Direito de Greve
Dispõe o artigo 15 da Lei 7.783/89 (exercício do direito de greve) que
"A responsabilidade pelos atos praticados, ilícitos ou crimes cometidos, no curso da greve, será apurada, conforme o caso, segundo a legislação trabalhista, civil ou penal."
Portanto, referida responsabilidade, pacífica no Direito Comparado, foi plenamente acolhida por nosso ordenamento.
Conforme ensina Arnaldo Sussekind (in Instituições, 19. Ed., pág. 1258), "a responsabilidade pecuniária do sindicato tem sido acolhida, ainda que modestamente, pela jurisprudência, seja a propósito da promoção de uma greve política, seja quando o sindicato dirige uma greve sem respeitar as cláusulas contidas numa convenção coletiva ..."
Pois bem, até que ponto a "greve de ônibus" levada à efeito esta semana, em São Paulo, que prejudicou sobremaneira a população paulista, bloqueando todas as ruas do Centro, impedindo locomoção de milhões de pessoas, não foi política? A par das reinvindicações (verídicas, aliás, como, por exemplo salários em 13º atrasados)teria sido proposital a supressão dos direitos dos trabalhadores, justamente para elevar o preço da passagem? De outra parte, teria legitimidade a respectiva entidade sindical, em prol de determinada categoria profissional, prejudicar a população como um todo? A greve não poderia ter sido conduzida de outra forma? Tratou-se de greve ou lockout? A imprensa divulgou hoje pela manhã que o aumento da passagem de ônibus será indigesto ...
Recentemente, o sindicato de uma determinada categoria profissional, aqui em São Paulo, sofreu pesada multa (algo em torno de R$ 200.000,00) por ter fechado apenas uma rua, de modo que já há precedente para se responsabilizar o sindicato por atos que possam causar prejuízo a outrem (no caso, toda a população de São Paulo). É verdade, que, no âmbito estritamente trabalhista, o TRT julgou não abusiva a paralisação, todavia, não foi respeitado, a meu ver (já que a paralisação foi total) o artigo 11 da Lei 7.783/89:
Nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade
Parágrafo único. São necessidades inadiáveis da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em pergio iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população"
De toda sorte, não há como negar que estamos diante de dupla faceta; se por um lado, a citada greve prejudicou a sociedade, de que instrumento poderia o sindicato se utilizar para fazer valer as reivindicações dos trabalhadores?
Taí, problema de difícil solução.
Marcos Fernandes Gonçalves !
Parece claro que há, efetivamente, uma AÇÃO DOLOSA dos empresários, não pagando a primeira parcela do 13 salário e, com isso, insuflando uma GREVE (não esquecer que o Sindicato é filiado à FORÇA SINDICAL que sempre está do lado dos poderosos)
A questão não deveria ser entregue à iniciativa do MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO (?) que passa o ano lançando cotas inocuas nos processos trabalhistas, com uma produção deficientíssima ?
Mas de se perguntar: teria o MP condições de PROVAR essa ação dolosa, isolando-a da postulação justa dos trabalhadores e IMPOR multa ao Sindicato e á FORÇA SINDICAL?
Não sei. Sou só uma estagiária de direito.
Com a palavra os ilustres e brilhantes participantes deste Sítio.
ILSE MARIA
Você lembrou bem a respeito da atuação do Ministério Público do Trabalho, que, na hipótese considerada, sem dúvida, é de sua competência a propositura de demanda visando resarcir prejuízos de terceiros, por força de greve.
A propósito, a atuação do MP do Trabalho foi ampliada, e muito, por força da Lei Complementar 75/93, de tal sorte que suas atividades (ainda bem) não têm se limitado a pareceres circunstaciados. É verdade que no problema posto poder-se-ia discurtir a respeito de a competência, in casu, ser da Estadual (cível) ou do Trabalho; particularmente entendo que é Trabalhista mesmo, mas há controvérsias.
O artigo 83 da Lei Complementar 75/93 trata da competência do MP do Trabalho; são treze incisos, portanto suscito à internauta consultar (vale à pena) especialmente incisos I a V.
