Liberdade de expressão na era da informação: Conflitos dos discursos em tempos de ascensão política

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07/01/2025 às 11:46
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CONCLUSÃO

A pesquisa teve como objetivo analisar os conflitos resultados à liberdade de expressão em tempos de ascensão política e embate nas redes sociais. Dentre os objetivos específicos, a pesquisa: refletiu sobre a liberdade de expressão; compreender o impacto da mídia e das novas tecnologias; verificar o impacto das redes sociais em tempos de polarização política.

Debruçando sobre um contexto preliminar acerca da liberdade da expressão, a pesquisa sustentou que este foi reconhecido como direito fundamental pela Constituinte Federal de 1988, sendo um modo de impedir a renovação das censuras geradas durante o período ditatorial.

Não obstante, apesar de ser uma garantia de ordem fundamental, a liberdade de expressão não pode ser visualizada como algo irrestrito e absoluto, podendo o indivíduo dele se utilizar como escudo para todos os argumentos que firam o outro ser humano, tais como os discursos odiosos.

Com o avançar da sociedade, e em virtude da globalização, inevitável que as redes sociais e plataformas se tornaram um dos principais meios de comunicação, refletindo, consequentemente, no sistema político-eleitoral. Rompendo com as grandes emissoras, atores políticos enxergaram nas redes sociais uma forma de se aproximar de seu público, realizando por intermédio desses apelos pré-candidatura.

Tamanho investimento nas redes sociais pode ser visualizado pelas ações do candidato de direita, Jair Messias Bolsonaro, que desde 2018, recorreu a tais instrumentos como forma de sobressair nas eleições presidenciais, conseguindo, dado o contexto sociocultural e as problemáticas geradas em torno de seu grande concorrente, PT, vencer as eleições de referido ano, tornando-se uma das figuras com o maior número de seguidores na rede Instagram.

Seguindo essa tendência, em 2022, novos meios informativos surgiram, deixando de lado emissoras televisivas, sendo o caso dos podcasts, os quais serviram para os candidatos concorrentes a presidência se aproximarem ainda mais de seu público, tendo-se de um lado um oponente com vivência em tais mecanismos, qual seja, Jair Bolsonaro, e de outro, Luiz Inácio Lula da Silva, que buscou nas redes sociais uma forma de combater o ativismo bolsonarista, aliando-se a figura artísticas e influenciadores digitais para legitimar os votos dos grupos de esquerda.

Em conclusão, o trabalho apontou que as redes sociais, tais como se encontram na atualidade, não têm o condão de, por ora, influenciar no poder decisório de cada indivíduo, entretanto, estas refletem na polarização existente entre os grupos, podendo gerar com isso na propagação de fake news, discursos de ódios e demais atos atentatórios a democracia brasileira, devendo, para tanto, cada qual indivíduo, acautelar-se sobre as informações que repassa ou fomenta nas redes.


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