Aquecimentistas e negacionistas

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CAVALCANTE, Elton Emanuel Brito

(UNIR, 2024, [email protected])

A senadora norte-americana pelo partido democrático, Hillary Clinton, afirma que há um consenso científico sobre o aquecimento global e a devastação da floresta amazônica:

But in spite of the strongest possible scientific consensus about what climate change means for our environment, economy, health, and future, there are still some who deny the facts. They’re intent on obstructing progress. We can’t let them win this fight. We have no choice. There is no Planet B. We need to develop an ethic of stewardship, of responsibility and sustainability — in our businesses, in our governments, and as citizens of the earth. The scale of the challenge we face demands nothing less (Clinton, H, 2015, p. 01).

O editorial do Movimento de Solidariedade Ibero-americana discorda do pensamento da senadora norte-americana:

Sejamos diretos. O que temos diante de nós não é um fato cientificamente estabelecido, como trombeteia o “Resumo para formuladores de políticas” do quarto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas. Trata-se de uma das maiores operações de manipulação de opinião pública da história, a serviço de uma maldisfarçada agenda de “governo mundial”, a qual, se bem-sucedida, implicará em um virtual congelamento do desenvolvimento socioeconômico em todo o planeta. Isto, porque, salvo por algum grande avanço tecnológico antecipado, como o domínio da fusão nuclear, não se vislumbram pelo menos para antes de meados do século substitutos viáveis em grande escala para o carvão, petróleo e gás natural, que respondem por quase 80% da produção mundial de energia, cujos usos se pretendem restringir em nome da “salvação” do planeta (enquanto se fazem grandes negócios com os chamados créditos de carbono). Ou seja, as velhas inclinações das oligarquias internacionais – o malthusianismo, o colonialismo e a especulação financeira, todos embrulhados sob o rótulo do ambientalismo.Como temos reiterado, o ambientalismo é uma ideologia obscurantista, anticivilizatória e, ironicamente, antinatural, pois nega a vocação inata do Homo sapiens para o progresso e a hierarquia ontológica que o coloca na vanguarda do processo de evolução universal – a evolução tornada consciente, na inspiradora formulação do cientista francês Jean-Michel Dutuit. (MSIA, 2007, p.01).

Diante de tantas teorias e ideologias sócio-políticas enfrentadas entre si, e tendo em conta de que quem faz a ciência vive em um contexto social, fica algo complexo dar total imparcialidade à ciência, pois esta também não é desinteressada. Judson (2004) aponta que as fraudes no meio científico são como um emaranhado de cumplicidade, tendo quatro características inter-relacionadas: arrogância provocada pelo poder da ciência, síndrome do prodígio, loucura e sedução. Segundo o autor, a mais comum é a segunda: “O perpetrador é quase sempre charmoso e convincente, além de ambicioso”. Há casos como o do arqueólogo Charles Dawson (1864-1916), quem em 1912 anunciou haver descoberto o elo perdido entre os símios e a humanidade. Tal elo ficou conhecido como o Homem de Piltdown, Dawson disse haver encontrado fragmentos fossilizados de um crânio em um pedreira em Piltdown, nas cercanias de Essex. Levou, então, os fragmentos ao Museu de História Natural, logo conseguiu convencer Arthur Smith Woodward, membro do Departamento de Geologia, a visitar o local onde foram encontrados os restos. Lá, somente Dawson continuava a encontrar pedaços do crânio. O resultado mostravam que era um crânio com dois terços da capacidade de um cérebro humano moderno, porém com mandíbulas similares a dos macacos, datado entre 200.000 e 500.000 anos. Tal achado sugeria uma resposta científica à teoria da evolução, passando a ser vista com agrado pela comunidade científica inglesa. Era algo estupendo, haja vista que os restos de um ser humano mais antigo haviam sido encontrados em 1856, o famoso Homem de Neanderthal. Não havia unanimidade em relação ao Homem de Piltdown, vários cientistas apontaram semelhanças entre a mandíbula encontrada e uma mandíbula de chimpanzé, mas o simples fato de um elo perdido ter sido achado em território inglês movia com os brios dos cientistas ingleses. Na época, o processo de datação era rudimentar, mas o fato principal era que os ingleses estavam possuídos por fervoroso nacionalismo, e sentiam-se acanhados posto que, até então, somente franceses e alemães tinham descoberto fósseis humanos antiquíssimos. Em uma época em que o Império Britânico ainda estava em vigor, era necessário encontrar justificativas que garantissem o domínio colonial e a hegemonia científica, pois dava uma prova material para enfrentar as outras potências. Até um monumento foi erigido no local onde se achou o crânio. Por isso, os contestadores tiveram, simplesmente, suas vozes caladas, mesmo já tendo David Waterston, professor de anatomia, em 1913, demonstrado que a mandíbula era de um chimpanzé e não de um humano:

