Alexis, de fato: falar, até papagaio fala. Já pensar no que diz e não ficar simplesmente repetindo clichês facilmente contestáveis, nem boa parte dos seres humanos faz. Você me pareceu um pouco desconfiada do que eu disse, estou certa? Achei isso engraçado, afinal, foi você mesma quem disse a seguinte frase: "Carol, nao julgue os outros pelos seus atos... se voce se formou mamando nas tetas da sua familia... nao é regra geral que isto é verdade para toda nacao". Será que essa frase não serve pra você também, mutatis mutandis (como os advogados adoram dizer)?
Concordo com relação à "UniTabajara". Eu sou a última pessoa que incentivará alguém a estudar em uma faculdade ruim. Porém, não acho que toda faculdade particular não presta. Pelo contrário. No estado de São Paulo, em Direito mesmo, eu escolheria a PUC-SP e o Mackenzie antes da Unesp, por exemplo. Não só por considerá-las melhores, mas também por estarem na capital. Além disso, como eu já disse, não se pode fazer dois cursos em uma faculdade pública ao mesmo tempo. E, caso essa seja a vontade do estudante, também não vejo problema em ir atrás de informações sobre as melhores faculdades particulares e fazer uma boa escolha. Verdades absolutas (como "faculdades públicas são SEMPRE melhores") não norteiam minha vida. Prefiro me informar e fazer uma escolha de fato esclarecida.
E por falar nisso, deixa eu te contar uma coisa. Na minha área, o melhor curso do país, além de ser particular, não é sequer uma faculdade. Esse curso tem exame seletivo rigoroso e totalmente voltado para a área que vai ser ensinada. A USP, por exemplo, não tem esse curso. Onde estudei, conheci professores e alunos da PUC, onde o curso existe, que afirmavam que o nível dos alunos era completamente diferente entre os dois estabelecimentos, o que dificultava o ensino e o aprendizado na PUC. Curioso, né?
Infelizmente, por mais que você tome conhecimento de que existe gente que consegue os melhores empregos tendo estudado em faculdade particular, você prefere tapar os ouvidos (ou os olhos) e permanecer na desinformação. Felizmente, não são seus conceitos inflexíveis que definem o mercado e a capacidade alheia. Sua incapacidade de perceber nuances só traz prejuízo a você mesma.
Que raio de formacao é a sua que nao "é sequer uma faculdade?". E que curso rigido é este? Mas a discussao é: pedir ou nao pedir ajuda de custo ao pai. Peça. Mas NAO VAI CONSEGUIR 100% da mensalidade. Vai ter que se arranjar com o restante. E este papo de faculdade particular ser melhor e etc... na minha (digo minha, nao sua ou de outrem) opiniao é balela para quem nao foi BOM O SUFICIENTE para cursar uma faculdade/ universidade publica - que tem MAIOR ACEITACAO NO MERCADO. Isto é incontestavel. bla bla bla. Apresenta um diploma da PUC e um da Sao Francisco... e veja quem é contratado primeiro.
Onde o MESTRE coloca o SAL eu nem imagino, mas tem um provérbio que diz: "SAL NOS OLHOS DO OUTRO É REFRESCO..." Acho que o bom advogado é aquele que informa, e nao aquele que rotula, critica, ironiza. Como esse é um site jurídico, as pessoas procuram aqui orientação jurídica para os seus problemas, se elas estão certas ou erradas, inocentes ou maliciosas, a justiça decidirá.
Alexis, eu não disse que a PUC é melhor que a São Francisco. Disse que, em Direito, é considerada melhor que a Unesp. E disse também que, no caso do defensor em questão, a São Francisco não era opção, já que na USP ele prestou jornalismo. E passou. E, uma vez que jornalismo na USP é mais concorrido que Direito, creio poder afirmar que não foi por incapacidade de passar na São Francisco ele estudou na PUC. E, mesmo com um diploma de Direito de faculdade particular, passou na frente de muito ex-estudante de faculdade pública, ao ficar entre os primeiros no concurso para defensor, mesmo tendo apenas 24 anos de idade. Sim, este é apenas UM caso. Porém, além de ter certeza de que não é o único, serviu apenas para ilustrar que premissas absolutas como as que você prega são irreais.
