Uma análise crítica - Regional global: Dilemas da região e da regionalização na geografia contemporânea

Resumo:


  • Análise do livro "Regional Global" de Rogério Haesbaert

  • Discussão sobre conceitos de Região e Regionalização

  • Abordagem de diferentes perspectivas teóricas sobre a Região ao longo da história

Resumo criado por JUSTICIA, o assistente de inteligência artificial do Jus.

Resumo: O presente trabalho fará uma análise do livro Regional Global - dilemas da região e da regionalização na geografia contemporânea, escrito por Rogério Haesbaert, que tem como discussão relevante os conceitos de Região e suas ampla variação, considerando abordagens amplas como a desrregionalização, consciência regional, movimentos regional-localistas. Alguns desses conceitos serão apresentados ao longo do artigo.

Palavras-chave: Geografia; Lugar; Região; Território

INTRODUÇÃO

O livro Regional Global é dividido em três partes: Região e regionalização: a trajetória de um debate, Por outra Regionalização: a região como um artefato e Região numa constelação de conceitos: espaço, território e região.

O presente trabalho irá realizar uma análise crítica da primeira parte do livro que propõe analisar a Região e regionalização: A trajetória de um debate.

QUESTIONAMENTOS CONCEITUAIS NO QUE SE REFERE À QUESTÃO REGIONAL

Rogério Haesbaert inicia a primeira parte do texto trazendo um trecho da obra de Milton Santos: Não pensamos que a região haja desaparecido. O que esmaeceu foi a nossa capacidade de reinterpretar e reconhecer o espaço em suas divisões e recortes atuais, desafiando-nos a exercer plenamente aquela tarefa permanente dos intelectuais, isto é, a atualização dos conceitos para direcionar os primeiros debates a cerca de Região e Regionalização. É característico de Rogério Haesbaert recorrer a diversos autores para construção dos argumentos e estudos presentes no livro.

O autor destaca a crise social e de paradigmas sobre os questionamentos conceituais no que se refere à questão regional e aponta a proliferação do que ele chama de geografias regionais populares em que a mídia e o senso comum alimentam uma revalorização do regional. A revista National Geographic é apontada como um produto característico desta nova valorização regional.

A amplitude da questão regional é percebida não apenas na esfera geográfica, mas também pela Sociologia, Antropologia, História Regional, Estudos Literários e áreas ligadas às Ciências Naturais.

A origem etimológica do conceito de Região é apresentada a partir de conceitos extraídos do dicionário Oxford English Dictionary. Segue alguns conceitos apresentados para Região: domínio ou reino, ampla extensão de terra, território, comando de um governo ou reino, divisão do mundo ou do universo, uma das porções sucessivas em que o ar ou a atmosfera está teoricamente dividida de acordo com a altitude ou clima, divisão administrativa de uma cidade ou distrito, subdivisão relativamente extensa de um país, divisão do corpo e suas partes, espaço ocupado por alguma coisa, dentre outros conceitos que firma o caráter polissêmico de Região, sugerido pelo autor.

A raiz do termo regere indica comando (região ou área comandada por reino). A partir desta análise o autor afirma que toda a regionalização deve sempre ser considerada, também um ato de poder.

Para falar de Região dos primórdios ao período hegemônico o autor recorre inicialmente a Geografia Tradicional de Richard Hartshorne e sua obra A Natureza da Geografia que é a favor da Geografia Regional e utiliza o termo corologia e ciência das regiões Hettner também é citado e apresenta definição para duas ciências corológicas, uma estudando o ordenamento das coisas no espaço universal e a outra o ordenamento do espaço terrestre ou da superfície terrestre: a geografia.

Estrabão e Ptolomeu também são citados. O primeiro é considerado histórico descritivo (regional ou corografia), o segundo matemático-cartográfico. Para Ptolomeu existe uma geografia geral que engloba a Terra como um todo (mais quantitativa) e uma geografia regional que envolve lugares específicos (mais qualitativa). Os conceitos de geografia nomotética e idiográfica também aparecem no texto.

MORTE E VIDA DA REGIÃO

O texto segue citando outros autores como Bernard Varenius e Vidal de La Blache e Sauer. Varenius possui conceitos similares aos de Ptolomeu, trazendo a topografia com uma subdivisão das regiões individuais da terra (além da corografia).