Interessante atuação do MP do Trabalho é na "Ação Civil Pública Trabalhista", tratando de direitos difusos (por ex., o caso ora em debate, ou seja, garantia, na greve, de mínimo de atividade nos serviços essenciais; o FGTS é outro exemplo, já que sua finalidade, "a posteriori", é o financiamento de casas populares, para toda sociedade, então); direitos coletivos (transindividuais de natureza indivisível; ex.: falta de recolhimento de FGTS p/ determinada categoria, terceirização fraudulenta, gatoperativa, não observância de condições ambientais de trabalho, etc.); individuais homogêneos, ex.: admissão em massa de trabalhadores obrigados a assinar "papéis em branco"; não estou esgotando exemplos, pois são diversas situações em que o MP do Trabalho, atualmente, pode atuar.
Da nobre atuação do MP do Trabalho, a que mais me chamou à atenção, ultimamente, foi a instauração de inquérito civil (trabalhista) público (e posterior ação) em face de determinadas empresas que não respeitam cota mínima de admissão de empregados portadores de deficiência física, proporcionalmente ao número de trabalhadores contratados.
Saudações
E.T.: esqueça o "sou apenas uma estagiária ..."; considero-me eterno aprendiz; gosto sempre de lembrar um milenar provérbio chînês: "aquele que sabe não fala; aquele fala não sabe .. "; precisa dizer mais?
Prezado Marcos,
Como sempre você coloca em debate temas que permitem a participação de "leigos" como eu, que não atuam na área trabalhistas, e de estagiários, como a brilhante colega Ilse Edinger. A colega Ilse demonstra plena capacidade, embora se diga "só uma estagiária de direito".
Discutir esse assunto com a CLT aberta sobre a mesa é um grande erro.
Não acompanhei com profundidade a greve deflagrada em SP e tinha dúvidas de quem a liderava. A colega Ilse lembrou que a "liderança" foi exercida pela "Força Sindical". Ora, não precisa dizer mais nada.
Esta greve não foi diferente de tantas outras que ocorreram pelo Brasil, inclusive no Rio por diversas vezes. Os donos de empresas de ônibus estão habituados a tal prática. Lamento que os trabalhadores ainda não tenham percebido e se comportem como "prostitutas" (nada tenho contra as prostitutas). O "cafetão", sem dúvidas, é a Força Sindical.
A Prefeita foi posta num beco sem saída, principalmente porque, assim como os trabalhadores em greve, a população não vê o que está ocorrendo por detrás dos bastidores da greve.
Não aumentando o valor da passagem a greve continua e a população abandonada se revolta com o governo. Dando o aumento a greve termina, mas a população fica irritada com o aumento autorizado pelo governo.
Já que o governo sairá queimado, por que não desapropriar as empresas de ônibus e, após algum tempo, licitar para voltar às mãos do particular?
GOSTARIA DE SABER A OPINIÃO DE TODOS QUE "CLICAREM" SOBRE O TEMA PROPOSTO PELO COLEGA, MORMENTE QUANTO A ATUAÇÃO DA FORÇA SINDICAL.
SDS.
Fernando
Fernando
Sem dúvida, a Prefeita, na mencionada greve, ficou numa "sinuca de bico"; doce contradição ... quando a Cia. de Transportes Coletivos, aqui, foi privatizada (ironicamente iniciada pelo PT, e concluída pelo Maluf), gritou-se, por todos os cantos, que a situação iria melhorar e que as greves iriam acabar ... taí! Não só piorou o transporte coletivo, como as greves aumentaram ...! "Divina comédia humana ..."
E mais, na privativação, todos os bens daquela Cia. (na verdade, do povo, pois a empresa era Municipal - economia mista, com 98% de "capital estatal") foram vendidos à "preço de banana" (sei disso, pois trabalhava lá), de modo que a lesão à população foi enorme. "Divina comédia humana ..."
Também penso que em determinadas áreas o Estado não deve intervir, porém, existem situações em que a iniciativa privada já provou que não tem competência para atender às necessidades da população; o engraçado é que os "neoliberais" só querem intervenção do Estado quando estão no prejuízo; lembra do Banco Econômico ...? o ACM adorou a intervenção no Banco ... Só para isso presta o Estado? Para socorrer empresário em dificuldades? "Divina comédia humana ..."
Na verdade, a Cia, a que me referi, foi criada nos anos 40, justamente porque a iniciativa privada, naquela época, tornou o transporte coletivo um caos. "Divina comédia humana ..."
