O cristianismo não é um sistema, um modo de pensar, no sentido rigoroso do termo. Mas foi grande a influência que exerceu sobre a compreensão da realidade.

I

O cristianismo não é um sistema, um modo de pensar, no sentido rigoroso do termo. Mas foi grande a influência que exerceu sobre a compreensão da realidade.

Natural. Propostas como infalivelmente verdadeiras, as novas soluções sobre a existência de Deus, as suas relações com o mundo, a origem e os destinos do homem, a obrigação e sanção da lei moral não poderiam deixar de ter uma repercussão em toda a filosofia, que versa sobre estas mesmas questões, ainda que encaradas sob aspecto diverso.

Por essa razão vem muito a propósito a frase: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3, 3).

Algumas concepções bíblicas fundamentais são possuidoras de particular relevância filosófica.

A bíblia apresenta-se como a palavra de Deus, e toda a sua comunicação é objeto de fé. Quem acha que a pode ler como puro cientista, como se lê um texto de Platão ou de Aristóteles, está indo contra o seu espírito.

Ela muda completamente de significado, à medida que é lida, acreditando-se ou não que se trata da palavra de Deus. Alguns de seus conceitos são tão importantes que a  difusão deles mudou de modo irreversível a fisionomia espiritual do Ocidente.

A palavra de Jesus Cristo no Novo Testamento, que aperfeiçoou a revelação dos profetas no Antigo Testamento, produziu uma revolução de tal alcance que mudou todos os termos dos problemas que o homem havia proposto no passado e que se proporia no futuro.

Essa mensagem condiciona aqueles que a aceitam de modo positivo, mas também põe condições àqueles que a rejeitam.

Para entender isso, basta ver o título do programa do célebre ensaio de 1942 do idealista e não-crente Benedetto Croce (1866-1952) Perché non possiamo non dirci cristiani (Porque não podemos deixar de nos dizer cristãos), que significa precisamente que, uma vez surgido, o cristianismo tornou-se um horizonte intransponível.

Por essa razão, depois da propagação da mensagem bíblica, só seriam possíveis as seguintes propostas: a) filosofar na fé, crendo; b) filosofar procurando distinguir os âmbitos da razão e da fé, embora crendo; c) filosofar fora da fé e contra a fé, não crendo.

Assim, o horizonte bíblico permanece sendo uma perspectiva estruturalmente intransponível, no sentido de uma extensão indefinida para além da qual já não poderíamos nos posicionar, tanto quem crê como quem não crê.

A filosofia grega concebera a unidade do divino como unidade de uma esfera que admitia uma pluralidade de entidades, forças e manifestações em diferentes graus e níveis hierárquicos. Não chegara a imaginar a unicidade de Deus; nunca sentira como um dilema a questão de ser Deus uno ou múltiplo.

Somente com a divulgação da mensagem bíblica no Ocidente é que se impôs a ideia do Deus uno e único. A dificuldade de o homem chegar a essa noção demonstra-se pelo próprio mandamento divino “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20, 3) – monoteísmo não espontâneo – e pelas contínuas recaídas na idolatria – noção politeísta – por parte do próprio povo hebreu, através do qual foi transmitida essa mensagem.

Com essa concepção do Deus único, infinito  em potência e radicalmente diverso de todo o resto, nasce um novo e radical modo de ver a transcendência, derrubando qualquer possibilidade de apreciar qualquer coisa como “divino”.

Se um homem fosse um tal homem pela natureza humana e não pelas notas individuais que o distinguem dos outros, ele seria a própria humanidade e não poderia haver outro homem senão ele. Assim acontece com Deus: Ele é a sua própria natureza divina, e eis por que não há, nem pode haver, senão um só Deus. Nos dizeres de Tomás de Aquino (1221-1274): Si ergo essent plures dii, oporteret eos differre. Aliquid ergo conveniret uni, quod non alteri – Se houvesse muitos deuses, entre eles deveria haver uma diferença. Algo corresponderia a um que não teria o outro -  (S. th. I 11, 3).

Platão e Aristóteles haviam considerado como “divino” (ou deuses) o cosmo, chamando-o de “deus visível”, os astros como “deuses criados”.

A bíblia corta pela base toda a forma de politeísmo e idolatria, mas também qualquer compromisso desse tipo. No Deuteronômio, podemos ler: “Levantando teus olhos ao céu e vendo o sol, a lua, as estrelas e todo o exército do céu, não te deixes seduzir para adorá-los e servi-los!” (Dt 4,19).

A unicidade do Deus bíblico comporta transcendência absoluta, que O coloca como totalmente outro em relação a todas as coisas.


