Como foi o início de sua carreira?
Caros colegas,
Gostaria de apreciar os relatos dos senhores(as) à cerca do início de suas carreiras. Os desafios enfrentados, as desilusões, as conquistas, tudo que enfrentaram quando começaram a advogar.
Acredito que dessa forma é possível abrir um canal de discussões a cerca dos problemas que um novo adovogado enfrenta no mercado de trabalho. Quem sabe até poder criar um porta para o ingresso na carreira jurídica.
Por favor, dexem suas declarações. Será de grande valia para todos os iniciantes.
Desde já agradeço.
Ariana Magalhães.
ONDE VOCÊ COLOCA O SAL?
O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo de água e bebesse. Qual é o gosto? Perguntou o Mestre. - Ruim, disse o aprendiz. O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago. Então o velho disse: - Beba um pouco dessa água. Enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou: - Qual é o gosto? - Bom! D isse o rapaz. - Você sente o gosto do sal? Perguntou o Mestre. - Não, disse o jovem. O Mestre, então, sentou-se ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse: - A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor ou estiver triste, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo, para tornar-se um lago.
Ariana,
repito aqui o que postei na discussão lançada aqui no fórun , "advocacia = desprestígio", acho que terá idéia do meu início de carreira, e mais, como analiso a advocacia.
"A saturação, a quantidade de faculdades, que "tem" vestibular mas não seleciona, e o o nível dos bacharéis, além de baixar o salário do advogado faz com que não tenhamos respeito algum, seja por quem quer que seja: servidores do judiciário e cidadão!
Antigamente, até o cliente tinha respeito e temia seu próprio advogado. Agora, contratam, sustam o cheque e, ainda, nos representam, mesmo estando ERRADOS, perante a OAB.
Quando somos contratados, os processos ficam anos parados, e nós trabalhando (somos a única classe que trabalha "sem" receber). Quando é dada a sentença, se não houver recurso, o juiz arbitra sucumbência em míseros 5% ou 10%.
Juízes não podem se recusam a nos atender (pelo menos aqui em S.P.), só que atendem ironizando e fazendo pouco caso!
A situação anda tão tensa, que há pouco tempo, no Fórum da Freguesia do Ó (S.P.), que um cliente pulou a janela, imaginando estar térreo, e não estava (estava no 2 andar. Óbvio que a parte foi parar no hospital), após ser iniciada uma briga entre advogado e juiz com a interferência dos policiais militares!
A nossa relação, advogados X Judiciário ( servidores e juízes), é TENSA! Uma colega denunciou aqui mesmo no fórum que foi chamada a atenção pelo juiz do processo porque trabalhou em uma sexta-feira em que ele (juiz da causa) faltou e por esse motivo ela despachou com outro juiz. Absurdo!
A OAB fica o tempo todo se limitando a tratar e dar preferência as "prerrogativas da classe" (que tomou força após a invasão de determinado escritório pela P.F.). A Polícia Federal e afins não invadem escritórios de pobres mortais, como me qualifico! O interesse será em grandes escritórios. E quantos são? MEIA DÚZIA! VAMOS TRATAR DE MEIO MILHÃO DE ADVOGADOS QUE NÃO ANDAM SUPORTANDO PAGAR NEM MESMO A CONTRIBUIÇÃO DA OAB.
Estamos "morrendo de fome", com problemas básicos, e nada é debatido! Os colegas não reagem...Parece que advogado não pode e não quer assumir que passa por dificuldades! Parece que tem que manter a pose.
Não suporto o que tenho visto no dia a dia da advocacia, e estou pensando seriamente em ter um canal de denúncias para que advogados que tenham coragem e alguma ideologia façam suas denúncias.
Até hoje só vi um colega reagir: ele grava abusos e os coloca, inclusive, no youtube.
Foi-se o tempo em que advogados eram prestigiados. "
Carla
Bom, minha "carreira" começou em 2009.
Assim como a Ingrid ainda não tive nenhum cliente.
Ou melhor, tive um: eu mesmo!
É que fui citada como ré numa ação criminal.
Portanto, fui minha primeira cliente.
Bom, esse foi meu depoimento de início de carreira, espero que seja de alguma valia.
Finalizando, como diz o dr. Antonio: "-Vamos ouvir os colegas."
Desejo um feliz 2010 a todos!!!