Quanto à "Força" ... quem conhece o "Medeiros" conhecerá a "Força" ...; a trajetória dele o denuncia ...! "Divina comédia humana ..."
Bom, já que, para variar, fugi do tema (é que o espaço democrático para debates é tão pequeno nesse país, por isso aproveito), e falando de Prefeita, assisti recentemente uma entrevisa da "Bené", e fiquei chocado ao saber que ela foi "boicotada" por aquela "organização" que comanda os Morros, pois partiu dela, entre outras ações anti-criminosas, a instalação dos bloqueadores de celulares nas prisões; curiosamente, a parte da população carioca que não votou nela foi justamente a dos Morros; irônico, não? Parece-me que a maior parte do eleitorado que nela votou foi a que mais tem instrução; doce ironia ... "divina comédia humana ..."
Saudações
Prezado Marcos,
Uma senhora que trabalha para minha família, reside num morro carioca. Ela contou que havia ordens do tráfico para não votar na Benedita da Silva. Qualquer pessoa sabe que para cada ação há uma reação. O Rio de Janeiro, assim como os demais Estados da Federação, sempre fez a política de "boa vizinhança" com o tráfico. O bloqueador de selular foi apenas uma gota no oceano. Para saber o que realmente foi feito nesses últimos meses, não basta morar no Rio, precisa conhece-lo e conhecer a história da segurança pública no Estado. Para você ter uma idéia, a população das favelas jamais foi respeitada pelos traficantes ou pelo Estado. Na prisão do bandido "Elias Maluco", a polícia fez uma coisa nunca antes vista. Subiu o morro com mandados. Antes o mandado era um "coturno na porta".
Com a política implantada, eu sabia que a Benedita não teria votos suficientes, pois o combate a bandidagem não é "moeda eleitoral". Se ela tivesse feito um novo piscinão ou algo parecido, certamente teria chances. Um outro fator que que pesou do outro lado da balança, creio ter sido a sua "raça negra". Ainda somos muito preconceituosos e racistas.
Espero que você tenha assistido a entrevista do Coronel Braz no programa do Jô Soares.
Abraços.
Fernando.
Primeiro, como o colega comentou, a ordem dada pelo "tráfico", impedindo aos moradores dos morros de votarem na "Bené", só vem atestar o "Estado de antinomia" em que vive o RJ (assim como em algumas periferias de SP); nesses locais, o colega sabe, o "Estado de Direito" não tem qualquer ingerência, até porque o "Estado Paralelo" o substitui nas necessidades básicas da população. Assim, o "Poder oficial" não tem vez. Recentemente, assisti um documentário, elaborado por um sociólogo, que, agora, me foge o nome, dizendo que o "Poder do Tráfico" teve suas origens já no final dos anos 60, com seu apogeu nos 70/80; hoje, estão apenas "colhendo frutos". Daí, lembrei, "éramos felizes e não sabíamos", pois, melhor seria "conviver", já que a hipótese atual é a pior possível, com aquele "malandro" cantado nas letras de Noel Rosa* (o "Frankstein da Vila"), mais ligado, na verdade, à boemia do que qualquer outra coisa; a polícia, de vez em quando, dava umas "porretadas", botava os "malandros" (ingênuos até) para correr, e tudo acabava bem (estamos falando de anos 30/40/50); hoje, bem, hoje ...
Também penso que o execrável preconceito "racial" teve lá sua influência na rejeição à Benedita; aliás, semana passada, lancei, em outro "Forum" de debates, aqui no jus navigandi mesmo, (em "Direitos Fundamentais"), um tema que envolve a questão racial, mais especificamente sobre o "sistema de cotas nas Universidades".
*obs.: cultuo a Música Popular Brasileira de todos os tipos e épocas; a grandeza de um país, entre outras coisas, mede-se também pelo apreço à sua música popular.
SDS
Não posso deixar de comentar que Noel Rosa era um verdadeiro "Cronista Popular", assim como Adoniran Barbosa, aqui em SP (quer coisa mais "paulista" do que Adoniran?); é fácil se entender a sociedade brasileira da segunda metade do século passado, prestando atenção nas letras desses compositores (e de muitos outros também). Por sinal, aí no Rio, adoro a "verde e rosa" (verdadeiro celeiro dos maiores sambistas de todos os tempos). Também gosto da Portela, em razão do "Paulinho" e da "velha guarda da Portela", cujos "velhinhos" são um "show" à parte.