II

A origem dos seres foi estudada por muitos pensadores antigos. Suas soluções foram várias, como a negação de qualquer forma de devir, a combinação de elementos eternos, o demiurgo e a atividade demiúrgica, a atração de um motor imóvel, o monismo panteísta e a processão metafísica.

A mensagem bíblica, ao contrário, fala de criação. “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1, 1). E os criou através de sua palavra. Deus disse e as coisas existiram. E, como todas as coisas do mundo, Ele criou diretamente também o homem, ao dizer: “Façamos o homem...” (Gn 1, 26).

Não usou nada de preexistente, como o demiurgo platônico, nem se valeu de intermédios na criação. Ele produziu tudo do nada (ex nihilo). Essa criação deve ser pensada, do ponto de vista da razão natural, como intemporal, não só do lado de Deus, mas também do lado do universo.

Todas as coisas têm origem do nada, sem distinção. Foram criadas livremente, ou seja, com um ato de vontade absoluto e intemporal, por causa do bem. Ele produz as coisas como dom gratuito. O ser criado é portanto um ser positivo. Falando da criação, a bíblia, de um modo muito insistente, ressalta: “E Deus viu que isso era bom” (Gn 1, 10.12.18.21.25.31). A concepção platônica do diálogo Timeu, que também sustenta que o demiurgo plasmou o mundo por causa do bem, é apresentada aqui sob um novo enfoque e num contexto bem mais coerente.

O criacionismo impor-se-ia como a solução por excelência do antigo problema de como e porque os múltiplos derivam do uno e o finito deriva do infinito. A própria conotação que Deus dá de si mesmo a Moisés – “Eu sou aquele que é” (Ex 3, 14) – seria interpretada, em certo sentido, como a chave para entender ontologicamente a doutrina da criação. Deus é o Ser por sua própria essência e a criação é participação no ser, isto é, Ele é o ser e as coisas criadas não são ser, mas o ser que receberam por participação.

Entre os filósofos gregos, a concepção antropocêntrica teve uma dimensão apenas um tanto limitada. Alguns traços dela são encontrados nos Memorabilia de Xenofonte, eco de ideias socráticas. Acham-se também desdobramentos nesse terreno no pórtico (estoá) de Zenão e Crisipo.

O antropocentrismo não foi uma marca do pensamento grego, que, ao contrário, se mostra fortemente cosmocêntrico. Homem e cosmo apresentam-se estreitamente conjugados e nunca radicalmente contrapostos. Na visão helênica, o homem não é a realidade mais elevada do cosmo.

Na bíblia, mais do que como momento do cosmo, ou seja, como uma coisa entre as coisas do cosmo, o homem é visto como criatura privilegiada de Deus, feita à imagem do próprio Deus e, portanto, dono e senhor de todas as outras coisas criadas por Ele.

No Gênesis está escrito: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que ele domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 26).

E ainda mais: “Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2, 7).

E o salmo 8 diz ainda, de modo paradigmático:

Quando vejo o céu, obra dos teus dedos,

a lua e as estrelas que fixaste,

que é o homem, para dele te lembrares

e um filho de Adão, para vires visitá-lo?

E o fizeste pouco menos do que um deus,

coroando-o de glória e beleza.

Para que domine as obras de tuas mãos

sob seus pés tudo colocaste:

ovelhas e bois, todos,

e as feras do campo também;

a ave do céu e os peixes do mar

quando percorre ele as sendas dos mares. 

Sendo feito à imagem e semelhança de Deus, o homem deve esforçar-se por todos os modos para assemelhar-se a ele. O Levítico já afirmava: “Não vos torneis impuros... não fareis ídolos... Eu sou Iahweh seu Deus... que fiz sair da terra do Egito, à vista das nações, a fim de ser o seu Deus... sede santos, porque eu, Iahweh vosso Deus, sou santo” (Lv 18, 24; 26, 1.44.45; 19, 2).

Os gregos já falavam da assimilação a Deus, mas acreditavam poder alcançá-lo com o intelecto, com o conhecimento. A bíblia, porém, atribui à vontade o instrumento da assimilação: assemelhar-se a Deus e santificar-se significa fazer a vontade de Deus, ou seja, querer o querer de Deus. E é exatamente essa capacidade de fazer livremente a vontade de Deus que coloca o homem acima de todas as coisas.


III

Os gregos entenderam a lei moral como a regra da própria natureza, a qual se impõe a Deus e ao homem ao mesmo tempo, pois não foi feita por Deus, e que a ela o próprio Deus está vinculado. O conceito de um Deus que faz a lei moral é estranho a todos os filósofos gregos.

