MULTA CONTRATUAL - CONTRATO DE LOCACAO - CLAUSULA DÚBIA
Tenho contrato de locação de sala comercial com duração de 36 meses. Fato que desocupei o imóvel com apenas 6 meses cumpridos. Avisei a imobiliária com mais de 30 dias de antecedencia por escrito, pois mudei para imóvel próprio.
Problema: A Imobiliária quer que eu pague 30 meses de multa contratual. E eu lendo a clásula no contrato entendo que só devo pagar os outros 6 meses que faltariam para vencer 1 ano, pois no contrato diz que após o 12 mes, sou isento de multa.
A cláusula no contrato diz assim: "No caso de ocorrer a desocupação do imóvel antes de 12 (doze) meses, O LOCATÁRIO se obriga a pagar a título de Multa por Infração Contratual o equivalente a 03 (TRÊS) MESES de aluguéis vigentes na época da infração, a qual incorrerá a parte que infringir qualquer das cláusulas deste Contrato, que incidirá inclusive na falta de pagamento de aluguéis que ensejar Ação de Despejo, a multa será sempre proporcional ao tempo que falta cumprir o contrato, ou seja, 36 (trinta e seis) meses. Após 12 (doze) meses, caso o LOCATÁRIO, queira desocupar o imóvel, o mesmo, deverá comunicar a IMOBILIÁRIA, com 30 (trinta) dias de antecedência, ficando isento do pagamento da multa, se O LOCATÁRIO não avisar a IMOBILIÁRIA, o mesmo ficará obrigado a pagar a título de multa contratual o equilivalente a 01 (um) aluguel vigente na época da rescisão."
Gostaria da ajuda dos amigos mais entendidos, pois ao meu ver esta cláusula é DÚBIA, pois se apos o 12 mes sou isento de multa porque ser penalizado a pagar 30 meses de multa, apenas porque desocupei no 6 (sexto) mes??
Desde já agradeco a atenção.
itamar, deixe que o locador movimente o judiciário, não há de se falar em 30 messes de alugueres, a aitude do locador fere o principio da boa fé, realmente você tem que quitar os últimos 6 messes de aluguel, alem de entregar o imovel em boas condições de uso ( conforme deve ter alugado) se quizer pode fazer um depósito judicial no valor dos 6 messes de aluguel, evitando assim o acumulo de juros e multa acresidos a sua divida.
Então Glaidemir, Obrigado pelo seu comentário.
Acho que me expressei errado. Qdo disse sobre os 6 meses, eu me referia aos meses faltantes para o término da ISENÇÃO DA MULTA.
Eu na verdade quero pagar somente os 6 meses de multa proporcional ou seja, o proporcional que resta até o 12 (décimo segundo mês), mas eles querem me cobrar proporcionalmente a multa contratual e multiplica-lá por 30 meses faltantes.
Na pratica estamos discutindo assim:
VAlor da multa contratual é de R$ 3.000,00
Eu quero pagar assim: R$ 3.000 divididos por 12 e multiplicados por 6 = R$ 1.500,00
A imobiliária quer que eu pague assim: R$ 3.000 divididos por 36 e multiplicados por 30 = R$ 2.500,00.
Então minha dúvida qto a cláusula é a seguinte: Se após o 12 (décimo segundo) mês diz no contrato que eu seria isento da multa contratual, porque querem me cobrar o contrato cheio, apenas porque eu fiquei 6 meses no imóvel ??
No meu entender querem levar vantagem sobre meu dinheiro. Não sei como um juiz interpretaria isso. Essa é a minha dúvida principal.
Pagar o que estao pedindo ou partir para o judiciário ?
Obg
Multa por quebra de contrato de locação de imóveis A multa aplicada nos casos de quebra de contrato de locação de imóveis urbanos deverá ser proporcional ao tempo que resta para dar cumprimento ao contrato de locação.
(Publicado por Bernardo César Coura - 11 meses atrás) A lei que rege os contratos de locação de imóveis urbanos é a Lei nº 8.245/1991, a chamada Lei do Inquilinato, com alterações feitas pela Lei nº 12.112/2009, e trata dos detalhes que envolvem o referido negócio, como: prazo das locações, fianças, sublocações, locações residenciais, comerciais etc.
A multa por quebra de contrato, estipulada em casos de rescisão antecipada, é um dos assuntos que mais gera conflito nas relações locatícias, está regulada pelo art. 4º da referida lei:
Art. 4o Durante o prazo estipulado para a duração do contrato, não poderá o locador reaver o imóvel alugado. O locatário, todavia, poderá devolvê-lo, pagando a multa pactuada, proporcionalmente ao período de cumprimento do contrato, ou, na sua falta, a que for judicialmente estipulada.
