Ir direto ao conteúdo

Redes Sociais do Jus Navigandi

  1. Fabiano Domingues
    20/05/2011 16:36

    Senhores,

    O locador de um apartamento vendeu o apartamento locado. O locatário não teve interesse em comprar o imóvel. Fica-se a dúvida:

    a) De acordo com a lei do Inquilinato, o locador não pode pedir o imóvel locado antes do prazo. Todavia por o ter vendido a outra pessoa, quais os procedimentos concernentes ao inquilino? O inqulino tem de sair ou o novo proprietário deverá esperar todo o término do contrato por parte do inquilino, que é de 30 meses?

    b) No contrato de locação firmado, há uma cláusula que comina que as partes interessadas (locador ou locatário) que rescindir o contrato antes de 12 meses pagará um multa de 3 aluguéis. Nesse caso, o locador poderá pagar essa multa e obrigar o inqulino a sair do imóvel? Essa multa seria proporcional ao tempo restante do contrato?

    Att

    Fabiano
  2. Jaime - Porto Alegre
    20/05/2011 16:53

    Usuário suspenso

    Fabiano Domingues
    Se o locador notificou o locatário da intenção de vender o imóvel e o locatário não exerceu o seu direito de preferência, o locador pode vendê-lo e o lcomprador, se queiser. pode notificar o locatário a desocupar o imóvel no prazo de 90 dias, sem ter que pagar multa.
    Um abraço,
    Jaime
  3. Fabiano Domingues
    20/05/2011 17:23

    Caro Jaime,
    Obrigado por seus esclarecimentos. Todavia ainda permanece a dúvida: O locador, por ter vendido o imóvel na constância do contrato, não deveria pagar a multa de 3 aluguéis estipulada no contrato que reza que " a parte que der motivo a rescisão do contrato antes de 12 meses pagará multa de 3 aluguéis".
    Como a venda se deu após 5 meses de contrato não haveria o locador de pagar ao inquilino essa multa?

    Att.

    Fabiano
  4. Jaime - Porto Alegre
    20/05/2011 18:34

    Usuário suspenso

    Fabiano Domingues,
    Não, a lei do inquilinato prevê a hipótese de retomada em caso de venda, por parte do comprador.
    Um abraço,
    Jaime
  5. Cristina SP Original - No FAKE
    24/05/2011 02:18

    Corretamente a orientação do Nobre Colega Dr. Jaime.

    A situação só muda, se o contrato de locação em questão,estiver registrado junto a Matrícula do Imóvel.
    Neste caso "somente", o adquirente (comprador) é obrigado a honrar o contrato até o término. Caso contrário, poderá notificar o locatário, para desocupação em 90 dias.
  6. jamile de lima nery
    30/07/2011 21:47

    ok. mas tem outra dúvida. o locatário que não tiver como comprar o imóvel, e quiser sair antes de esperar a venda, ou seja, ele é notificado da venda e do direito de preferência, mas não compra e quer sair do imóvel. a imobiliária/locador pode cobrar a multa por quebra de contrato? o inquilino fica obrigado a permanecer no imóvel pelo tempo de venda e pelos 90 dias dado pelo futuro dono ser não quiser pagar multa? se for, isso é muito injusto.. o contrato é quebrado, o inquilino tem que gastar com uma mudança não prevista e demandar tempo na procura de outro imóvel... essa inovação foi muito injusta.. devia incidir multa pro locador para ao menos o inquilino ter de onde pagar a mudança inesperada...
  7. Jaime - Porto Alegre
    31/07/2011 10:07

    Usuário suspenso

    jamile de lima nery,
    O locatário é notificado pelo locador para exercer o direito de preferência na compra e não para sair do imóvel., Portanto, ele tem que cumprir o contrato até o fim, sob pena de pagar a multa proporcional ao tempo que falta.
    Já a notificação do novo proprietário é de prazo mínimo de 90 dias para o locatário sair do imóvel. Ele pode sair no primeiro dia após a notificação, se quiser, e não terá que pagar multa.
    Um abraço,
    Jaime
  8. jamile de lima nery
    31/07/2011 14:14

    o inquilino tem que cumprir o contrato até o fim e o locador que faz um contrato de 36 meses e coloca e venda aos 10 não tem dever de nada... só de notificar do direito de preferência... Não achei a inovação da lei justa! mas entendi, obrigada.....
  9. M Kessaris
    31/07/2011 14:54