A importância do homem de Piltdown permaneceu em disputa por 40 anos até ele ser denunciado como uma fraude. Em 1949, a moderna datação de fósseis determinou que o achado não tinha mais de 50.000 anos, o que tornava impossível ser de um animal pré-humano. Em 1953, em um congresso internacional de paleontólogos, o Homem de Piltdown foi abertamente declarado uma fraude. Um estudo intensivo dos fragmentos mostrou que eles eram na verdade um crânio humano medieval de 600 anos de idade com mandíbula de um orangotango de 500 anos e um dente de um chimpanzé. Exames microscópicos indicaram que os dentes haviam sido modificados para que ficassem parecidos com os de humanos. Os cientistas também descobriram que os ossos tinham sido tratados com produtos químicos para parecerem mais antigos (ASIMOV, Isaac. Cronologias das Ciências e das descobertas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001).

Crédito: Wikimedia Commons.

Pintura de John Cooke mostrando o crânio do Homem de Piltdown sendo examinado por cientistas. Charles Dawson é o terceiro da esquerda para a direita, fila de trás. (Crédito: Domínio público)

Dawson faleceu em 1916, a sua ação, entretanto, só foi oficialmente declarada fraudulenta em 1953, mesmo assim sua reputação ainda continuava prestigiosa, pois atendia a ânsia de uma comunidade científica. Na mesma linhagem fraudulenta encontram-se os embriões de Haeckel, Os sapos de Paul Kammerer, o caso de Mohamed El Naschie, os Raios-N, As mariposas salpicadas, ratos pintados etc (TROCCHIO, 2005; JUDSON, 2004, 2006). Portanto, a ciência não é imparcial em termos individuais e coletivos. No caso da ecologia, tampouco há imparcialidade.

Carrasco (2007, p. 08), por sua vez, leciona haver um paradoxo na questão política ambiental, pois afirma que a primeira tentativa de limitação das emissões de dióxido de carbono teriam surgido na Conferência de Estocolmo (1972), em “um momento em que as temperaturas globais vinham caindo desde 1940. Na época, parte do discurso alarmista se referia ao resfriamento global e à ameaça de uma nova era glacial.” Com o aumento da temperatura, todavia, começou-se, segundo ele, a responsabilizar-se maciçamente o dióxido de carbono antropogênico. No entanto, Carrasco afirma que “o aquecimento registrado no século XX era um fenômeno tão natural como o Período Quente Medieval, entre os séculos IX e XII, quando as temperaturas no Hemisfério Norte eram 1-2o C superiores às atuais – mais de seis séculos antes da Revolução Industrial”. Buescu (2007, p. 01), a seu tempo, diz não haver consenso no tocante à causalidade entre liberação de gás de efeito estufa e o aquecimento no planeta: “Há anualmente centenas de artigos publicados em ambos os sentidos. O que se sabe é que existe correlação: quando a Terra aquece, aumenta o CO2. Isso aconteceu, por exemplo, no Período Quente Medieval (como se sabe por análise dos anéis das árvores), e aí não foi por intervenção humana. Um mecanismo conhecido é a expansão térmica da água dos oceanos, que provoca a libertação de CO2 dissolvido. O aquecimento global provoca assim a libertação não-antropogénica de CO2. O que se pode afirmar é que existe correlação, mas não necessariamente causalidade, entre os dois acontecimentos. E está muito longe de existir consenso científico. Pelo contrário: as dúvidas hoje, em 2007, são muito maiores do que há 10 anos, quando se assinou Kyoto”.

