O problema não são os conceitos e sua aplicação no âmbito social, mas a maneira de como manuseá-los sem a aplicação da "vaidade" pessoal. Como se dará isso para o bem social?

Vivemos tempos de discussões para resolução de problemas antigos. Impressiona a forma de como as situações não mudam, mesmo havendo certa evolução de nossas tecnologias, principalmente no âmbito da informação e comunicação.

Antigamente era muito complicado de se ter as informações de forma rápida e eficaz para análise, estudo e tomada de decisões. Tais dificuldades tornavam a vida em sociedade muito difícil, vez que os grupos sociais como vilas, bairros, cidades, Estados e Nações deviam se contentar com os próprios conceitos construídos pelo tempo e cultura para resolução de problemas presente.

Ora, com a evolução da comunicação rápida e instantânea é totalmente possível obter informações para análise e aplicação ao problema que está sendo tratado ou que seja necessária a resolução sob pena de agravamento ao ponto de tornar-se impossível de  concluir.

No entanto, observando os acontecimentos atuais na sociedade impressiona a forma de como não são solucionados segundo estas facilidades oferecidas pela evolução na comunicação humana, sem contar que hoje vivemos o fenômeno da globalização.

Existem hoje diversas culturas que conviveram ante as suas dificuldades peculiares e consequentes resoluções mostrando um amadurecimento e manutenção dos bons procedimentos adotados.

Basta observar a história dos países escandinavos que migraram de bárbaros e saqueadores para nações exemplo de tudo o que é bom e funcional ao respeito da dignidade social humana. Não só os escandinavos, mas outras nações que tiveram um período “sombrio” em sua história conseguiram evoluir e proporcionar aos seus entes sociais serviços públicos com qualidade.

O Brasil possui uma característica peculiar por viver uma realidade constituída do fenômeno da miscigenação, ou seja, mistura de raças e povos de forma intensa ocorrida em sua história. Isso amplia o acesso a tantas culturas, ou seja, acesso a evolução histórica destas nações através de seus entes que vieram buscar uma vida nova em nosso país.

Tal mistura deveria nos despertar a curiosidade de conhecer como estes povos evoluíram, a fim de buscar opções de soluções para os nossos problemas domésticos.

É impressionante como hoje, mesmo em meio a esta realidade de fácil acesso a informação através das tecnologias, as pessoas ainda buscam conhecimento de corpo presente fora de nosso país. O problema é que muitas acabam se identificando com essas culturas e estabelecem domicílio nestas nações evoluídas. Tal assertiva se observa diante de muitos brasileiros com sucesso em suas carreiras internacionais.

É obvio que quando se há um maior conhecimento é possível encontrar várias soluções para determinado problema. Com esta premissa é possível concluir que obtendo acesso e conhecimento de várias culturas, podemos conseguir enxergar solução para os problemas de ordem social. Alguns podem até afirmar que o problema maior está na miscigenação, porém não é o que parece.

A realidade social vivida por nossa nação poderia ser diferente se o conhecimento e informação fossem utilizados de maneira correta e efetiva buscando o bem comum e não o pessoal. Ter conteúdo e não saber manusear é um belo convite à ineficácia.

A verdade é que a vaidade humana é inimiga das aplicações comuns á sociedade e causam muitos prejuízos. É só observar os atos egoístas dos grandes ditadores e autoridades constituídas pelo povo que se utiliza da corrupção para proveito pessoal. Muitos culpam o sistema, mas esquecem que o sistema encontra-se influenciado pelas vaidades humanas.

Salomão, uma das pessoas mais ricas da história da humanidade, em seu Livro de provérbios já alertava sobre a vaidade humana. Esta influência pessoal na vida de quem detém muito poder causam enormes estragos na vida daqueles que são afetados pelo respectivo exercício.

A Grande questão é: “Como controlar a vaidade humana de quem detém muito poder?”

Infelizmente, mesmo havendo uma legislação limitadora, somente a pessoa detentora deste poder consegue exercer o controle de sua vaidade segundo a realidade e educação própria vivida. Com vista nisso, é inegável concluir que o segredo do sucesso de uma nação está na educação de seus entes dentro e fora da família, mas isto é outra questão a ser discutida em momento oportuno com maior espaço.

Os conceitos não mudam, mas as pessoas são capazes de mudar controlando suas vaidades e contribuindo para o bem comum pensando nas soluções obtidas através da experiência própria e conhecimentos advindos de diversas culturas que compõe nossa realidade, cujo conhecimento se chega através da bela “tecnologia da informação” que encontra-se à disposição com o fácil acesso imediato.


Autor

  • Rogério Alves

    Advogado Graduado no Centro Universitário Nove de Julho. Especialista em Direito Público pela Escola Paulista de Direito. Advogado parceiro da Buratto Sociedade de Advogados e Shilinkert Sociedade de Advogados. Palestrante do Departamento de Cultura e Eventos da OAB Seção São Paulo. Assessor do 2º Tribunal de Ética e Disciplina da OAB Seção São Paulo. Membro do Instituto de Desenvolvimento Educacional e Assistência Social - IDEAS.

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