MOSTRAR ALGUMAS REALIDADES DA VIDA DE UM ADVOGADO

A realidade por trás da advocacia

1.Direito

Direito se  define como o que segue a lei e os bons costumes, justo, correto, honesto, o senso comum, as normas morais e éticas.

2.Como definir a palavra advogar.

Advogar é defender (alguém ou alguma causa) em juízo ou fora dele.

advogado representa e fala em nome de seus clientes em diversas situações, sejam eles empresas, pessoas ou entidades.

Seu objetivo é zelar pela manutenção e integridade de bens e direitos, preservando interesses individuais e coletivos, dentro dos princípios éticos que regem a profissão.

Entre suas principais funções estão:

  • Propor ou contestar ações;
  • Solicitar providências junto ao magistrado ou ao Ministério Público;
  • Avaliar provas documentais e orais;
  • Realizar audiências trabalhistas, penais comuns e cíveis;
  • Instruir seu cliente e atuar no tribunal do júri.
  • Extrajudicialmente, pode mediar questões, contribuir na elaboração de projetos de lei, assessorar negociações internacionais e nacionais e, também, analisar, atualizar e implementar diferentes tipos de legislação.

Embora o curso de Direito seja um dos mais buscados entre os universitários, o mercado de trabalho continua oferecendo boas oportunidades para os formados. Há uma grande variedade opções, incluindo os CONCURSOS PUBLICOS, que são excelentes áreas a serem seguidas bastando força de vontade e muito estudo para conseguir passar nas provas.  

Mas estou aqui para falar da realidade por trás de exercer a advocacia.

3. A realidade por trás de um Advogado.

  Existem muitas histórias, não vou conseguir expor todas.

Advogar não é tão simples quanto parece.

O advogado pode ficar o dia todo no escritório esperando o cliente chegar, poucos atendem com hora marcada, até porque não se trata de consulta e sim, de um tira dúvidas. Algumas  vezes o cliente marca hora e não vai, e o advogado perde tempo e energia esperando.

No geral, o cliente chega no seu escritório e pergunta a “Dra tá ai?”, “porque eu queria tirar um dúvida”.

O advogado muitas vezes é confundido com psicólogo ou terapeuta. Mesmo assim ele escuta e quando ajuda a resolver o problema do cliente, em muitas situações, ele pode ir embora sem perguntar o preço, e nem sempre espere um muito obrigado. Muitos se assustam se cobrados e alegam que por estarem desprovidos naquele momento pagarão depois, o que pode nunca mais acontecer.

Tem aquele cliente que te liga várias vezes em horários impróprios e por serem bem tratados, vão no seu escritório para formalizar o serviço.  Quando descobrem que terão que pagar, caem fora sem pestanejar.

Ainda tem aquele que bate na porta da sua casa na hora do almoço, do jantar, à noite, só para tirar uma dúvida.

Para o cliente o advogado é um ser esclarecedor de dúvidas que está ali a sua disposição. Para o advogado são 5 anos de faculdade, especializações,  pós graduações, e o resto da vida estudando, sem muitas vezes um “quanto custou seu serviço”. O profissional tem que adquirir habilidades de assertividade e muita clareza. Deixando claro que seu serviço tem um valor e que não é gratuito.

Não estou falando que todos os clientes são assim. Ao longo dos anos vamos conquistado uma clientela em nosso escritório. Sua habilidade e expertise na área vão conquistar muitos clientes pagantes.

Advogado legal tira a dúvida no mercado, no dentista, na cabeleireira e até numa viagem de lazer. A pessoa pergunta qual sua profissão, aí vem aquela famosa perguntinha, “posso tirar uma dúvida”? Mesmo que você a oriente a lhe procurar no escritório ele pode falar, “é rapidinho…”

Quem trabalha para o Estado,  primeiro tem  que atender  gratuitamente  na triagem, para ver quem tem direito,  depois quando é nomeado  pelo Estado a atender uma  daquelas pessoas, fica  exposto a  pessoa desistir, antes  do termino da ação  e você  pode perder seu serviço sem qualquer custo, ficar sujeito  que a pessoa contrate um outro advogado particular,  porque existe  uma  lenda que  pelo  Estado é mais demorado,  e você perde seu honorários. Nesse momento seu cliente arruma uma forma de pagar, mesmo tendo se declarado impossibilitado na triagem.

E no direito criminal? Quantas vezes você faz quase tudo por um valor mínimo a ser pago pelo Estado no final do processo, lembrando que é um dos mais bem pagos na assistência e no dia da audiência, o réu aparece com outro advogado particular, que aproveita  sua defesa  e cobra 5 vezes  mais que você ganharia. Você recebe 1/3 do que receberia, sem direito a reclamar, se receber. Quem já não passou por isso?