Além do não consenso, há as polêmicas. O gráfico abaixo foi apresentado no IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) em 1990, retratando a variação na temperatura durante o milênio anterior. Não há maiores detalhes e um grau alto de precisão, porém mostra o Período Quente Medieval (séc. IX a XII), cujas temperaturas eram mais elevadas que as de hoje, e a Pequena Idade do Gelo (XVII A XIX), considerada “mais fria e da qual o aquecimento registrado no século XX parece não ser mais que uma recuperação. Ambos os períodos são bastante conhecidos pelos paleoclimatologistas, que estudam a história climática do planeta. Como as medições diretas com termômetros tiveram início apenas no final do século XVIII, as épocas anteriores são estudadas com métodos indiretos – isótopos de oxigênio (O18/O16), pólen, anéis de crescimento de árvores, formações geológicas características etc. –, os quais proporcionam um quadro suficientemente preciso sobre o clima vigente em um dado período” (CARRASCO, 2007, p. 10).

Curva de temperaturas do IPCC em 1990

Fonte: IPCC, 1990.

O outro gráfico foi apresentado por Michael E. Mann (1998) e sua equipe, sendo apresentado no relatório de 2001 do IPCC. Ele tentou demonstrar, conforme gráfico abaixo, uma queda na temperatura de 0,2ºC no Hemisfério Norte, entre 1000-1900 mais ou menos, com uma subida repentina para 0,6ºC entre 1900-2000, isto é, a temperatura do planeta estaria estável nos últimos 900 anos, elevando-se grandemente nos últimos cem.

Fonte: Mann, Bradley e Hughes, 1998, Nature.

O gráfico acima ficou mundialmente conhecido como “Hockey Stick” (taco de hóquei) e foi alardeado pelos defensores do aquecimento global, sendo apresentado no terceiro relatório do IPCC-2001, do qual Mann era o principal responsável científico. Em seguida, jornais e revistas o reproduziram-no como fato inquestionável, mostrando que o fim dos tempos estaria próximo, e Al Gore o utilizou na sua corrida presidencial à Casa Branca em 2008. porém foi comprovado ser falso1. No entanto, de pronto, nega dados já consagrados: o período quente no medievo (1000-1400 d.C.) e a pequena idade do gelo (1500-1850), dados esses confirmados pelo próprio IPCC em 1990: “De início, chamou a atenção o fato de que o gráfico do grupo de Mann eliminava sumariamente o Período Quente Medieval e a Pequena Idade do Gelo. Pouco depois, dois estatísticos canadenses da Universidade de Guelph (Ontario), Stephen McIntyre e Ross McKitrick, analisaram os dados e a metodologia usados pela equipe de Mann e concluíram que os algoritmos empregados sempre produziam um gráfico em forma de taco de hóquei, independentemente dos dados aplicados a eles. Posteriormente, por solicitação do deputado Joe Barton, então presidente do Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados dos EUA, o Dr. Edward J. Wegman, da Universidade George Mason e considerado um dos maiores especialistas em modelos estatísticos computadorizados do país, também revisou o trabalho de Mann e chegou à mesma conclusão” (Carrasco, 2007, p. 10). Foi publicado na Nature, 1998, e sobre tal publicação os dois cientistas disseram:

A Nature nunca verificou se os dados originais estavam correctamente listados: sucede que não estavam. A Nature nunca verificou se eram seguidas regras de arquivamento de dados: não eram. A Nature nunca verificou se os métodos estavam correctamente descritos; não estavam. A Nature nunca verificou que os métodos indicados davam os resultados indicados: não davam. A Nature levou a cabo apenas correcções mínimas ao seu registo de publicações após ser notificada destes factos, e permitiu que os autores reclamassem, falsamente, que as suas omissões não afectavam os resultados publicados. A utilização do Taco de Hóquei pelo IPCC não foi incidental: ele figura em destaque no relatório de 2001. No entanto, nunca o IPCC o submeteu a verificação independente (Hockey sticks, principal components and spurious significance, em Geophysical Research Letters)

As conclusões de Stephen McIntyre e Ross McKitrick geraram em 2006 um relatório feito pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS), reafirmando o errôneo nas afirmativas de Mann: “The reconstruction produced by Dr. Mann and his colleagues was just one step in a longer process of research, and it is not (as sometimes presented) a clinching argument for anthropogenic global warming, but rather one of many independent lines of research on global climate change”. A revista Nature não reconhece a polêmica, embora o próprio Maan tenha publicado em 2006 uma carta à Nature: "more widespread high-resolution data are needed before more confident conclusions can be reached and that the uncertainties were the point of the article". Algo estranho se se leva em conta que foi ele o responsável pelo terceiro relatório do IPCC, que deu primazi ao Taco de Hóquei.

