3. EDUCAÇÃO NO BRASIL: Sistema e Diretrizes
No Brasil, ainda sentimos os respingos do sistema discriminatório que no inicio, na época do Brasil colônia, não dava oportunidade para os negros, pobres, índios, portadores de necessidades especiais de terem acesso a educação. Nesse período na história apenas os brancos, ricos e tidos como “normais” tinham acesso e direito de frequentar a escola.
Atualmente, após grandes mudanças nas leis e intensas campanhas de conscientizações, algumas mudanças podem ser sentidas nesse sentido, hoje conforme a Constituição Federal de 1988 a “Educação é direito de todos e dever do Estado”, portanto todo cidadão Brasileiro tem direito garantido a educação de qualidade.
A partir da Constituição Federal de 1988 a criança passou a ser considerada como sujeito de direito e, sobretudo com direitos garantidos por ser um indivíduo em processo de formação e desenvolvimento. Nesse momento a educação aos pobres e menos favorecidos deixou de ser tratada como caridade e sim como direito.
Em 1990 o Estatuto da Criança e do adolescente(ECA) veio como reforçador desses direitos, passando o educando a ser amparado por políticas públicas especificas para cada fase de desenvolvimento e também nomeando a família, a sociedade e o poder público como responsáveis por garantir tais direitos com prioridade e total atenção.
Em 1990 a Lei de Diretrizes e Bases – LDB veio diretamente de encontro a garantir os direitos da criança e do adolescente em relação aos aspectos físicos, Intelectuais e cognitivos, sendo vistos como um todo. Mesmo assim, com todo esse amparo legal, ainda tem acontecido de crianças e adolescentes terem seus direitos violados, no que diz respeito a direito a educação, saúde, lazer, segurança, entre outros.
Conforme a LDB, (Lei nº 9.394/96) no artigo 9º, é dever da União “I – elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios”, determinando assim que seja criada mais de uma política de educação.
No entanto apesar de estar sob o amparo da lei, a educação ainda não passou a ser tratada como prioridade as vistas dos governantes. E assim com tantos descasos e negligências é inegável que existem faltas primárias como recursos materiais, professores capacitados, espaços adequados para atender a todos educandos. Isso, somados as questões sociais tem levado a uma desmotivação geral por parte de toda comunidade escolar. E o que vemos atualmente são turmas de ensino médio e superior cada vez com menos alunos, pois em alguns casos o motivo para terem frequentando o ensino fundamental era motivado por algum benefício oriundo de algum programa social, como o Bolsa Família que tem por um dos requisitos, a frequência escolar.
Ficando assim claro que além do ensinamento pedagógico, a escola tem por responsabilidade as questões sociais que vão além do livro escolar e da tabuada.
Nesse sentido vemos a necessidade de ampliar esse olhar social dentro do ambiente escolar, e articular melhor esse dever dos gestores escolares e da sociedade.
A LDB, como dispositivo legal ampara o Serviço Social e o reconhece de grande contribuição para a política pública de Educação, uma vez que os desafios encontrados no ambiente escolar são relevantes no fazer profissional do Assistente Social, pois questões como baixo rendimento escolar, evasão escolar, inclusão social são prioridades das políticas públicas sociais e de total relevância contribuição da formação cidadã das crianças e adolescentes para a sociedade.
4. O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NA EDUCAÇÃO
Sabe-se que a Constituição Federal de 1988 delega aos governos municipais o gerenciamento da educação no que diz respeito ao ensino fundamental. A Assistência Social, na iniciativa de garantir a concreta realização deste direito, volta-se para a promoção da inclusão social de famílias dos alunos matriculados na rede educacional.
O trabalho do Serviço Social na Educação é voltado para identificar e atender as demandas provenientes da questão social que vai além do cotidiano do campo educacional.
Nesse âmbito defronta-se com os conflitos resultantes da complexa dinâmica da sociedade atual, implica ver o Serviço Social, bem como outras profissões, habilitado para enfrentar o desafio de efetivar a consolidação dos direitos sociais. Na direção de tal pensamento, é imprescindível agir tendo na interdisciplinaridade o elemento norteador da prática.
No contexto escolar o êxito do aluno deve ser entendido como algo além da aquisição do conhecimento científico e tecnológico. Essa mudança de paradigma implica em dar maior atenção às necessidades demandadas por esse aluno e ainda, exige um maior conhecimento desses aspectos por parte dos educadores.
