- RESUMO
O ser humano está sujeito a diversas situações que podem causar problemas de saúde, fadiga e desconforto, levando a uma menor concentração, aumento do índice de acidentes, qualidade e produtividade do trabalho. Estas circunstâncias são muito comuns no setor florestal, onde a maioria dos trabalhadores executa o trabalho em campo aberto ou no interior de postos de trabalho em condições ergonômicas inadequadas. Se o trabalho exigir métodos manuais ou semimecanizados, normalmente os trabalhadores manuseiam cargas pesadas e exercem atividades que exigem esforços repetitivos e posturas inadequadas.
A preocupação com o bem-estar, a saúde e a segurança do ser humano no trabalho, seja este pesado ou leve, vem se acentuando no decorrer dos últimos anos, o que se justifica, visto que quando o trabalho representa apenas uma obrigação ou necessidade, a situação é desfavorável, tanto para o empregado quanto para o empregador.
A ergonomia é o conjunto de conhecimentos a respeito do desempenho do ser humano em atividade, a fim de aplicá-los à concepção das tarefas, dos instrumentos, das máquinas e dos sistemas de produção (Iida, 1990). Os estudos ergonômicos visam harmonizar o sistema, adaptando o trabalho ao ser humano, por meio da análise da tarefa, da postura e dos movimentos do trabalhador, assim como de suas exigências físicas e psicológicas, objetivando reduzir a fadiga e o estresse, proporcionando um local de trabalho confortável e seguro. Com isso, pode-se reduzir o cansaço mental e físico dos trabalhadores, e consequentemente, aumentar a eficiência e o rendimento das atividades.
A ergonomia pode contribuir para melhorar a satisfação e o bem-estar do trabalhador, melhorando qualidade do trabalho, diminuição de custos e danos à saúde e melhor qualidade de vida aos colaboradores. A utilização de princípios ergonômicos beneficia ambas as partes, tanto o empregado quanto o empregador.
Apesar do avanço na última década, o uso da ergonomia para melhoria das condições de trabalho no setor florestal ainda tem sido pequeno, pois as pesquisas ainda são voltadas para a otimização do trabalho, redução de custos e aumento da produtividade.
Muitas empresas deixam de investir em segurança e saúde do trabalhador em função dos custos. No entanto, deixam de considerar que os acidentes levam as perdas econômicas extremamente altas e pode levar a empresa a perdas inclusive de negócios futuros incalculáveis. Estudos indicam, que na Inglaterra essas perdas podem chegar a valores superiores a 10% do lucro bruto de uma empresa em apenas uma ocorrência, segundo esse mesmo estudo, o Brasil ocupa uma das piores posições no mundo neste aspecto.
ABSTRACT
The human being is subject to various situations that can cause health problems, fatigue and discomfort, leading to a lower concentration, increased accident rates, quality and productivity. These conditions are very common in the forest sector, where most workers performing work in the open or inside of jobs in inadequate ergonomic conditions. If the job requires manual or mechanized methods, usually workers handling heavy loads and perform activities that require repetitive movements and postures.
Concern for the welfare, health and safety of human beings at work , be it heavy or light , has been increasing over the past years , which is justified , since when the work is only an obligation or necessity the situation is unfavorable for both the employee and for the employer.
Ergonomics is the body of knowledge about human performance at work, in order to apply them to the design of tasks , tools , machines and production systems ( Iida, 1990) . The ergonomic studies to harmonize the system , adapting the work to man , through task analysis , posture and worker movements , as well as their physical and psychological requirements , aiming to reduce fatigue and stress, providing a place comfortable and safe work . With this, you can reduce mental and physical fatigue of workers, and thereby increase the efficiency and the performance of activities.
Ergonomics can help improve customer satisfaction and worker well -being , improving quality of work, lower costs and damage to health and better quality of life for employees . The use of ergonomic principles benefits both parties, both the employee and the employer. Despite progress in the last decade, the use of ergonomics to improve working conditions in the forestry sector has still been small because the research is focused on the optimization of labor, reducing costs and increasing productivity.
Many companies fail to invest in safety and occupational health to costs. However, they fail to consider that accidents lead to extremely high economic losses and can lead to company losses including untold future business. Studies indicate that in England these losses can reach values higher than 10% of the gross income of a company in only one instance, according to this same study, Brazil is one of the worst positions in the world in this regard.
