabalho (GERVAIS, 2014). Os resultados na prevenção dos acidentes de trabalho mostra relação direta com a capacidade do empreendedor em oferecer boas condições ergonômicas aos seus colaboradores. Para Pinder (2015), a ergonomia pode melhorar a segurança, o bem estar e o conforto dos trabalhadores. Deve ser aplicada a saúde e segurança do trabalho como forma de garantir que os riscos serão eliminados na fase de concepção, em uma fase posterior ou, na impossibilidade de eliminação, sejam ao menos, controlados e reduzidos.
As condições de trabalho no setor industrial têm motivado numerosos estudos sobre os impactos da ergonomia no desempenho financeiro dessas organizações. As boas condições ergonômicas estão intrinsecamente associadas à satisfação dos empregados, altos índices de produtividade e redução de custos com afastamentos por acidentes ou doenças ocupacionais. Há na literatura especializada consistente acervo de estudos que demonstram os benefícios da ergonomia para o desempenho organizacional (BEEVIS; SLADE, 2003; GUIMARÃES et al., 2014). Os benefícios financeiros decorrentes da implantação de programas ergonômicos são visíveis tanto em países industrialmente desenvolvidos como naqueles em processo de industrialização. Nestes últimos, os efeitos benéficos da ergonomia são mais visíveis (SCOTT, 2008).
Especificamente na indústria frigorifica de aves são numerosos os estudos que evidenciam o desrespeito às normas de saúde e segurança do trabalho. Nesses ambientes, os acidentes de trabalho típicos, as lesões musculoesqueléticas, notadamente LER/DORT e distúrbios mentais são provenientes de um ambiente onde os trabalhadores são submetidos às regras mais primitivas do gerencialismo, da gestão performática, supervisão abusiva e do sistemático desrespeito às normas e recomendações ergonômicas, conforme atestam os estudos de Walter (2012); Grzywacz et al., 2012; Marin et al., 2009.
Complementarmente, a literatura também oferece consistente acervo de estudos indicam a elevada ocorrência de acidentes e doenças do trabalho e os consequentes afastamentos em frigoríficos de aves (KYEREMATENG‐AMOAH et al., 2014; MARIN et al., 2009). Ao contrário do que ocorre em outros setores, como a construção civil, por exemplo, não há trabalhos dirigidos para a identificação e estimativa dos custos destes afastamentos no setor frigorifico. Estudos nessa área tendem a centralizar seus esforços na identificação das principais categorias de acidentes e adoecimentos e suas consequências físicas e psicossociais sem, no entanto, adentrar à seara financeira.
Os acidentes de trabalho são uma temática atual de grande relevância no meio acadêmico e empresarial. É entendimento que os efeitos financeiros ocasionados pelos acidentes de trabalho podem acarretar importante aumento nos custos de produção, principalmente em pagamentos salariais e encargos trabalhistas durante o período de afastamento, diminuindo consideravelmente a competitividade da indústria. A boa gestão desses custos no âmbito da avaliação de desempenho na indústria é um tema ainda pouco explorado, carente de estudos mais aprofundados que sejam capazes de estimar o seu montante.
- PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Nessa etapa, serão apresentados os procedimentos metodológicos utilizados para a identificação e estimativa dos custos dos acidentes de trabalho, especificamente aqueles custos incidentes sobre a folha de salários.
3.1 Cenário de Estudo
Em 2013 o Brasil produziu 12,30 milhões de toneladas de carne de frango, principal espécie de ave abatida e processada. O Brasil é o terceiro maior produtor e o principal exportador mundial de carne de frango – 3,918 milhões de toneladas. Estima-se que o setor avícola seja responsável por 3,6 milhões de empregos diretos e indiretos que agregam produtos, frigoríficos e exportadores, gerando mais de 300.000 empregos nas indústrias frigoríficas de abate e processamento de aves. O Estado de Santa Catarina foi responsável por 16,6% dos abates e 24,07% das exportações brasileiras ou 936.849 toneladas de carne de frango e o setor gera aproximadamente 40.000 empregos diretos (UBABEF, 2014). O estudo foi desenvolvido junto à unidade industrial de Capinzal (SC), integrante de uma das maiores companhias brasileiras do ramo alimentício. Atualmente, a unidade industrial abate 430 mil aves por dia, distribuídas em dois turnos de trabalho. Conta com um quadro de 5.470 funcionários. Do produto final, uma parte é industrializada e outra comercializada na forma de cortes. A produção total chega a 926 toneladas ao dia, sendo destinada em sua maior parte à exportação (79%). As exportações são destinadas a 34 países (BRUSCHI, 2014).
