Filha não quer mais viajar para ver o pai

Há 17 anos ·
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Prezados,

sou casada em União Estável (Rio de Janeiro), à 7 anos e temos um filho da mesma idade.

Meu marido tem uma filha de 12 anos do primeiro casamento, que mudou-se para Brasília com a mãe desde a separação deles, quando ela tinha 2 anos e meio. Guarda estabelecida para a mãe. Regulamentação de visitas "tradicional": visitas do pai lá 15/15 dias, pegar na sexta noite e devolver no domingo noite. Paga pensão alimentícia para a ex-mulher e para a filha.

Desde a separação até ela completar 5 anos, meu marido ia à Brasília, rigorosamente um final de semana por mês ver a filha.

À partir dos 5 anos de idade dela, ela passou a vir passar as duas meias férias escolares aqui no Rio conosco (além das visitas mensais do pai lá em Brasília).

À partir dos 9 anos de idade dela, ela passou a vir ao Rio um final de semana por mês ao invés do pai ir para lá.

Com 10 anos e meio de idade, ela e eu tivemos uma briga e ela parou de falar comigo (nenhum,a palavra). À partir daí, passou a vir menos vezes com algumas alegações do dia-dia. Pedi desculpas muitas vezes, mas ela não recuou nunhum milimetro. Continuou vindo ao Rio, para nossa casa, sem falar uma única palavra comigo. Uma tortura! Sofri muito e ainda sofro com isso, gosto dela e gostaria muito que ela pudesse me perdoar. É impressionante a desproprção da reação dela com os fatos, a rigidez e dureza do coração dela. Parece que ela teve que dissociar-se para lidar com o conflito que na verdade é entre o pai e a mãe.

Com 11 anos e meio de idade, tendo tudo sido muito conversado com ela durante um ano, ficou decidido que ela nas vindas seguintes ficaria com o pai e o irmão na casa da avó paterna. Depois disso, ela não quiz mais vir. (Este fato coincidiu com a morte da Izabela pela madrasta e o pai...) Meu marido ficou 3 meses sem vê-la e acabou indo passar as metade das férias dela de direito dele lá em Brasília com ela. Ela segue não querendo vir e pede ao pai que ela vá à Brasília vê-la com o irmão e a avó.

Meu marido e a ex-mulher não se falam e quando se falam (raramente), só sai briga.

Temos indícios ao longo destes anos de que a mãe dela faz o que pode (sem inplicar em nada judicial) para dificultar o convívio da filha com o pai = não faz a menor questão e dificulta sempre que possível. Meu marido foi um herói de conseguir tanta coisa na relação com a filha a 1.200 km de distância. Convém ressaltar que meu marido só consegue falar ao telefone com ela quando a mãe está ao lado. Não há tel fixo na casa dela e ela já "perdeu" 2 celulares que meu marido deu a ela. Tenho muitos outros exemplos, mas o que importa é que desconfiamos seriamente de uma chantagem implícita no discursso da mãe com ela.

Perguntas:

01) Meu marido deve voltar a ir à Brasília ver a filha? Temos receio disso acabar configurando de que sempre foi assim. Queremos configurar de que a rotina passou a ser ela vir. Por quê mesmo ficando com o pai e o irmão na casa da avó, ela segue não querendo vir? Por quê romper com a família do Rio por minha causa? Sei que a questão é complexa, mas afinal, ele deve ir ou não?

02) Devo deixar meu marido levar meu filho para ver a irmã em Brasília? Acho que preservar a relação dos irmãos está acima de qualquer coisa, mas se ele for, nunca mais ela volta a vir ao Rio. Quem tem duas famílias é ela, não eu, o irmão, ou o pai....

03) Devo voltar atrás e permitir que ela volte a ficar lá em casa mesmo sem falar comigo?

04) É cabível, como funciona, uma ação de Estudo Psicossocial, Avaliação Psicológica ou Perícia Psicológica?

Grta desde já,

Cristina

10 Respostas
Vanderley Muniz - [email protected]
Há 17 anos ·
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A questão é realmente complexa pois envolve relacionamento humano.

A menina (adolescente a essas alturas) não é obrigada a ir ao Rio para ver o pai, aliás nem obrigada a ver o pai contra a vontade.

O pai, por sua vez, não é legalmente obrigado a ir até Brasília.

O pai é moralmente obrigado a manter um relacionamento com a filha integrando-a ao(s) irmão(s).

Você não pode interferir!!!

Creio que deva ceder e se fazer perdoar mesmo que esteja com a razão (na briga) pois o que interessa com maior ênfase é o relacionamento saudável familiar.

Boa sorte!!! vai precisar.