    O inquilino não é obrigado a cumprir o contrato até o fim. Para determinadas situações, há a aplicação de multa rescisória, para outras, não, se cumpridas determinadas exigências. Ele, enquanto proprietário e locador (ao mesmo tempo) é obrigado, por lei, a lhe garantir a locação, pelo tempo do contrato. Porem, pode acontecer de se tornar necessário a venda do imóvel, por necessidade financeira do mesmo. Ainda assim, existem algumas situações em que é obrigado à manter-se a locação. Por isso a necessidade, mesmo em caso de venda, de oferecer-lhe o imóvel nas mesmas condições de venda para terceiros, por isso a preferencia ao inquilino. Por sua vez, notificado (por escrito) que foi pelo proprietário, ao saber da possibilidade de venda do imóvel em que reside, o inquiilno pode, se quiser, averbar o contrato de locação na matricula do imóvel junto ao Registro de Imóveis, e com isso, obrigar o futuro comprador à respeitar o contrato de locação até o seu término. Este eventual comprador, ao analisar a matricula para comprar o imóvel, verá que o mesmo está reservado para aquela locação, e portanto, saberá que somente poderá utilizá-lo para moradia propria, quando o contrato de locação se encerrar. Assim, comprará o imóvel se julgar conveniente.

    Portanto, haverá apenas uma mudança personal da figura do locador, saindo uma pessoa, e entrando outra, mantendo-se a locação. Porém, se não averbar, e o futuro comprador também necessitar do imóvel, perante a lei, que considera todos iguais sob a sua égide, haverá 2 pessoas com necessidades de moradia, incidentes sobre o mesmo imóvel. Por quem decidirá então a justiça ?? Não lhe parece razoável que, nesta situação, por ter comprado o imóvel (muitas vezes pagando à vista), o futuro comprador tenha o direito de morar no imóvel em que comprou, para essa finalidade ???

    Por isso, sempre que posso, digo para que cada um tente se colocar no lugar do outro, analisando todos os prós e contras, como se de fato, estivesse do outro lado.

    Situações de emergência, necessidade financeira, pode ocorrer à qualquer um, e a qualquer momento. As leis vigentes tentam alcançar as mais diversas situações, no sentido de se resguardar a justiça à todos. Mas nem sempre isso é possível. Por isso recorre-se ao Judiciário, onde apresentando provas, alegações, depoimentos, o Juiz emitirá o seu julgamento, sempre o mais justo que for possível !!!
  10. Jaime - Porto Alegre
    31/07/2011 15:11

    Usuário suspenso

    Nem todo contrato de locação reune as condições para registro. Daí que para ser respeitado o prazo de vigência do contrato, este deve ser descrito de fomra expressa e inconfundível e o imóvel também ter plena descrição para que seja registrável.

    assim só é garantido ao locatário o respeito ao prazo contratado se a prazo de vigência estivar claramente fixado e o contrato reunir reuniões para ser registrado.
  11. jamile de lima nery
    31/07/2011 16:17

    meus caros.

    não questiono o direito do novo comprador de ir morar no imóvel e nem o do proprietário de vendê-lo. o que eu questiono é o contrato assinado com o inquilino.

    os contratos são regidos pela segurança jurídica e pelo pacto sunt servanda. se eu assino um contrato que tem uma cláusula que ele será de 36 meses e o proprietário o coloca a venda no 10 mês, fica clara a quebra de contrato. e em todo contrato, existe uma cláusula de multa para qualquer das partes que infringirem o contrato.

    na lei, diz que é proibida a retomada do locador antes do fim do prazo, mas interpreta-se que é a retomada para morar, permitindo -se a venda do imóvel locado.

    mas no entando, o inquilino não pode devolver antecipadamente sem que pague multa proporcional. só acho que isso deveria valer pros dois, locador e locatário que quebrem o contrato antecipadamente.

    não é justo o inquilino sair sem nada receber, afinal ele tem um contrato de 36 meses! o fato da lei não prever multa pro locador, não quer dizer que não possa ser aplicada a multa contratual, afinal, a boa fé do inquilino tem que ser respeitada! ademais, o mesmo vai arcar com custos de uma mudança inesperada, pois ele tinha um contrato que "achava" que tinha valor...

    essa situação cria insegurança jurídica para qualquer um que venha a ser inquilino, porque pouquíssimos têm conhecimento de que podem exigir a cláusula de vigência da locação no caso de alienação, as imobiliárias mesmo não informam....eu mesma nunca vi nenhuma informando.
  12. M Kessaris
    31/07/2011 16:50

    Seu raciocínio é dotado de clareza, lógica, objetividade, e por que não, de direito !!

    Para isso existe o Judiciário. Se a lei não contemplou tal situação, porque o legislador não a previu, cabe a parte interessada ingressar em juízo, e apresentar suas alegações, provas, depoimentos, enfim, convencer o Judiciário da razoabilidade de seus argumentos !!

    Quem sabe, pela constância e repetição de casos semelhantes, forme-se jurisprudencia à respeito, e os legisladores prevejam tal situação, alterando e/ou incluindo-a em lei ??

Participe do Fórum

Entre com seu cadastro do Jus Navigandi:

Esqueceu sua senha?

Não tem Facebook e quer participar do Fórum?

Faça perguntas, responda dúvidas e discuta assuntos jurídicos. É fácil e grátis!

JUS NAVIGANDI NAS REDES SOCIAIS