3.1.1 Técnicas de Pesquisa
Pacheco Junior; Pereira; Pereira Filho (2007) definem as técnicas de pesquisa como os procedimentos operativos de coleta, tratamento e análise de dados, com o objetivo de avaliação e apresentação dos resultados. Coleta de dados pode ser definida como a forma que se obtêm os dados indispensáveis para responder ao problema da pesquisa (VERGARA, 2000).
Quanto aos instrumentos ou técnicas de coleta de dados, utilizar-se-á a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental. A coleta de dados ocorrerá a partir de dados primários e secundários. Os dados primários serão obtidos por meio de análise de dados internos da empresa – atestados médicos com CID 10 e demonstrativo da folha de pagamento da entidade pesquisada, no caso, a indústria frigorífica de aves em um recorte de 3 anos. Os dados secundários a serem utilizados na presente pesquisa serão os artigos científicos relevantes sobre o tema.
Apesar da proximidade conceitual entre a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental ambas não se confundem por possuirem fontes de dados de natureza diferente. Enquanto a pesquisa bibliografica faz uso das contribuições de diferentes autores sobre o tema, ou seja, fontes secundárias, a pesquisa documental, por sua vez, se utiliza de fontes primárias – documentos em sentido amplo -, ou seja, de materiais ainda não tratados analiticamente. São matérias-primas a partir da qual o pesquisador desenvolverá sua investigação e análise. Na pesquisa documental é requerida maior atenção do pesquisador, visto que os documentos não passaram anteriormente por qualquer tratamento cientifico (SÁ-SILVA; ALMEIDA; GUINDANI, 2009).
O estudo ora desenvolvido se apoiará, primariamente, na pesquisa documental. Os documentos analisados consistirão em atestados médicos e folha de salários relativos aos trabalhadores afastados na indústria frigorifica de aves. Para Sá-Silva; Almeida; Guindani (2009), quando um pesquisador extrai informações de documentos primários, ele o faz investigando, examinando, utilizando tecnicas próprias para seu manuseio e análise. Além disso, ele deve seguir etapas e procedimentos, organizar informações por categoria para posterior análise e, ao final elaborar sínteses. Todo esse processo de análise documental está incutido de aspectos metodológicos, técnicos e analíticos.
O estudo foi realizado em 4 etapas: coleta, análise e organização dos atestados médicos; definição e estimativa dos componentes de custos; estudo piloto e análise estatística dos resultados. Na figura 1 são apresentadas as etapas do estudo de forma resumida.

Figura 1. Etapas da pesquisa.
3.2 Participantes do estudo
No estudo foram analisados os afastamentos de trabalhadores na unidade industrial em um período de 03 anos. Foram identificados 56.291 afastamentos de ao menos 01 dia do trabalho. Destes, 20.709 afastamentos foram motivados por CIDs em que se reconhece o NTEP entre a entidade mórbida e a CNAE 10.12-1-01, abate de aves.
4.RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Análise descritiva
As Tabelas 1 a 6 apresentam a frequência absoluta e relativa das variáveis de perfil da amostra de afastamentos. Pode-se definir o afastamento típico como: proveniente de mulheres (82,3%), com funções de PCO Frigorífico (54,22%), no setor de Sala de corte de aves (79,13%), devido à doença F32 - Episódios depressivos (30,6%).