Maitra (2019), por seu turno, e criticando o posicionamento de Greta sobre o aquecimento global, afirma que as ideias da moça são inconsistentes. Concorda haver um câmbio climático, mas não sabe ao certo se isso é efeito natural ou antropogênico, pois não teria confiança nos dados emitidos pela ciência. Afirma ainda que os conservadores apenas criticam o tom apocalíptico como tais problemas são tratados nas organizações mundiais, sendo céticos a respeito dos dados apresentados sobre as mudanças climáticas, buscando averiguar, se se constatar que são verdadeiras, o custo e os benefícios das mudanças exigidas pelos grupos ambientalistas: “Conservatives understand that climate change is cynically used by a certain section of people to justify their political goals of steering the West away from its way of life, a way they perceive to be evil and harmful, hetero-patriarchal, and capitalist. How? Appealing to the faith-based part of human brains, the need for subservience, and propping up children as human shields” (MAITRA, 2019, p. 01). Crê que, por trás de um rigor matemático da ciência contemporânea, haveria uma influência de grupos contrários à cultura ocidental: anticapitalistas, países muçulmanos donos do grandes poços de petróleo, socialistas em geral, progressistas, feministas etc. De fato, há cientistas que negam a crise climática, os quais apregoam:

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There is no climate emergency. A global network of 500 scientists and professionals has prepared this urgent message. Climate science should be less political, while climate policies should be more scientific. Scientists should openly address the uncertainties and exaggerations in their predictions of global warming, while politicians should dispassionately count the real benefits as well as the imagined costs of adaptation to global warming, and the real costs as well as the imagined benefits of mitigation. [...] The world has warmed at less than half the originally-predicted rate; Climate policy relies on inadequate models; More CO2 is beneficial for nature, greening the Earth; There is no statistical evidence that global warming is intensifying hurricanes, floods, droughts and suchlike natural disasters, or making them more frequent; There is no climate emergency. Therefore, there is no cause for panic and alarm. We strongly oppose the harmful and unrealistic net-zero CO2 policy proposed for 2050 (BERKHOUT, 2019, p. 01).

Do mesmo modo, Oliveira (2010) revelou que pesquisadores são financiados para relacionar fenômenos aleatórios com o do efeito estufa, buscando provar que o aumento do CO2 provocavaria consequências nefastas, como as seguintes: terrorismo, queda de aviões, alergia, possibilidade de colisão com asteróides, câncer, insônia, ataques de animais selvagens, aumento do crime, mudança do eixo de rotação da Terra, dano aos cachorros, extinção de espécies, destruição da humanidade, miséria, fome, envenenamento, câmbios genéticos, infartos, prostituição, estupros, indigestão, desastre na moda, fim das Olimpíadas, guerras, lixo no espaço, AIDS, desemprego, avistamento de OVNIs, guerra nuclear, erupção dos vulcões, disfunção sexual, alteração nas placas tectônicas, desemprego, casamentos precoces etc. Ou seja, o aquecimento global antropogênico serviria “de bode-expiatório para todos os problemas humanos ou ambientais possíveis, somente porque se correlaciona o valor de CO2 do Hawaii, com qualquer outra variável de interesse. Seguindo essa lógica, poderíamos afirmar que o crescimento da população, do PIB ou qualquer outro parâmetro pode ser associado ao ‘aquecimento global’, contudo, logicamente as associações são realizadas sempre com os aspectos negativos e problemáticos presentes na sociedade e nunca com os favoráveis, mesmo que estes sejam reais (FELÍCIO, 2014, p. 261). Felício contesta o aquecimento global, pois, para ele, sempre houve no planeta ciclos climáticos quentes e frios. Assim, o aquecimento atual é ameno se comparado com anteriores, e, ademais, afirma que entre 1930 e 1940 houve temperaturas mais elevadas do que as atuais, baixando em seguida. Nessa linha, Chameides (2012) lembra o ocorrido em 2009, quando vieram à tona mais de cinco mil e-mails trocados entre os cientistas da University of East Anglia, nos quais se mostrava que cientistas escondiam evidências e fatos que punham em xeque a influência do ser humano sobre as alterações ambientais. Os cientistas, nos e-mails, falariam em pressão política para manter os pesquisadores contrários a tal teoria fora da literatura de revisão por pares, dessa maneira apresentariam uma teoria como verdade inquestionável. Essa conduta ficou conhecida como climagate. Dessa forma, não a ciência em si, mas os interesses ocultos que financiariam estariam impondo censura aos que negam o aquecimento global:

Toda vez que alguém afirma algo, e se predispõem a fazer ciência, então precisa provar sua posição. Neste caso em particular, os chamados “aquecimentistas” fizeram uma afirmação que diz que o aumento de dióxido de carbono na atmosfera da Terra, causado exclusivamente pelas atividades de desenvolvimento humano, tem causado a elevação da temperatura do planeta. Quando este grupo resolveu afirmar isto, eles obrigatoriamente precisam apresentar algo que se chama EVIDÊNCIA. Quem nega esta hipótese não tem que provar nada. Quem afirma é que necessita provar e toda vez que os cientistas criticam e pedem pelas evidências, são rechaçados de céticos, de negacionistas e comparados com as piores coisas que se possa imaginar. São relegados como os maiores criminosos contra a “mãe Terra”, contra a humanidade, contra a Natureza. Em breve, os críticos desta hipótese serão filhos de Satã. Assim sendo, verificou-se que não há sequer uma teoria do Aquecimento Global Antropogênico – AGA, mas sim uma hipótese (FELÍCIO, 2014, p. 258).

Acusando os cientistas defensores do aquecimento de “ideológicos”, Felício (2014) aponta falhas no discurso deles:

As temperaturas já estiveram bem mais altas que as atuais. Há cinco mil anos, quase seis graus Celsius. Toda a calota ártica já derreteu e os ursos polares continuam entre nós, aliás, só para lembrar, os ursos polares são chamados de Ursus maritmus, justamente por nadarem tranquilamente 100km/dia (cem quilômetros por dia). Podem nadar 200km/dia e alguns ursos rastreados passaram da impressionante marca de 350km/dia. Assim, não serão as temperaturas e o derretimento de gelo que impedirão a existência destes belos animais. Também precisa-se ressaltar que as temperaturas na Idade Média já estiveram dois graus maiores que as atuais. Os últimos dez anos não são os mais quentes da história, pois os anos de 1930 foram bem mais que estes, com registros específicos na Groenlândia, como as estações de Reykjavik e Godthab Nuuk (GODDARD, 2010). Para piorar a situação da hipótese do AGA, tanto as estações meteorológicas de superfície, que estão dentro dos padrões da Organização Meteorológica Mundial – OMM, bem como os satélites meteorológicos, registraram queda nas temperaturas desde 1998 (FELÍCIO, 2014, p. 260).

Aponta também que consenso absoluto entre tais cientistas não significa que as mensagens apregoadas por eles sejam verdadeiras, e que os defensores do aquecimento global não conseguem provar suas teses, daí a necessidade de um aparato sincronizado para calar as vozes dissidentes:

Ciência não é feita de consenso. Quem é feita de consenso é a política. A Ciência trabalha baseada em evidências. Os “aquecimentistas” não conseguiram até hoje provar suas hipóteses, portanto apelam para o “consenso científico” realizado pelas assembléias do Intergovenmental Panel on Climate Change – IPCC com seus “2500 cientistas” que não existem. Vejamos como funciona isto: O Painel, quando criado em 1988, 25 anos atrás, até tinha 2000 colaboradores cientistas que compilaram e escolhem diversos trabalhos sobre clima, os quais têm a sua linha de pensamento – humanos alteram o clima. Atualmente não possui sequer 300 (FELICIO, et al. 2010). O IPCC não faz trabalho científico, faz política. Como outros órgãos da ONU, ele é auto-nomeado. Ninguém o escolheu para ser seu representante pessoal nestas questões. Membros de ONGs, políticos e diversos tipos de burocratas fazem parte de sua composição. Uma vez que seus imensos relatórios de mais de três mil páginas são elaborados, monta-se uma conferência final onde esses burocratas, políticos e membros de ONGs votam que partes catastróficas serão colocadas nos sumários para políticos, os quais têm apenas 20 páginas. Nestas ocasiões, os cientistas que participaram da elaboração dos relatórios NÃO TEM DIREITO A SE MANIFESTAR. Tal absurdo foi um dos motivos que levou a quase totalidade da saída dos cientistas do IPCC. Este processo de votação ficou bem claro para o mundo na reunião realizada em setembro de 2013, onde VOTARAM partes do relatório que seriam usadas em seu “Sumário para Executivos” atual. Deve-se ressaltar que para a elaboração do quinto relatório (AR5), o IPCC veio recrutar pessoal nos países subdesenvolvidos, grande parte do Brasil, pois isto significa status, verbas intermináveis, boa parte com dinheiro público, viagens aos lugares mais exóticos da Terra a cada 15 dias, ou um mês, e assim por diante. Só para se ter uma idéia, a maior parte destes “colaboradores” defendem a internacionalização dos recursos naturais, ou seja, que entreguemos tudo para o controle da ONU (FELÍCIO, 2014, p. 260).

Por tudo isso, os cientistas contrários à propaganda oficial teriam abandonado os projetos da ONU:

Ainda sobre o IPCC, desde a sua fundação, foi a comissão da ONU que mais apresentou evasão de cientistas. Só em 2008, 650 saíram de lá, brigando e denunciando todas as coisas que aconteciam, desde censuras de seus comentários até alteração de textos revisados. A maioria agora é dissidente e combate a ideologia desta comissão. Temos até mesmo o NIPCC, com fortes correntes no Canadá, Japão e Estados Unidos e que é muito divulgada no exterior, mas nem um pouco aqui no Brasil, cuja censura pela imprensa a estas informações chega a 97%. Não foi à toa que o IPCC veio recrutar gente do mundo subdesenvolvido (FELÍCIO, 2014, p. 260).

As ideias dos “aquecimentistas”, segundo Carrasco (et al, 2001), seguem as teorias de Malthus, quem profetizou que a humanidade, graças ao crescimento populacional, não conseguiria produzir alimentos para todos, e que, na medida em que as nações pobres evoluísse economicamente, concorreriam com as desenvolvidas pelos recursos ambientais. Essa segunda teoria, em verdade, se viu, já a segunda não se concretizou, porque Malthus não levou em conta o avanço tecnológico na agropecuária, possibilitando a produção de grandes quantidades de alimentos. Se ainda há fome, não é pelo crescimento populacional, nem pela falta de comida, mas por politicagens e batalhas comerciais.

Então, teorias como a do aquecimento global e a do caos ambiental seriam orquestradas por ONGs, tais como a WWF e o Greenpeace, que teriam ressuscitado a teoria malthusiana (FELÍCIO, 2014), apoiadas por movimentos anti-natalidade, feministas, abortistas, os quais colocam o ser humano no mesmo grau de uma praga para a natureza, e que, para conservar esta intacta, não há outro remédio que buscar de todas as formas reduzir a população mundial.

REFERÊNCIAS

ABREU, Alzira Alves de. Desenvolvimentismo. FGV CPDOC, 2009. Disponível em: https://www18.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/desenvolvimentismo

AFP. Bill Gates não falou em reduzir a população mundial por meio de “vacinação forçada”, 2021, disponível em: https://checamos.afp.com/http%253A%252F%252Fdoc.afp.com%252F9N27ZV-1

ANDERSON, Terry L. and LEAL, Donald R. Free Market versus Political Environmentalism. In: ZIMMERMAN, Michael E. et al. (Ed.). Environmental Philosophy: From Animal Rights to Radical Ecology. 2 ed., Nova Jersey: Prentice Hall, 1998, pp. 367-368.

