Qual é o seu preço? - O princípio da dignidade humana na lógica do capitalismo

10/05/2022 às 14:05
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O trabalho edifica o homem, quem nunca ouviu essa frase? Presente em diversos conselhos, palestras e lições de moral direcionada àqueles mais afortunados em razão de seu labore.

            Essa semana ao assistir uma reportagem que mostrava Famílias resgatadas de trabalho análogo a escravidão, repeti esse questionamento: O que de fato edifica o homem? O trabalho? Então estavam no caminho certo?

            Análogo... Por que Análogo, por que escravidão no Brasil é uma prática abolida desde 13 de maio de 1888 e infelizmente de tempos em tempos aparece novamente trazendo a tona essa desgraça de nossa espécie de querer apoderar-se do outro em razão da ambição natural que atropela valores humanos e reduzem ao nada aquilo que o outro tem de mais valioso, a sua dignidade, ou seja, a pessoa em sí perde o valor nas mãos de quem o explora. Por isso que a Prostituição em sí não é crime, mas quem a estimula sim, para a Lei, é um criminoso. Essa prostituição não pode ser vinculada exclusivamente a venda de benesses sexuais, mas a encontramos em diversos setores como na política, por exemplo, a corrupção é uma forma de prostituição política na medida em que se vende os princípios em troca de favores onde quem paga o preço é a sociedade que foi enganada.

O princípio da dignidade da pessoa humana é um dos princípios constitucionais elencados como fundamento do Estado Democrático de Direito Brasileiro no inciso do art. 1º da Constituição Federal de 1988 tem por objetivo a defesa da vida digna e da valorização do ser humano como pessoa impar que tem o direito de ser respeitado em sua essência.

Oque vale mais na sociedade de hoje? Proponho então essa reflexão ao amigo Leitor na condição de alguém que observa os valores que a sociedade determina, que a sociedade impõe. Vale a pena me enveredar em atividades muitas vezes insalubres, trabalhos exaustivos em péssimas condições com salários baixíssimos e altíssimas jornadas para me manter digno aos olhos dos outros?

Professores em greve por aumento de salário, caminhoneiros fechando as estradas por causa do aumento do combustível e quando observo colegas viajantes ambulantes que arriscam suas vidas em estradas e em locais inseguros em busca de algo além do sustento, pergunto: O que é então essa tal de DIGNIDADE, será que essa é algo ou uma coisa que se busca? Algo que só o dinheiro traz?

Perdi amigos em acidentes com explosivos e creio que o amigo leitor também teve essa experiência ou conhece alguém que já teve. Pergunto então qual o nosso valor? Oque me tornei??? Em adulto ou em mercadoria?

Diógenes de Sinope foi um filósofo da Grécia Antiga, nascido por volta da 413 a.C., dizia que "Na casa de um rico não há lugar para se cuspir, a não ser em sua cara. Diógenes vivia em um tonel, oque serviu de inspiração para o Personagem Chaves do famoso seriado da TV, vestia apenas uma túnica, lambia água das poças e sempre respondia procuro o homem, a todos que lhe perguntavam o porquê de perambular pelas ruas de Atenas em plena luz do Sol com uma lanterna nas mãos.

Diógenes não era cego, onde morava também havia luz do dia descartando a necessidade da lanterna,  então por que ele buscava o homem com uma vela acesa mesmo quando estava rodeado deles?

Quem somos? Aliás, em que nos transformamos? Qual o preço de nossa dignidade? Aliás, oque tenho possuir para finalmente me considerar alguém digno? Dinheiro? Moral? É o dinheiro que compra a moral ou a moral que se vende por dinheiro? De trabalhos análogos a corrupção. Da vida no crime aos crimes do colarinho branco. Da prostituição em troca do dinheiro, do dizimo que se paga visando a salvação ou do dinheiro que se joga fora enquanto outros morrem de fome por que não o tem... Onde está o homem? Em que ele se transformou ou no que ele se reduziu. Ao comparar em meio as suas construções, revoluções, mudanças e transformações não o encontro. Onde está o homem? As vezes também não o encontro mesmo não sendo cego e não andar a luz do dia com uma lanterna...

Sobre o autor
Eli Antônio da Silva

Eli Antônio da Silva é Filósofo, Professor de História / Artes Visuais, Pós graduado em Ciências da Religião. Bacharelando de Direito é autor de 05 obras, Membro da Academia Santantoniense de Letras.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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