É representativa também a função de Ajudante Frigorifico com 41,15% dos afastamentos. A variável “Outros” é formada, no caso das funções, pelos Ajudantes Túnel Congelamento, Auxiliares Administrativos, Auxiliares Controle de Produção II, Conferentes carga/Desc. II, Meio Oficiais Carpinteiros, Operadores Empilhadeira II, Operadores ETA/ETE II, Operadores Máquina Frigorífico I, Operadores Máquina Frigorífico II, PCO Serviços Gerais II e no caso dos setores, incluem o Departamento mat/sup frigorífico, Estação Trat/abast água, Estocagem e Carregamento Frigorífico, Fabricação Farinhas e subprodutos, Manutenção frigorífico aves e Processamento de ovos de aves. A variável “Ausente” se refere aos afastamentos nos quais não foi possível identificar a função ou setor onde o trabalhador afastado desempenhava suas funções.
Tabela 1 - Sexo
|
n |
% |
% válida |
% acumulativa |
|
|
Feminino |
2903 |
82,3 |
82,3 |
82,3 |
|
Masculino |
623 |
17,7 |
17,7 |
100,0 |
|
Total |
3526 |
100,0 |
100,0 |
Fonte: dados da pesquisa
Tabela 2 – Função
|
n |
% |
% válida |
% acumulativa |
|
|
PCO Frigorífico |
1523 |
43,19 |
54,22 |
54,22 |
|
Ajudante Frigorífico |
1156 |
32,79 |
41,15 |
95,37 |
|
Outros |
85 |
2,41 |
3,03 |
98,40 |
|
Técnico de produção |
18 |
0,51 |
0,64 |
99,04 |
|
Ajudante Produção Frigorífico |
15 |
0,43 |
0,53 |
99,57 |
|
PCO Túnel Congelamento |
12 |
0,34 |
0,43 |
100,00 |
|
Total |
2809 |
79,67 |
100,00 |
|
|
Ausente |
717 |
20,33 |
||
|
3526 |
100,00 |
Fonte: dados da pesquisa
Tabela 3 - Setor
|
n |
% |
% válida |
% acumulativa |
|
|
Sala de corte de aves |
2218 |
62,90 |
79,13 |
79,13 |
|
Industrializado |
246 |
6,98 |
8,78 |
87,91 |
|
Abate e Evisceracao Aves |
215 |
6,10 |
7,67 |
95,58 |
|
Inspeção Federal |
64 |
1,82 |
2,28 |
97,86 |
|
Túneis e Câmaras Aves |
26 |
0,74 |
0,93 |
98,79 |
|
Limpeza e Higienização de aves |
25 |
0,71 |
0,89 |
99,68 |
|
Outros |
9 |
0,26 |
0,32 |
100,00 |
|
Total |
2803 |
79,50 |
100,00 |
|
|
Ausente |
723 |
20,50 |
||
|
3526 |
100,00 |
Fonte: dados da pesquisa
Tabela 4 - Doenças
|
n |
% |
% válida |
% acumulativa |
|
|
F32 |
1079 |
30,60 |
30,60 |
30,60 |
|
G560 |
480 |
13,61 |
13,61 |
44,21 |
|
G569 |
408 |
11,57 |
11,57 |
55,79 |
|
F329 |
353 |
10,01 |
10,01 |
65,80 |
|
F322 |
270 |
7,66 |
7,66 |
73,45 |
|
F332 |
139 |
3,94 |
3,94 |
77,40 |
|
F333 |
124 |
3,52 |
3,52 |
80,91 |
|
F321 |
116 |
3,29 |
3,29 |
84,20 |
|
F31 |
100 |
2,84 |
2,84 |
87,04 |
|
G54 |
81 |
2,30 |
2,30 |
89,34 |
|
F323 |
79 |
2,24 |
2,24 |
91,58 |
|
F320 |
68 |
1,93 |
1,93 |
93,51 |
|
F (Outros) |
53 |
1,50 |
1,50 |
95,01 |
|
F33 |
46 |
1,30 |
1,30 |
96,31 |
|
F328 |
35 |
0,99 |
0,99 |
97,31 |
|
F13-F30 |
29 |
0,82 |
0,82 |
98,13 |
|
G (Outros) |
26 |
0,74 |
0,74 |
98,87 |
|
G56 |
22 |
0,62 |
0,62 |
99,49 |
|
F10 |
18 |
0,51 |
0,51 |
100,00 |
|
Total |
3526 |
100,0 |
100,0 |
Fonte: dados da pesquisa
A Tabela 5 apresenta as principais estatísticas descritivas das variáveis do estudo tendo por base que todas possuem nível de mensuração escalar. Note-se alta variabilidade em praticamente todas elas, com o desvio-padrão superando, quase sempre, o valor da média. Destacam-se os Benefícios do INSS com média de R$ 179,79 e desvio-padrão de R$ 799,50 (Coeficiente de variação = 445%). Esses indícios mostram forte ausência de normalidade nos dados, o que é comprovado pelos testes de normalidade Komogorov-Sminorv e Shapiro-Wilk.