O Deus bíblico, pelo contrário, dá a lei ao homem como um “mandamento”. Primeiramente, Ele a enuncia diretamente a Adão: “Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás que morrer” (Gn 2, 16).

A virtude (o bem moral supremo) torna-se obediência aos mandamentos de Deus, coincidindo com a santidade, virtude que, na visão naturalista dos gregos, era colocada em segundo plano. O pecado (o mal moral supremo), ao contrário, torna-se uma desobediência a Deus, dirigindo-se portanto contra Deus, porque vai contra os seus mandamentos.

Diz o salmo 119:

Indica-me, Iahweh, o caminho dos teus estatutos,

eu quero guardá-lo como recompensa.

Faze-me entender e guardar tua lei,

para observá-la de todo o coração.

Guia-me no caminho dos teus mandamentos,

pois nele está meu prazer.

E no salmo 51 podemos ler: “Pequei contra ti, contra ti somente, / pratiquei o que é mau aos teus olhos.”

A vida, a paixão e a morte de Cristo desenvolveram-se inteiramente sob o signo do fazer a vontade do Pai que O enviou. O Novo Testamento também fez com que o objeto supremo da vida, o amor de Deus, coincida com o fazer a vontade de Deus, com o seguir a Cristo, que concretizou com perfeição aquela vontade.

Desse modo, o antigo intelectualismo grego é inteiramente subvertido pelo voluntarismo: o querer de Deus é a lei moral e o querer o querer de Deus é a virtude do homem. A boa vontade torna-se a nova marca do homem moral.

Sócrates, num nível intuitivo, e Platão, com referência ao demiurgo, já haviam falado do Deus que constrói e governa o mundo. Aristóteles ignorou esse conceito, como a maior parte dos pensadores gregos, exceto os estoicos. O certo é que a providência dos gregos nunca diz respeito ao homem individual.

Já a providência bíblica é própria de um Deus que é pessoal em alto grau. Além de dirigir-se ao criado em geral, dirige-se ainda e particularmente aos homens individuais, especialmente aos mais humildes, necessitados e aos próprios pecadores. Basta recordar as parábolas do filho pródigo (Lc 15, 11-32) e da ovelha perdida (Lc 15, 3-7; Mt 18, 12-14).

Uma das passagens mais famosas e significativas a esse respeito é registrada no evangelho de Mateus (6, 25-34):

Por isso vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida quanto ao que haveis de comer, nem com o vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que a roupa? Olhai as aves do céu: não semeiam nem colhem, nem ajuntam em celeiros. E, no entanto, vosso Pai celeste as alimenta. Ora, não valeis vós mais do que elas? Quem dentre vós, com as suas preocupações, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida? E com a roupa, por que andais preocupados? Observai os lírios do campo, como crescem, e não trabalham e nem fiam. E, no entanto, eu vos asseguro que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que existe hoje e amanhã será lançada ao forno, não fará Ele muito mais por vós, homens fracos na fé? Por isso, não andeis preocupados, dizendo: Que iremos comer? Ou, que iremos beber? Ou, que iremos vestir? De fato, são os gentios que estão à procura de tudo isso: vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade de todas essas coisas. Buscai, em primeiro lugar, seu Reino e sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. A cada dia basta o seu mal.

E, com a mesma eficácia, Lucas escreve em seu evangelho (11, 5-10):

Quem dentre vós, se tiver um amigo e for procurá-lo no meio da noite, dizendo: “Meu amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e nada tenho para lhe oferecer”, e ele responder de dentro: “Não me importunes, a porta já está fechada, e meus filhos e eu estamos na cama; não posso me levantar para dá-los a ti”; digo-vos, mesmo que não se levante para dá-los por ser amigo, levantar-se-á ao menos por causa da sua insistência, e lhe dará tudo aquilo de que precisa. 

Também eu vos digo: Pedi e vos será dado; buscai e achareis, batei e vos será aberto. Pois todo o que pede recebe; o que busca acha; e ao que bate, se abrirá.

Esse sentido de total confiança na Providência divina também está presente no Antigo Testamento, na mesma dimensão e com o mesmo alcance, como se pode depreender, por exemplo, do belíssimo salmo 91:

Quem habita na proteção do Altíssimo

pernoita à sombra de Shaddai,

dizendo a Iahweh:

Meu abrigo, minha fortaleza.

[...]

A desgraça jamais te atingirá

e praga nenhuma chegará à tua tenda:

pois em seu favor Ele ordenou aos seus anjos

que te guardem em teus caminhos todos.