Abraço.
E.T.: Quando o Vinícios de Morais disse que "São Paulo é o Túmulo do samba", estava completamente bêbado, porém, levando em conta esses últimos grupos de "pag ..." (não quero nem pronunciar essa palavra), que surgiram por aqui (em SP que começou essa porcaria), não deixa de ter uma certa razão.
Prezado Marcos,
Creio que o sistema de "cotas em universidades para negros" é tão útil quanto o vale transporte ou ticket alimentação.
Espero um dia, se vivo estiver, escutar alguma criança perguntando: - Vovô, o que era o valte transporte?
Temos que nos transportar e nos alimentar com o nosso dinheiro, fazendo jus ao nosso trabalho.
O sitema de cotas nada mais é que uma defesa preconceituosa, ou seja, parece reconhecer a "inferioridade" do negro, o que não existe.
Minha pele é branca (a chamada branca azeda), mas o meu sangue é misto, assim como quase a totalidade dos brasileiros. Fico chateado quando vejo uma pessoa de pele negra usar uma camisa onde se lê: 100% NEGRO. Creio que isso não exista.
SDS.
Fernando
Prezado Marcos,
Você parece não ter jeito mesmo. Muda sempre de assunto. Estamos num forum trabalhista discutindo "MPB".
Você tocou num ponto fraco. Embora tenha apenas 39 anos, um garoto ainda, fui criado ouvindo músicas antigas (Noel, Adoniran, Dircinha Batista, Ataulfo Alves, Moringueira etc.).
Sou, no samba, Império Serrano e meu filho de 11 anos Mangueirense doente. Todavia, gosto de todas as escolas, inclusive de Sampa, onde fui bem recebido. Por ser ritmista, tendo tocado agogô de 4 bocas por duas vezes no Império, várias vezes na Tradição e em outras escolas, fui recebido na "Camisa verde" e "Rosa de Ouro" com todas as honras.
O Império Serrano é, embora com todas as dificuldades, a escola que mais contribuiu com composições, tendo em seu seio os compositores "Beto sem braço", "Silas de Oliveira" entre outros.
Você se negou a escrever a palavra "pagode". Na verdade esses grupos que surgem não são de pagode, mas de "pagode music". Pagode de verdade é o do Noca da Portela, do Zeca Pagodinho etc.
O Alexandre Pires está para o pagode, assim como o Medeiros está para o sindicalismo.
SDS.
Fernando
Fernando
O colega tem razão, eu não tenho jeito mesmo!!! Ocorre que aprecio todo tipo de manifestação cultural; sempre me interessei pelos mais diversos assuntos; esforço-me para tentar ser "multicultural" (para combater o tal "multimídia"); de qualquer forma, vou tentar me conter, certo? Até mesmo para não importunar outras pessoas.
Na verdade, para não dizer que "não falei das flores ..." (sou muito "musical", não tem jeito; é meu hobby predileto; sou colecionador de CD's, inclusive), separei alguns temas estritamente jurídicos para lançar aqui no mural, desde a semana passada, só ainda não os incluí, por pura falta de tempo (esta semana ficamos entupidos de audiências). Tem um tema, inclusive, envolvendo não só Direito Processual do Trabalho mas, também, Processo Civil (sobre embargos declaratórios), que lançarei no mural "Processo do Trabalho", nesse mesmo Jus Navigandi.
Entretanto, não resisto à tentação de não me furtar ao comentário sobre música. Ontem mesmo, debatendo com o colega Oswaldo Rodrigues, no mural "Direitos Fundamentais", aqui no Jus Navigandi, sobre aquela questão de cotas p/ "afro-descendentes", eu trouxe à baila, outra vez, o tema "música" (especificamente jazz, que é uma das minhas paixões), em que discutíamos a problemática do racismo.
