A irresponsabilidade e o partidarismo da imprensa levará o país a uma guerra civil se as autoridades não começarem a responsabilizar os jornalistas pelo ódio que instigam.

Não é de hoje que a imprensa ataca sistematicamente o PT para tentar influenciar eleições ou, no mínimo, para beneficiar eleitoralmente o PSDB. O fenômeno ficou tão evidente que já acarreou a publicação de alguns livros. A Ditadura Continuada - Fatos, factoides e partidarismo da imprensa na eleição de Dilma Rousseff, de Jackson de Alencar, publicado pela editora Paulus,  é uma das melhores e mais bem fundamentadas obras sobre o assunto.

Até a presente data a imprensa nunca tratou a corrupção do PSDB (Mensalão Tucano de Minas Gerais, Roubalheira do Metrô em São Paulo) com a mesma insistência e virulência dispensou ao caso do Mensalão Petista e as suspeitas de superfaturamento da refinaria de Pasadena. O tratamento diferenciado e discriminatório que a imprensa a dá aos petistas em relação aos tucanos não é casual, nem apenas fruto da liberdade de imprensa. As virtudes dos governos Lula e Dilma raramente são noticiadas pelos grandes veículos de comunicação. Os jornalistas e telejornalistas fazem de tudo para criar uma imagem exageradamente negativa do PT, preservando a aura de compromisso republicano do PSDB.

Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Diogo Mainardi, Rachel Sheherazade, Danilo Gentili, Demétrio Magnoli e Rodrigo Constantino nunca demonstraram qualquer compromisso com a isenção jornalística ou com a ética profissional. Muito pelo contrário. Há centenas de textos produzidos por eles pregando abertamente o ódio ao PT, aos petistas e ao petismo.

O ódio político é a matriz do terrorismo, o jornalismo engajado é sua principal ferramenta. É por isto que podemos dizer que o terrorismo praticado pelos jornalistas diariamente nos últimos anos deu seu primeiro fruto. Refiro-me ao sequestrador que aterroriza um Hotel em Brasília exigindo a queda de Dilma Rousseff para libertar os reféns que fez: 

http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2014/09/hotel-em-brasilia-e-esvaziado-apos-homem-fazer-funcionario-refem.html

É criminosa a atitude do rapaz que pretende violentamente influenciar o resultado da eleição presidencial. As autoridades devem tratá-lo com rigor, mas dentro da Lei. O sequestrador não precisa ser abatido a tiros, nem tampouco espancado ou humilhado. Ele precisa ser convencido a se entregar, contido de maneira civilizada e preso como um criminoso qualquer. Depois, ele responderá processo crime na forma da Lei pelos atos que praticou. Mas isto não basta. 

Os jornalistas que instigam o ódio ao PT ajudaram a fazer a cabeça do seqüestrador. Eles também devem responder pelos seus atos. Eles são, de certa maneira, os co-autores intelectuais do crime que ele cometeu. Caso os articulistas e jornalistas em questão não respondam pelo ódio que instigam e que se tornou real, episódios semelhantes virão a ocorrer com consequencias nefastas para a paz pública no país. 



Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelo autor. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

0

Livraria