Não é sobre o advogado do futuro, mas sim sobre o ser humano, líder e profissional multidisciplinar que o futuro precisa

04/10/2021 às 07:07
Leia nesta página:

Em meio ao acelerado cotidiano, a necessidade constante de atualização em busca da sobrevivência no mercado, valores essenciais têm se perdido. O papel do profissional do futuro é entender esse cenário para atuar de forma assertiva e equilibrada.

RESUMO: Em meio ao acelerado cotidiano, a necessidade constante de atualização em busca da sobrevivência no mercado, valores essenciais têm se perdido e ferramentas que tinham como objetivo primário ajudar na agilidade de processos e construção de relações mais justas e humanas são, muitas vezes, responsáveis pelo efeito contrário. O papel do profissional do futuro é entender, de forma mais ampla, esse cenário acelerado e conseguir atuar, de forma equilibrada, onde a parte técnica deve ser executada com maestria sem perder a sensibilidade do trato com as pessoas.


Na realidade atual, o conceito do advogado ou qualquer outra ocupação laborativa do futuro tem cada vez mais se tornado algo complexo a ser descrito tendo em vista a velocidade das transformações, sobretudo no meio tecnológico, que hoje se faz presente em todas as áreas.

Estar inteirado dos acontecimentos e avanços do mercado já deixou, há tempos, de ser vantagem competitiva e passou a ser questão de sobrevivência.

No meio jurídico, o árduo e constante trabalho das legaltechs e lawtechs (empresas que desenvolvem produtos e serviços voltados para o mercado jurídico) tem, por um lado, promovido grande avanço em contrapartida também tem obrigado os profissionais da área a estarem cada vez mais preparados.

Falando especificamente sobre o advogado, aquele profissional que conhece e domina “apenas” o aspecto legal, muitas vezes recita, com maestria, a lei seca, tem encontrado algumas dificuldades de trânsito no mercado já que o dia a dia tem exigido uma visão mais ampla dos cenários.  

Contudo, é muito válido ressaltar, que todo esse avanço tem ofuscado a visão de muitos profissionais para um quesito vital, as pessoas, e isso é uma mola propulsora para uma série de outros problemas. Se por um lado existe tanto avanço, por outro há o “retrocesso” na atenção especial destinada a pessoa na sua qualidade mais primordial, ser humano.

Nunca foi tão necessário para o advogado o conhecimento mais aprofundado sobre o negócio dos seus clientes, sobre suas realidades e histórias.

Além de todo o conteúdo legal, que continua sendo vital para o desenvolvimento da parte técnica do trabalho, o advogado tem que ser cada vez mais multidisciplinar, mais humano, mais entendido do assunto “gente”.

Ter uma visão mais ampla, mais sistêmica e uma sensibilidade mais aguçada para entender as peculiaridades das pessoas é fundamental para o crescimento profissional dos atores do mercado jurídico.

É preciso entender o porquê de cada cliente (pessoa), como ele chegou até ali e a razão, além dos trâmites legais de rotina, pela qual ele precisa de um bom advogado. Todo esse contexto é que vai gerar a atendimento personalizado, a diferenciação, a peça chave para o crescimento sustentável dentro do mercado.    

É preciso não perder o timing do avanço tecnológico e ao mesmo tempo conseguir manter o calor das relações humanas que é cada vez mais abafado. A tecnologia tem sim um papel importante para conectar e aproximar as pessoas, porém, é preciso cuidar para que o efeito não seja exatamente ao contrário.

Pessoas continuam sendo pessoas, que por trás da máscara moral, e agora tecnológica, continuam sendo seres complexos construídos pelos mais diversos sentimentos, histórias, medos e dotados de grande carga emocional.

O papel do advogado e de qualquer outro profissional que tem a intenção de se destacar é buscar um entendimento profundo desse universo chamado “gente” porque todos os clientes, fornecedores, prestadores de serviços, juízes, promotores, defensores públicos, empresários etc. são pessoas, cada um com sua cultura, suas peculiaridades, seu jeito, mas todos compartilhando propriedades exclusivamente humanas.

O crescimento expressivo da preocupação com os direitos humanos e busca pela justiça social é um grito de socorro pela restauração das relações humanas que se deterioram ora por desentendimentos ideológicos, de crenças, valores etc. ora pelo avanço, extremamente rápido, de tecnologias com a missão de “juntar”, mas que tem se especializado em “afastar”.

É preciso restaurar a luta pela humanidade na sua essência, pelos direitos fundamentais e o advogado tem papel vital nessa reconstrução já que ele trabalha diretamente com a vida das pessoas.

Equilíbrio deve ser a palavra de ordem do profissional do meio jurídico, para estar em constante crescimento e atualização técnica sem perder a sensibilidade para entender as pessoas e suas relações.

Todo o avanço e estrutura tecnológica devem ser utilizados e entendidos como ferramentas em prol de um bem maior, de uma causa mais nobre, da promoção da igualdade e da dignidade da pessoa humana.  

Sobre o autor
Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

Leia seus artigos favoritos sem distrações, em qualquer lugar e como quiser

Assine o JusPlus e tenha recursos exclusivos

  • Baixe arquivos PDF: imprima ou leia depois
  • Navegue sem anúncios: concentre-se mais
  • Esteja na frente: descubra novas ferramentas
Economize 17%
Logo JusPlus
JusPlus
de R$
29,50
por

R$ 2,95

No primeiro mês

Cobrança mensal, cancele quando quiser
Já é assinante? Faça login
Publique seus artigos Compartilhe conhecimento e ganhe reconhecimento. É fácil e rápido!
Colabore
Publique seus artigos
Fique sempre informado! Seja o primeiro a receber nossas novidades exclusivas e recentes diretamente em sua caixa de entrada.
Publique seus artigos