A escolha consciente do curso superior possibilita a melhor identificação entre este e o estudante, o que determina melhor produtividade e sucesso profissional.

INTRODUÇÃO

Inicialmente, deve-se mencionar a escassez de material teórico a respeito do discente. Quase todas as obras de didática encontradas se voltam ao docente, à sua preparação e à sua atuação.

Diante disso, o presente trabalho toma por base teórica alguns artigos veiculados na internet, ora se referindo a orientação vocacional em geral, ora tecendo reflexões sobre o papel do profissional de Direito e sobre as características pessoais essencialmente vinculadas àquela atividade.

Assim, na elaboração do referencial teórico, procurar-se-á justificar a necessidade da escolha profissional consciente, seja em face da importância fulcral da educação no desenvolvimento das sociedades, seja em função dos altos índices de evasão. Trabalhou-se com a hipótese de que a escolha consciente do curso superior possibilitaria a melhor identificação entre este e o estudante, o que determinaria melhor produtividade e sucesso profissional – compreendidos, também, como relevantes para o desenvolvimento da sociedade.

Dessa forma, surgiu a necessidade de identificar algumas das dificuldades enfrentadas pelos estudantes na escolha do curso. O passo seguinte foi pesquisar se há referenciais para orientar a opção racional do estudante.


1 A educação como instrumento de desenvolvimento e a necessidade de uma escolha profissional consciente.

Parece inquestionável que a educação superior é um dos motores para o desenvolvimento. Recentes pesquisas demonstram que, nos últimos cinco anos, a quantidade de matrículas em cursos universitários aumentou em 64%. Não obstante tal incremento seja positivo, o contingente de universitários brasileiros não representa mais de um terço dos argentinos e chilenos, por exemplo.

Outro tema sobre o qual não se diverge é que o crescimento quantitativo deve ser acompanhado pelo aprimoramento da qualidade.

Outro fator a se considerar é o alto nível de evasão, da ordem de 56%. Entre as causas deste, evidencia-se o alto valor das mensalidades, a decepção com o curso e a própria irresponsabilidade dos discentes, que não se importam em começar e abandonar vários cursos diferentes. No caso específico dos estudantes de Direito, é de se considerar que grande parte deles estuda a noite, depois de trabalhar durante todo o dia. E mais: chegando à universidade se depara com professores despreparados e/ou desinteressados.

Nesse passo, é imprescindível que o estudante tenha condições de bem avaliar qual curso escolher, já que, via de regra, ele definirá sua carreira. Obviamente, tem melhores condições de sucesso pessoal e profissional aquele que encontrou a área que lhe é mais agradável.


2 As dificuldades de escolha.

No entanto, segundo reportagem de setembro de 2003[1], poucas semanas antes do término das inscrições para os vestibulares, especialistas afirmavam que cerca de 66% dos estudantes ainda não sabiam qual curso queriam seguir. Em vários destes casos, os vestibulandos iriam se inscrever em cursos diferentes a cada concurso e a definição de sua carreira profissional seria escolha do próprio acaso.

Os motivos de tais incertezas são vários, e das mais diferentes espécies.

Primeiramente, há que se considerar a insegurança emocional e a imaturidade, próprias da adolescência. Além disso, a grande quantidade de novos cursos acabou por aumentar as dúvidas, na mesma proporção das opções de escolha.


3 Critérios de análise

Diante de todo o exposto, é indispensável que o estudante tenha em mente alguns critérios para analisar qual o curso a seguir. A partir destes, aumentam-se as possibilidades de bom aproveitamento da formação acadêmica e, conseqüentemente, de sucesso profissional.

Primeiramente, seria importante identificar quais as carreiras que não agradam ao estudante. Eliminadas estas opções, já se divisa com mais clareza o caminho a trilhar.

Em certos casos, é importante dar-se algum tempo para reflexão e amadurecimento pessoal. Dessa forma, evita-se escolher uma profissão apenas porque se tem facilidade de aprendizagem de algumas disciplinas escolares. Além disso, reduz-se o risco de descartar uma carreira apenas por estar saturada, ou escolher outra apenas porque está na moda.

Outro item fundamental é conhecer bem o cotidiano das profissões, bem como as habilidades pessoais por elas exigidas. Esta análise é pressuposto para uma outra: a busca de um curso que ofereça as condições necessárias para o desenvolvimento destas competências.

A análise dos destinos da carreira a abraçar também pode auxiliar. Há diversas atividades atualmente promissoras e que não o eram há alguns anos. A situação inversa também tem ocorrido com a mesma freqüência.

Um fator constantemente lembrado nos trabalhos de orientação vocacional é a interferência da família na escolha do curso. Ainda que não seja determinante, a predileção dos pais é percebida em praticamente todas as situações e freqüentemente se dirige às carreiras mais tradicionais. Tal circunstância merece ser sopesada pelo estudante, equilibrando-se entre a harmonia familiar e a sua aspiração pessoal.

Se tudo isso falhar, é bom ter em mente que uma escolha não é necessariamente definitiva. Seja de um curso para outro, seja entre áreas de concentração distintas posteriores à graduação, sempre é possível mudar de caminho.