Segundo o advogado Jarbas Andrade Machioni, in verbis:
É comum a pergunta em faculdades de Direito, como iniciar-se na profissão, o que ler, quais caminhos etc. Vou tentar passar um pouco de experiência minha e de colegas, fruto de conversas, observação e troca de informações ao longo dos anos.
A carreira da advocacia privada é, majoritariamente, ainda constituída de pequenos e médios escritórios. Escritórios com mais de dez pessoas são estatisticamente raros no país.
Nessa senda, o sucesso profissional dependerá somente do desempenho do advogado iniciante. Gerações de advogados renovam-se, poucos são os que herdam. A esmagadora maioria dos escritórios não foram herdados e grande parte dos que foram herdados e ainda continuam sofreram modificações, seja para amplia-los, seja para alterar o perfil da clientela etc.
Na verdade, o mercado é grande e está aí para ser conquistado como lembrou o douto advogado Ricardo Tosto do prestigioso escritório Leite, Tosto e Barros em palestra na OAB-SP.
O que o advogado jovem tem de buscar, principalmente, para galgar uma advocacia de sucesso são duas coisas básicas: formar clientela e formar o seu capital teórico (leitura e estudo de obras jurídicas, absorvendo conceitos e categorias júridicas).
Todo escritório precisa de uma “espinha dorsal” de clientela, ou seja, o fluxo mínimo que mantém o escritório funcionando, pode ser uma ou mais empresas no sistema de advocacia de partido; pode ser uma advocacia de administração de bens, uma profunda especialização como telecomunicações, junta comercial, registro de imóveis, mercado de capitais etc. Formada essa base, poderá ele ir aumentando a sua clientela, seja através de indicações de outros advogados (muito mais importante do que a maioria imagina), relacionamento profissional (networking, para usar uma palavra da moda), ou indicação dos próprios clientes.
Essa deve ser a preocupação básica de quem monta um escritório. Inicialmente sugiro a associação com outros colegas, mas na forma do que, no jargão do mercado, é conhecido “sociedade de despesas”, ou seja, partilham-se somente custos e cada um tem sua clientela, associando-se apenas em alguns casos. Essa associação é útil para troca de experiências, discussão de assuntos, além da óbvia diminuição de custos. Abrir o escritório sozinho é muito mais complicado e deve ser bem pensado.
Outra alternativa é iniciar-se associando-se a escritórios já constituídos, com objetivo de adquirir experiência, enquanto forma sua própria clientela. O escritório já constituído pode também ajudar em muito o advogado iniciante encaminhado casos, e auxiliando-o a constituir sua carteira de clientes.
Formar clientela e posicionar-se no mercado são ações que exigem do profissional um estudo e planejamento estratégico que devem, sempre, seguir os preceitos éticos da profissão. Um advogado sem ética irá assustar os clientes e rapidamente criará má-fama entre os colegas, sua advocacia será sempre limitada e não terá longa duração.
Por outro lado, criar o capital teórico é essencial. A leitura e comparação de textos, a comunicação por escrito, ou mesmo oral, forma o dia-a-dia da profissão; é preciso ler e escrever bem, com consistência e clareza.
Bons cursos de português e redação são sempre aconselháveis; ter à mão dicionários de qualidade para profissionais como “Caldas Aulete” ou “Cândido Figueiredo” é indispensável. Sugiro também o livro “Questões Vernáculas”, de Napoleão Mendes de Almeida (que mantinha o melhor curso de português do país, e por correspondência!).
Deve o advogado, também, manter uma boa obra de Gramática. A leitura dos clássicos como Ruy Barbosa ou Padre Vieira é aconselhável, não para o profissional escrever ou falar como eles, isso não! Mas pode-se deles tirar lições muito úteis de como abordar um assunto, como efetuar uma colocação de problema ou criar figuras muito expressivas.
O advogado conseguirá destaque na profissão principalmente pela sua criatividade e solidez das soluções jurídicas que encontrar nos casos sob seus cuidados. Esse pode ser o grande diferencial do advogado.
Nesse sentido, remeto ao leitor às duas histórias que conto sobre o tributarista Rubens Gomes de Souza (autor do Código Tributário Nacional) e Alfredo Becker sobre os fatos que deslancharam suas carreiras, que conto no Blog do Advogado, nesta revista (aba Histórico, pasta /2007)
Para isso, a leitura é essencial. No próximo artigo da série, irei tratar da formação da biblioteca básica e das leituras para formar um profissional diferenciado.
