Inteligência emocional = Amadurecimento

Muito se fala em inteligência emocional, em querer profissionais que aguentem a pressão, em buscar pessoas que possam ser moldadas conforme o negócio e por aí a fora.

Sempre queremos que os outros mudem, que os outros se adaptem, que os outros sejam aquilo que nós não queremos ser e fazer.

Difícil de aceitar, mas uma realidade clara e existente no mercado: Queremos inteligência emocional e não observamos o básico do colaborador – como ele está amadurecendo como pessoa.

Queremos que ele seja mais profissional, mas percebemos que ele não dá a mínima pra família, nem para datas, nem pra nada. Como ele vai ser melhor profissionalmente se como pessoa ele não quer crescer?

Alguns dirão que trabalho não é lugar disto, que deveria ser ensinado em casa – o que posso concordar – contudo, se a pessoa não aprendeu enquanto ficava em casa, terá que aprender agora, no local de trabalho, que é o local onde ela passa a maior parte do tempo da sua vida.

Professores reclamam que os pais deixam que as escolas eduquem seus filhos, onde eles deveriam apenas aprender e serem educados pelos pais, enquanto no mercado de trabalho temos a mesma realidade, posto que responsabilidade, comprometimento, dedicação são valores do berço e não que o trabalho impõe.

Neste diapasão, amadurecer torna-se imperioso.

Para auxiliar a reflexão neste sentido, deixo algumas dicas de Josie Conti:

Amadurecer envolve:

Enfrentar o assunto mal resolvido: evitá-lo é como alimentar uma bola de neve e fazê-la girar ganhando cada vez mais proporções ao longo do tempo. Um dia, em um passo em falso, haverá um esmagamento.

Não se envergonhar: ter tido uma infância pobre nunca foi e nem será vergonha para ninguém. Continuar pobre, muito menos. Há um documentário chamado “Hiato”, em que pessoas de uma comunidade carente resolvem dar “um rolezinho” no shopping” . Durante o “passeio” muitas das pessoas que os trataram com preconceito e enviaram os olhares de maior desprezo eram também pobres, mas que trabalhavam em um ambiente luxuoso, como as funcionárias e funcionários das lojas.

Resignificações de uma mesma realidade: dar novos significados a histórias antigas. Não esquecê-las, mas encontrar maneiras diferentes de olhar para o passado.

Ser empático: colocar-se no lugar do outro, perceber, reconhecer e até sentir a sua dor.

Sofrer: que me perdoem os viciados em felicidades, mas sofrimento é fundamental. Parece piada, mas muitas vezes é só na perda que descobrimos que nossas verdades não eram realidades e sim mundos de fantasias que foram criados, mas que um dia precisam ser extintos. Também é frente a perda que entendemos o valor do momento presente e da necessidade da felicidade no hoje. Criar um filho lhe privando do sofrimento, por exemplo, será como confeccionar um cristal e depois colocá-lo em exposição ao lado de britadeiras.

Ser frágil não costuma ser uma opção viável para pessoas que querem viver.

Escolha: Há sim doenças incapacitantes e paralisantes, mas também há a possibilidade de procurar ajuda. Convido-os para uma autoanálise e reflexão sobre seus assuntos maus resolvidos, sobre suas dores, sobre suas realidades fantasiosas, sobre suas 30 bolsas ou seus 100 pares de sapato. Convido-os a uma reflexão sobre as pessoas com quem você não conversa, sobre as mágoas e feridas não cicatrizadas. Arrogância, avareza, mágoa e rancor (entre tantas outras chagas que trazemos por dentro) não precisam ser a única opção.

Aceitar ajuda: seja de quem se ama, seja de profissionais especializados. Se você continuar como está, como será o seu futuro? Como será o futuro de seus filhos que têm em você um espelho de comportamento?

Continuar: Pausas e pequenos tempos são aceitos e necessários, mas é preciso continuar.  Só assim, um dia, poderá restar em você, apenas as partes boas da criança já crescida.

Fonte: http://www.contioutra.com/tortura-psicologica-que-nos-acompanha-pela-vida/

E a pergunta que não quer calar: Como anda o seu processo de amadurecimento?

É um processo que inicia unicelular e termina – segundo alguns não termina – no final do último suspiro. O intervalo deste processo é o que chamamos de vida.

Então, para realmente viver, amadurecer faz parte. E fugir disto é deixar de evoluir que numa decorrência lógica, é deixar de viver.

#Capiche?


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