Se a constituição é a norma fundamental qual não será a importância das norma pré-jurídicas que a possibilitaram? Está aí a relevância desse verdadeiro mapa da mina, "A República" de Platão. Em posse dessa verdadeira aula de vida e humanidade e a sabido da impossibilidade de desentranhar a filosofia do dinheiro do conceito de justiça escrevi estes poucos pensamento elucidativos.

Pensamentos retirados do livro “A República” de Platão

 

O QUE É A JUSTIÇA?

 

O que vale mais, realmente, a justiça ou a injustiça? O que vale mais?

A justiça é só uma questão pré-jurídica ou legal?

A justiça é somente um meio termo preventivo entre o prejuízo sofrido pelo injustiçado que autotutelar sua vingança pelo injusto que lucrou às suas custas?

Ao injustos os louros dos lucros.

Ao justo o duplo trabalho.

Ao injusto que sabe parecer justo somam-se aos lucros todo prestígio, reputação e sorte de amigos.

 

Afinal, se fosse dado ao justo e ao injusto o poder de fazer o que quiserem; ao injusto não se imporia limites, mas e ao justo? Seria possível não flagrá-lo cometendo alguma injustiça já que permitida?

 

Afinal, o que realmente importa na prática, ser justo ou saber parecer justo sem que ninguém perceba?

 

O que nos impede de sermos mais injustos?

Alguma questão lógica de quem assim entendeu que a justiça seja mais lucrativa? 

Alguma questão de natureza divina?

ou somente uma questão de coragem?

A justiça é papo furado dos fracos?

Como não se convencer pela injustiça?

Como não se calar aos ataques contra a justiça?

 

As palavras expressam os pensamentos e qual não seria o maior medo senão o de se ter mentiras por verdades entre as mais profundas de nossas compreensões?

Não há quem queira ser enganado, muito menos que queira estar enganado em si mesmo, seja justo ou injusto.

 

O que é necessário conhecer para que a justiça seja mais que poesia?

O que é a justiça senão a consciência dos diferentes “papéis” que à cada um se atribui?

O que se pode vir à tona na vida social que não venha através de nós mesmos, os agentes, os atores, os indivíduos (inclusive a justiça)?

Quem, com sede ou fome,deseja coisa ou bebida ruim, algo desagradável (indesejável)?

 

A CONTRADIÇÃO APARENTE ENTRE A RAZÃO E O DESEJO

 

Figurativamente pode-se imaginar um arqueiro e dizer que o mesmo usa suas mãos para puxar e empurrar o arco ao mesmo tempo. No entanto, o mais correto seria afirmar que uma mão empurra e a outra puxa. Sem contradições. Assim podemos representar o munda da razão e do desejo.

 

Contraditada, uma ou outra coisa (razão ou desejo), haveria aí a indignação.

A razão que, sendo generosa, se mostrará humilde; ou o desejo que, se não sobrepujado pela razão, se tornará em raiva.

Verdade é que a raiva se exprime distintamente à razão, vemos assim ser já desde o nascimento, no comportamento das crianças e animais.

Então, pode-se dizer que justo é o homem ser “dono de si próprio” e conseguindo governar-se, cada uma de suas vocações produzirão suas devidas funções.

Então, à mente a boa razão, aos apetites o que seja bom e as emoções como bom combustível.

 

A MODERAÇÃO E O EQUILÍBRIO

 

Para isso basta nos alimentarmos do que seja saudável (edificante), bom e assim serão os intentos, os desejos e as emoções de cada cultura que cultivamos em nosso ambiente mental.

Em uma só palavra temos todos esses sentidos, a “educação”; que significa etimologicamente a “ação de criar”, “de nutrir”, “cultivar” e “conduzir”.

 

A injustiça é a perda do governo da alma, é o domínio de parte dela. É a ausência da integridade. Assim, um homem justo gera injustiça; um injusto, injustiça.

 

Um corpo saudável é um corpo no qual todos os órgãos cumprem sua vocação e, assim, o organismo possui saúde.

Desta forma, vemos que os fins não justificam os meios e que o exterior sempre será a representação dos interiores dos indivíduos que o compõem.

A justiça se mostra não como um equilíbrio entre o injusto e o injustiçado, mas, sim, uma relação saudável entre o ser interior do indivíduo com seu meio exterior.

Qualquer ato injusto é antissocial e tem sua origem em uma insanidade interna (psíquica) do ser. 

 

A injustiça não é nada além de uma consequência.

 


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