Três concepções distintas de região são destacadas no texto a partir de análise de oito obras de Vidal de La Blache, a primeira pautada num determinismo físico-natural, que rejeita as divisões político administrativas como base para a regionalização e propõe à valorização das unidades fisiográficas, a segunda fase aponta uma transição da região de bases naturais para um região definida, sobretudo pela ação humana e a terceira fase introduz a concepção da região econômica ou funcional.

A Região é dinâmica e sofre diversas mudanças ou atualizações conceituais ao longo da história a partir das diferentes percepções dos geógrafos. Para falar das diferentes construções e reformulações da Região, Rogério Haesbaert traz o seguinte tópico: Morte e vida da Região.

A intenção do autor é mostrar que a Região morre, mas ressuscita com outra roupagem, com novas características. Há alguns autores que falam em morte da região, acusando o capitalismo e a globalização de assassinos, o que é criticado pelo autor, que discorda da ideia de fim da Região. São delimitados e explicados três momentos em que se decretou a morte da Região o Neopositivismo, o Marxismo e o globalismo pós moderno. A perspectiva Neopositivista é apresentada resumidamente através de um quadro (página 42) que diferencia Região Homogênea e Região Funcional. A perspectiva Marxista dá ênfase à influência econômica e política para tratar da morte da Região. No tópico referente à Morte e vida da região sob o Globalismo Pós Moderno afirma-se que a globalização em rede e a mobilidade fariam as regiões desaparecerem enquanto recortes espaciais contínuos.

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Algumas abordagens julgadas pelo autor menos elaboradas e com pretensões mais pragmáticas são apresentadas no texto.

PÓS ESTRUTURALISMO E PÓS MODERNISMO

Inicia-se com a discussão sobre o Pós Estruturalismo e ênfase contextual/ local, onde afirma-se que muitos autores tratam o pós estruturalismo e pós modernismo como sinônimos, cabendo a Hubbard uma distinção particular, em que ele afirma que o pós modernismo pode ser descrito como um amplo movimento / atitude epistemológica , rejeitando a verdade de grandes teorias em favor de considerações mais enraizadas, locais, que abrem a Geografia para outras vozes, enquanto o pós estruturalismo é essencialmente uma forma de análise que abarca questões mais profundas sobre ontologia e reivindicações de verdade. Busca-se enfatizar aqui a valorização dos contextos e a abertura da Geografia para a esfera do vivido. Apresenta-se a região-lugar de Nigel Trift em que há a construção de uma nova Geografia Regional no contexto do pós estruturalismo , em que os sujeitos não fazem lugares , mas são lugares.. Há o retorno do lugar enquanto espaço em movimento, considerado estágios de circulação e intensidade e também no nível local no contexto dos processos de globalização. A perspectiva pós estruturalista da identidade regional trata a região como um processo de invenção.Durval de Albuquerque Júnior é o autor usado como referência para tratar o conceito de Região como invenção, colocando o Nordeste como modelo de referência para discussão no texto.

Nas perspectivas neomodernas quatro vertentes são distinguidas no texto. A primeira trata do globalismo neoliberal e o Estado Região onde identifica-se o fim do Estado-nação que é substituído pelos Estados-regiões como unidades econômicas . A segunda fala das biorregiões que busca fortalecer as relações sociedade/natureza, preocupando-se com as questões ambientais e ecológicas, numa perspectiva cultural/fenomenológica que enfoca o terreno geográfico, quanto o da consciência. A terceira é inspirada na teoria da estruturação de Anthony Giddens e no neokantismo em que a regionalização é efetuada a partir dos diferentes espaços tempos em que nos situamos cotidianamente. A quarta vertente inspira-se na abordagem neomarxista e descontinuidade de região. Conforme Agnew enfatiza-se a manutenção da região a partir de tradicionais fenômenos mesoescalares. Admite-se o caráter descontínuo da região, denominando região com buracos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dando continuidade as diversas abordagens teóricas para Região, o livro de Rogério Haesbaert segue citandos autores para falar tratar das cidades-região e retoma conceitos já apresentados anteriormente como não é a região que faz a cidade, mas a cidade que faz a região. As cidades-região surgem então, como modelo de nova escala de gestão, mas cercada de influências conceituais anteriores.

O livro segue fazendo um paralelo entre a realidade empírica e a construção intelectual da região. Hora como fato, hora como artifício. Hora com visão racionalista, hora com visão realista.

REFERÊNCIA

COSTA, Rogério Haesbaert da. Regionalglobal: dilemas da região e da regionalização na geografia contemporânea. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.

Sobre o autor
Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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