Quanto à minha formação, sou tradutora/intéprete, formada pela Alumni. O exame de admissão cobra o que o vestibular de faculdades de tradução não conseguem cobrar: fluência de verdade nos dois idiomas, escrita e oral, além de noções de tradução. Para estudar lá, não basta ser bom em inglês e português e compensar a falta de excelência com geografia e matemática, por exemplo. Isso impediria o andamento das aulas. Depois de tudo o que foi discutido, já não espero que uma pessoa como você entenda nada disso. Provavelmente subestimará e manterá sua crença de que o único caminho rentável é o que escolheu para seus filhos. E não duvido de que provavelmente eles obtenham sucesso, porque uma boa faculdade pode ajudar muito. O ruim é que você continuará achando que qualquer coisa que fuja disso está fadada ao fracasso. Porém, essa sua crença não muda o fato de que muitos estudantes que você desaprova chegarão mais longe que outros de faculdade pública. Como eu disse, essa crença só prejudica você, que limita possibilidades e passa por desinformada.
Talvez para você não seja possível criar filhos de outra forma que não sob pressão. Talvez você optasse por fazer qualquer faculdade pública apenas pelo nome, ainda que existisse uma alternativa particular mais adequada ao seu interesse e com mais potencial de sucesso. Talvez você não permitisse que seus filhos cursassem duas faculdades ao mesmo tempo, se uma delas fosse particular. Talvez você se contente com um emprego onde basta apresentar o diploma de uma faculdade. Eu, por outro lado, não tenho filhos, mas minha experiência como filha comprova que existem pessoas que estudam e trabalham sem precisar de cobrança, dependendo do ambiente em que são criadas. Eu não optaria por estudar tradução em faculdade nenhuma, menos ainda por me contentar apenas com a formação em Letras da USP, quando o que eu queria de fato era estudar tradução/interpretação. Também não deixaria de fazer o que gosto, faço bem e me dá um bom retorno financeiro só por preconceito. Eu não me contentaria com um emprego em um lugar sem critério, ainda que estivesse cercada de pessoas formadas em faculdades públicas. Quero estar necessariamente cercada de gente capaz de pensar e que tenha interesse em aprender sempre. O bom é que minha profissão possibilita exatamente isso. Mas isso tudo não serve como referência, porque é apenas a MINHA história. A menção só vale para que você tome conhecimento de que existem muitas histórias diferentes das que você está acostumada.
Carolina nao é a historia a qual estou acostumada: é a realidade. Nao vou no mercado com calculadora. E isto porque estou bem colocada no mercado. E isto devido a minha bagagem academica. Quanto a USP... bem sei que nem todos os cursos sao de 1a. linha. Letras, Psicologia, Economia e mais uma serie de cursos: nao aprovo. Em Economia, Administracao, por exemplo, dou preferencia a Fundacao Getulio Vargas: carissima (media mensalidade R$ 2500/ 3000,00). Alumni já passei por la. Meu pai que é americano já lecionou lá tambem. Sei que o semestre lá tambem é carissimo, mas infelizmente nao estamos falando aqui de 3o. grau. E na vida nao dá para contar com a sorte - como o fez Roberto JUstus, por exemplo - que cursou Mackenzie e hoje é o que é. Mas observemos a estrutura que está por trás dele. Familia já abastada. Se voce nao pode contar com este diferencial, o minimo que deve fazer é almejar sempre o melhor. Nao se contentar com o mediocre.
