Três perguntas essenciais em processo seletivo #DepartamentoAsQuintas

Processos seletivos não são fáceis. Queremos encontrar pessoas relacionadas a atividade fim do negócio, proativas, com excelente relacionamento interpessoal e por aí vai.

Muitas são as técnicas, jogos, dinâmicas e questionamentos para buscarmos do candidato o seu melhor, o seu lado mais obscuro também para separar o joio do trigo no momento da contratação.

Por óbvio não existe um método 100% infalível e muito mais aprendemos no período de experiência desta pessoa do que qualquer processo seletivo pode nos dar.

Entretanto, grande parte daquilo que qualifica e prepara o sucesso de uma pessoa no ambiente profissional está em sua carga emocional e na forma que ela vê e age na sua vida.

Neste sentido, podemos compreender que quem está alegre com a vida, está potencialmente mais feliz e pode se dedicar mais ao trabalho e a inteligência interpessoal do que aqueles que estão destruindo o seu caminho ao invés de construí-lo.

Erich Fromm nos brinda com duas passagens em seus livros desta verdade:

“Em última análise, pode-se dizer que uma pessoa que não encontra alegria na vida tentará vingar-se e preferirá destruir a vida a sentir que não consegue encontrar qualquer sentido em sua vida. Pode estar ainda viva fisiologicamente mas psicologicamente está morta. É isso que dá origem ao desejo ativo de destruir e à necessidade apaixonada de destruir tudo, incluindo a própria pessoa, em vez de confessar que nasceu mas não logrou se tornar um ser humano vivo. Isso é um sentimento amargo para quem o experimenta e não nos entregamos a mera especulação se admitirmos que o desejo de destruir decorre desse sentimento como uma reação quase inevitável.”
~ Erich Fromm, em “Em Nome da Vida: um Retrato Através do Diálogo” (For The Love of Life, 1986)

“Parece que a quantidade de destrutividade encontrada nos indivíduos é proporcional à quantidade em que a expansividade da vida é cerceada. Não estou me referindo às frustrações individuais deste ou daquele desejo instintivo, mas à frustração do todo da vida, ao bloqueio da espontaneidade do crescimento e da expressões das capacidades sensíveis, emocionais e intelectuais do homem. A vida tem um dinamismo interno por si mesma; a vida tende a crescer, a ser expressada, a ser vivida. Parece que se essa tendência é cortada, a energia dirigida à vida passa por um processo de decomposição e muda em energias dirigidas à destruição. Em outras palavras, a vontade de viver e a vontade por destruir não são fatores mutuamente independentes, mas estão em uma interdependência revertida. Quanto mais a vontade em direção à vida é cerceada, mais forte é a energia pela destruição; quanto mais a vida é realizada, menor a força da destruição. A destruição é a consequência de uma vida não vivida. As condições individuais e sociais que geram a supressão da vida produzem a paixão pela destruição que cria, por assim dizer, o reservatório da qual as tendências hostis particulares – seja contra os outros ou contra si mesmo – são nutridas”.
~ Erich Fromm, em “O Medo à Liberdade” (Escape From Freedom, 1941)

Faça-se três perguntas:

1. O que você já fez para ser feliz?

2. Qual a alegria da sua vida hoje?

3. O que você quer fazer ainda na sua vida?

Depois de você responder as três perguntas, ficará claro que a visão, profundidade, maturidade e reação (olhar, voz, pensamento) de quem responde diz muito daquilo que se busca ou não em alguém.

Alguém que tem em mente estas 3 perguntas consegue entrevistar a pessoa e buscar nestas ou noutros questionamentos as verdades do entrevistado.

Destaque-se que não podemos medir uma pessoa por 3 perguntas. São apenas indícios. Apenas uma forma de buscar um pouco de profundidade numa conversa de 15 minutos.

Contudo, surpreendemo-nos com as pessoas quando buscamos a sua essência. Algumas tem de sobra; Outras, resta futilidades.

Busque para o seu negócio pessoas mais maduras, profissionais e principalmente dispostas a serem felizes pessoalmente.

Quem está feliz consigo, pode ser feliz no trabalho. Quem trabalha para ser feliz, tem no trabalho uma muleta de decepção, dor e obstinação que pode ser útil para quem emprega por algum tempo, mas com o tempo, se revela uma dor de cabeça nos relacionamentos interpessoais e na própria produtividade.

Somos um emaranhado de traumas de nossa existência ambulantes, eu costumo a definir. Se estou certo na minha forma de ver e pensar, quem consegue ser feliz com a sua carga de vida, consegue trabalhar e ser feliz com a carga do trabalho.

Afinal, nem tudo são flores, entretanto, mesmo com espinhos, flores tem o seu perfume e beleza. Assim é a vida, com seus traumas e dificuldades, perfume e beleza.

Não é mesmo?
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