A importância da introdução da mulher como elemento na história do mundo

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27/01/2020 às 16:11
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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como se vê ao longo do artigo, a função da mulher na sociedade começou sendo a de mãe, destinando-se apenas ao domicílio e à educação dos filhos. O homem era o detentor do poder pela força física que saía de casa para garantir o sustento da família. Levando em conta tal aspecto histórico-cultural, compreende-se que a mulher era fadada à procriação, ao privado e à servidão, sofrendo discriminações em relação aos seus direitos, passando a ser vista como inferior ou incompletas ao masculino, contribuindo para a reprodução do machismo tanto por homens quanto por mulheres.

Com o surgimento do casamento, esta passou a ser considerada propriedade do homem, já que era incapaz de exercer seus direitos desde o início, sendo-lhe reservado um tutor para por ela intervir. Devido à influência da Igreja – a qual presumia que a mulher se simplificava ao papel de esposa e mãe devido a um conto e de uma costela –, o casamento se tornou uma prisão, onde a mulher, mesmo que infeliz, deveria permanecer junto ao marido para concretizar a vontade de Deus, já que o divórcio é um pecado imperdoável, assim como comer carne de porco ou frutos do mar.

A mulher acaba aceitando o estado de total subordinação ao marido, perdendo o seu senso crítico e tornando-se uma versão feminina do homem. Começa a educar o filho para ser igual ao marido, porque não conhece outro modelo e o seu não tem importância. O conceito de “amor verdadeiro” e de “felizes para sempre” impede que ela siga os seus próprios valores. A opinião do marido se torna a sua, bem como a sua vontade, o seu prazer e o seu destino. Ela abraça o papel que lhe entregam achando que nasceu para ser submissa, porque sua mãe segue os mesmos passos, e a sua avó também – e todas as mulheres da sua árvore genealógica, porque assim foram ensinadas suas vidas inteiras, e se ela não tem alguém para se espelhar, o que resta?

O complexo de inferioridade criado pela sociedade historicamente patriarcal contribuiu para a coisificação da mulher, sendo que ele passa a enxerga-la como um objeto, sendo sua propriedade, e os homens, por passarem toda sua existência beneficiados por uma cultura machista, a ideia de perder o trono e terem que descer um degrau para ficar em igualdade com a mulher – a qual, como já comentado fora enxergada o tempo todo sendo o “Outro” – os assusta; e devido ao medo e inquietação de um mundo onde a mulher teria as mesmas oportunidades que eles – os “prejudicando” de certa forma – faz com que abracem cada vez mais a cultura que os favoreceu por puro egoísmo e antipatia ao sexo oposto, tornando sua interpretação perante o feminismo como uma ameaça, e movidos pelo instinto hipócrita e medíocre, espalham ódio e inconformismo pelo movimento que prega a igualdade dos sexos, cientes de que as mulheres não querem igualdade, mas sim poder, e que, se elas alcançarem, poderão ter a chance de retribuir todos os anos de injustiça, proporcionando um sentimento não sentido com frequência pelo sexo masculino de acordo com os preceitos criados por eles mesmos: horror.

A história das mulheres foi, portanto, feita por homens. Estes que eram os responsáveis em criar religiões, mitos, estigmas, e códigos com suas próprias ideologias. As mulheres nunca tiveram a chance de disputar tal cargo, porque eram tidas como menos inteligentes, não tendo oportunidade em qualquer espaço, e isso era usado como argumento para continuarem não tendo.

Desta forma, as contribuições feministas foram extremamente importantes em relação à busca de igualdade social em vários aspectos como identidade de gênero, etnia, orientação sexual, classes sociais, entre outros, mostrando a necessidade de terem reconhecimento devido à constante luta e construção da realidade com a concepção de gênero desempenhando uma importante realidade a partir do feminino, onde reúne vários fenômenos históricos, sociais, políticos, culturais e econômicos.

Atualmente, ainda que o tema esteja em alta e estudos saiam cada vez mais, pode-se averiguar que um grande número de pessoas continua a determinar qual é o papel e o lugar da mulher na sociedade – o qual foi estabelecido culturalmente ao longo da história, em que homens e mulheres desempenhavam papéis sociais diferentes –, tanto que o gênero, como demonstrado, nasce a partir de tais relações sociais impostas pela sociedade, que se destina a ambos os sexos, em relação às suas características biológicas, gerando desigualdade e prejuízos, bem como comportamentos e identidade, e tratando-se, portanto, de uma construção social.

Mesmo que a igualdade entre os gêneros tenha evoluído em vários aspectos, ainda existem algumas sequelas que merecem ser sanadas, como a desigualdade salarial entre ocupantes do mesmo cargo – além do número de mulheres ocupando cargos superiores serem menores, bem como aos cargos executivos, legislativos e judiciários – e a dupla jornada de trabalho realizada pela mulher, que acaba acumulando o serviço doméstico, provando que tais questões devem entrar em pauta para que uma sociedade mais justa seja alcançada.

Portanto, escolas deveriam colocar a história das mulheres no currículo, estudando as diversas lutas pela conquista de direito e em como o movimento feminista foi, e é, importante para a humanidade, promovendo atividades que unam ambos os gêneros com o intuito de acabar com a rivalidade tóxica construída socioculturalmente – onde, na maioria das vezes, o universo feminino é usado de forma pejorativa entre o masculino –, até como forma de compreender o real intuito do feminismo e o porque de ele ser tão importante, não se deixando levar por hipocrisias sociais e reconhecendo que toda pessoa é única, sendo possível a convivência harmônica entre as diferenças multiculturais e particulares de cada um. “Homem não chora” é um claro exemplo de como a fragilidade e sensibilidade amarrada às mulheres é motivo para conter qualquer vestígio que os associe ao sexo feminino, porque uma vez associados, se sentirão inferiores devido à cultura e aos valores criados pela sociedade patriarcal.

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Tais valores foram tão bem construídos que são aplicados até hoje, infelizmente. A menina é educada desde nova a se casar, enquanto o menino, deve obter um cargo de sucesso para sustentar a família. A questão é esta. A humanidade cresceu calcada nessas ideias. Corre pelas veias. Provavelmente, certos “ditados populares” são repetidos por pura espontaneidade sem perceber na injustiça proferida, e, por isso, a representatividade é importante para destruir as amarras do machismo e fazer com que as mulheres se enxerguem como protagonistas da própria história.


REFERENCIAS

ALMEIDA, Maria Isabel de Moura. Rompendo os vínculos, os caminhos do divórcio no Brasil: 1951-1977. Tese (Doutorado em História) – Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal de Goiás. Goiânia, p. 09-25 e 161-165. 2010.

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FUSTEL DE COULANGES, Numa-Denys. A Cidade Antiga. Tradução de Frederico Ozanam Pessoa de Barros. São Paulo: Editora das Américas S.A, 2006.

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SEVERI, Fabiana Cristina. Lei Maria da Penha e o Projeto Jurídico Feminista Brasileiro. São Paulo, Editora Lumen Juris, 2018.

TELES, Maria Amélia de Almeida. Breve história do feminismo no Brasil. 1ª. reimpressão – São Paulo: Editora Brasiliense, 1999. 

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