Com relacao a criar filhos sob pressao: voce acertou. Sim, eu os faço. E faço porque os filhos que conheco que nao sao criados de tais forma se desvirtuam. Ou se contentam com estes cursos meia boca. Se transformam em adultos acomodados que correm atrás de pensao. Se tornam pessoas que vivem com o basico. Nao quero o basico para meus filhos. Quero que eles consigam ter a mesma vida que os proporciono sem eu e meu marido estar por perto.
Com relacao a Unesp: é minha 3a. opcao. Nao me agrada muito. Pois quem nao é capaz de passar nas melhores faculdades de SP- capital, acaba optando pela Unesp. OU seja, a Unesp é o resto. A ultima escolha.
E Carolina, nao baseie suas pesquisas em 1 caso e sim na maioria. Um caso que fez PUC e se deu bem na vida. Se bem que "se dar bem na vida" pode ser verdade para ele e nao para mim. Um valor X de salario pode contentar uns e desagradar outros. Conheco tambem muitos profissionais provindos da PUC, Mackenzie e ate Faculdade de Medicina do ABC (o medico David Uip) que sao espetaculares. Mas nem todos temos a mesma sorte. Quem opta pelo caminho mais facil (vestibular mais facil/ pagou entrou) viverá a vida mais dificil. Continhas para passar o mes. Privacao. Etc... é tudo uma escolha. E eu acredito que todos somos capazes de cursar uma USP ou Unicamp. É questao de dedicacao e esforço.
E encerro aqui meu bate boca com voce - sem objetivo algum. Voce é nova e amanha voce conclui se valeu a pena fazer apenas o cursinho da Alumni. Se vale a pena ser como a grande massa dos brasileiros. Quem é bom de dar desculpas, nao é bom em mais nada. Até mais.
Primeiramente, gostaria de dizer que achei bem interessante o quanto você precisou mudar seu discurso no decorrer da discussão, para adequar sua ideia inflexível aos fatos e argumentos que fui apresentando. Nem parece a mesma pessoa que respondeu ao tópico lá em cima.
Realmente, não sei se esta discussão vai chegar a algum lugar. Nossas noções e prioridades são muito diferentes. Você é apegada a ideias que considero superficiais e pouco elaboradas. É tão alienada que tomou como verdade absoluta, por exemplo, que minha única formação é a da Alumni, que se trata do “cursinho” que você conhece, e que a escolha de ser tradutora não vale a pena. Eu já havia dito, mas seu preconceito não permitiu que você assimilasse, que tenho outras duas formações, sendo uma delas na USP (que você provavelmente não aprova, porque escolhi para aprender e talvez aplicar como tradutora, e não para trabalhar na área). A Alumni eu fiz por minha conta, alguns anos depois de formada nos outros dois cursos que concluí com a ajuda dos meus pais. Caro? Isso é relativo. Minha profissão (tão inferior e reprovável) permitiu que eu pagasse tranquilamente. E valeu cada centavo. Nenhuma faculdade teria me oferecido o que aprendi lá, de forma que não faz diferença se é ou não 3º grau. Não me prendo a conceitos duros que podem ser facilmente rebatidos por fatos. Minha meta não é obter títulos, mas competência. Ah, e acho pouco provável que o "cursinho" pelo qual você passou na Alumni seja o de tradutores/intérpretes. A ignorância é mesmo atrevida...
De fato, eu ainda sou nova (nem tanto, mas com certeza mais nova que você), mas isso não me desqualifica de forma alguma. Pelo contrário: já alcancei bastante coisa. A única época em que precisei economizar para pagar contas foi justamente no começo da faculdade, quando optei por me manter sozinha. Mas nessa época eu estava apenas começando na profissão, e hoje vejo que foi até bom as coisas terem sido assim. Sei o quanto é importante sair da casa dos pais para se tornar independente. Estudar em faculdade gratuita é muito pouco para gerar independência. Manter e administrar a própria casa, além de ter que regular o próprio dinheiro, foi muito mais importante. Mas como meus pais não fizeram minhas escolhas para mim, não tem como eu ser independente, né? Muito coerente isso.