Tabela 5 - Estatística descritiva das variáveis relacionadas com o custo do afastamento
|
n |
Mínimo |
Máximo |
Média |
Desvio padrão |
|
|
Dias de afastamentos não segurados |
3514 |
0,00 |
15,00 |
4,94 |
5,18 |
|
Dias de afastamento segurado |
3522 |
0,00 |
447,00 |
8,03 |
33,57 |
|
Proporção de dias afastados em um mês |
3512 |
0,00 |
0,50 |
0,16 |
0,17 |
|
Salário |
3526 |
113,39 |
2.389,86 |
714,05 |
199,28 |
|
Custo salarial |
3526 |
0,00 |
1.194,93 |
120,48 |
141,52 |
|
Recebimentos |
3526 |
0,00 |
222,00 |
23,01 |
26,98 |
|
Compensação do empregado |
3526 |
0,00 |
336,14 |
34,56 |
40,55 |
|
Impostos/Obrigações trabalhistas |
3526 |
0,00 |
438,55 |
38,14 |
44,94 |
|
Custo com treinamentos |
3526 |
0,00 |
189,29 |
18,92 |
22,20 |
|
Custos gerenciais |
3526 |
0,00 |
283,93 |
28,38 |
33,31 |
|
Custo total da empresa |
3526 |
0,00 |
2.664,84 |
263,49 |
309,18 |
|
Benefícios INSS |
3526 |
0,00 |
13.867,67 |
179,79 |
799,50 |
Fonte: dados da pesquisa
Em média, cada afastamento resultou em 4,94 dias de afastamento cuja responsabilidade pelos pagamentos dos salários ficou a cargo da empresa (dias não segurados) e 8,03 dias nos quais os trabalhadores afastados ficaram sob a responsabilidade do INSS, recebendo auxílio-doença acidentário. Os afastamentos que apresentam dias segurados decorrem de acidentes que demandam afastamentos superiores a 15 dias, portanto, em tese, de maior gravidade. Como os acidentes que resultam em afastamentos superiores a 15 dias são uma pequena parcela do total de afastamentos, e, ao mesmo tempo representam situações mais graves ou crônicas, demandam o auxílio do INSS por períodos também mais longos.
Destaque-se também que cada afastamento custou em média R$ 263,49 à empresa, sendo que o item mais representativo foi o custo com pagamento de salários com média de R$ 120,48 por afastamento. O custo com pagamentos de salários já era apontado em diversos estudos como a parcela mais representativa dos custos das empresas com afastamentos de trabalhadores. Dessa forma, pode-se concluir que, um acidente de trabalho custa em média R$ 263,49 às empresas e R$ 179,79 para o INSS, por meio do pagamento de auxilio doença acidentário.
4.2 Análise bivariada
Nessa seção analisaremos a relação entre as variáveis escalares relacionadas com os custos dos afastamentos (dias, salários e custos), que constam na Tabela 7, e as variáveis de perfil (sexo, função, frigorífico, setor e doença). Não vemos sentido analisar o cruzamento entre as próprias variáveis escalares, até porque a maioria é uma combinação linear de outras, e entre as próprias variáveis de perfil, por não contribuir para os objetivos do trabalho.