- SEGURANÇA NO TRABALHO
A segurança do trabalho é em resumo o conjunto de medidas adotadas visando a diminuição dos acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade do trabalhador.
As atividades do setor florestal são muito variadas, temos pequenas, médias e grandes empresas ou proprietários rurais que trabalham em áreas florestais plantadas ou nativas. Estas áreas podem ser localizadas em terrenos planos ou inclinadas e o trabalho pode ser realizado por meio de métodos manuais, semimecanizados ou mecanizados, essas variações influenciam nas condições de segurança no trabalho e apresentam em algumas situações, altos índices de acidentes.
- Acidente de Trabalho
De acordo com o art. 19 da Lei nº 8.213/91
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"acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho". |
No ranking dos acidentes com óbitos, o trabalho agrícola e florestal ocupa o terceiro lugar, seguido da indústria mineral e da construção civil. Estas estatísticas mostram que o máximo de acidentes ocorre entre os 15 e 19 anos que é a idade de início no trabalho, com treinamento baixo e alto grau de desprezo aos riscos. O mínimo de acidentes ocorre entre os 40 e 44 anos. Segundo as estatísticas mais de 50 % dos acidentes ocorrem com pessoas com menos de 20 anos ou mais de 60. Os acidentes aumentam os problemas de saúde dos trabalhadores, contribuindo para baixa produtividade, baixa motivação para o trabalho, baixo nível do trabalho e alto desgaste de equipamentos e máquinas e dos próprios trabalhadores.
3.ERGONOMIA E O SETOR
3.1.dos Fatores Humanos e Condições de
A pesquisa a respeito dos fatores humanos e das condições de trabalho nas empresas florestais tem por objetivo aperfeiçoar os métodos e as técnicas operacionais, de modo a assegurar condições seguras, confortáveis e saudáveis no ambiente de trabalho. O conhecimento dessas condições e a busca constante de sua melhoria influenciam diretamente a satisfação do trabalhador, levando ao aumento da produtividade e qualidade do trabalho (Grandjean, 1982; Iida, 1990; Fiedler, 1998; Minette, 1996; Sant’Anna, 1998).
A mão-de-obra é um componente essencial para o trabalho florestal, notadamente nas atividades de elevada exigência física, como na implantação e manutenção florestal, que na grande maioria, são ainda realizadas de forma manual ou semimecanizada, com uso intensivo de mão-de-obra. Para caracterizar a mão-de-obra e as condições de trabalho, é preciso conhecer os fatores humanos relacionados aos trabalhadores, bem como as condições de trabalho, saúde, alimentação, treinamento e segurança dos funcionários.
Segundo Fiedler (1998), o estudo dos fatores humanos consiste em um levantamento do trabalhador na empresa, onde são analisados variáveis como, tempo na empresa, tempo na função, estado civil, número de filhos, idade, escolaridade, origem, etc. O conhecimento desses fatores é de fundamental importância para que a área de trabalho, o seu arranjo, as máquinas, equipamentos e ferramentas sejam bem adaptados às capacidades psicofisiológicas, antropométricas e biomecânicas do ser humano. Lopes (1993) diz que, para atingir um bom desempenho, deve-se procurar adaptar o trabalho às características do trabalhador, buscando reduzir a sobrecarga física, a fadiga, o absenteísmo, os erros, os acidentes de trabalho e propiciando maior conforto, satisfação no trabalho e bem-estar social.
As condições de trabalho na empresa são fatores que influenciam diretamente a produtividade do trabalhador e a manutenção do sistema ser humano/máquina em funcionamento. Segundo Iida (1990), é importante que a empresa tenha conhecimento das condições de trabalho, de suas consequências e da satisfação do trabalhador, a fim de estabelecer critérios de aquisição de mão-de-obra e equipamentos, proporcionar melhor relacionamento entre trabalhadores, administrar e estabelecer mudanças visando a implementação de técnicas de segurança.
- Carga de Trabalho Físico
A necessidade de exercer força durante o trabalho florestal pode levar o surgimento de tensões mecânicas localizadas no organismo do trabalhador. Essa exigência incrementada de energia conduz à sobrecarga nos músculos, no coração e nos pulmões. O conhecimento das cargas de trabalho físico para Villa Verde (2004), observado sob o âmbito fisiológico é a expressão da intensidade da atividade laboral posta para o indivíduo e tem grande aplicação nas áreas de estudo de ergonomia e saúde do trabalhador.
