Esta tecnologia consiste em um programa de computador que faz duas coisas: Verificação rápida de integridade de dados, aliada a sua correção com base em replicadores dos mesmos dados. Com isso gera imutabilidade dos dados, não permitindo a modificação do seu conteúdo.

Explicando melhor, a cada novo bloco de dados, pega-se uma impressão digital do bloco anterior e grava-se junto com esta nova informação, fazendo um "encadeamento de blocos" (origem do termo blockchain). Isso facilita a verificação de modificações no seu conjunto de dados, afinal, se mudar um o resto não "se encaixa".  

Depois, se for detectada alguma corrupção nos dados, aciona-se os replicadores para se obter a informação original do bloco. Neste caso, há uma verificação de consenso onde a maioria dos replicadores diz quais dados realmente deveriam estar nos blocos alterados.

É importante citar que a imutabilidade digital já existia antes, entretanto dependia de uma autoridade central confiável que garantisse as informações. A Blockchain permitiu a criação de confiança dividindo a autoridade entre replicadores que precisam ter interesses divergentes, do contrário, pode haver um conluio para modificação dos dados.

Esta tecnologia permitiu a criação de relações de confianças sem a dependência da autoridade central do estado em algumas situações, ou mesmo a criação de grupos menores, gerenciando informações privadas com a autoridade compartilhada sobre elas.

Provavelmente haverão muitos usos para a Blockchain no futuro, mas até então os casos mais validados desta tecnologia são:

  • A criação de um "objeto digital", ou seja, algo que não possa ser duplicado e que haja uma ligação de posse, como por exemplo criptomoedas, NFT, diversos títulos privados, o case de uso no BNDES e outros;

  • Gestão conjunta de informações em um livro razão comum, como a Blockchain entre bancos da Febraban para realização de transações financeiras interbancárias, monitoramento de eventos na cadeias de suprimento (supply chain) e a gestão conjunta de patentes na União Europeia;

  • Geração de prova de integridade e anterioridade de dados, comprovando que um material não foi modificado a partir de uma determinada data. O que pode ajudar na verificação da autenticidade de documentos, desde que atendidas as condições que citarei em seguida.

Porém, nem toda toda Blockchain é segura. Sua segurança depende absolutamente do interesse divergente dos replicadores. Nas redes públicas isto é obtido a partir da quantidade de replicadores, enquanto nas privadas restringe-se o acesso a somente alguns atores com um bom argumento para evitar o conluio. Nas públicas ainda há a possibilidade da criação de "replicadores falsos", que podem tentar assumir o controle da rede através do ataque de maioria. Mas no final, será tão segura o quanto houver divergências entre os replicadores.

Outro ponto está no seu uso para gestão conjunta de informações ou autenticação de documentos, onde a Blockchain não faz juízo de valor sobre a informação que lhe é inserida. Ou seja, aceita qualquer tipo de informação, seja falsa ou verdadeira.  

Por isso é importante que hajam processos anteriores que gerem uma informação confiável, para somente depois serem "congeladas" com a tecnologia. Neste cenário, a Blockchain pode atuar como um item de segurança que facilite a verificação de autenticidade desde que tenha sido realizada por um emissor confiável, que por sua vez, executou procedimentos adequados para gerar uma informação também confiável antes do seu registro com a tecnologia.

Podemos fazer uma analogia com o selo holográfico usado pelos tabeliães. Neste exemplo o tabelião é um emissor confiável, que também gera um documento confiável através de procedimentos adequados, para depois usar o selo com o objetivo de facilitar a verificação de sua autoria e autenticidade. Ou seja, o selo só faz uma parte do trabalho, sendo útil ao facilitar a verificação posterior do documento de forma mais rápida.

Estes problemas citados não tiram o valor da tecnologia e sua inovação, mas sim indicam os cenários mais adequados e quais os benefícios que ela efetivamente entrega. Há muito o que se inovar a partir da Blockchain e uma visão mais clara irá trazer soluções mais confiáveis.

No próximo artigo explicarei os Smart Contracts.

Veja outros artigos:

A Blockchain permite provas digitais confiáveis?

Discussão sobre a cadeia de custódia da PROVA DIGITAL

Autor do artigo:

Alexandre Munhoz - Founder Verifact 100 Startups to Watch 2021 | Designer de inovação (BIZ+DEV+DESIGN) | CTO | Mentor | Professor de pós graduação | Design Thinker | UX |


Autor

  • Verifact tecnologia

    A Verifact é uma empresa brasileira que oferece serviço on-line de registro de provas de fatos ocorridos na internet, com altos rigores técnico e jurídico e casos de aceitação pela Justiça em estados brasileiros como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Pernambuco, além de recomendação de uso pela Justiça do Trabalho de Santa Catarina. O serviço pode ser acessado 24 horas por dia, sete dias por semana, e gera provas digitais robustas de forma rápida e automatizada, a um preço mais acessível do que atas notariais de cartórios. A plataforma da Verifact já é utilizada pelos Ministérios Públicos de São Paulo, Bahia e Paraíba; Polícias Civils do Paraná e Bahia, escritórios de advocacia, peritos forenses e departamentos jurídicos de grandes empresas como Habibs, Electrolux e Veloce. Saiba mais em www.verifact.com.br.

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