Muitos vão no seu escritório fazer especulação de preço. A advocacia virou pechincha de valor e não de qualidade, o que é lamentável, lembrando que temos uma tabela de preços pré-fixada pela OAB.

Mostre ao seu cliente que seu trabalho tem valor. E não estou falando só de dinheiro. Seu valor enquanto profissional vai muito além. Seu serviço vale seu tempo, custou muitos anos de estudo, muitas horas de sua vida. Seja claro com seu cliente, não deixe margens para outras interpretações. Assim você economiza seu tempo e o dele.

4.E advogar para família?

Antes de pegar qualquer trabalho para um familiar, treine sua assertividade. Deixe tudo claro na primeira conversa. Não deixe margens interpretativas. Eles costumam cobrar mais pelo resultado do que um estranho, se alguma coisa não der certo, você será lembrado nos momentos mais inconvenientes.

Quem já não se viu enroscado com família?

5.Da digitalização

Antes da digitalização, havia uma grande necessidade de locomoção. Tínhamos que levar o processo no destino ou ir até ele, hoje é feito tudo pela internet.

Com a Pandemia até as audiências passaram a ser digitais.

Estamos presos a tela do computador, no entanto  tendo que atender cara a cara, acredito que ao longo dos anos se não inovarmos seremos a classe mais exposta a depressão e pânico, dentre outras doenças psicológicas.

Por um lado, passamos a gastar menos dinheiro podendo fazer tudo pela internet, podendo protocolar serviços de nossos escritórios e até mesmo de nossas casas, não gastando com viagens e principalmente economizando papeis.

Por outro, perdemos a interação social, um pouco de lazer. Quem não aproveitava o passeio em outra cidade quando tinha que ver um processo? Quem não almoçava ou jantava em um restaurante e acabava encontrando amigos?

Sem falar que o processo digital tem muito que se adequar, quem fez o sistema com certeza não é advogado.

Ficamos muito tempo tentado achar termos ou palavras inexistentes para nomear atos e documentos na hora de protocolar. Ele ainda tem que ser muito aprimorado.

Certo dia, recebi uma publicação pedindo que renomeasse os documentos sob pena de extinção.  Observei que o sistema que abre na renomeação não possui as mesmas palavras que o da distribuição. Será que os juízes tem acesso ao nosso sistema?  Entenderiam   que na distribuição o sistema não possui palavras que possui na renomeação.

Não desmereço o trabalho dos Magistrados e dos colaboradores dos fóruns sei que é muito intenso, porém, o salário deles é garantido no final do mês, eles têm férias remuneradas, licenças, 13º salário.

E nós?

Sem nós eles não teriam serviços. E nós não temos salários, 13º salário, férias remuneradas, nem dinheiro garantido no final do mês para pagar as despesas de nossos escritórios, temos que terminar os processos na maioria das vezes para receber, respeitar seus prazos,  sem deixar de trabalhar um único dia.

As vezes temos que implorar a confecção de uma certidão, de um alvará ou mandado de levantamento, e ainda somos desmerecidos pelo excesso de prazos em cima de suas mesas.

6.Cobrar Consultas

O estatuto da OAB prevê a cobrança de consulta, porém, em cidades pequenas, pelo menos na maioria, não se cobra, como vencer essa maioria? Se você divulgar que sua consulta é cobrada, corre o risco de não receber novos clientes.

E os bacharéis ainda brigam na justiça para  tirar o exame da ordem,  que  peneira os  profissionais mais estudiosos.

Espero que se isso um dia acontecer, eu já esteja aposentada.

7.Conclusão:

Quem já não passou por pelo menos um desses apertos?

Nossa classe tão cheia de pompas é muito desvalorizada. Não é um mar de rosas.

Para sobreviver, primeiro você tem que ter paixão pelo que faz, persistência, sorte e muita paciência.

Não me imagino tendo outra profissão, porém, queria mostrar que não é tão perfeito e simples assim ser um advogado.

Se você conhece uma pessoa que é, ou foi, advogado a vida toda, respeitem muito, pois com certeza ele ama o que faz.  Muitos desistem no meio do caminho, quando se deparam com essa realidade.

Se você é um estudante de Direito e deseja advogar, saiba que se não for forte, estudioso, audacioso, corajoso, persistente, não deve continuar! 

A todos  que exercem a profissão com honra e dignidade, os meus Parabéns,  vocês são heróis.

Fontes:

https://www.sinonimos.com.br/advogado/

https://www.dicio.com.br/advogado/



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