A avaliação da carga de trabalho físico é considerada o primeiro problema tratado pela fisiologia do trabalho (Wisner, 1987). Nos estudos ergonômicos, medem-se os índices fisiológicos com o objetivo de determinar o limite de atividade física que um indivíduo pode exercer. Por meio dos índices fisiológicos é possível determinar a duração da jornada de trabalho, a duração e a frequência das pausas, conforme a capacidade física do trabalhador.
Rodahl citado por Anjos e Ferreira (2000) afirma que a carga de trabalho físico pode ser avaliada por meio de respostas metabólicas ou cardiovasculares dos indivíduos a uma atividade física, expressas por meio de valores absolutos como a frequência cardíaca ou por meio do dispêndio energético da atividade. Segundo Couto (1995), a frequência cardíaca é um bom indicador da carga de trabalho físico exigida em uma atividade, sendo expressa em batimentos por minuto (bpm) e realizados por meio da palpação das artérias ou usando medidores eletrônicos.
Segundo Apud (1997), com base na frequência cardíaca, pode-se ainda classificar a carga de trabalho físico conforme mostrado na Tabela 1.
Tabela 1 – Classificação da carga de trabalho físico por meio da frequência cardíaca.
Carga de trabalho físico Frequência cardíaca (bpm) Muito leve < 75
Leve 75 – 100
Moderadamente pesada 100 – 125
Pesada 125 – 150
Pesadíssima 150 – 17
Extremamente pesada > 175
O limite de carga máxima no trabalho pode ser calculado com base na frequência cardíaca do trabalho (FCT) ou na carga cardiovascular (CCV). A carga cardiovascular corresponde à percentagem da frequência cardíaca do trabalho em relação à frequência máxima utilizável. De acordo com Apud (1989), a carga cardiovascular do trabalhador para uma jornada de 8 horas não deve ultrapassar a 40% da frequência cardíaca do trabalho. O limite de aumento da frequência cardíaca durante o trabalho, aceitável para um “desempenho” contínuo é de 35 bpm para os homens e de 30 bpm para as mulheres, o que significa que o limite é atingido quando a frequência cardíaca do trabalho estiver 35 ou 30 bpm acima da frequência cardíaca média de repouso (FCR).
- Carga Cardiovascular no Trabalho (CCV)
CCV =
FCT -
FCM -
FCR ´ 100
FCR
onde: CCV = Carga cardiovascular (%); FCT = Frequência cardíaca de trabalho; FCM = Frequência cardíaca máxima (220 – idade); e FCR = Frequência cardíaca de repouso.
Entretanto, quando a carga cardiovascular ultrapassar a 40% (acima da frequência cardíaca limite), deve-se reorganizar o trabalho, determinado o tempo de repouso necessário. Tais recomendações são necessárias para que os trabalhadores não corram os riscos de atuarem em condições de sobrecarga física. Nesta reorganização devem ser propostas mudanças nos sistemas e métodos de trabalho, introdução de ferramentas auxiliares, máquinas e rodízios entre etapas de maior e menor exigência física. Caso esta reorganização não seja suficiente, deve-se diminuir o tempo de trabalho efetivo, com a introdução de pausas de recuperação corretamente distribuídas durante a jornada de trabalho, sendo indicadas pausas de curta duração e com maior frequência (Laville, 1977).
- Frequência Cardíaca Limite (FCL)
A frequência cardíaca limite em bpm para a carga cardiovascular de 40% é obtida pela seguinte expressão:
FCL = 0,40 ´ ( FCM - FCR) + FCR
Quando a carga cardiovascular ultrapassa a 40% (acima da frequência cardíaca limite), para reorganizar o trabalho, é determinado o tempo de repouso (pausa) necessário.
