Dez de Dezembro seria a data que se destina a comemorar o cinqüentenário da promulgação da declaração universal dos direitos do homem editada pela ONU e subscrita pelo Brasil. Diante da realidade que se constata, torna-se o dia adequado para alertar-se que pouco ou nada, em relação a paz perseguida se conquistou durante tanto tempo, restando a humanidade um trágico espólio de violações seguidas e primárias às mais variadas formas e expressões do direito natural.

Tanto como outrora o ser humano não tem seus direitos elementares respeitados. Quer pelo semelhante, quer pela ficção Estatal criada pela coletividade para sua tutela e que, inoperante, tem servido mais aos poderosos do que aos frágeis que dele dependem para o exercício da verdadeira democracia.

Observa-se sem muito esforço que todo o organismo do poder público se direciona para proteger a situação tradicional que históricamente as maiorias se submetem e alguns poucos privilegiados se valem e tiram proveito.No âmbito legislativo, a vontade popular é substituída pôr subserviência dos legítimos representantes, que em troca de favores espúrios, deixam de cumprir as obrigações juradas, pondo em risco a soberania e os grandes interesses nacionais e vilipendiando cada vez mais a dignidade dos indivíduos. No Judiciário prevalece notoriamente o espírito de corpo, salientando-se a morosidade, a condescendência e a ausência de sensibilidade aos reclamos sociais, em notório favorecimento a grupos econômicos seletos. Enfim, na adminstração, a prepotência dos que lidam com a economia e fianças públicas induz ao logro e propiciam cada vez mais a concentração de riquezas na mãos de poucos, em detrimento dos interesses nacionais e favorecendo aos mesmos apaniguados selecionados, nem sempre nacionais.Para tanto,mantem-se a situação sob controle, patrocinando-se pela própria sociedade, sistema policial-militar destinado a camuflar no nascedouro qualquer levante pela indignação, tratando segurança pública ao nível de segurança do estado e confundindo-se legitimidade social com legalidade imposta pela elite dominante e o que é pior, remetendo-se os problemas decorrentes do caos social para órgãos de segurança pública.

Sem delongas pois, no mundo globalizado contemporâneo, no qual sobrevivem bilhões de famintos, submetidos a farsa imposta pôr interesses de grupos transnacionais, travestidos pelo regime neoliberal que os legitima perante a opinão pública, desinformada e diblada pela grande imprensa comprometida, resta as pessoas de bem, proclamar a efeméride, como exéquias do sistema democrático social, substituído pelo neo colonialismo que os Estados se submetem impondo o neo escravagismo a seus contingentes de trabalhadores desesperados.

Lamentavelmente, a humanidade caminha para o suicídio coletivo, pois a massa de desempregados voluntariamente haverá de aderir a qualquer levante bélico, em busca da solução que não foi encontrada pêlos caminhos da paz!


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Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

PUGLIESE, Roberto J.. O Dia da Paz. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 3, n. 27, 23 dez. 1998. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/1941>. Acesso em: 22 jun. 2018.

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