Para não perder o costume, digo ao colega que, por sorte, desde pequeno, convivi com o "samba"; nasci e fui criado na região da Escola de Samba "Nenê de Vila Matilde", uma das mais tradicionais de São Paulo (o "Seu Nenê", outro dia, comentava que, na criação da Escola, foi influenciado por uma visita da Portela, aqui, em São Paulo nos anos 40; as cores, inclusive, são as mesmas); após os tradicionais desfiles na Avenida, a Nenê também desfilava no bairro, e eu, pequenino, ainda, assistia tudo; também tive Tios "músicos", um, inclusive, morou muito tempo na tua Cidade (anos 50), e, claro, trouxe influências sambistas para nossa família. E eu, como sempre, assistia tudo.
Gosto de todo tipo de música; difícil ter um estilo que eu não goste; mas, falando em samba (o termo "pagode", no sentido musical, salvo engano, foi "reinventado" no "Cacique de Ramos", pelo Jorge e a turma do Fundo de Quintal, não é isso mesmo?), digo que gosto do samba mais tradicional, afora aqueles antigos que o colega mencionou, Martinho, Beth, Paulinho, Jorge Aragão, etc. Gosto também do Zeca, claro.
Mas adoro mesmo as músicas do Bezerra; mês retrasado comprei o CD dele "ao vivo", que está maravilhoso, super bem produzido; você consegue ouvir nitidamente todos os instrumentos (sou exigente nesse aspecto); fazia tempo que não ouvia um CD de samba tão bem produzido. Foi gravado na Rocinha.
O Bezerra já estava na "trincheira" da crítica social muito antes dos rappers, e de muitos compositores da MPB tradicional; o Bezerra é "10"!!!!! Aquela música do "ao vivo", "Leonardo dá Vinte" é simplesmente maravilhosa; é uma "puta" crítica social! Há muito preconceito com a música do Bezzerra; ele foi mal interpretado; ao contrário do que muitos pensam, não há, nas letras, "apologia à malandragem"; ao contrário, mostram apenas a realidade; basta prestar atenção nas letras. Precisa ter bom senso para entender isso.
Saudações (acho que serei expulso desse mural)
E.T.: ficou claro que sou "torcedor" da Nenê, certo? Também ficou claro que aprecio "Partido Alto", certo? Abraço.
Fernando
Você, oportunamente, lembrou bem do Vale Transporte; esses dias, eu estava refletindo sobre o assunto; tenho observado que, aqui, em São Paulo, muitas empresas deixam de contratar pessoas que residem em locais muito distantes, pois custear tal benefício não seria compensador; aqui em SP tudo é muito distante; a maioria das pessoas se utiliza de quatro conduções por dia; o que fazer?
Eu conversava com uma pessoa outro dia, que me dizia ter sido obrigada a dizer ao selecionador de uma empresa, que o estava contratando, que se utilizava de apenas duas conduções por dia, sendo que, na verdade, usava quatro; não deu outra, foi contratado.
Sobre o racismo (estamos debatendo esse tema no mural "Direitos Fundamentais"), também acho um total absurdo essa coisa de "100% negro" nas camisas; um colega, advogado, comentava comigo que achava absurdo essa coisa de "comissão do negro na OAB", comissão do negro não sei de onde ..., movimento da negritude, etc.; ele dizia, e eu concordo, que essa coisa de "setorizar" só serve mesmo para separar, discriminar, ainda mais; detalhe: ele é advogado e da raça negra. Achei muito interessante essa posição do colega, radical e diferente ao mesmo tempo; precisa ter "peito" para se dizer uma coisa dessa.
Saudações
Somos da mesma geração. Faço 37 anos fevereiro próximo; um "menino", claro.
O Jorge Aragão disse outro dia que, na verdade, são as gravadores que "obrigam" àqueles grupinhos de pagode dançarem tudo certinho, ensaiadinho, com passinhos iguais, aquela besteira toda. Outro dia, "dançaram" num programa de TV, de cuecas! Pode um negócio desse? É muito besteirol para minha cabeça; tudo isso, só para vender mais, pois, daquela forma, agradam o "povão"; ele dizia que as gravadoras também determinam que usem calças justas para agradar as "menininhas", etc. Não duvido que isso seja verdade. Agora, cá pra nós, a qualidade musical daqueles grupinhos é inexistente; são uns indigentes musicais (desculpe-me quem goste).
SDS (definitivamente, serei expulso desse mural) Abraço.
