Empréstimo consignado: como identificar abusividades no contrato e o que fazer judicialmente

29/09/2026 às 18:27
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O empréstimo consignado é uma modalidade bastante utilizada por aposentados, pensionistas do INSS, servidores públicos e militares, justamente pela facilidade na contratação e pelas taxas de juros menores em comparação a outros tipos de crédito.

No entanto, apesar de parecer vantajoso, muitos contratos apresentam cláusulas abusivas que lesam os consumidores. Por isso, é essencial compreender quais práticas são ilegais e quais medidas podem ser tomadas na Justiça.

Principais abusividades em contratos de empréstimo consignado

Cobrança de taxas e seguros não contratados: inclusão de seguros, títulos de capitalização ou outros serviços sem autorização expressa do consumidor.

Descontos indevidos em folha de pagamento: valores maiores do que os contratados ou descontos em quantidade superior ao número de parcelas.

Ausência de informações claras: o banco ou a instituição financeira não informa a taxa de juros efetiva, o CET (Custo Efetivo Total) ou o número real de parcelas.

Portabilidade ou refinanciamento forçado: o consumidor é induzido a fazer um novo contrato acreditando ser portabilidade quando, na verdade, trata-se de refinanciamento com novas condições e juros embutidos.

Idosos e vulneráveis sem esclarecimento adequado: muitos contratos são firmados sem a devida transparência, violando o direito à informação e o dever de proteção ao consumidor idoso.

Como saber se o contrato de consignado é abusivo?

Você pode desconfiar de abusividade quando:

  • o valor das parcelas não corresponde ao contratado;

  • há descontos em folha de pagamento que você não reconhece;

  • o banco se recusa a fornecer cópia do contrato;

  • o contrato prevê encargos que não estavam claros no momento da assinatura.

Nesses casos, é importante solicitar cópia integral do contrato e, se necessário, fazer uma revisão contratual com um advogado de sua confiança.

O que é possível fazer na Justiça?

Se constatada a abusividade, o consumidor pode:

  • entrar com ação revisional de contrato para excluir cláusulas abusivas;

  • pedir a devolução em dobro dos valores cobrados indevidamente (art. 42, parágrafo único, do CDC);

  • solicitar liminar para suspender descontos indevidos em folha de pagamento;

  • requerer indenização por danos morais, em casos de cobranças excessivas que afetem a dignidade do consumidor.

Conclusão

Embora o empréstimo consignado seja uma ferramenta financeira importante, é essencial ficar atento às práticas abusivas adotadas por algumas instituições. Caso perceba irregularidades, busque orientação jurídica para resguardar seus direitos.

Sobre a autora
Rosaní Paschoal

Advogada (OAB/SP 180.192) há mais de 25 anos, pós-graduada em Direito e Processo do Trabalho, Processo Civil, Processo Tributário e Direito Constitucional. Atua em Direito do Trabalho, direitos dos Policiais Militares e dos Servidores Públicos, Inventários e Direito Imobiliário. Coautora do livro Consciência Sistêmica (Editora BOC). Adepta do Direito Sistêmico e de uma advocacia humanizada. Atende em Santos/SP e online em todo o Brasil.

Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelos autores. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi

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