Tabela 6 -Dias, salários e custos dos afastamentos por gênero
|
Feminino |
Masculino |
|||||
|
N válido |
Média |
Desvio padrão |
N válido |
Média |
Desvio padrão |
|
|
Dias de afastamentos não segurados |
2893 |
4,90 |
5,16 |
621 |
5,12 |
5,28 |
|
Dias de afastamento segurado |
2901 |
8,09 |
33,57 |
621 |
7,74 |
33,57 |
|
Proporção de dias afastados em um mês |
2892 |
,16 |
,17 |
620 |
,17 |
,18 |
|
Salário |
2903 |
696,43 |
163,96 |
623 |
796,14 |
302,37 |
|
Custo salarial |
2903 |
117,03 |
135,79 |
623 |
136,58 |
164,82 |
|
Recebimentos |
2903 |
22,33 |
25,87 |
623 |
26,20 |
31,51 |
|
Compensação do empregado |
2903 |
33,52 |
38,86 |
623 |
39,37 |
47,39 |
|
Impostos/Obrigações trabalhistas |
2903 |
36,94 |
42,82 |
623 |
43,74 |
53,41 |
|
Custo com treinamentos |
2903 |
18,35 |
21,26 |
623 |
21,57 |
26,01 |
|
Custos gerenciais |
2903 |
27,53 |
31,89 |
623 |
32,36 |
39,02 |
|
Custo total da empresa |
2903 |
255,69 |
296,21 |
623 |
299,82 |
361,62 |
|
Benefícios INSS |
2903 |
171,83 |
743,90 |
623 |
216,91 |
1.019,28 |
Fonte: dados da pesquisa
Pelo teste Mann-Whitney, considerando 5% de confiança, encontramos diferenças entre i) o gênero e os salários pagos às pessoas que foram afastadas (Z = -6,363; p-valor = 0,000); ii) o gênero e impostos/obrigações trabalhistas para a empresa (Z = -2,016; p-valor = 0,044); e iii) o gênero e o custo total para empresas (Z = -1,981; p-valor = 0,048). Isso indica que, estatisticamente, os homens afastados recebem mais e, consequentemente, produzem impostos/obrigações trabalhistas e um custo total maior para empresa, do que as mulheres. Se considerarmos 10% de confiança, abrangemos essas evidências também para as variáveis de custo salarial, recebimentos, compensação do empregado, custo de treinamento e custo gerencial. Os homens, em média, apresentam maior quantidade de dias de afastamento sob responsabilidade da empresa ou não segurados (5,12 dias) do que as mulheres (4,90 dias). conforme tabela 6.
Tabela 7 - Dias, salários e custos dos afastamentos por função
|
Outros |
Ajudante Frigorífico |
Ajudante Produção Frigorífico |
PCO Frigorífico |
PCO Túnel Congelamento |
Técnico de produção |
||
|
Dias de afastamentos não segurados |
N válido |
85 |
1155 |
15 |
1518 |
12 |
18 |
|
Média |
7,01 |
4,54 |
5,13 |
5,76 |
9,17 |
2,06 |
|
|
Desvio padrão |
6,07 |
4,94 |
5,64 |
5,60 |
6,01 |
3,70 |
|
|
Dias de afastamento segurado |
Média |
12,27 |
9,15 |
2,73 |
8,07 |
18,50 |
22,39 |
|
Desvio padrão |
58,28 |
33,06 |
7,62 |
33,87 |
60,41 |
53,83 |
