Breve artigo sobre o ramo da advocacia.

Quem nunca se viu diante de tal pergunta pelo seu cliente?

É revoltante.

Diversas vezes recebi ligações de pessoas, me informando que estão precisando de serviços jurídicos e que necessitava urgente de conversar.

Certo, agendava um horário, que por diversas vezes ia além do expediante do próprio escritório, para ser um amigo, psicólogo, psiquiatra, e ainda consultor jurídico, ouvindo atentamente, ao problema colocado na mesa e dando soluções alternativas, que ao final era necessário uma demanda, seja trabalhista, cível, ou até mesmo criminal.

Até aí tudo bem, ainda era o anjo enviado para lhe salvar, mas então em um passe de mágina, depois de informar o valor pelo serviço, logo me tornava o vilão, ou melhor todos os advogados se tornam vilões.

Sim, apenas por dizer quanto lhe cobraria, por valorizar meus anos de estudos e dedicação, por querer quitar minhas contas, e ainda abastecer meu carro, para poder prestar um serviço ao meu cliente despreoucupado.

Mas não, o advogado não precisa se alimentar, não precisa de pagar suas contas, não precisa de lazer, o advogado precisa cobrar somente ao final da ação, porque o cliente simplesmente quer.

Fico pensando se eu colocar meu carro em uma oficina, se o mecânico irá receber apenas se o carro não quebar mais (ganhar a causa), se ele vai aguardar, fico imaginando se a companhia de energia e de água irão esperar essa causa desse cliente realmente sair.

A advocacia anda desvalorizada, massacrada e mal vista, pela sociedade, para eles somos sombras que em apenas algumas horas entram com uma petição e acabam com seus problemas, e toda essa visão foi causada simplismente pelos próprios colegas, sim, recentemente recebi em minha rede social uma planilha de valores para advogacia correspondete, e me assustei, pois audiência sendo feita por R$10,00, cópia de autos por R$5,00, me pergunto se este advogado tem alguma moradia dentro do fórum, pois tal valor não paga nem mesmo o combustível.

Quando começei meu curso, me lembro de um professor dizendo que a advocacia é uma profissão belissíma, que iríamos defender o direito do cidadão, que ao final de uma causa vencida, me restaria um sorriso, de saber que o meu trabalho foi bem feito.

Pena, não ter falado, que para cada 10 clientes que eu atendesse, 9 me perguntariam se eu cobraria somente ao final da ação, uma pergunta que entristece a qualquer um. Por vezes testemunhei clientes implorando para uma cobrança somente no êxito, isso na parte da manhã, e de noite estavam postando fotos em boates, tomando bebidas caras.

Concluindo, o bom profissional é valioso demais para se prostrar diante da pergunta, o Dr. poderia cobrar somente ao final da ação.


Autor


Informações sobre o texto

Este texto foi publicado diretamente pelo autor. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Quando selecionados, os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi.

Comentários

0