Todos estes critérios são dados pelos trabalhos de orientação vocacional. Não obstante a cientificidade destas ferramentas, elas não serão eficazes se o próprio interessado buscar respostas mágicas, que resolvam imediatamente o problema. É imprescindível que o estudante tenha o objetivo de analisar a fundo os aspectos que envolvem a escolha.


4 Análise dos resultados de pesquisa de campo

Foi realizada pesquisa junto aos bacharelandos em Direito de quatro universidades particulares – uma em São Paulo, outra em São Bernardo do Campo, uma terceira em Campinas e a última, em Franca –, de uma estadual e de uma municipal, ambas localizadas em Franca. Dentre os entrevistados, cinco cursavam o quarto ano, dois, o segundo e outros dois, o terceiro.

A resposta mais freqüente foi a afirmativa de que o Direito é um curso que oferece diversas oportunidades de atuação profissional ao bacharel. Nesse sentido, mencionou-se, também, que a evolução das sociedades, cada vez mais complexas, exige um corpo cada vez maior e mais qualificado de aplicadores do Direito.

Analogamente, foi lembrado que durante o curso são oferecidas diversas áreas diferentes de concentração ao estudante, que pode optar por aquela com a qual melhor se identifica.

Além desse motivo, também foi noticiada a idéia de que a formação dada ao profissional do Direito possibilitaria a melhora das condições de desenvolvimento econômico e social do país. Desta forma, constante foi a identificação do Direito como o curso que fornece o instrumental próprio à realização da justiça, à busca da harmonia, do bem comum e da redução de desigualdades sociais. Assim, o bacharelado formaria cidadãos mais úteis, socialmente engajados e melhor preparados para a consecução de tais intentos.

Deve-se notar, ainda, que o profissional do Direito é identificado pelos universitários como uma pessoa culta, estudiosa e com grandes habilidades pessoais de persuasão e de adaptação a novas condições.

Foi também noticiada a busca por uma formação pessoal sólida, em conjunto com a profissional, mas com ela não coincidente. Nesse sentido, mencionou-se que o curso de Direito faz nascer no estudante o hábito da leitura em geral, e não apenas de textos jurídicos.

Houve que externasse a inclinação pessoal para as Ciências Humanas e a experiência profissional própria na área jurídica como determinantes da escolha do curso.

Por derradeiro, foi apontada a influência dos familiares na escolha. Seja indiretamente – porque havia muitos deles em profissões jurídicas -, seja diretamente – porque os pais sempre desejaram que seus filhos fossem advogados – a interferência dos familiares também foi marcantemente evidenciada na pesquisa.


CONCLUSÃO

O presente trabalho evidenciou que é socialmente indispensável que o estudante escolha com responsabilidade a carreira profissional a abraçar. Comungam para tanto a importância da educação no desenvolvimento das sociedades, bem como a grande quantidade de estudantes que abandona o curso superior, sem concluí-lo.

Trataram-se de alguns referenciais importantes para a orientação da escolha do curso.

Do trabalho de campo, concluiu-se que o motivo mais importante na definição do estudante pelo curso de Direito é a amplitude de opções de atuação profissional depois da graduação, tanto no que se refere às carreiras (públicas ou privadas), quanto à diversidade de temas com que trabalhar.

Além deste, foram mencionados vários outros motivos, como a intenção de defender a justiça e reduzir as desigualdades, a busca por formação cultural (pessoal) mais sólida e a influência dos familiares.


BIBLIOGRAFIA

MONTEIRO, Eduardo. A escolha decisiva. Época. Rio de Janeiro, set. 2003. Disponível em http://epoca.globo.com/edic/276/escolha1.jpg>. Acesso em: 15 dez. 2003.

TV Poços. Orientação Vocacional. Disponível em <http://www.tvpocos.com.br/psicologiaarquivo.htm>. Acesso em: 15 dez. 2003.

ARAÚJO, Luiz e RISTOFF, Dilvo. Missão inadiável. Inep. Brasília, dez. 2003. Disponível em <http://www.inep.gov.br/imprensa/artigos/missao_inadiavel.htm>. Acesso em: 15 dez. 2003.


Nota

[1] MONTEIRO, Eduardo. A escolha decisiva. Época. Rio de Janeiro, set. 2003. Disponível em http://epoca.globo.com/edic/276/escolha1.jpg>. Acesso em: 15 dez. 2003.


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Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

SANTOS, Alexandre Magno Borges Pereira. Porque os alunos escolhem o curso de Direito. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 18, n. 3602, 12 maio 2013. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/24419>. Acesso em: 24 jun. 2018.

Comentários

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    silvana oliveira

    Este texto me fez lembrar de uma aula de história,no ano de 2005. Eu estava cursando o segundo ano do ensino medio,quando me foi perguntado qual era minha pretenção profissional.Fiquei um pouco envergonhada mas respondi :Direito.Naquele momento fiquei me perguntando como eu estudando em escola publica,fazendo Eja,recebendo salario minimo poderia entra para a univercidade.Se naquela época eu estava iludida então estou até hoje.Aos 33 anos ainda não desisti.

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