|
|
Proporção de dias afastados em um mês |
Média |
,23 |
,15 |
,17 |
,19 |
,31 |
,07 |
|
Desvio padrão |
,20 |
,16 |
,19 |
,19 |
,20 |
,12 |
|
|
Salário |
Média |
1.086,44 |
581,87 |
717,31 |
826,91 |
1.020,45 |
1.904,47 |
|
Desvio padrão |
219,58 |
58,16 |
171,30 |
171,54 |
118,32 |
191,61 |
|
|
Custo salarial |
Média |
253,38 |
88,51 |
115,27 |
158,45 |
303,78 |
144,80 |
|
Desvio padrão |
228,73 |
99,15 |
124,13 |
164,37 |
201,82 |
289,96 |
|
|
Recebimentos |
Média |
48,10 |
16,88 |
21,90 |
30,25 |
57,72 |
27,00 |
|
Desvio padrão |
43,40 |
18,86 |
23,57 |
31,33 |
38,32 |
53,91 |
|
|
Compensação do empregado |
Média |
72,29 |
25,35 |
32,90 |
45,43 |
86,73 |
40,80 |
|
Desvio padrão |
65,24 |
28,35 |
35,41 |
47,07 |
57,59 |
81,61 |
|
|
Impostos/Obrigações trabalhistas |
Média |
79,64 |
27,92 |
36,20 |
50,15 |
95,49 |
49,78 |
|
Desvio padrão |
71,88 |
31,21 |
38,96 |
52,03 |
63,44 |
105,32 |
|
|
Custo com treinamentos |
Média |
39,51 |
13,88 |
17,99 |
24,88 |
47,42 |
22,64 |
|
Desvio padrão |
35,65 |
15,51 |
19,37 |
25,77 |
31,48 |
45,81 |
|
|
Custos gerenciais |
Média |
59,27 |
20,81 |
26,99 |
37,32 |
71,14 |
33,97 |
|
Desvio padrão |
53,48 |
23,26 |
29,06 |
38,65 |
47,22 |
68,72 |
|
|
Custo total da empresa |
Média |
552,19 |
193,35 |
251,25 |
346,47 |
662,27 |
318,99 |
|
Desvio padrão |
498,38 |
216,24 |
270,51 |
358,97 |
439,86 |
645,25 |
|
|
Benefícios INSS |
Média |
421,02 |
164,04 |
61,88 |
203,53 |
536,92 |
1.253,04 |
|
Desvio padrão |
1.958,84 |
590,38 |
176,37 |
856,29 |
1.747,25 |
2.976,72 |
|
Fonte: dados da pesquisa
A função PCO Túnel Congelamento apresentou em média, o maior período de afastamento sob responsabilidade da empresa dentre as funções (9,17 dias) e a segunda maior média de dias afastados sob responsabilidade do INSS (18,5 dias), o maior custo salarial (R$ 303,78) e o maior custo total para a empresa (662,27) por afastamento, conforme tabela 7. No entanto, deve-se considerar a reduzida quantidade de acidentes registrados para essa função, o que pode ocasionar certa distorção na análise dos resultados.
Quando analisamos as funções PCO Frigorífico e Ajudante Frigorífico, representativas de 95,36% dos afastamentos, observa-se certa equivalência na quantidade média de dias de afastamento segurados e não segurados. A diferença dos valores salariais médios em favor da função PCO Frigorifico justifica os valores médios mais elevados em todas os componentes de custos, inclusive no custo total dos afastamentos para a empresa e nos custos para o INSS.