Ademais, as pessoas costumam se assustar ao descobrirem quanto ganha um tradutor/intérprete bem-sucedido. Apesar de antiga, é uma profissão pouco conhecida. Poucos sabem em que consiste efetivamente, e muitos se acham capazes de fazer por conta própria qualquer tradução de qualquer área, só por estarem familiarizados com o idioma. O fato é que levo uma vida bem confortável, mas existem tradutores mais experientes, com carreiras bem mais longas que a minha, que ganham muito mais. Alguns são tradutores públicos, outros não. Alguns nem faculdade fizeram, e traduzem livros dos maiores escritores do planeta. Outros estudaram áreas diferentes, e trabalham com tradução técnica. Então, é muito pouco provável que eu me arrependa da minha escolha no futuro, mesmo se tivesse feito apenas o curso do Alumni, que de "massa" não tem nada, já que pouquíssima gente consegue passar pelo processo seletivo e concluir o curso com bom desempenho. Além disso, já estou há vários anos na profissão e, desde que comecei, o retorno tem sido cada vez melhor. E não pense que vivo apenas com o básico (apesar de já ter vivido, por opção, e ter sido feliz com a minha escolha). Meus pais são médicos e sempre puderam me proporcionar muita coisa, e posso te garantir que hoje não me falta nada. Ao contrário, depois que me estabilizei na profissão, passei a me dar a alguns luxos que não me permitia quando dependia deles. Além disso, como sou autônoma, tenho horários flexíveis e sou eu que decido quando quero trabalhar. Esse esquema alternativo permite que eu não trabalhe às sextas-feiras, quando quero viajar; que eu tire alguns dias de folga, se trabalhar demais em algum evento; e até que eu me mude de país e não perca o “emprego”, pois posso trabalhar em qualquer lugar que tenha internet. Ou seja, proporciona qualidade de vida.
A questão financeira realmente não é o único ponto favorável da minha profissão. Tenho a possibilidade diária de aprender muito, porque boa parte do meu trabalho consiste em pesquisa. Você diz que também considera o aprendizado importante, mas estamos falando de coisas diferentes. Não vejo o aprendizado apenas como um fim. Para mim, não se trata apenas de estudar para ganhar dinheiro, mas de estudar para aprender. Sendo assim, eu jamais limitaria meus estudos a cursos com alto potencial de retorno financeiro. Mas, talvez por ser de fato boa no que faço, ter acumulado conhecimento (minhas outras formações me permitem fazer traduções especializadas) e ter sabido aproveitar as oportunidades, acabei tendo êxito nesse sentido também.
Saiba também que minhas conclusões não são pautadas em 1 único caso. Conheço muitos outros defensores, promotores, juízes, delegados federais etc. formados por boas faculdades particulares. Conheço também jornalistas (Cásper Líbero), médicos (de diversas universidades), publicitários (ESPM) muito bem-sucedidos. Então, para algumas pessoas, o diploma de faculdade pública pode ser fundamental para uma boa colocação, pois pode representar o único diferencial. Para outras, a falta dele não dificulta o sucesso.
O fato é que é irrelevante se sua profissão é mais ou menos rentável que a minha, ou se acha o salário de defensor público pouco satisfatório (apesar de isso ter soado como mais uma tentativa de desmerecer o sucesso alheio). Por dois motivos: primeiro, nem todo mundo considera a remuneração o fator principal na escolha profissional, de forma que o sucesso não é medido unicamente por ela. Segundo, e mais importante, cada vez mais tenho certeza de que dinheiro não é fator determinante para se considerar alguém parte da massa ou não. Honestamente, você é o típico exemplo da massa ignorante, para quem o importante na vida é ganhar mais que o vizinho e ser chamado de doutor. Tenho pena dos seus filhos, obrigados a escolher entre meia dúzia de carreiras e a restringir todo o seu potencial a isso, em função da insegurança e futilidade da mãe. Ainda que alcancem o sucesso financeiro que você almeja, dificilmente se tornarão indivíduos realmente independentes e satisfeitos. A menos que recorram ao recalque e passem a diminuir as conquistas dos outros, para conseguirem lidar com a própria frustração. Bom, parafraseando você, eles ainda são novos (bem mais do que eu) e amanhã concluirão se valeu a pena.