ANDRADE, Thales de. Inovação Tecnológica e Meio Ambiente: A construção de novos enfoques. Rev. Ambiente & Sociedade, Vol. VII, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/asoc/v7n1/23538.pdf.

BERKHOUT, Guus (Org.). There is no climate emergency. CLINTEL ORG, 2019, disponível em: https://clintel.nl/brief-clintel-aan-vn-baas-guterres/

BUESCU, Jorge. Uma tacada forte em mentiras convenientes. De rerum naturam, 14 abril de 2007, disponível em https://dererummundi.blogspot.com/2007/04/uma-tacada-forte-em-mentiras.html

CARRASCO, L., LINO, G. L., PALACIOS, N.D., PALACIOS, S., 2001. Máfia verde – o ambientalismo a serviço do governo mundial. Capax Dei Editora. 302 pp., 2001.

CHAMEIDES, Bill. Climategate redux: recent science scandal sheds some light on another climate-science non-scandal. Scientific American, 2012, disponível em: https://web.archive.org/web/20131203205308/http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=climategate-redux

CLINTON, Hilary. Heed Francis’ message: be good stewards of the earth. National Catholic Reporter, 2015, disponível em: https://www.ncronline.org/blogs/ncr-today/heed-francis-message-be-good-stewards-earth

GATES, Bill. Innovating to zero! TED2010, 2010, disponível em https://www.ted.com/talks/bill_gates_innovating_to_zero

LEMOS, Chélen Fischer de. Energia na Amazônia: caminho para o desenvolvimento ou aprofundamento da exclusão? Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional – IPPUR, 2017. Disponível em: https://silo.tips/download/titulo-energia-na-amazonia-caminho-para-o-desenvolvimento-ou-aprofundamento-da-e

MANN, Michael E.; BRADLEY, Raymond S.; HUGUES, Malcolm K. Global-scale temperature patterns and climate forcing over the past six centuries. Nature, volume 392, 779-787, 1998.

pages

MSIA (Movimento de Solidariedade Ibero-americana). A fraude do aquecimento global. Edição em português Diretora: Silvia Palacios Conselho editorial: Angel Palacios Zea, Geraldo Luís Lino, Lorenzo Carrasco, Marivilia Carrasco e Nilder Costa Traduções: Yára Müller, 2007, disponível em: https://www.vario.com.br/VarioECP/arquivos/Artigos/A%20fraude%20do%20aquecimento%20global.pdf

MUIR, John. Cuaderno de montaña. Ed. Volcano, Madrid, 2018.

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OLIVEIRA, M.J., 2010. Incertezas Associadas à Temperatura do Ar no Contexto das Mudanças Climáticas: Determinação das Causas e Efeitos de Heterogeneidades e Discussão das Implicações Práticas, Dissertação de Mestrado, Programa de Pós-graduação em Ciências da Engenharia Ambiental – Escola de Engenharia de São Carlos – EESC – USP.


  1. A técnica matemática utilizada (análise de componentes principais) conduzia ao seguinte resultado: a primeira componente principal (aquela que é visível nos gráficos sem barras de erro) tem sempre a forma de taco de hóquei quaisquer que sejam os dados de entrada. Ou seja, quaisquer que fossem as temperaturas na base de dados de Mann à entrada, ele veria sempre um Taco de Hóquei à saída. Em resumo, o Taco de Hóquei era um artefacto dos métodos errados de análise, e não uma realidade. Estava no domínio do dogma religioso, não da realidade científica.

Sobre o autor
Elton Emanuel Brito Cavalcante

Doutor em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente - UNIR; Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Rondônia (2013); Licenciatura Plena e Bacharelado em Letras/Português pela Universidade Federal de Rondônia (2001); Bacharelado em Direito pela Universidade Federal de Rondônia (2015); Especialização em Filologia Espanhola pela Universidade Federal de Rondônia; Especialização em Metodologia e Didática do Ensino Superior pela UNIRON; Especialização em Direito - EMERON. Ex-professor da rede estadual de Rondônia; ex-professor do IFRO. Advogado licenciado (OAB: 8196/RO). Atualmente é professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia - UNIR.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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