Eles te levarão em suas mãos,

para que teus pés não tropecem numa pedra;

poderás caminhar sobre o leão e a víbora,

pisarás o leãozinho e o dragão.

Porque a mim se apegou, eu o livrarei,

protegê-lo-ei, pois conhece o meu nome.

Ele me invocará e eu responderei:

“Na angústia estarei com ele,

livrá-lo-ei e o glorificarei

saciá-lo-ei com longos dias

e lhe mostrarei a minha salvação.”

Esta é uma mensagem de segurança total, que estava destinada a subverter as frágeis seguranças humanas que os sistemas da época helenística haviam construído, pois nenhuma segurança pode ser absoluta, se não tiver uma vinculação precisa com um Absoluto. E, precisamente, o homem sente necessidade desse tipo de segurança total.


IV

Os filósofos gregos falaram de uma culpa original, ao extraírem esse conceito dos mistérios órficos. De certa forma, vincularam a essa falta o mal que o homem sofre em si.

Mas ficaram muito longe da explicação da sua natureza, como se depreende da leitura do mito platônico no diálogo Fedro (Phaedro), que é um resumo da alma pensante de Sócrates (469-399 a.C.). Eles estavam convencidos de que: a) de modo natural, o ciclo dos nascimentos – a metempsicose ou transmigração – teria cancelado o delito nos homens comuns; e b) os filósofos poderiam libertar-se dos resultados dela, em virtude do conhecimento – portanto, pela força humana, ou seja, de modo autônomo.

A nova mensagem bíblica veio mostrar que ela é uma rebelião contra Deus e que nenhuma força da natureza ou do intelecto humano poderia resgatar. Para tanto, era necessária a obra do próprio Deus feito homem e a participação do homem na sua paixão em uma dimensão desconhecida para os gregos: a dimensão da fé.

Dessa maneira, o pecado original foi uma desobediência ao mandamento originário de não comer do fruto da árvore do bem e do mal.

A raiz dessa desobediência foi a soberba do homem, que não queria tolerar limitação nenhuma, não queria ter os vínculos do bem e do mal (dos mandamentos) e, portanto, queria ser como Deus.

“E Iahweh Deus deu ao homem este mandamento: ‘Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás que morrer’.” (Gn 2, 16-17). Mas a tentação do maligno insinua: “Não, não morrereis! Mas Deus sabe que, no dia em que dele [do fruto] comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal.” (Gn 3, 5).

À culpa de Adão e Eva, que cedeu à tentação, transgredindo o mandamento divino, segue, como punição divina, a expulsão do paraíso terrestre, com todos os seus resultados. E assim fazem seu ingresso no mundo o mal, a dor, a morte e o afastamento de Deus.

Em Adão, toda a humanidade pecou; com Adão o pecado entrou na história dos homens e, com o pecado, todos os seus efeitos. Como ensina Paulo: “Eis por que, como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm 5, 12).

Por si, o homem não teria podido salvar-se do pecado e de todas os seus efeitos. E, assim, como a criação foi um dom, a antiga aliança, sancionada e muitas vezes traída pelo homem, foi também um dom; da mesma forma, o resgate foi o maior dos dons: Deus se fez homem e, com sua paixão e morte, resgatou a humanidade do pecado. Com sua ressurreição, derrotou a própria morte, consequência do pecado.

Paulo é enfático a esse respeito:

Ou não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? Portanto pelo batismo nós fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós vivemos vida nova.

Porque se nos tornamos uma coisa só com ele por morte semelhante à sua, seremos uma coisa só com ele também por ressurreição semelhante à sua, sabendo que nosso velho homem foi crucificado com ele para que fosse destruído este corpo de pecado, e assim não sirvamos mais ao pecado. Com efeito, quem morreu ficou livre do pecado.

Mas se morremos com Cristo, temos fé que também viveremos com ele, sabendo que Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, já não morre, a morte não tem mais domínio sobre ele. Porque, morrendo, ele morreu para o pecado uma vez por todas; vivendo, ele vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, que o pecado não impere mais em vosso corpo mortal, sujeitando-vos às suas paixões; nem entregueis vossos membros, como armas de injustiça, ao pecado; pelo contrário, oferecei-vos a Deus como vivos provindos dos mortos e oferecei vossos membros como armas de justiça a serviço de Deus. E o pecado não vos dominará, porque não estais debaixo da Lei, mas sob a graça (Rm 6, 3-14).

A vida de Cristo, a sua paixão expiatória do antigo pecado, que fez seu ingresso no mundo com Adão, e a sua ressurreição resumem o sentido da mensagem cristã. E essa mensagem subverteu inteiramente os quadros do pensamento grego.


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