Jarbas Andrade Machioni, 45 anos, advogado, é sócio do escritório Machioni e Braga Advogados. Formado em direito pela FMU em 1980, especializou-se em direito empresarial no Mackenzie. É presidente da Comissão de Assuntos Institucionais da OAB-SP, vogal substituto na Junta Comercial do Estado de São Paulo e vice-presidente-executivo do Conselho Consultivo do Tribunal Arbitral do Comércio na Junta Comercial do Estado de São Paulo.
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Parece que tive mais sorte:
Formado pela PUC CAMPINAS, colei grau no início de 1992, e passei no primeiro
exame da OAB que prestei.
Na época trabalhava em banco, e grande parte dos clientes eram micro e pequenos
empresários, que sabendo da minha formação sempre me procuravam para consulta.
E em consequencia de legislações tributárias declaradas inconstitucionais e planos
econômicos desatrosos, dificil era encontrar quem não procurasse um advogado para
para liberar os cruzados bloqueados pelo governo Collor ou para questionar as
alíquotas de PIS, FINSOCIAL, COFINS...foi uma época que mesmo um iniciante tinha
as suas oportunidades.
Além disso, sempre pude contar com as orientações de um professor, hoje
Desembargador do TJSP, Doutor Francisco Vicente Rossi.
E acredito que os colegas eram mais solidários...
abraços.
davyd
Comecei como assistente jurídico em um grande Banco, quando ainda fazia faculdade, depois me tornei advogada neste Banco por 6 anos, como o Departamento Jurídico era dividido em setores, fiquem longos 6 anos em um único setor (Contratos) pois minha chefe não permitia minha transferência e eu não fiz esta exigência, me acomodei, quando saí, trabalhei em um Escritório que prestava assessoria a este Banco, fiquei 2 anos, novamente me acomodei, agora, trabalho há 8 anos com cartórios, assessoria a tabelionato e cartório de RI.
Sempre me senti frustrada por não ter qualquer experiência na área processual, acho que não me tornei uma advogada de verdade, é a única coisa que reclamo um pouco, mas é só isso.
Portanto, não desistam e não se acomodem, mas como a Ingrid, R7 e Marcos, sejam pessoas tranquilas, façam o que é correto, corram atrás, mas com tranquilidade, sem esquecer certas coisas que são importantes (família, lado espiritual principalmente).
E sigam as sábias palavras do Dr. Antonio.
Bom dia pessoal.
Assim como o David também sou das antigas (risos). Comecei na época das máquinas de datilografar Remington e da audiência de oblação, já ouviram falar disto? e meu exame da OAB ainda tinha a fase oral!
Há 19 anos no mesmo escritório, advogando sozinho mas sempre com um estagiário(a) que substituo a cada ano para não gerar o vínculo empregatício, mas também sem esconder nada deles, cuja amizade mantenho com todos.
Atualmente também leciono em uma daquelas centenas de faculdades de direito que surgiram nos últimos dez anos, perto do escritório, três manhãs por semana, nas disciplinas que gosto.
Sobrevivi da profissão de advogado, conquistei algumas coisas com ela, mesmo sem possuir a caracteristica essencial do advogado. Explico: sou introvertido e reservado virtudes que devem passar longe do advogado (no caso o profissional liberal).
Para quem tem o dom natural do advogado profissional liberal e quer se dar muito bem, além da atualização permanente na área faça um pouco mais do que isto e um pouco mais do que eu fiz.
Tenha muitos clientes: frequente festas, reuniões do seu partido político, reuniões de sua igreja, da maçonaria, vá a confraternizações do forum, participe de comissões da oab, faça artigos jurídicos e publique no jornal de sua cidade, enfim, tudo para expor-se e vender seu produto que é você.
Feliz natal a todos Hebert Curvelo Turbuk www.hcturbuk.blogspot.com
Primeiramente, muito obrigada pelo depoimento de todos.
Pelo visto, alguns obtiveram oportunidade logo no início... Como gostaria de ter acontecido isso comigo. Mas não estava fazendo estágio, pois sou servidora pública. Acho difícil abandonar um serviço "estável" para me "aventurar" em uma carreira como advogada. Queria sentir um pouco mais de segurança no mercado. Não que tudo devesse ser fácil, porém poderia existir mais solidariedade entre os colegas. A maior parte das ofertas de emprego que vi exigem experiência. Algo difícil para quem está iniciando e trabalhava em outra coisa na época da faculdade.