Considerando que a escola é um lugar onde surgem diariamente vários conflitos, e por tratar de um espaço comum a seres únicos, e sobretudo em fase de desenvolvimento, deve-se lançar um olhar diferenciado a ela, no sentido de aproximar-se das questões que cada aluno traz consigo. Isso significa ter um olhar diferenciado no sentido de possibilitar a esse aluno que ele exponha seus anseios, medos, suas habilidades, proporcionando uma maior interação entre o meio onde vive e o espaço agora frequentado denominado escola.
Nesse trânsito entre o aluno e a escola e entre a escola e a família, deve haver um agente facilitador que possua habilidades e competências para tal. Esse trânsito irá possibilitar a escola uma maior aproximação desse aluno e de sua realidade. Esse profissional através de uma relação estabelecida irá criar um ambiente de confiança mútua, para que essa intervenção surta o efeito desejado e culmine em êxito.
O Serviço Social insere-se no contexto escolar como resultado da união de uma categoria, mas ainda por necessidade face ao contexto social político e econômico que presenciamos. A presença do assistente social no âmbito escolar facilita, sobretudo aos filhos de famílias mais carentes, e mesmo a estas, ao acesso aos serviços sociais e assistenciais, através de programas, informações e encaminhamentos realizados a partir da própria instituição que frequentam cotidianamente.
Sabemos que o assistente social não deve só diagnosticar problemas, mas propor alternativas para as questões sociais vividas por muitas crianças. Dentre essas problemáticas destacamos a evasão escolar que se caracteriza hoje como um grande nó a ser desfeito pelos profissionais que atuam na escola. O serviço Social na educação ainda encontra um desafio que é o de construir uma prática de qualidade no meio educacional em favor da igualdade e da justiça social.
Outro desafio encontrado pelos gestores de escola, e que num primeiro momento pode ser visto como não sendo atribuição primária do Assistente Social é o de manter e melhorar a qualidade do ensino. Mas essa tarefa só será bem sucedida se houver uma parceria entre a escola e a família, e esse trabalho nada mais é que o fortalecimento de vínculos, tarefa cotidiana do Assistente Social. O exercício dessa parceria deve ser estimulado pelos profissionais da escola que possuam habilidades para balizar o fazer pedagógico em parceria com o Serviço Social de modo a proporcionar um canal de comunicação eficaz entre a família e a escola. Essa ação deve ter um objetivo comum que é a promoção do aluno e a certeza de que algo está sendo feito em prol desse aluno, com o objetivo de assegurar que lhe sejas permitido o exercício pleno de sua cidadania.
O trabalho desenvolvido pelos assistentes sociais não se confunde ao dos educadores. Em que pese a dimensão socioeducativa de suas ações, sua inserção tem se dado no sentido de fortalecer as redes de sociabilidade e de acesso aos serviços sociais e dos processos sócioinstitucionais.(ALMEIDA, 2000).
Acreditamos que ao introduzir ações de acompanhamento social nas escolas da rede pública, abrem-se novas possibilidades de atendimento as necessidades dos educandos. Abrir a escola à comunidade, realizar trabalhos preventivos contra a evasão, a violência, o alcoolismo e as drogas, identificar formas de atendimento às demandas socioeconômicas dos educandos e de seus familiares e envolver a família na educação são algumas das ações que devem ganhar impulso com a implementação de leis e contratação de corpo técnico adequado e a atuação dos profissionais de Serviço Social é uma estratégia na defesa dos direitos da população atendida.
Segundo Iamamoto e Carvalho (1982, p. 259) o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI é um marco na atuação do assistente social na escola e o profissional de Serviço Social contribuiu desde o início de sua criação em 1942 e continua contribuindo, embora sua atuação na época fosse a perspectiva de ajustamento e atendimento aos interesses da indústria. (IAMAMOTO; CARVALHO, 1982, p. 259).
5. ATRIBUIÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL NO ÂMBITO ESCOLAR
De forma geral as atribuições do assistente social na área da educação podem variar conforme unidade de ensino, não devendo seguir uma regra geral, uma vez que a demanda produz a intervenção, mas segue pelo menos aos seguintes itens:
Atendimento e acompanhamento sistemático às famílias e alunos das unidades escolares, colaborando para a garantia do direito ao acesso e permanência do educando na escola;
Elaboração de Plano de Trabalho da equipe, contemplando ações/projetos para os diferentes segmentos da comunidade escolar, considerando as especificidades do território;
Monitoramento e acompanhamento dos educandos em situação de não frequência e evasão escolar;
Elaboração de relatórios de sistematização do trabalho realizado, contendo análises quantitativas e qualitativas;
Levantamento dos recursos da área de abrangência e articulação com a Rede Intersetorial;
Realização de estudos e pesquisas que identifiquem o perfil socioeconômico - cultural da população atendida, suas demandas, características do território, dentre outras temáticas;
Realização de reuniões de estudos temáticos, oficinas, estudo de casos, professores e equipe diretora/pedagógica da unidade escolar;
Participação nos espaços dos conselhos de políticas e direitos, fóruns, em especial das áreas da educação, assistência, criança e adolescente e saúde;
Fortalecimento da parceria com as equipes dos Conselhos Tutelares, CRAS, CREAS e unidades de saúde para viabilizar o atendimento e acompanhamento integrado da população atendida;
Participação semanal em reunião de supervisão, estudo de casos e planejamento(CRESS).
Segundo Conselho Regional de Serviço Social - CRESS,
A Constituição Federal de 1988 delega aos governos municipais o gerenciamento da educação no que diz respeito ao ensino fundamental. A Assistência Social, na iniciativa de garantir a concreta realização deste direito, volta-se para a promoção da inclusão social de famílias dos alunos matriculados na rede educacional.
Ainda segundo o CRESS, o trabalho do Serviço Social na Educação é voltado para identificar e atender as demandas provenientes da questão social que vai além do cotidiano do campo educacional.
As demandas do Assistente Social dentro do ambiente escolar vão além de efetivar o cumprir de direitos, vão ao encontro da interdisciplinaridade, do agir frente a conflitos geralmente pouco expostos e visíveis, ou seja, muitas vezes camuflados por pais presentes e “atenciosos”. Esse olhar deve ver além, deve saber julgar e pesar com sabedoria o porquê do aluno com frequência escolar estar apresentando baixo rendimento, porque esse aluno não se relaciona com colegas, porque confronta professores e não cumpre tarefas.
Esses conflitos muitas vezes são visualizados pelos professores em salas de aula e pátios, mas nem sempre tem êxito ao chamar pais ou responsáveis para uma conversa informal, muitas vezes não conseguem ouvir esse aluno em particular e simplesmente agem no automático que é pedir pra se retirar da sala e esperar na direção.
Esse aluno está visivelmente declarando um pedido de ajuda, pois de forma brusca ele responde aos colegas e professores, de forma desleixada cumpre tarefas simples. Muitas são as formas do aluno se expressar e mostrar que algo não está bem na sua vida pessoal.
É papel dos professores e todos educadores estarem alertas a esses sintomas básicos, e nesse ponto o Assistente Social, com olhar mais amplo e menos didático e nada voltado a questão do avaliar para dar uma nota de zero a cem, entra e consegue captar pequenos detalhes de comportamento e visíveis pormenores que a uma questão social muito profunda: a questão familiar.
O CRESS deixa claro que no contexto escolar o “êxito do aluno deve ser entendido como algo além da aquisição do conhecimento científico e tecnológico.” Essa mudança de paradigma nos leva a ideia de dar mais atenção a esse aluno como um todo, ou seja, não é só mais uma pessoa em busca do conhecimento, é alguém que tem vontades próprias tem saberes, tem anseios, têm inúmeras e talvez incalculáveis dúvidas, esse mesmo aluno pode ser alguém sem nenhuma ideia do que é respeito ao próximo, do que é ser respeitado.
Seguindo esse pensamento defrontamos com um local onde surgem diariamente inúmeros conflitos. Por quê? Por se tratar de um espaço com múltiplos seres, com ideias totalmente diferentes, com culturas diversas, ou seja, seres únicos em fase de desenvolvimento.
O serviço Social insere-se no ambiente escolar como um agente facilitador, que tem habilidades e competência para ser um elo entre escola/aluno, escola/família, aluno/família. Esse elo é construído através de confiança mútua, algo estabelecido no decorrer das relações, o que deve ser valorizado para obter o desejado êxito.
O CRESS nos diz que o “Serviço Social insere-se no contexto escolar como resultado da união de uma categoria, mas ainda por necessidade face ao contexto social político e econômico que presenciamos.” Podemos dizer sem dúvidas, que as famílias carentes e com menos acesso a informações ou serviços são as mais beneficiam com a presença ativa do Assistente Social atuando no âmbito escolar, seja para esclarecimentos de políticas públicas, informações ou encaminhamentos pertinentes a cada demanda.