Prezado Marcos,
Tenho certeza que a "dança da cueca" não foi no canal da TV Educativa (no Rio canal 2). Nos outros canais tudo pode acontecer. Enviei um e-mail ao canal 2 parabenizando-os pela programação. Não sei se em SP é exibido um programa que, no Rio, vai ao ar as quintas-feiras, o "Direito em Debate". Muitíssimo bom. Tem o apoio da OAB/RJ.
Creio que a inclusão do "Ratinho", do "Faustão", do "Gugu" etc., seja para nos forçar a fazer uma assinatura de canal pago. O "Jô" se tornou uma b... Para você ter idéia da gravidade, o programa "Superpop" é o menos ruim.
As gravadoras têm razão ao dizer que esses tipos de "músicas", onde os "intérpretes" cantam com o saco escrotal apertado pela calça justa(creio que seja por isso que eles não consigam falar direito) é que agradam o "povão". O mesmo "povão" que se encanta com o "piscinão de ramos" e outras moedas eleitorais.
Eu estou com problemas no meu computador em casa, por isso tenho demorado nas respostas.
Um abraço.
Fernando
Fernando
Te enviei uma mensagem antes, não sei se chegou, pois meu computador está dando "pau"; de qualquer forma, reitero meus sinceros votos de feliz natal e próspero ano novo para o colega e família.
O colega já deve ter percebido que, ao menos para os tradicionais padrões paulistas, não só lá um advogado muito normal; de qualquer forma, sou apaixonado pela profissão e levo muito à sério meu trabalho (até demais); gosto muito de estudar o Direito também; entretanto, não sou bitolado, a advocacia (e o Direito em si) é apenas um meio de vida para mim; como já disse em outra oportunidade, interesso-me por todos os assuntos, coisas e pessoas; sem querer fazer filosofia barata, nossa passagem por esta vida é muito rápida, por isso devemos aproveitá-la bem; por essas e outras costumo dizer que gosto de ver o mundo em cores e não em preto branco; existe coisa mais importante do que a amizade? Seu eu quisesse, sem falsa modéstia, poderia ficar discutindo aqui, no mural, questões estritamente jurídicas de alta indagação, mas ... pra quê? Juro que prescindo disso, salvo se eu for provocado.
O JN ficará livre de mim por uns tempos, pois estou saindo de férias (merecidas; estou estressado) e só volto em meados de janeiro; essa semana foi terrível; ontem mesmo passei a tarde toda correndo atrás de uma liminar numa cautelar de arresto que tive de elaborar em cima da hora; é de um reclamante cliente meu, um cozinheiro de tradicional restaurante de SP (mais de 100 anos no mercado) que baixou as portas e não tem mais dinheiro, bens, nem o estabelecimento; por sorte, descobri um crédito de um dos sócios do restaurante, bem como três apartamentos, daí, entrei com a cautelar (consegui a liminar, despois de muita briga); a desconsideração da personalidade jurídica da empresa, em Direito do Trabalho, é tranquilíssima; o reclamante está a 9 meses sem receber salário (só recebia picados), nem recebeu qualquer verba rescisória; não é terrível?
Abraço, e até logo mais.
Marcos
Leia-se "depois", onde escrevi, sem querer, despois; imagine: último dia da JT (só volta em 7/01), e eu, com a maior cara-de-pau, chego para o juiz, que estava na Vara só de passagem, faltando 5m para fechar o forum, peço uma liminar; o diretor da secretaria não queria nem deixar eu sequer falar com o juiz; eu não quis nem saber, entrei com tudo; e consegui a liminar, concedida "em parte", é verdade, mas que consegui, consegui;tudo pelo cliente; e o que é pior: o cliente jamais reconhece ...; "o cliente é o pior inimigo do advogado".
Abraço
Sobre o tópico "racismo", além das cotas para negros na Universidades e das camisetas onde lê-se "100% negro", temos ainda a maior mostra do preconceito do negro em relação aos ditos "brancos": a revista "Raça". Se alguma revista de marca notória deixa de colocar modelos negros é dita racista. Há, até mesmo, cotas obrigatórias para negros em filmes, novelas e minisséries brasileiras... Lembrando ainda que, caso um negro seja chamado de "preto" é considerado rascismo, mas se sou chamada de "alemoa" é apenas um apelido.