Recomendações Ergonômicas
As principais medidas ergonômicas são: uso vestuário adequado e confortável (algodão); uso de Equipamentos de Proteção Individual apropriado, o mais leve possível e confortável para a região; interposição de barreiras de alumínio entre a fonte de calor (motor máquina) e o trabalhador; ambiente de trabalho aclimatizado; redução do dispêndio energético da atividade; adoção de regime de aclimatização do trabalhador; estabelecimento de horários de trabalho segundo as horas dia; e regime de trabalho/pausas segundo os valores de IBUTG( Índice de Bulbo Úmido - Termômetro de Globo)
- Iluminação
Uma iluminação adequada no ambiente de trabalho é essencial para evitar problemas como a fadiga visual, incidência de erros, queda no rendimento e acidentes. O grau de iluminação é muito importante na apreensão do que se vê. Dessa forma, uma luz apropriada é necessidade primordial em qualquer local de trabalho. Não basta a intensidade adequada de luz, é necessário também que exista um contraste luminoso bem ajustado, com ausência completa de qualquer brilho que ofusque. O tempo necessário para percepção do estímulo é influenciado pela luz e pelas características do objeto, ou seja, quanto melhor a luz, mais curto será o tempo necessário para uma visibilidade exata. Existem dois fatores importantes na iluminação: luz suficiente no posto de trabalho e eliminação completa de qualquer brilho que provoque ofuscamento.
Situações Desconfortáveis de Iluminação
O trabalhador está sujeito a diversas situações desconfortáveis com relação à luminosidade no ambiente de trabalho. O trabalho realizado durante o dia pode estar sujeito a reflexos incômodos oriundos dos maquinários, além da luz solar excessiva. Quando o trabalho é realizado no período noturno, com luz artificial, além dos problemas de ofuscamento, a luz pode ter uma distribuição inadequada ou deficiente.
Medição da Iluminação
A luminosidade no ambiente de trabalho deve ser medida com uso do instrumento denominado luxímetro (Figura 2), devendo ser realizada no campo visual onde se realiza a tarefa ou a 0,75 do nível do piso.
Figura 2 - Luxímetro digital portatil Fonte (Lopes, 2008)
Medidas Ergonômicas Recomendadas
As principais medidas ergonômicas são dotar máquinas e ambiente de trabalho com iluminação adequada, sem reflexos e de forma bem distribuída; construir superfícies com materiais com características para proteger o trabalhador de reflexos e excesso de luz solar; proteção do trabalhador com óculos (EPI – Equipamento de Proteção Inividual); adoção de métodos adequados de trabalho, não expondo a visão do trabalhador na direção dos raios solares; organização do trabalho na forma a diminuir o tempo de exposição direta ao excesso da iluminação (luz solar); uso de cores que provocam menos reflexos; e organização do trabalho.
- Ruído
O ruído é definido como sendo um som ou complexo de sons que causam sensação de desconforto auditivo, afetando física e psicologicamente o ser humano e, dependendo dos níveis, causam neuroses e lesões auditivas irreversíveis. Os problemas auditivos causados pelo ruído são determinados pelo nível de pressão sonora, frequência e tempo de exposição.
Problemas Causados
O risco de problemas auditivos causados pelo ruído é determinado pelo nível de som, pela frequência e pelo tempo de exposição.
Medição
É medido em escala logarítmica, em uma unidade chamado decibel dB(A). O nível de ruído é avaliado com o uso de decibelímetro e dosímetro. O decibelímetro (Figura 3) mede o ruído instantâneo da atividade, enquanto o dosímetro avalia a dose média de ruído recebida pelo trabalhador na jornada de trabalho.
Fonte (Lopes, 2008)
Figura 3 – Decibelímetro e dosímetro digitais portáteis.
Limites de Tolerância
Pela legislação brasileira de atividades e operações insalubres, o nível máximo de ruído para uma exposição de oito horas diárias é igual a 85 dBA. Para cada aumento de 5 dBA no nível de ruído acima deste limite, o tempo de exposição deve ser reduzido pela metade (Tabela 2).
Medidas Ergonômicas
Para se ter os níveis de ruído dentro dos limites aceitáveis, o ideal é atuar no projeto de máquinas e equipamentos menos ruidosos. Isto é conseguido com a utilização de peças que provocam menos ruídos, fazendo o confinamento das partes ruidosas, reduzindo as vibrações, providenciando isolantes acústicos ou substituindo partes mecânicas por eletrônicas. Pode-se ainda fazer uma reorganização ergonômica do trabalho, de forma a diminuir o tempo de exposição do trabalhador ao ruído. A utilização de protetores auriculares é uma medida curativa que nem sempre se adequada às condições climáticas e antropométricas dos trabalhadores.
Tabela 2 - Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente.
