Prisão após condenação em segunda instância à luz da Constituição Federal: uma heresia jurídica

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24/07/2019 às 19:51
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CONCLUSÃO

         O que podemos colher disso tudo, no campo da exegese jurídica, e da hermenêutica constitucional, é que todos os ministros que votaram favoráveis à prisão após a condenação em segunda instância se equivocaram. Isto também inclui a ministra Cármen Lúcia, então presidente da Suprema Corte Brasileira, porque falharam na análise do texto constitucional que garante ao acusado a presunção da inocência e o devido processo legal até o trânsito em julgado.

          O texto constitucional é claro e não há que se falar turva a água cristalina, quando o: Art. 5º, Inciso LVII, diz que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”;

          O enunciado acima nos leva a fazer uma reflexão sobre o preâmbulo da Constituição Federal Brasileira, que diz ao apontar para o início de uma nova era, no pleno gozo de um Estado Democrático de Direito. Assegura-se o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos.

        Dentre esses direitos já devidamente explícitos no caput do art. 5º, temos o substantivo abstrato liberdade. E essa liberdade, do ponto de vista criminal, somente é tirada do indivíduo após o devido processo legal, com o evidente trânsito em julgado da ação, que para alcançar o tal desiderato, terá de ser condenatória.

    Temos a premissa de que a Ordem dos Advogados do Brasil reprovou a decisão inconstitucional do STF, e que, em seus quadros, também dispõe de figuras proeminentes de notável saber jurídico. Diante disto, não se teria como petulante se vislumbrar um olhar severamente crítico, reprovável, acerca da claudicante interpretação hermenêutico-jurídica, daquele texto Magno, tratado com descaso e arrogância, por quem deveria defendê-lo.

           A Suprema Corte Brasileira talvez sufocada pela ebulição efervescente do inexorável saber jurídico de parte de seus ministros, não feriu apenas o Inciso LVII do Art. 5ª da Constituição, mas, também, o caput do referido artigo, no âmbito do substantivo feminino (abstrato) liberdade, porque fica claro, que, decretar a prisão de um indivíduo sem que haja o trânsito em julgado do processo, contrariando aquilo que determina o texto supremo é ferir de morte dois dos princípios constitucionais: o princípio da liberdade e o princípio do julgamento justo.                                                        


REFERÊNCIAS

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OTHON SIDOU, José Maria. Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. 7ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.

CARDOSO E SILVEIRA - Entre a Exegese e a Heresia Jurídica: A Busca Pela Efetividade do Projeto Jurídico Constitucional. Disponível em: https://www.direito.ufmg.br/revista/index.php/revista/article/view/1881. Acessado em: 19.11.18.

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Sobre o autor
Tarcísio Neves

Bacharel em Direito, Jornalista, Escritor e Palestrante Motivacional. Autor dos livros: Trindade, a ilha Maldita, Marketing Político – Como Fazer Campanha Para Ganhar Eleições, O Milagre da Forca, Lobos do Sertão e A Décima Terceira Regra de Ouro Para o Sucesso.

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A polêmica sobre a prisão após condenação em segunda instância merece um estudo mais profundo, por se tratar de um assunto que fere frontalmente a Constituição, vai de encontro às premissas das cláusulas pétreas e agride fundamentalmente as garantias e os direitos fundamentais do indivíduo.

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