O presidente do STF colocou-se num inatingível pedestal, acima de todos e até da própria CF/88.

Após ter eventualmente cometido o crime de abuso de autoridade e dar prova em vídeo do mesmo, o presidente do STF (provavelmente em razão da firme reação da OAB à sua abusiva conduta de mandar expulsar a força bruta um advogado do plenário do STF) passou a acusar seu adversário de condutas reprováveis.

JB demonstra uma ingenuidade colossal. Ele realmente acredita que uma suposta ilegalidade cometida pelo seu adversário justifica o crime de mera conduta que ele pode ter cometido diante das câmeras de TV? 

Onde está o rigor Penal desproporcional que JB aplicou em relação aos réus do mensalão petista? Quando se trata de sua augusta pessoa, JB acredita que nenhum rigor Penal é necessário?

Falta ao presidente do STF um pouco de coerência e muito bom senso. A régua Penal com a qual ele mede os outros é qualitativamente diferente da que ele usa para medir a si próprio. Falta-lhe a capacidade humana da empatia, de ver um pouco de si no outro e um pouco do outro em si mesmo. Este distanciamento paranóico que JB parece nutrir em relação a todos os demais é a fonte de todo o mal. 

De Julio César a Hitler, passando por Napoleão, todos os líderes sanguinários tiveram esta falha de caráter fundamental que JB demonstra: a de se julgarem superiores aos outros homens. E a incapacidade de admitir que cada sujeito vê a realidade a partir de uma posição externa distinta da dos demais, sendo todos parte da mesma realidade e devendo coexistir apesar de suas diferenças. JB absolutiza sua posição. A defesa do réu e o direito do advogado defendê-lo significam nada diante dele porque só o ponto de vista dele deve imperar. Se um homem com esta índole chega ao poder político e comanda Exércitos a única coisa que se pode esperar é o massacre inevitável de todos que dele discordem.



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