Sinta-se à vontade para não responder e para continuar pressionando seus filhos a não se contentarem com o pouco que pessoas desvirtuadas como eu se contentam. Vai que eles optam pelo caminho fácil que eu optei e acabam tendo essa vida difícil e cheia de privações que levo hoje em dia, né?
Moderação, sinta-se à vontade para me banir, se julgar necessário. Já expus minha vida mais do que deveria, tentando tirar leite de pedra.
Primeiramente, gostaria de dizer que achei bem interessante o quanto você precisou mudar seu discurso no decorrer da discussão, para adequar sua ideia inflexível aos fatos e argumentos que fui apresentando. Nem parece a mesma pessoa que respondeu ao tópico lá em cima.
Realmente, não sei se esta discussão vai chegar a algum lugar. Nossas noções e prioridades são muito diferentes. Você é apegada a ideias que considero superficiais e pouco elaboradas. É tão alienada que tomou como verdade absoluta, por exemplo, que minha única formação é a da Alumni, que se trata do “cursinho” que você conhece, e que a escolha de ser tradutora não vale a pena. Eu já havia dito, mas seu preconceito não permitiu que você assimilasse, que tenho outras duas formações, sendo uma delas na USP (que você provavelmente não aprova, porque escolhi para aprender e talvez aplicar como tradutora, e não para trabalhar na área). A Alumni eu fiz por minha conta, alguns anos depois de formada nos outros dois cursos que concluí com a ajuda dos meus pais. Caro? Isso é relativo. Minha profissão (tão inferior e reprovável) permitiu que eu pagasse tranquilamente. E valeu cada centavo. Nenhuma faculdade teria me oferecido o que aprendi lá, de forma que não faz diferença se é ou não 3º grau. Não me prendo a conceitos duros que podem ser facilmente rebatidos por fatos. Minha meta não é obter títulos, mas competência. Ah, e acho pouco provável que o "cursinho" pelo qual você passou na Alumni seja o de tradutores/intérpretes. A ignorância é mesmo atrevida...
De fato, eu ainda sou nova (nem tanto, mas com certeza mais nova que você), mas isso não me desqualifica de forma alguma. Pelo contrário: já alcancei bastante coisa. A única época em que precisei economizar para pagar contas foi justamente no começo da faculdade, quando optei por me manter sozinha. Mas nessa época eu estava apenas começando na profissão, e hoje vejo que foi até bom as coisas terem sido assim. Sei o quanto é importante sair da casa dos pais para se tornar independente. Estudar em faculdade gratuita é muito pouco para gerar independência. Manter e administrar a própria casa, além de ter que regular o próprio dinheiro, foi muito mais importante. Mas como meus pais não fizeram minhas escolhas para mim, não tem como eu ser independente, né? Muito coerente isso.