Nível de Ruído dB (A) Máxima Exposição Diária Permissível
- 8 horas
- 7 horas
- 6 horas
- 5 horas
- 4 horas e 30 minutos
- 4 horas
- 3 horas e trinta minutos
- 3 horas
- 2 horas e 40 minutos
- 2 horas e 15 minutos
- 2 horas
- 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
- 35 minutos
- 30 minutos
- 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
- 8 minutos
- 7 minutos
- Vibração
As vibrações consistem de uma mistura complexa de diversas ondas com frequências e direções diferentes e são transmitidas por intermédio das partes do corpo que entram em contato mais direto com a fonte, geralmente as nádegas, as mãos, os braços e os pés. A vibração é influenciada pela frequência (Hz), nível (m/s²) e pela duração (tempo).
A atuação para diminuição dos níveis de vibração deve ser feita no projeto das máquinas e equipamentos. Existem certos tipos de mecanismos que são mais favoráveis, como por exemplo, o uso de movimentos de rotação ao invés de translação e uso de transmissões hidráulicas e pneumáticas em substituição a engrenagens. Máquinas pesadas com uma grande massa também vibram menos.
A Figura 4 mostra um medidor de vibração digital portátil utilizado nas medições de vibrações causadas por máquinas e equipamentos.
Fonte (Fiedler, 2007)
Figura 4 – Medidor de vibração digital portátil.
Para manter os níveis dentro de limites toleráveis, ou mesmo quando no projeto não se conseguem níveis abaixo do recomendado, a diminuição das vibrações pode ser conseguida segundo Mirshawka (1977) por meio de lubrificações e manutenções periódicas das máquinas e equipamentos. Um assento confortável também minimiza o problema. Se mesmo assim não se conseguir níveis aceitáveis, o trabalhador deve ser protegido com luvas e botas e se o efeito for por longo período, devem ser programadas pausas para evitar a exposição contínua do trabalhador, dependendo da duração, da frequência, das características das vibrações e das demais condições de trabalho. As normas ISO 2631, ISO 2372 e ISO 10816 para vibração do corpo humano estabelecem os limites de tempo de exposição para critérios de fadiga, desempenho e desconforto do trabalhador.
- Gases, Poeiras e Fuligens
O trabalho em ambientes onde o operador esteja inalando gases tóxicos provenientes da queima do combustível e poeiras advindas do solo provoca o ressecamento das vias respiratórias e, com a continuidade, pode provocar o aparecimento de doenças nas suas vias respiratórias. Em pesquisa realizada com operadores de motosserra, constatou que 50 % deles tinham problemas provenientes dos gases de exaustão, dificultando a visão, deixando os olhos irritados, ardendo, avermelhados e inflamados. Este gás quente era inalado frequentemente, atuando no sistema respiratório, ressecando suas vias respiratórias, garganta e nariz. O gás inalado chegando ao aparelho digestivo pode causar náuseas, cólicas e até vômitos; este mesmo gás pode levar à queda de pressão arterial e tonteiras, quando em contato com o aparelho circulatório.
- CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise das condições de segurança e a avaliação ergonômica do trabalho no setor florestal proporcionam, caso haja a necessidade, uma reorganização ergonômica do trabalho na empresa. Nesta avaliação, pode-se propor mudanças nos sistemas e métodos de trabalho, introdução de novas técnicas de trabalho e treinamento mudando a forma de execução das tarefas (adoção de posturas menos danosas), diminuição do dispêndio energético e da carga de trabalho físico, menor exigência dos músculos e articulações e manuseio de cargas dentro dos limites recomendados.
É muito comum no setor florestal observar trabalhadores executando o trabalho em campo aberto ou no interior de postos de trabalho sob condições ergonômicas inadequadas, por meio de métodos manuais ou semimecanizados, manuseando cargas pesadas e exercendo atividades que exigem esforços repetitivos e posturas inadequadas.
O ideal é executar a segurança e ergonomia de forma preventiva, atuando no projeto de máquinas e equipamentos, com acesso, assento, controles e instrumentos, condições climáticas, níveis de ruído, iluminação, vibração e visibilidade dentro de limites que possam assegurar um trabalho confortável e com maior segurança, menor índice de acidentes, proporcionando maior satisfação e levando ao aumento nos níveis de qualidade e produtividade no trabalho.
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