Parece algo tão simples, mas tão distante da realidade: Fazer apenas o que se gosta de se fazer.

Contudo, gerações inteiras de pessoas que estão no mercado estão adotando esta filosofia, sem filosofar muito sobre o assunto.

Como assim?

Em qualquer trabalho que se faça, sempre haverá o prazer e a parte chata. Nunca é 100%.

Você é professor e ama dar aulas. Ótimo! E corrigir provas? E perguntas idiotas? Ninguém gosta.

Você é advogado e ama atender clientes. Ótimo! E viajar 300 km para ir numa audiência cancelada no dia da sua viagem? E o cliente que liga todos os dias só pra ver se mudou alguma coisa no processo? Ninguém gosta.

Não há 100% de prazer em tudo que se faz, mas sempre há algum prazer naquilo que fizemos.

Obviamente, se você gosta de advogar, extrair um dente não será algo que você gostará se fazer, pois são situações muito diferentes.

No universo profissional, esta realidade é nítida.

Alguns jovens pensam que são o centro do universo – pensam que tudo orbita ao redor deles – e depois percebem que o centro do universo é o sol e não a Terra (algo que Galileu já havia dito há séculos atrás, mas…) e que a função deles é que é importante e não apenas o corpo ou aquilo que representam.

Aliás, muitos (inclusive nem tão jovens assim) esquecem que para uma empresa a função é essencial e o seu trabalho dentro desta função é preponderante para o sucesso da empresa como um todo.

Pensar que é o máximo e que não precisa disto ou aquilo é um problema maior do que apenas egocentrismo.

Quem pensa que não precisa lançar num sistema porque tem tudo na cabeça; Ou, não preciso conversar com outras pessoas, afinal, lido com tecnologia; Ou ainda não preciso atender bem o cliente, posto que todos os dias tenho mil clientes para atender… Está se achando o centro do universo e na verdade, fazendo um baita prejuízo para empresa que trabalha.

Os porquês disto ocorrerem são variados, vai da criação ou não criação de valores pela família, passa por uma escola que virou um comércio, onde notas valem dinheiro, carros, etc e uma sociedade de cargos e valores questionáveis para o amadurecimento dos valores familiares… Ufa! Não é fácil não.

Entretanto, fazer aquilo que se gosta é viável em muitos casos, embora prescinda de trabalho, batalha, dificuldades e muitas vezes fazer o que não se gosta primeiro.

É uma equação complexa, mas não impossível.

E, cuidando do ego, dos valores e das relações interpessoais, tudo fica mais simples, fácil e atingível.


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Comentários

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    James Stela

    Olá, Gustavo Rocha!

    Interessante o seu entendimento sobre: FAZER O QUE SE GOSTA. Estou no sétimo semestre do curso de direito. Foi prestando concurso público para área jurídica que descobri o Direito. Há alguns dias perguntei para alguns colegas de faculdade se estão cursando o que gostam e o que pretendem fazer deste curso em suas vidas. Todos responderam que gostam do curso mas ainda não sabem o que fazer com ele. Alguns gostam mais de Direito Civil, outros de Processo Civil, outros nem isso ou aquilo (estão no deixa a vida me levar) enfim. Incrível não! Daqui ha quatro semestres estes "Bacharéis em Direito" se formam. Se não conseguem definir o que querem ou gostam de fazer, é porque não têm uma meta definida em suas vidas. Estariam atrás do chamado "STATUS" da carreira em vez de realização profissional e pessoal baseado em suas afinidades e escolhas? O que se prega nos dias atuais - é que no futuro o profissional realizado é aquele que faz o que gosta. Sera?
    Adorei seu texto Gustavo. Sucesso!

    JS

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