Sabemos que o assistente social não deve só diagnosticar problemas, mas propor alternativas para as questões sociais vividas por muitas crianças. Segundo o CRESS “Dentre essas problemáticas destacamos a evasão escolar que se caracteriza hoje como um grande nó a ser desfeito pelos profissionais que atuam na escola.” E um dos maiores desafios do Profissional de serviço Social no ambiente escolar é criar e proporcionar uma prática efetiva de equidade e justiça social.
Outro desafio encontrado pelos gestores de escola, e que num primeiro momento pode ser visto como não sendo atribuição primária do Assistente Social é o de manter e melhorar a qualidade do ensino. E todos educadores sabem e lutam por uma tarefa árdua e muitas vezes pouco sucedida, que é trazer e manter pais ou responsáveis como parceiros da Escola, isto nos leva ao papel cotidiano do Assistente Social que é fortalecer vínculos, buscar apoio e dividir tarefas.
Existem profissionais da educação que são muito hábeis na arte de articular o fazer pedagógico, e com apoio efetivo do Serviço Social essa parceria tem de se tornar um canal muito mais eficaz na busca por fortalecer vínculos entre alunos, escola e pais ou responsáveis.
Essa ação deve ter um objetivo comum que é a promoção do aluno e a certeza de que algo está sendo feito em prol desse aluno, com o objetivo de assegurar que lhe sejas permitido o exercício pleno de sua cidadania.
O trabalho desenvolvido pelos assistentes sociais não se confunde ao dos educadores. Em que pese a dimensão socioeducativa de suas ações, sua inserção tem se dado no sentido de fortalecer as redes de sociabilidade e de acesso aos serviços sociais e dos processos sócioinstitucionais.(ALMEIDA, Julho/2000).
Uma forma que tem se mostrada muito eficaz, é introduzir as famílias no contexto escolar, seja em ações comunitárias como Escola aberta, ações como Amigos da Escola ou Saúde unida, atividade essa realizada pelas secretarias de Saúde em parceria com Escolas. Dessa maneira consegue- se êxito em trazer os pais ou responsáveis para dentro da escola, é uma maneira de ver como essas famílias se mostram, como se relacionam entre elas e com a comunidade, como trazem outros membros da família as vezes não conhecidos. Dessa forma consegue-se ter uma visão completa das necessidades dessa família, que podem trazer demandas como violência doméstica, alcoolismo, drogas. É nesse ambiente descontraído e informal que muitas formas de violência são mostradas, é esse olhar diferenciado que devemos se ter pelos alunos.
São nesses ambientes e que muitas vezes o Assistente Social consegue envolver a família e identificar demandas socioenomicas por vezes não trazidas de forma clara e assim realizar encaminhamentos para outra áreas da rede de atendimento.
Segundo Iamamoto e Carvalho (1982, p. 259) o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI é um marco na atuação do assistente social na escola e o profissional de Serviço Social contribuiu desde o início de sua criação em 1942 e continua contribuindo, embora sua atuação na época fosse a perspectiva de ajustamento e atendimento aos interesses da indústria. (IAMAMOTO; CARVALHO, 1982, p. 259).
Sabemos que “a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e a infância, a assistência aos desamparados” (BRASIL, 2012, p.10), são direitos legais instituídos em 1988 pela Constituição Federal, e que a educação é um desses itens e é caracterizada como direito social.
Sabemos também que é missão da sociedade formar cidadãos e proporcionar aos educandos desenvolvimento em todas as áreas, sejam cognitivas, psíquicas ou intelectuais. O artigo 205 deixa claro que é dever da família, do estado e da sociedade, garantir o desenvolvimento integral desse educando e também deixa-lo preparado para exercer seu papel como cidadão. (BRASIL, 2012).
Portanto, de acordo com a Constituição Federal de 1988 a educação será garantida e segue essa diretriz:
Art. 206. O ensino será ministrado com bases nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para acesso e permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII – garantia de padrão de qualidade;
VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal (BRASIL, 2012, P. 56)
O artigo 206 também especifica os alicerces sobre os quais a Educação deve se apoiar. É o marco na Educação:
I – igualdade de condição para o acesso e permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de ideias de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII – garantia de padrão de qualidade;
VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal (BRASIL, 2012, 56)
Segundo BRANDÃO(2004), a democratização da educação só se efetiva se estiver diretamente relacionada a outras garantias que vão desde a igualdade de acesso a vagas oferecidas pela rede pública, a igualdade de condições de acesso a escola, é primordial que existam vagas gratuitas suficientes a suprir toda demanda.
