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Porque o QR Code em peças processuais é tão criticado? Saiba mais sobre isso e a "ilusão" de que a ferramenta facilita o dia a dia forense na "Era Digital".

Recentemente, vi um tweet no qual um escritório de advocacia compartilhou um arquivo em QR Code para o juiz visualizar.

Contudo, temos algumas críticas sobre o uso de QR Code em peças processuais:

  1. Força o juiz a pegar o celular e fazer o download de um aplicativo, tirando o foco dele para com o computador.
  2. Gera um desgaste desnecessário de tempo, porque o conteúdo poderia ser disponibilizado por "hiperlink" -- o que é acessível com 1 clique.
  3. Por ser um aplicativo do celular, num primeiro momento, ficar-se-ia limitado ao dispositivo, dificultando o manuseio do vídeo ou imagem.
  4. Lembre-se: não queremos tirar o foco do juiz/técnico/analista. Queremos mantê-los no mesmo dispositivo com que trabalham (= computador).
  5. Outro ponto: visualizar conteúdo no celular gera mais cansaço do que no monitor do computador, prejudicando a postura do juiz, p. ex.
  6. Efeito prático se chegar 30 petições no dia com QR Code? Ninguém acessará. Pois sobrecarrega o tempo dos servidores e do juiz.

Qual a solução, então? Hiperlink!

Pois com apenas 1 clique (ou apenas digitando o hiperlink no navegador de internet), o juiz tem acesso ao conteúdo direto na tela do computador.

Conclusão?

  • Não precisa fazer download de aplicativo QR Code.
  • Não precisa perder tempo procurando o respectivo aplicativo para visualizar o conteúdo da peça.
  • Não precisa pegar o celular para identificar o símbolo de QR Code.
  • Não precisa ficar limitado ao dispositivo do celular para visualizar o conteúdo compartilhado em peça processual.

Pontos favoráveis?

  • Facilidade.
  • Rapidez.
  • Tudo pode ser feito pelo computador (não precisa de celular).
  • Acessível até mesmo para quem não tem tanta facilidade com informática.

Vejamos, portanto, passo a passo como usar hiperlink em peças processuais!


1 - Crie uma pasta no Google Drive chamada "Geral" (acesse: Google Drive, neste link https://drive.google.com/?tab=wo), a qual você nunca será excluída ou movida da sua conta.

(imagem: no Google Drive, se você tiver conta Gmail, automaticamente o cadastrado ganha 15 gb de espaço)


2 - Crie uma pasta dentro da pasta "Geral" para individualizar o arquivo.


3 - Acesse a pasta criada


4 - Mova os arquivos que deseja compartilhar na sua peça processual (exemplos: arquivos em formato PDF, VÍDEOS, ÁUDIOS, IMAGENS...).


5 - Exemplo de upload sendo concluído:


6 - Terminado o upload, compartilhe a pasta respectiva: botão direito do mouse sobre a pasta > ativar compartilhamento de link


7 - Copie o link (CTRL + C)


8 - Cole o link no site bitly.com (para diminuir o link): CTRL + V.

P.S. Diminuir o link toma menos espaço da peça e facilita a visualização.


9 - Copie o link diminuído: clicando no ícone laranja (COPY).


10 - Resultado:

(imagem: apenas ofuscamos a imagem por se tratar de conteúdo profissional)


Exemplo de arquivo PDF disponibilizado:

Exemplo de arquivo em VÍDEO disponibilizado:

(imagem: perceba que é possível ate mesmo usar o aplicativo VideoSpeed Controller, para acelerar o vídeo, agilizando ainda mais a "leitura" do conteúdo)

Download do Video Speed Controller: https://chrome.google.com/webstore/detail/video-speed-controller/nffaoalbilbmmfgbnbgppjihopabppdk


Como seria isso na prática processual?

Veja eu compartilhando um link externo de conteúdo doutrinário:

Veja eu compartilhando um link externo (vídeo - interrogatório do réu) em um "habeas corpus":

Pedido de reconsideração da liminar instruída com documentos em hiperlink:


CUIDADO!!!

Não aconselho a usar hiperlink em documentos essenciais à instrução probatório do processo.

Ainda vale a máxima:

"O que não está nos autos do processo, não está no mundo".


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Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelo autor. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

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    Juliana Aguiar Soares

    Bom dia Doutor! Acredito que o senhor não compreendeu a lógistica do uso do QR Code, nem o que pretendemos com ele, mas pemita-me esclarescer para que o senhor veja que ele não se assemelha, em nada, com as ideias trazidas acima para uso de hiperlink e nem, tampouco, exclui a possibilidade de uso de mesmo, se o colega assim desejar.

    O QR Code não deve ser utilizado como uma “petição áudio-visual”, juntada de documentos, anexo de vídeos aleatórios, imagens, etc.

    Ele não pode trazer um conteúdo alheio a petição vinculada e nem, tampouco, servir como “complementação áudio-visual” da mesma.

    Ele deve estar vinculado ao conteúdo da petição, sem inovar em tese, provas ou pedidos.

    Funciona da mesma forma que o despacho pessoal, o vulgo “embargos auriculares”, só que de maneira virtual.

    Ele deve simplesmente elucidar os fatos de forma a demonstrar a subsunção do fato a norma, de forma clara e objetiva.

  • 0

    Juliana Aguiar Soares

    Fico feliz que a iniciativa da nossa firma, Euro, Araújo, Soares & Lima, tenha fomentado em nossos colegas o desejo por inovar.
    Tudo que for feito em prol da nossa atividade, deve ser visto com bons olhos Doutor, e desde já te parabenizo pela ideia, com apenas uma ressalva... não diria aos colegas “porque não usar o hiperlink”, mas que em um meio tão conservador, agora temos opções, onde cada um poderá usar a que julgar mais adequada e conveniente!!!