A dinâmica dos cybercrimes obriga o Direito a sair da zona de conforto para poder acompanhar com velocidade as punições.

Segundo um estudo mundial da PWC, em sua área de pesquisas sobre fraudes e golpes cometidos contra empresas, como roubo de dados, realizado agora em 2020, trabalho que foi feito em 99 países com cerca de 5.000 empresas ao redor do mundo, 47% sofreram algum tipo de fraude nos últimos 24 meses, o que causou um prejuízo de US$ 42 bilhões para essas empresas.

Logo, com números assim, nos resta perguntar o que você faz na sua empresa para evitar tantos golpes?

Com a digitalização e a conectividade plena dos negócios, independentemente do tamanho, é preciso proteger a entrada do seu negócio, é preciso adotar uma rotina de segurança para sua loja online, seu perfil nas redes sociais e ainda repensar a forma como a empresa se comunica com o cliente.

Por mais que seja de conhecimento pleno, somente no primeiro semestre de 2020, 760,3 mil pedidos foram classificados como tentativas de fraude nas vendas pela internet, para efeitos de comparação, no mesmo período do ano passado, o número foi de 433,8 mil.

O pequeno comerciante, é sim uma grande vítima devido a diversos fatores, para eles a segurança oferece grandes desafios, principalmente para aqueles que gerem a empresa pelo celular, uma vez que o sistema desses é fragmentado entre o de identificação e o de pagamentos, muito distinto do que ocorre por exemplo na China, onde o Wechat (rede social chinesa), no qual o empreendedor sabe que aquele aparelho é autenticado pela própria rede, no caso do Brasil o WhatsApp tenta ser liberado como meio de pagamento.

Porém, para esses pequenos empreendedores, a opção pelo marketplace e-commerce nas grandes plataformas a segurança é maior, pois nesse caso o empreendedor tem uma URL, onde há por trás várias empresas de segurança juntas, porque existe uma parceria entre os browsers e outros programas de forma que, quando uma delas descobre uma tentativa de golpe, por exemplo, um site phishing (que rouba dados pessoais), uma avisa a outra, controlando e inibindo a fraude nesses canais. Logo, é bom lembrar que um bom sistema de backup das informações é requisito que minimiza o prejuízo no caso de perda de dados.

Logo, independentemente do tamanho do seu negócio, é preciso ativar a verificação em dois fatores, que pede senhas, pins ou reconhecimento de digital e é claro nunca se esquecer do antivírus, pois segundo um estudo do Fast Facts, as ameaças por softwares maliciosos mostram que 1,4 milhão de arquivos do tipo rodaram no País.

É claro que a pandemia funcionou como acelerador desse quadro, pois muita gente criou perfis em redes sociais, e assim os golpistas se aproveitam da pouca experiência em lidar com o os golpes, se aproveitando dessa fragilidade.

O mais comum é ao clicar em um link, por exemplo, o usuário acaba instalando um malware no seu computador que pode coletar dados, verificar atividades das mais diversas, até mesmo tentar ter acesso ao microfone e à camera para poder subornar a pessoa depois. Muitas vezes os bandidos enviam um link para preencher os dados pessoais para receber a suposta oferta, quase sempre imperdível, o que deve fazer você sempre lembrar da máxima, quando a esmola é demais você deve desconfiar. Por isso ao receber confirme se o perfil é realmente da empresa, ao invés de clicar no link digite o site da empresa para verificar se a promoção ou oferta existem.

A clonagem de perfis ocorrem tanto de pessoas físicas como jurídicas, pois as redes sociais são versáteis na medida em que possibilitam uma maior integração com loja online e criação de vitrine virtual, como no caso do Instagram, ótimo para vender e adorado pelos golpistas, que fraudam perfis empresariais, que são clonados e usados para aplicar golpes em usuários com o roubo de dados por meio de links.

A Internet é de fato um mar de oportunidades, para quem quer vender, mas infelizmente para malfeitores que querem tirar proveito de novatos e descuidados neste mundo de negócios líquidos e mutantes.


Autor

  • Charles M. Machado

    Charles M. Machado é advogado formado pela UFSC, Universidade Federal de Santa Catarina, consultor jurídico no Brasil e no Exterior, nas áreas de Direito Tributário e Mercado de Capitais. Foi professor nos Cursos de Pós Graduação e Extensão no IBET, nas disciplinas de Tributação Internacional e Imposto de Renda. Pós Graduado em Direito Tributário Internacional pela Universidade de Salamanca na Espanha. Membro da Academia Brasileira de Direito Tributário e Membro da Associação Paulista de Estudos Tributários, onde também é palestrante. Autor de Diversas Obras de Direito.

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