Tabela 8 - Dias, salários e custos dos afastamentos por setor
|
Outros |
Abate e Evisceração Aves |
Industrializado |
Inspeção Federal |
Limpeza e Higienização de aves |
Sala de corte de aves |
Túneis e Câmaras Aves |
||
|
Dias de afastamentos não segurados |
N válido |
9 |
215 |
246 |
64 |
25 |
2212 |
26 |
|
Média |
9,00 |
5,86 |
5,78 |
6,86 |
6,40 |
5,09 |
6,96 |
|
|
Desvio padrão |
6,58 |
5,73 |
5,82 |
6,04 |
5,99 |
5,26 |
6,02 |
|
|
Dias de afastamento segurado |
Média |
21,44 |
5,48 |
9,22 |
13,25 |
5,96 |
8,84 |
8,81 |
|
Desvio padrão |
35,40 |
22,86 |
33,46 |
65,79 |
15,28 |
34,67 |
41,11 |
|
|
Proporção de dias afastados em um mês |
Média |
,30 |
,20 |
,19 |
,23 |
,21 |
,17 |
,23 |
|
Desvio padrão |
,22 |
,19 |
,19 |
,20 |
,20 |
,18 |
,20 |
|
|
Salário |
Média |
1.249,76 |
763,47 |
854,64 |
1.088,42 |
862,49 |
711,52 |
884,15 |
|
Desvio padrão |
269,33 |
217,57 |
327,77 |
164,84 |
357,21 |
179,13 |
166,00 |
|
|
Custo salarial |
Média |
373,79 |
152,47 |
161,01 |
247,13 |
185,46 |
122,30 |
211,63 |
|
Desvio padrão |
275,78 |
162,06 |
174,61 |
225,44 |
219,89 |
138,71 |
192,55 |
|
|
Recebimentos |
Média |
70,90 |
28,96 |
30,59 |
46,91 |
35,19 |
23,37 |
40,21 |
|
Desvio padrão |
52,31 |
30,77 |
33,18 |
42,77 |
41,66 |
26,45 |
36,57 |
|
|
Compensação do empregado |
Média |
106,59 |
43,52 |
45,97 |
70,51 |
52,89 |
35,09 |
60,42 |
|
Desvio padrão |
78,64 |
46,24 |
49,85 |
64,30 |
62,66 |
39,74 |
54,96 |
|
|
Impostos/Obrigações trabalhistas |
Média |
117,52 |
48,19 |
50,70 |
77,67 |
59,46 |
38,72 |
66,51 |
|
Desvio padrão |
86,60 |
51,45 |
55,02 |
70,85 |
71,79 |
44,07 |
60,52 |
|
|
Custo com treinamentos |
Média |
58,24 |
23,84 |
25,15 |
38,54 |
29,06 |
19,21 |
33,04 |
|
Desvio padrão |
42,96 |
25,34 |
27,27 |
35,14 |
34,53 |
21,77 |
30,05 |
|
|
Custos gerenciais |
Média |
87,36 |
35,75 |
37,73 |
57,81 |
43,59 |
28,82 |
49,57 |
|
Desvio padrão |
64,44 |
38,01 |
40,91 |
52,70 |
51,80 |
32,65 |
45,07 |
|
|
Custo total da empresa |
Média |
814,40 |
332,73 |
351,15 |
538,56 |
405,65 |
267,50 |
461,39 |
|
Desvio padrão |
600,72 |
353,84 |
380,84 |
491,21 |
482,25 |
303,14 |
419,71 |
|
|
Benefícios INSS |
Média |
776,34 |
135,57 |
259,47 |
449,30 |
169,31 |
191,08 |
254,71 |
|
Desvio padrão |
1.225,57 |
583,30 |
1.097,99 |
2.207,55 |
444,61 |
770,14 |
1.189,53 |
|
Fonte: dados da pesquisa
A sala de cortes de aves foi o setor com maior incidência de afastamentos (79%) do total, conforme tabela 8. Os afastamentos ocorridos nesse setor resultaram em média em 5,09 dias não segurados e 8,84 dias segurados. O setor possui a menor média salarial (R$ 711,52) e menor custo médio total para empresa por afastamento.
Em uma visão global, os custos dos acidentes de trabalho foram absorvidos em sua maior parcela pelas empresas (60%), enquanto o INSS absorveu os demais 40%.
- CONCLUSÕES
Nesse estudo, evidenciou-se que os custos dos acidentes de trabalho devem ser considerados pelo empreendedor quando da tomada de decisões que afetem a segurança e saúde de seus colaboradores. O desenvolvimento econômico, sob a ótica de Schumpeter (1982) defende a redução dos custos de produção, procurando diminuir os gastos com insumos, máquinas e funcionários. As ações voltadas para a redução dos riscos de acidentes no ambiente laboral, sobretudo nos frigoríficos de aves, podem representam importante redução nos custos de produção. No mesmo sentido, concluiu-se que a maior parcela dos custos dos acidentes de trabalho (60%) é absorvida pela empresa, gerando impacto sobre a gestão financeira. Dentro dos componentes de custos avaliados, o custo com pagamentos salariais ao trabalhador afastado por acidente é o mais representativo para as organizações.
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