Trata-se de uma reflexão sobre a realidade quanto a dúvidas e frustrações dos egressos no curso de ciências jurídicas no Brasil.

Resumo: Este artigo tem o intuito de refletir sobre a realidade quanto a dúvidas e frustrações dos egressos no curso de ciências jurídicas. No Brasil, o curso de Direito é a escolha de milhares de jovens que entram na faculdade todos os anos, em todos os cantos do país. Trata-se de um dos cursos que mais forma profissionais no Brasil, ao lado da administração e da medicina.

Palavras Chave: Direito, Brasil

Atualmente não é nada raro se deparar com muitas pessoas que optam por cursar Direito pensando se tratar da faculdade que “não sai de moda” ou pela influência daquela corrente de pensamento do tempo de nossos avós de que se trata de uma profissão de lucro garantido e fácil.

Não muito raro, se ouve que para concluir o curso de direito é só gostar de ler. Junte a isso uma oferta relativamente grande desse curso em nosso país e pronto, tem-se uma enormidade de estudantes prestando vestibular para o dito cujo. Algum problema nisso? Óbvio que não.

De acordo com Pacobahyba (2011) a realidade mostra que o ensino jurídico brasileiro mais se parece com um conjunto imenso de disciplinas a serem “decoradas” por qualquer estudante que almeje um mínimo de sucesso na carreira: é uma verdadeira questão de sobrevivência “intelectual”. Assim, partindo-se da constatação de um rol interminável de leis em sentido amplo, de farta doutrina, muitas vezes criada sem muitos critérios, de uma jurisprudência infindável, sem precedentes no resto do mundo, o discente passa por sérias dificuldades para enxergar onde está a ciência jurídica.

Mas falemos de carreira ou mesmo da escolha de uma profissão a ser seguida pelo resto da vida ou pelo menos por um bom tempo de suas vidas.

Também não podemos descartar toda a ilusão sobre a carreira jurídica e o endeusamento que as produções cinematográficas e séries apresentam.

Nesse contexto hollywoodiano, há julgamentos pomposos, reviravoltas incríveis e por consequência a figura do advogado-Deus é enaltecida.

Mas, como nem tudo são flores e nossa realidade além de muito dinâmica é também dura, sincera e sem rodeios, logo ao iniciar o curso de direito, lá em suas leituras iniciais, o aluno se depara com linguagem ostensivamente culta, formal e rebuscada.

É a partir deste momento, desse choque recebido por aquele estudante com seu “castelinho” construído sobre a carreira jurídica, que se pode iniciar a dita dúvida, incerteza ou crise vocacional, não importa que nome se dê.

Atravessado esse período de crise ou susto, o estudante do curso acaba compreendendo que o mesmo não se resume apenas em leis e posturas jurídicas e sim num instrumento de pacificação da sociedade.

Se prestarmos atenção ao nosso redor, o direito está e estará presente em tudo, sim onipresente. Em toda e qualquer situação ou conflito, lá estará ele, penalizando algo ou alguém através de suas normas regulamentadoras, cerceadoras do ato, como num caso de inadimplência de impostos, por exemplo, ou divisão de bens de uma família ou casal.

O fato é que amar ou odiar o curso é uma questão pessoal, é óbvio. Muitos pararão no meio do caminho, outros, sofrerão e chorarão e mesmo assim se darão conta de que o direito é na verdade um grande de um intrometido no meio social, sim, um “enxerido do bem”, se é que o termo pode ser aceitável. Vejamos, qual outra ciência consegue atuar, estruturar, organizar e até mesmo colocar toda uma sociedade em “prática” visando o bem comum? Resposta fácil, apenas o direito.

Na faculdade, não se estuda única e simplesmente leis, mas também comportamentos, interpretações, raciocínios, doutrinas, vidas, sociedades, pessoas. Estuda-se até mais o que cerca a lei do que esta propriamente dita.

Portanto, aos estudantes e também aos advogados mais jovens é necessária a consciência de que o universo jurídico tem realidade própria, muito, mas muito diferente da ficção insistentemente exibida.

Vencida todas as situações e etapas aqui descritas, observa-se que em qualquer profissão escolhida percalços sempre irão existir e se houver um propósito de enfrentamento das dificuldades com maturidade e perseverança, será possível sim, tornar os sonhos realidade. E nenhum curso como o Direito permite tantos sonhos e tanta realização profissional.

Referências bibliográficas

PACOBAHYBA, Fernanda Mara de Oliveira Macedo Carneiro. As dificuldades encontradas por um estudante de mestrado em direito: por que é tão difícil escrever uma dissertação?. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIV, n. 89, jun 2011. Disponível em: <http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=9708&revista_caderno=13>. Acesso em abr 2017.

ROESLER, Átila Da Rold. A dificuldade em se gostar de Direito. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 15, n. 2426, 21 fev.2010. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/14386>. Acesso em: 19 abr. 2017.


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Contribuição de dúvidas com os egressos no estudo do Direito.

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