FALSIFICAÇÃO DE ASSINATURA
O caso hipotético é o seguinte: Em 2001,uma empresa vendeu a outra a quase totalidade de seus ativos, incluindo fundo de comércio, instalações, estoques e o ativo permanente. A venda se deu da empresa “A” por meio de transferências sucessivas para mais duas empresas, antes de chegar na compradora definitiva – a empresa “B”, com o objetivo de se descaracterizar a sucessão empresarial para que a empresa compradora “B” não arcasse com o imenso passivo da empresa “A”, constituído por dívidas junto aos empregados, Fisco, INSS e fornecedores. Recentemente descobri junto aos arquivos da JUCESP que algumas das assinaturas contidas nas solicitações feitas àquela entidade e em alterações de contratos sociais, apresentam grandes divergências entre si (de um documento para outro), com enormes possibilidades de terem sido falsificadas, incluindo o contrato de compra e venda para a empresa compradora “B”. Os eventuais crimes de falsificação cometido em 2001 já prescreveram? Restaram providencias quanto a esfera Civel?
Dr. Marcel, Bom dia. Grato pelo retorno. Não sou acadêmico de Direito e sim de Administração e Ciências Contábeis. Pelo que entendo, ainda existe tempo para o ajuizamento de ação pedindo a sucessão, por outro lado, pelo que pesquisei em relação ao crime (artigo 292) a prescrição tem um prazo de 12 anos. Ainda na parte criminal, pendo que o prazo poderia ser contado a partir da descoberta do fato. Talvez eu esteja errado.
Quanto a questão criminal, prefiro não tecer maiores comentários, pois não sou especialista na área, mas convém também analisar a questão pelo viés do crime de estelionato. Quanto a parte civil, sim, talvez seja possível algumas medidas. A questão seria, a princípio, saber quem é a parte interessada no caso é qual o interesse dela a ser perseguido pela via judicial.
Só me esclareça. Trata-se de trabalho acadêmico ou caso real?
Do ponto de vista dos desdobramentos criminais, seria necessário uma verificação exata não só do fato, mas também da intenção do autor do fato. A intenção é, também, um fato chave. O dolo ou a ausência dele pode tanto caracterizar como descaracterizar um crime. Também seria viável analisar os crimes previstos na Lei de Falências, de fraude a credores. Em que pese acreditar estarem todos prescritos, tantos os previstos no CP como nos previstos na lei de falências, se o caso se trata de trabalho acadêmico, penso que deva ser abordado, ainda que en passant.
Na esfera civil, poderia se arguir a falsificação das assinaturas, e comprovada, requerer a anulação de tais contratos. Ou mesmo quanto aos credores prejudicados, a cobrança ou execução de seus créditos. Ao meu ver, ainda que a transferência tenha se dado de maneira sucessiva em varias etapas e tenha passado por empresas intermediárias, não fica descaracterizada a sucessão empresarial.
Porém tudo isso são meras confabulações, suposições. É impossível afirmar categoricamente qualquer coisa sobre a questão como essa, que apresenta tão pouco detalhes concretos para serem analisados. Por acreditar que seja um simples trabalho acadêmico, penso que o barema deve se pautar nesses pontos. Caso se trate de uma situação real, aí somente por meio de uma consulta a um advogado, mediante a apresentação de documentos e outros elementos necessários, seria possível realizar uma avaliação técnica adequada.
É um canal aberto e colaborativo, assim sendo, responde quem quer e a hora que deseja. Todavia, ainda que sendo um fórum público de internet, dada a sua característica, fica adstrito a certas limitações, impostas senão pelas regras de uso estabelecidas pelo próprio mantenedor do site, dentre as quais a proibição de pedidos de resolução de questões de provas (e similares, incluindo trabalhos acadêmicos) sem a opinião do autor da pergunta (e isso não se limita somente aos alunos); mas também pela própria legislação pátria que impede que se preste consultoria jurídica nestes moldes.
Justamente por este motivo, e vendo que ninguém mais se interessou por responder sua pergunta, me prestei a lhe ajudar, respondendo sua questão, ainda que claramente tratando-se ou de um trabalho acadêmico, ou de uma tentativa camuflada de consulta jurídica.
Pesquisando um pouco mais , a situação ou o caso em si, apesar de hipotético, reflete uma série de situações reais, inclusive objetos de disputa judicial . Uma medida para solucionar isso talvez fosse a obrigatoriedade de reconhecimento de firma por parte dos sócios, inclusive por autenticidade nos contratos de abertura e de alterações em pelo menos uma das vias, preferencialmente a que permanecerá na Junta Comercial.