O BRASIL HIPÓCRITA: A RESISTÊNCIA DO RACISMO

04/07/2022 às 16:31
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O BRASIL HIPÓCRITA: A RESISTÊNCIA DO RACISMO

José Germano Teixeira Filho[1]

RESUMO

O racismo no Brasil afeta a sociedade desde o inicio de sua colonização, tal problema vai além da cor da pele e não faz parte de um passado vencido, atualmente é inegável a resistência de preconceitos associados as raças, etnias e características físicas. No estado brasileiro prevalece o que a advogada Mônica Matos, especialista em direitos humanos e secretária-adjunto da Comissão de Igualdade Racial da OAB-DF, chama de superioridade racial, e que esse tipo de preconceito assinala que algumas raças ou etnias são superiores as outras. O objetivo do presente trabalho é estudar os motivos e debater as questões que levam a essa problemática, mesmo em uma era em que tanto enfatizam a liberdade e buscam igualdade entre todos, mesmo estando em um país que em sua Carta Magna repudia a prática do racismo ainda se visualiza índices como o crescimento de 23% de assassinatos para negros, enquanto para brancos caem em 6,8% no ano de 2018. Com isso, evidencia-se a necessidade de pesquisas e dar notoriedade a questão do racismo em busca de respeito a Constituição Federal e para com toda a sociedade.

Palavra-chave: Racismo; Sociedade; Preconceito; Direitos Humanos; Igualdade.

INTRODUÇÃO

É indiscutível que o Brasil ficou marcado com a questão do racismo, de modo especifico a exclusão dos negros, essa problemática permanece até os dias atuais mesmo com a constituição disciplinando o racismo como crime inafiançável. A definição é de suma importância para entender e identifica-lo sendo discriminação a quem possui uma raça ou etnia diferente, outrossim para compreender a construção do racismo no Brasil é necessário voltar a fontes do passado, no século XVI e IX com a chegada de 5 milhões de africanos trazidos pelos portugueses reflete a atual configuração social brasileira, e sobretudo o racismo, foram três séculos de escravidão de danos irreversíveis, em que uma população não teve voz, e eram submetidos a condições desumanas, tinham que obedecer as ordens impostas, tendo em vista que o descumprimento gerava consequências cruéis, como açoites, tortura com instrumento de ferro. Hodiernamente não é constante notar negros em cargos de chefia, de negros em nível superior, ocupando os mesmo lugares que brancos, é possível afirmar que não são inseridos na sociedade brasileira de forma espontânea mas com muita luta, na atualidade ainda a surpresa ou até mesmo espanto ao ver negros ocupando primeiro lugar em processo seletivo, virando noticia, está enraizado que o negro é menos capaz do que o branco, preconceito, pois não há nenhuma diferença cognitiva diferindo a cor da pele. É difícil alguém reconhecer-se racista, mas a sociedade brasileira não racista ainda insiste com o pensamento engessado que negros devem ser considerados inferiores a outros. A abolição trouxe a liberdade jurídica, mas não se preocupou em inseri-los na sociedade. O propósito é descortinar visões alienadas acerca da resistência e da falta de reconhecimento da sociedade brasileira com a permanência do racismo no Brasil. O primeiro passo é o reconhecimento, o segundo é buscar desconstruir o pensamento de discriminação por meio do conhecimento haja vista que a diferença de cores é questão biológica em que não condiciona a inferioridade de existência, afirmando que é possível tornar um Brasil igual com cores e justo obedecendo não a senhores mas a lei magna. A inúmeros casos de racismos no Brasil, o que ainda traz indignações é o fato que a cor da pele seja vista como definição de quem o ser humano é, sua personalidade, caráter, condição financeira, capacidade e até mesmo merecimento. Um caso em especifico que aconteceu na Bahia em que um segurança de um shopping tentou impedir que um jovem pagasse uma refeição para uma criança negra, sendo além de preconceito social a postura do funcionário do shopping é um exemplo de racismo, um caso de filtragem racial, ou seja, quando a pessoa é vista como suspeita com base na cor da sua pele. Ainda existe segregação, comumente os negros estão em um lugar e os brancos em outros, isso faz com que haja estranhamento e reação quando diferentes classes socias e etnias se encontram. É de fundamental importância a atuação dos movimentos socias, do movimento negro para impedir que casos como esse aconteçam. Definitivamente o racismo não pode ser bem-vindo.

MÉTODO

A metodologia utilizada para essa pesquisa, pode ser considerada com uma pesquisa aplicada que tem como objetivo repassar os meios utilizados para abordar o tema em questão. Os métodos de pesquisas usados para o trabalho foram feitos por relato de pesquisadores, e por sites eletrônicos, com o objetivo de levar ao leitor todas as informações necessárias.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Ainda que tenha passado anos desde a abolição da escravidão no Brasil, a população preta continua ocupando a base da pirâmide social no Brasil. Mesmo com a aprovação em 2010 pelo governo brasileiro o Estatuto da igualdade racial, que conceitua discriminação racial sendo definida pelo texto legal como toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo, ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais (art. 1º, § 1º). Já desigualdades raciais, por sua vez, como sendo situações injustificadas de diferenciação de acesso e gozo de bens, serviços e oportunidades, na esfera pública e privada. A injustiça é tão grande com esse tipo de desigualdade que muitas vezes se manifestam mesmo antes do humano nascer. O número de negros na parcela mais pobre do Brasil é de 76%, feita pelo IBGE. A discriminação no mercado é escancarada, a PNAD aponta que a média de rendimento mensal do profissional branco é cerca de $2.697 enquanto a do profissional preto é de $1.526. Além disso os negros são maioria nos presídios e entre as vitimas de homicídio.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na realização do resumo aqui explanado e observando os resultados e os objetivos aqui demonstrados, considera-se que ainda prevalece no Brasil a ideologia de que uma raça é superior à outra, que é possível hierarquizar etnias e definir pessoas pela cor de sua pele. No entanto, a sociedade clama por boas novas, pela efetivação do direito e por igualdade e econômica, social, salarial, educacional e tantos outros que ainda existe a prevalência do racimo e o menosprezo para com essa minoria. É necessário que as lutas para as conquistas de direito continuem e aumentem pressionando o estado para fazer valer o disposto em lei e assegurar uma melhor qualidade de vida para todos os brasileiros. A sociedade ainda sonha como Martin Luther King, em ver negros e brancos sendo observados por quem são e por suas capacidades, e não definidas por conceitos formados e advindos de um tempo remoto que não condiz com a realidade dos fatos. ­­

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REFERÊNCIAS

ALESSI, Gil. NO BRASIL, DOIS PAÍSES: PARA NEGROS, ASSASSINATOS CRESCEM 23%. PARA BRANCOS, CAEM 6,8%. EL PAÍS. 2018. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasi l/2018/06/05/politica/1528201240_021277.html>. Acesso em: 08 de abril de 2019.

IRENILDA, Maria. A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO RACISMO NO BRASIL. EM.COM.BR. 2018. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/especiais/abolicao130anos/2018/0 5/11/noticia-abolicao130anos,957834/a-construcao-historica-do-racismo-no-brasil.shtml>. Acesso em: 09 de abril de 2019.

RACISMO VAI ALÉM DA COR DA PELE NO BRASIL. BRASIL.GOV.BR. 2018. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/consciencianegra/noticias/racismo-vai-alem-da-cor-da-pele-no-brasil>. Acesso em: 09 de abril de 2019.

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