Ademais, as pessoas costumam se assustar ao descobrirem quanto ganha um tradutor/intérprete bem-sucedido. Apesar de antiga, é uma profissão pouco conhecida. Poucos sabem em que consiste efetivamente, e muitos se acham capazes de fazer por conta própria qualquer tradução de qualquer área, só por estarem familiarizados com o idioma. O fato é que levo uma vida bem confortável, mas existem tradutores mais experientes, com carreiras bem mais longas que a minha, que ganham muito mais. Alguns são tradutores públicos, outros não. Alguns nem faculdade fizeram, e traduzem livros dos maiores escritores do planeta. Outros estudaram áreas diferentes, e trabalham com tradução técnica. Então, é muito pouco provável que eu me arrependa da minha escolha no futuro, mesmo se tivesse feito apenas o curso do Alumni, que de "massa" não tem nada, já que pouquíssima gente consegue passar pelo processo seletivo e concluir o curso com bom desempenho. Além disso, já estou há vários anos na profissão e, desde que comecei, o retorno tem sido cada vez melhor. E não pense que vivo apenas com o básico (apesar de já ter vivido, por opção, e ter sido feliz com a minha escolha). Meus pais são médicos e sempre puderam me proporcionar muita coisa, e posso te garantir que hoje não me falta nada. Ao contrário, depois que me estabilizei na profissão, passei a me dar a alguns luxos que não me permitia quando dependia deles. Além disso, como sou autônoma, tenho horários flexíveis e sou eu que decido quando quero trabalhar. Esse esquema alternativo permite que eu não trabalhe às sextas-feiras, quando quero viajar; que eu tire alguns dias de folga, se trabalhar demais em algum evento; e até que eu me mude de país e não perca o “emprego”, pois posso trabalhar em qualquer lugar que tenha internet. Ou seja, proporciona qualidade de vida.
A questão financeira realmente não é o único ponto favorável da minha profissão. Tenho a possibilidade diária de aprender muito, porque boa parte do meu trabalho consiste em pesquisa. Você diz que também considera o aprendizado importante, mas estamos falando de coisas diferentes. Não vejo o aprendizado apenas como um fim. Para mim, não se trata apenas de estudar para ganhar dinheiro, mas de estudar para aprender. Sendo assim, eu jamais limitaria meus estudos a cursos com alto potencial de retorno financeiro. Mas, talvez por ser de fato boa no que faço, ter acumulado conhecimento (minhas outras formações me permitem fazer traduções especializadas) e ter sabido aproveitar as oportunidades, acabei tendo êxito nesse sentido também.
Saiba também que minhas conclusões não são pautadas em 1 único caso. Conheço muitos outros defensores, promotores, juízes, delegados federais etc. formados por boas faculdades particulares. Conheço também jornalistas (Cásper Líbero), médicos (de diversas universidades), publicitários (ESPM) muito bem-sucedidos. Então, para algumas pessoas, o diploma de faculdade pública pode ser fundamental para uma boa colocação, pois pode representar o único diferencial. Para outras, a falta dele não dificulta o sucesso.
O fato é que é irrelevante se sua profissão é mais ou menos rentável que a minha, ou se acha o salário de defensor público pouco satisfatório (apesar de isso ter soado como mais uma tentativa de desmerecer o sucesso alheio). Por dois motivos: primeiro, nem todo mundo considera a remuneração o fator principal na escolha profissional, de forma que o sucesso não é medido unicamente por ela. Segundo, e mais importante, cada vez mais tenho certeza de que dinheiro não é fator determinante para se considerar alguém parte da massa ou não. Honestamente, você é o típico exemplo da massa ignorante, para quem o importante na vida é ganhar mais que o vizinho e ser chamado de doutor. Tenho pena dos seus filhos, obrigados a escolher entre meia dúzia de carreiras e a restringir todo o seu potencial a isso, em função da insegurança e futilidade da mãe. Ainda que alcancem o sucesso financeiro que você almeja, dificilmente se tornarão indivíduos realmente independentes e satisfeitos. A menos que recorram ao recalque e passem a diminuir as conquistas dos outros, para conseguirem lidar com a própria frustração. Bom, parafraseando você, eles ainda são novos (bem mais do que eu) e amanhã concluirão se valeu a pena.
Sinta-se à vontade para não responder e para continuar pressionando seus filhos a não se contentarem com o pouco que pessoas desvirtuadas como eu se contentam. Vai que eles optam pelo caminho fácil que eu optei e acabam tendo essa vida difícil e cheia de privações que levo hoje em dia, né?
Moderação, sinta-se à vontade para me banir, se julgar necessário. Já expus minha vida mais do que deveria, tentando tirar leite de pedra.