O golpe de 2016 e a PEC são apenas sintomas de uma desagregação maior que ainda irá ocorrer.

A população brasileira foi drogada pela imprensa durante uma década.

O resultado desta “bad trip” jornalisticamente induzida está apenas começando.

Hoje o povo vê inimigos onde eles não estão (no PT) e vê amigos onde eles nunca poderiam estar (na imprensa, no PMDB, PSDB e no DEM).

Quando o povo começar a acordar, o Estado já terá sido desmantelado. Aqueles que não perderam seus empregos terão perdido direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.

Em algum momento futuro, a reação ao golpe vai começar a se intensificar. Mas quando isto ocorrer os criadores de ilusões já terão se apropriado das riquezas do país transferindo-a para paraísos fiscais como ocorreu durante o governo FHC.

Frustrada e faminta, a população se tornará mais e mais violenta. Mas não terá um partido popular capaz de organizar as aspirações políticas de maneira construtiva. O resultado, do vácuo será uma espiral insuportável de brutalidade policial/militar e de reações destrutivas de grupos isolados cada vez mais fanáticos.

A destruição do Estado comandada por Michel Temer engendrará uma cultura de destruição pela destruição. A oferta de bens e serviços será afetada pelo clima de caos. E os lucros começarão a declinar de maneira consistente reduzindo a arrecadação tributária. Mesmo que queira o Estado não estará em condições de intervir na economia de maneira positiva. Excluídos e marginalizados os pobres irão rejeitar qualquer tipo de organização institucional. O crime se tornará mais organizado e menos civilizado.

O prestígio das carreiras jurídicas irá desaparecer. A imprensa que drogou a população contra o PT, não é capaz de inventar um antídoto.  E a figura do “justiceiro implacável” se tornará cada vez mais comum, substituindo o Juiz de Direito e o político eleito. Este fenômeno que já ocorre nos morros cariocas se espalhará pelo país. E então até mesmo Sérgio Moro e seus colegas irão correr o risco de ser julgados nas ruas com padrões de justiça que eles mesmos inventaram (nenhum processo legal, acusação mediante convicção, tortura para obter a prova e, é claro, execução sumária em nome de algo mais elevado).

As igrejas evangélicas irão proliferar como cogumelos. O alucinógeno que elas distribuem se tornará mais e mais tóxico sectário. Conflitos entre líderes religiosos provocarão pequenas guerras civis. Antes que o STF perceba ou possa fazer algo, a dinâmica que domina a vida cotidiana no Oriente Médio terá se tornado a única Lei vigente no Brasil.

Nenhuma constituição escrita terá valor. Nenhum privilégio senhorial poderá ser desfrutado em segurança. Assim como a polícia brutaliza a periferia, gangues politizadas ou não comerão a brutalizar os bairros nobres. O tráfico de drogas e de armamentos militares irá explodir dentro do país e nossas fronteiras se tornarão mais porosas em razão da corrupção associada à guerra civil não declarada.

Todos contra todos. Nenhum líder será capaz de governar. A imprensa irá lutar para sobreviver fazendo aquilo que ela já faz (extorquindo dinheiro estatal), mas a droga que ela distribui não irá mais fazer efeito. Outras drogas estarão conquistando corações e mentes. Demente, o país começará a esfarelar.

Ódios hoje expressados pelos sudestinos no Facebook e no Twitter  irão despertar ódios nordestinos. A capital será vista como uma terra de ninguém passível de ser invadida e saqueada por quem quer que seja. Hoje isto é feito por bandos de políticos. No futuro os bandos serão outros e provavelmente arregimentarão contingentes das Forças Armadas.

Ninguém vai querer defender um país indefensável. O Brasil de fato já não pode mais ser defendido, pois está sendo sistematicamente destruído por aqueles que chegaram ao poder através de um atalho. Insubordinação, desagregação, roubo e comércio ilegal de material bélico se tornarão coisas normais nas Forças Armadas. Desarmado e desesperado o país será chantageado e saqueado mais rapidamente.

Experimentos sociais que deram certo por algum tempo sempre acabam provocando tragédia (como o nazismo e fascismo). Experimentos destrutivos como aquele que está sendo comandado por Michel Temer só produzirão desagregação e destruição irreparável.

Onde havia um país chamado Brasil algo novo irá nascer, crescer e vicejar. O separatismo se tornará programático e irá provocar conflitos dentro de outros conflitos que estarão explodindo. Durante todo este período o petróleo irá ser sugado do nosso litoral e levado para os EUA, onde uma elite brasileira começará a se instalar pretendo a inevitável barbarização do país.

Aqueles que viverem bastante verão nas ruas a face horrenda da guerra que hoje ocorre na Síria e vivenciarão dentro de suas casas cenas dos filmes de terror que gostam de ver nos cinemas. Ainda bem que já estou velho e não terei que ver muita coisa.   



Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelo autor. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

0