Conto com o mesmo problema do Dr.Herber, sou introvertida também. Isso não ajuda muito na carreira que escolhemos... Fica menos difícil inicar quando se mantem boas relações com muitas pessoas.
Respondendo a pergunta da Ingrid - Sou de Minas Gerais, Belo Horizonte. Tecnicamente ainda não fui a luta, mas estou muito preocupada em pedir exoneração do meu serviço para começar a advogar.
O caso relatado pela Dr. Anna nos mostra que dedicação nos leva pra qualquer lugar.
Acho bastante pertinente o comentário feito por nossa colega Carla. Realmente a profissõa de advogado corre perigo nos dias de hoje e estamos desprestigiados. Cabe a nós mudar essa situação.
Portanto,
Temos que continuar lutando e a solidariedade entre colegas de profissão é a solução.
Atenciosamente, Ariana - BH Minas Gerais.
Boa noite amigos... Minha carreira como advogada é um bebe ainda ! Tenho OAB há um ano e cinco meses. Não é facil sair da faculdade, praticamente "crua" e se aventurar em escritório... O inicio foi dificil demais ! Confesso que pensei em me aposentar logo nos primeiros meses... Me deparei com colegas de profissão que me humilharam e me colocaram pra baixo. Trabalhei 18 anos em uma imobiliária e minha experiencia nesse ramo é vasta. Atualmente advogo na área de direitos reais e familia. Faço trabalhista eventualmente... não é muito minha praia ! Estou começando a colher os frutos agora com as ações da defensoria e algumas ações que estão no fim. Para manter o escritório, faço bastante divorcio e inventário extrajudicial. É fácil, rapido e sem muita dor de cabeça...
Enfim... espero ter sucesso na profissão que escolhi, pq simplesmente amo o que faço.
Bom
Minha carreira começou varrendo o chão, depois passando aspirador pó quando meu pai colocou carpete no escritório, em seguida ai fazer o cafezinho para ele, depois colocava o terno para atender os clientes dele, depois corria para o forum ver os processos dele e o ingrato escreveu aí em cima (em 12/12/2009) que substituia as estagiárias todo ano!!! mentira, eu que dava duro todos estes anos... e ele nem precisa pagar minha faculdade, que é pública...
Muito bacana esse tópico, pois tenho minha OAB à aproximadamente 6 meses, estou realmente engatinhando, o começo está super complicado, presto atendimento gratuito em uma Associação Beneficiente uma vez por semana, sob supervisão de outra advogada, para ir adquirindo uma prática com o tempo. Mais tenho fé que irei vencer grandes barreiras e desafios, o depoimento de outros advogados, serão de grande valia para todos os iniciantes.
Passando por este tópico, que antes não havia percebido, voltei ao início de minha carreira como advogado. Que dificuldade! Quando cursei a faculdade, quase não existia estágios. Ao ingressar na advocacia tudo era novo para mim. Qualquer despacho do juiz era um mistério. Lia e relia e me indagava: o que fazer? Meu primeiro processo foi uma ação de despejo. Munido de uma procuração do cliente, me desloquei até ao Cartório para verificar o processo. Ao chegar no balcão pedi para ver o processo e me mandaram voltar no outro dia porque teriam que localizassem o processo. Mas como? E o prazo? Gritei. Não adiantou gritar. Já comecei brigando com o escrivão, pois exigia que me dessem acesso ao processo e o escrivão insistia que só no outro dia. Quase desisti de advogar. Engoli esse sapo e teimosamente fui em frente Apanhei bastante. Certa vez inconformado com o despacho do juiz, pedi reconsideração. O juiz manteve a decisão. Então cheio de razão agravei o despacho dado no pedido de reconsideração. Resultado, meu agravo não foi recebido por intempestivo. Hoje constato que muitos advogados cometem esse mesmo erro e perdem o prazo para agravar, na ilusão de que o pedido de reconsideração renova o prazo. Aprendi perguntando, pois não tinha vergonha de perguntar. Descobri que um bom relacionamento com o escrivão ajuda bastante. Como a proposta é contar historinhas, espero ter satisfeito a curiosidade da colega que sugeriu o tópico.