Parágrafo único. O locatário ficará dispensado da multa se a devolução do imóvel decorrer de transferência, pelo seu empregador, privado ou público, para prestar serviços em localidades diversas daquela do início do contrato, e se notificar, por escrito, o locador com prazo de, no mínimo, trinta dias de antecedência.
Fica evidente que a lei não determina percentual a ser aplicado, também não estipula que o seja com base em um número de aluguéis e, muito menos, o prazo para que esta multa seja computada. Deixando muitas vezes o locatário (inquilino) nas mãos dos locadores (proprietários), ocorrendo na prática o verdadeiro enriquecimento sem causa, porque eles esquecem que o comando judicial claramente menciona a palavra “proporcionalmente”.
Como em toda relação comercial, a locação de imóveis deve seguir parâmetros favoráveis aos dois lados, procurando minimizar problemas futuros decorrentes dessa transação.
Se por um lado, o locador tem o direito de ser protegido caso o locatário descumpra o contrato – afinal o dinheiro do aluguel do imóvel é incorporado aos seus rendimentos – por outro, o locatário não pode ser vinculado a um contrato que lhe gere transtornos insuperáveis caso lhe advenha um fato inesperado.
O art. 4º autoriza a cobrança de multa em caso de rescisão contratual antecipada, deixando que as partes convencionem como será cobrada tal multa, mas o artigo é claro ao determinar expressamente que esta multa deverá ser aplicada proporcionalmente ao período que resta para o término do contrato.
O Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), defende o que está expresso na lei: a referida multa deverá ser cobrada proporcionalmente aos meses que faltarão para o encerramento do contrato.
Assim, por exemplo, se as partes firmaram um contrato de locação de 12 meses, com multa por descumprimento do contrato de três aluguéis pelos 12 meses, e ao final de seis meses decide deixar o imóvel, deve-se aplicar a proporcionalidade, com o pagamento de multa de um aluguel e meio pelo prazo que falta para cumprir o contrato.
Por outro lado, o Código Civil Brasileiro corrobora com o que está disposto no artigo 4º da Lei do Inquilinato, e determina que haja um equilíbrio na relação estabelecida entre as partes, assim, a multa deverá ser proporcional ao tempo que resta para o inquilino permanecer no imóvel:
Art. 413. A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio.
Várias julgados confirmam o disposto acima, entre eles, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em 2007, aplicou o artigo 413 do Código Civil às relações locatícias, assim declarando:
Cláusula penal. Multa contratual. Locação. Redução. Possibilidade. Código Civil, art. 413. Ordem Pública. Disposição que afasta sua incidência. Invalidade e ineficácia. Autonomia da vontade. Limites: 1. O princípio da autonomia da vontade sempre encontrou limites nos bons costumes e na ordem pública. 2. A norma contida no art. 413 do Código Civil combinada com o art. 4º da Lei 8.245/91, dirigida apenas ao juiz, tem a finalidade de permitir um equilíbrio entre as conseqüências da mora e a respectiva pena e de evitar um enriquecimento sem causa de uma das partes, impondo, no caso concreto, aos réus uma obrigação excessivamente onerosa. 3. Essa norma é de ordem pública e, por isso, a sua incidência não se afasta pela vontade das partes. 4. Assim, a disposição contratual que afasta a incidência dessa norma de ordem pública é inválida e ineficaz. 5. Considerados estes aspectos e observadas as particularidades de cada caso concreto, ao juiz é lícito reduzir proporcionalmente a multa moratória ou compensatória (TJRJ, APC 2007.001.54593, 14ª CC, rel. Des. Cleber Ghelfenstein, j. 31.10.2007)
Se por um lado a cobrança da multa é garantida em lei, por outro a proporcionalidade na aplicação desta também o é. Devendo o locador usar a proporcionalidade em caso de rescisão antecipada para não infringir o disposto na lei.
E caso o locador assim não proceda, recomenda-se ao locatário que devolva as chaves do imóvel e imediatamente entre na justiça questionando a multa e a forma de aplicação. Apresentando os valores que entende como devido.
Vale lembrar, que em regra, um contrato de locação, é um contrato de adesão, ou seja, ao locatário cabe apenas concordar com as cláusulas dispostas, e, portanto, a lei autoriza sua discussão na via judicial, evitando, assim, o enriquecimento ilícito de uma das partes.
Fonte: http://www.meuadvogado.com.br/entenda/multa-por-quebra-de-contrato-de-locacao-de-imoveis.html
Bernardo César Coura Bernardo César Coura Advogado Imobiliário e Condominial Advogado Especialista em Direito Imobiliário e Condominial, Palestrante, Especialista em Direito Processual Civil, Contratos Imobiliários e Ambiental. Sócio da Salim, Farias, Carvalho e Coura Advocacia. Experiência nas áreas do Direito Imobiliário, Condominial e Ambiental ainda, advogados pareceri...