Autor da pergunta
Há 17 anos ·
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Prezado Vanderley,

CLARÍSSIMO, muito obrigada por sua resposta, mas necessito de opiniões objetivas quanto às minhas 4 perguntas. Justamente no intuito de não interferir (mais).

Você sugere que eu permita ela frequentar a minha casa sem falar comigo? As implicações disso são terríveis, digo com relação a passagem de valores e respeito, tanto para ela quanto para meu filho. Não podemos obrigá-la a falar comigo, mas também não posso obrigar-me a conviver com a rejeição dela em minha própria casa. Posso? Devo? Fiz isso durante um ano, é muito sofrimento para mim.

Por favor, tente dar-me sua opinião para cada uma das perguntas.

Muito grata! Desculpe-me se insisto.

Cristina

Janaína S.R.
Há 17 anos ·
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Vou tentar opinar: 1 - Ele não é obrigado a ir a Brasília visitar a filha, mas se não há outra alternativa acho que é uma boa opção, para ambos não perderem o vínculo familiar, e mais, mesmo que ela volte a visita-lo no Rio, é importante que ele as vezes também a visite em sua cidade (Brasília), assim demonstrando que se importa com ela; 2- O seu marido é pai do seu filho, não é você quem deve deixar ou não, é uma decisão de ambos, mas acredito que isso fará bem para a união familiar, claro que se a menina fosse para o Rio e visse o irmão lá seria melhor, até porque o filho de vocês é muito criança ainda para viajar tanto. PS: você fala de uma menina de 12 anos como se fosse uma adulta, mas por mais que ela pareça ter opiniões próprias, não se esqueça que ela é uma criança, e uma criança que está numa fase bem complicada (pré-adolescencia) da vida, então, não é o fato do irmão ir lá ver ela que ela se acomodará e não irá mais querer viajar até o Rio; 3 - Com certeza, não se esqueça que você é a adulta desta história, com crianças devemos ter paciência, com muita calma e persistência as coisas se acalmam, não sei a gravidade da briga de vocês, mas é normal a menina ficar com ciúmes do pai, etc, releve, é para o bem de todos... e quando ela estiver em sua casa, levante a bandeira branca, tente ser pacífica; 4 - Estudo de quem, da menina? com que fundamento? para que?

  • Se a menina anda se negando a visitar o pai no Rio, se ele deseja que ela volte, nada impede que possa ele entrar com uma ação de regularização de visitas da menor.
Vanderley Muniz - [email protected]
Há 17 anos ·
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Gosto muito de vc Janaina, é extremamente coerente.

Te admiro: quer trabalhar comigo???? rsrrsrsrsrsrrs

Autor da pergunta
Há 17 anos ·
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Obrigada! Janaína: interpretação correta: " vc fala de uma menina de 12 anos como se fosse adulta..." Erro meu... sei disso..., valeu reforçar..., obrigada. Janaína: tenho certeza que ela não tem (completamente) opiniões prórias, é muito influenciada pela mãe. Mas o pior é que meu marido, o pai não perdoa a mãe dela, (que sumiu de casa com ela 3 meses (quando ela tinha 2 anos e meio), e não perdoa o que a mãe dela continua fazendo dificultando o convívio dela com ele (meu marido é um santo), como ela pode me perdoar? Está decidido: se meu marido quiser ir à Brsília poderá até levar nosso filho para visitá-la. Levanto a bandeira branca, só não sei ainda se consigo deixá-la vir lá para casa... Vou refletir. Vanderley: obrigada, Janaína parece ser coerente mesmo, sensata. Gostaria tanto que tivesse sido diferente!!!! Gostaria tanto de resgatar minha relação com ela! Eramos tão unidas quando ela era pequena! Vestíamos até roupa igual! Me preocupo tanto com ela, quero-le tão bem! Muito obrigada!

Autor da pergunta
Há 17 anos ·
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Prezados, iniciei este forum, estou satisfeita mas agora gostaria de excluí-lo. Como devo proceder]? Grata peça informação. Cristina

Vanderley Muniz - [email protected]
Há 17 anos ·
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basta editar apagando tudo....

Janaína S.R.
Há 17 anos ·
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Vanderley, obrigada pelo elogio, gostei do convite, não fosse a distância..rsrs.

Cristina, boa sorte para você, infelizmente estas relações são assim, mas em breve a menina crescerá e a mãe não mais exercerá tanta influência sobre a pobre.

Autor da pergunta
Há 17 anos ·
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Moderador do Fórum
Admin
Há 17 anos ·
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O objetivo do Fórum é possibilitar a discussão das questões jurídicas apresentadas por vocês mesmos.

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Atenciosamente,

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