O que deve prevalecer na presidência: a irracionalidade de Marina Silva ou a lógica de Dilma Rousseff?

Cada debate presidencial tem sua própria dinâmica e pode ser interpretado de uma maneira específica. Ao analista compete selecionar o ponto que melhor o distingue dos demais, o tema mais relevante e o aspecto do discurso que melhor revela a verdadeira natureza de cada candidato e proposta.

No debate de ontem na CNBB, a Petrobras ocupou um papel central nas discussões entre as candidatas do PSB e do PT.

Marina Silva oscilou entre culpar Dilma e a Petrobras por causa da conduta desonesta de um diretor afastado da companhia que, após acordo com o MP, passou a delatar fatos graves que vazaram para a imprensa. Dilma Rousseff defendeu a Petrobras e disse que apóia a apuração dos fatos e a atribuição de responsabilidades.

A irracionalidade da posição de Marina Silva é evidente. A candidata do PSB parece incapaz de admitir um princípio básico de lógica: a parte é menor que o todo. Também demonstrou dificuldade em compreender a separação que existe entre a personalidade jurídica e os interesses da Petrobras (dentre os quais estão a apuração dos crimes e o ressarcimento dos prejuízos causados à companhia pelo diretor desonesto) e a pessoa do investigado e a de Dilma Rousseff. Marina Silva atribuiu a Dilma a culpa pela conduta praticada por um terceiro que não estava diretamente sob sua supervisão, que não cometeu ilícitos a mando da presidente. Qualquer estudante de Direito que viu o debate certamente riu, pois sabe que cada qual é pessoalmente responsável pelo que faz e que ninguém pode ser responsabilizado pela conduta de terceiro exceto nos casos prescritos em Lei.

Dilma Rousseff defendeu a Petrobras e reafirmou apoiar investigação dos fatos e a atribuição de culpa aos responsáveis. A candidata do PT admitiu implicitamente, portanto, que existe uma clara separação entre a Petrobras e a pessoa do diretor desonesto e procurou atribuir a cada qual o que é seu. Um princípio fundamental de Direito Romano, “suum cuique tribuere”, embasa o raciocínio de Dilma Rousseff. Há lógica na posição adotada pela adversária de Marina Silva. Ao contrário da candidata do PSB, Dilma não querer destruir o todo (a Petrobras) por causa da parte (um diretor desonesto investigado).

Marina Silva foi agressiva e, sem apresentar argumentos racionais, tentou de todas as formas fazer a conduta desonesta do diretor da Petrobras ser colada à imagem de Dilma Rousseff. O ataque pessoal é evidente e indica que a candidata do PSB está disposta a vencer o debate e as eleições usando táticas discursivas desonestas. Dilma Rousseff se defendeu do ataque pessoal com firmeza, mas sempre recorrendo a argumentos lógicos e aos princípios de Direito. Como convém a uma pessoa racional envolvida numa disputa que deveria ser racional, a candidata do PT não revidou um ataque pessoal irracional com outro semelhante.

As duas candidatas espelham bem as duas metades da natureza humana. Qual delas deve prevalecer na presidência compete a cada um escolher. A História, porém, demonstra que quando a irracionalidade chega ao poder o resultado é quase sempre destrutivo para o Estado, nocivo para o povo e trágico para a economia.  



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