Agir contra a corrupção é bem mais importante do que fazer discursos vazios contra a mesma.

O resultado das eleições é importante e justifica toda a atenção que a imprensa tem dado ao cotidiano dos candidatos e aos debates que eles tem feito na TV. A continuidade da atividade estatal, porém, é bem mais importante do que as eleições. O Estado é uma instituição pública permanente enquanto os governos são apenas transitórios. As eleições, portanto, não devem paralisar a atividade governamental. 

Longe dos holofotes da imprensa, o Brasil assinou com os EUA um novo acordo que permitirá a troca de informações fiscais sigilosas de seus cidadãos. A importância deste acordo é evidente, pois é cediço que parte significativa da evasão fiscal no Brasil acaba sendo aplicada nos EUA. O mesmo deve estar ocorrendo em sentido contrário, pois os EUA certamente tem mais interesses em perseguir a evasão fiscal dos cidadãos norte-americanos do que a que ocorre dentro do nosso país.

http://www.conjur.com.br/2014-set-27/acordo-entre-brasil-eua-dados-sigilosos-assusta-tributaristas

Os especialistas em Direito Tributário já começaram a atacar o acordo. Os advogados sabem muito bem quais são os calos apertados dos seus clientes. Os cidadãos brasileiros prejudicados em razão da evasão fiscal, entretanto, só podem aplaudir o governo Dilma Rousseff. Além de não ter ficado paralisado durante o período eleitoral, a petista fez aprovar um importante acordo multilateral que interessa e muito à saúde financeira do Estado brasileiro e à sua capacidade de distribuir renda. 

A imprensa, que vive acusando o governo federal de não combater a corrupção, deveria estar divulgando e aplaudindo o novo acordo Brasil/EUA. Faz silencio sobre assunto por razões jornalísticas, econômicas ou eleitorais?



Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelo autor. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

0

Livraria