Redes sociais são autorreguláveis. Até onde sua regulação não pode ser confundida com censura?

Inúmeros debates apaixonados vem sendo erguidos por conta dos últimos filtros utilizados pelas redes sociais, que dessa forma vem tentando colocar um pouco de ordem na casa. Liberdade de pensamento, liberdade de imprensa, pandemia, direito à saúde e Fake News, misture tudo isso em um caldo e vai perceber, com absoluta tranquilidade que o que interessa a essas redes sociais, de capital aberto, nada mais é que o bom e velho lucro, pois é com o lucro que essas redes sobrevivem e mantêm seus valores astronômicos na bolsa.

Tente imaginar o valor dessas empresas e coloque em qualquer fórmula de valuation seus múltiplos e vai concluir que os números não fecham, afinal é um exercício de futurologia projetar em tecnologias muitos anos pra frente. Tudo é disruptivo nessa corrida por carros autônomos, inteligência artificial, realidade aumentada, realidade virtual, aprendizado de máquina etc., permitindo que as apostas possam mudar o tempo todo, afinal você conseguiria imaginar que em alguns anos a liderança tecnológica no mercado de automóveis esteja fora das 10 maiores montadoras da atualidade? E que muito provável quem lidere essa corrida não seja nem mesmo um fabricante de carros? Conseguiria imaginar que a liderança em hospedagem no mundo pudesse ser exercida por um aplicativo que não possui um só quarto de hotel?

É o bom e velho lucro que permite com que o Facebook possa dominar a maioria das redes sociais (Facebook, Instagram e WhatsApp) que pertencem ao mesmo grupo e juntas estão presentes em quase 2/3 dos celulares do mundo. Logo a briga é e sempre será pelo seu tempo, por seus dados e pela maximização dos lucros com o uso dessas duas variantes.

Por isso que o Facebook traz publicações interessantes que têm tudo a ver com nosso estilo de vida, com o seu pensamento e logo eliminar o que lhe incomoda na divulgação do conteúdo, para evitar que você se desconecte é o objetivo número um das redes sociais.

Melhorar a sua experiência fazendo o conteúdo certo chegar até a sua timeline, de forma a não lhe aborrecer, por isso que dominar o conteúdo que nela reside é uma questão de vida e morte para as redes sociais. O conteúdo que lhe chega precisa, e nem sempre consegue, ser feito especialmente para você e as suas necessidades do momento, por isso diariamente os algoritmos sofrem novos ajustes.

Isso acontece por causa dos algoritmos, que são uma série de fatores e variáveis traduzidos pela rede para mostrar ao usuário exatamente aquilo que interessa a ele em primeira mão.

Não fosse pelos algoritmos, seria um festival de anúncios aleatórios poluindo a linha do tempo dos internautas, com quase nada por acrescentar, e reduzindo a audiência, afinal anúncio que não converte, não fatura, na métrica do marketing digital.

Assim as plataformas foram por nós eleitas como interlocutores da divulgação do nosso conteúdo, o que alguns mais apaixonados dizem que as redes sociais deram voz para que as pessoas falassem. A cada dia que passa é mais complexo crer nisso, pois tudo sempre vai seguir a lógica da maximização dos resultados, por isso o filtro se mantém com essa lógica pois que quando um indivíduo está num filtro, isso tenderá a reforçar crenças e suposições também acerca de sua visão de mundo e suas preferências políticas, homogeneizando opiniões de acordo com o que der mais audiência, em redes quase nada neutras.

EdgeRank é como se chama o algoritmo do Facebook, é por ele que se determina tudo aquilo que aparecerá na sua linha do tempo, considerando as seguintes variantes:

O que você curte

Com quem você interage

O que você compartilha

Em que páginas você deixa comentários

Os perfis que você segue.

Todos esses dados são coletados para tornar a experiência mais agradável e assim ter mais tempo e dados seus, com o uso deles. É por causa dos algoritmos que a rede social consegue prever o que você gostaria que estivesse em primeiro lugar na sua página pessoal. Isso vale para páginas comerciais, amigos, familiares, grupos diversos, lojas virtuais, enfim. Tudo aquilo que você quer ver. Logo filtrar ou censurar, é uma necessidade capital para reter audiência e com isso melhorar seus lucros. O resto, é pura fantasia.


Autor

  • Charles M. Machado

    Charles M. Machado é advogado formado pela UFSC, Universidade Federal de Santa Catarina, consultor jurídico no Brasil e no Exterior, nas áreas de Direito Tributário e Mercado de Capitais. Foi professor nos Cursos de Pós Graduação e Extensão no IBET, nas disciplinas de Tributação Internacional e Imposto de Renda. Pós Graduado em Direito Tributário Internacional pela Universidade de Salamanca na Espanha. Membro da Academia Brasileira de Direito Tributário e Membro da Associação Paulista de Estudos Tributários, onde também é palestrante. Autor de Diversas Obras de Direito.

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