As “gangues” já vem sendo objeto de estudo desde 1920 com a escola de Chicago, que começou a desenvolver esses estudos buscando entender as mudanças sociais, bem como o aumento da violência e suas relações com a delinquência juvenil. No Brasil tal termo possui uma conotação bastante genérica e muitas vezes preconceituosa, sendo as gangues conceituadas, popularmente, como um conjunto de jovens que se reúnem para o cometimento de crimes, e tal conceito se da principalmente pela mídia, que tem grande influência na vulgarização deste termo, pois todo crime que é praticado por um jovem negro e pobre já se pressupõe que o mesmo seja membro de uma gangue, independente se o crime foi praticado individualmente.
Assim essa taxatividade acaba disseminando preconceito, pois os noticiários, que sempre estão em busca de “grandes matérias”, acabam privilegiando noticias de crimes cometidos por jovens negros e pobres além de informarem que o crime ocorrido foi praticado por uma “gangue”, sendo que tal informação nem sempre é verdadeira. Ao fazer isso, a mídia dissemina medo nos indivíduos que acaba refletindo em um aumento no preconceito da população para com os jovens que se encaixam nessas características.
É notório que o julgamento da sociedade sobre cada indivíduo é muito relevante para a construção de sua personalidade, afinal um jovem que nasce em uma comunidade oriundo de uma família pobre tende a sofrer muitos preconceitos pela sociedade, sendo muitas vezes taxado de “criminoso”, simplesmente pelo fato de morar em uma favela e ser negro.
A “fama” do termo “gangue” tomou tanta proporção que participar de uma gangue passou a ser algo que trás um status aos gangueiros, sendo sinônimo de poder entre eles, por serem temidos pela sociedade. Segundo a pesquisa de Carla Coelho de Andrade sobre “gangues”, as razões que levam a maioria dos jovens a tornarem-se membros de gangue é a busca por proteção, uma vez que nas “gangues” vigora a idéia de proteção mutua, ou tornam-se membros de “gangues” buscando reconhecimento, pois para ser membro de uma “gangue” é preciso provar ter coragem, estarem prontos para “matar ou morrer”. Além disso, a procura por ganhos patrimoniais, oriundos, muitas vezes, de crimes contra o patrimônio. Sendo um dos objetivos comuns dos gangueiros adquirir respeito entre eles.
Ao final, observamos que o termo “gangue” com os conceitos e distorções que observamos nos noticiários se constitui como sendo uma criação da mídia para atrair a atenção dos telespectadores e disseminar preconceito contra os jovens menos abastecidos. Tal reflexo pode ser observado no comportamento da sociedade que pressupõe, de forma preconceituosa, que um jovem, negro, que mora em uma comunidade e venha a praticar um crime, seria membro de uma “gangue”, independente de o crime ter sido cometido de forma individual. A “fama” que o termo “gangue” conquistou ao longo dos anos fez com que os jovens que efetivamente praticam crimes aderissem ao termo, sendo hoje o termo “gangue”, para os “gangueiros”, sinônimo de fidelidade entre os que compõem a “gangue”, bem como poder, uma vez que causa medo a população.