BASTOS(2001) nos esclarece que a gestão democrática unifica escola e comunidade escolar:
A gestão democrática restabelece o controle da sociedade civil sobre a educação e a escola pública, introduzindo a eleição de dirigentes escolares e os conselhos escolares, garante a liberdade de expressão, de pensamento, de criação e de organização coletiva da escola, e facilita a luta por condições materiais para aquisição e manutenção dos equipamentos escolares, bem como por salários dignos a todos os profissionais da educação (BASTOS, et al., 2001, p. 8).
Outra competência do Estado garantida no artigo em destaque é valorização dos profissionais de educação, plano de carreira, piso salarial entre outros.
O que podemos vislumbrar com as políticas públicas da Educação:
As políticas públicas são decisivas para a concretização de direitos humanos, pois elas atuam na estrutura básica do sistema capitalista contribuindo para a construção do bem comum, visando à redução das desigualdades sociais”... (FRANÇA e FERREIRA, 2012, p. 186).
Como vemos as políticas públicas são de total relevância em se tratando de efetivação de direito a educação de qualidade no Brasil, são elas de vital importância quando falamos em questões sociais como: redução da pobreza, erradicação da miséria, alfabetização na idade certa, fatores importantes para o desenvolvimento psicossocial. (FRANÇA E FERREIRA, 2012,p.187)
Segundo Quintão(2013, p.3) o Brasil está vivendo uma faze positiva em relação as políticas públicas direcionadas a Educação, criando sistemas institucionais de qualidade , os quais são em cooperação da União, Estados e Municípios.
O mesmo autor salienta:
Os problemas sociais não podem ser enfrentados como situações autônomas, sem relação com as causas estruturais que os produzem. Assegurar o direito à educação significa garantir o acesso e a permanência das crianças e adolescentes na escola, discussão que, obrigatoriamente, atravessa temas da realidade social, política, econômica e cultural brasileira. É dentro dessa complexidade que devemos buscar cada vez mais a integração das políticas setoriais, o entrelaçamento de respostas ainda hoje muito segmentadas às necessidades sociais, para potencializar os resultados.(QUINTÃO, 2013. P.3)
Como sabemos as políticas sociais são determinantes como cumpridoras dos direitos sociais muitas vezes descumpridos por parte da sociedade, e que por si impõem medidas imediatas para “a redução da desigualdade social, violência, preconceito e discriminação que se apresentam nas relações sociais de forma camuflada, e, muitas vezes, sutil”. (FRANÇA e FERREIRA (2012, p. 189).
O Estado e a sociedade devem estar em sintonia para que essa dinâmica se efetive de fato, pois é dever de cada cidadão efetivar e garantir que direitos e deveres sejam cumpridos.
Segundo Almeida,
A inserção dos assistentes sociais nos estabelecimentos educacionais, em particular nas escolas do ensino fundamental, tem representado, na atualidade, não apenas o desejo dessa categoria profissional e o resultado de sua atuação política e profissional na defesa dos direitos sociais e humanos, mas uma necessidade sócio-institucional cada vez mais reconhecida no âmbito do poder legislativo de diferentes estados e municípios. A presença dos assistentes sociais, sobretudo, nas escolas, tem sido tomada como a presença de um profissional que possa contribuir com a ampliação do processo educacional em sentido amplo, ou seja, contribuindo para o acesso e a permanência das crianças e jovens na educação escolarizada, assim como para a extensão dessa convivência para outros membros da família, que por razões sociais diversas não concluíram ou experimentaram plenamente esta oportunidade.
No ambiente escolar são travados vários conflitos, sejam culturais, sociais, religiosos, políticos, de gêneros ou raças e é nesse contexto diversificado que pensamos na atuação do Assistente Social como possível mediador social. Então a princípio é importante que o Assistente Social se aproprie do Projeto Político Pedagógico em vigor nessa escola, e assim através desse conhecimento e de sua atuação possa contribuir para fundamentar ações sociais que justifique sua permanência como parceira com objetivo relevante no processo educativo.
O papel do Assistente Social se efetivará quando ele constituir habilidades úteis para comunidade escolar, por exemplo, podendo ser um norteador de trajetórias quando o assunto é que profissão seguir, algo muito questionado por alunos a partir do 9º ano do ensino fundamental, podendo levar ao conhecimento dos interessados noções de mercado de trabalho, logística de determinadas profissões, testes vocacionais, saídas de campo a fim de explorar empresas em busca de conhecimentos técnicos.
O Assistente Social pode atuar como alternativa decisória quando o assunto é CPM – Círculo de Pais e Mestres, Grémio Estudantil, Eleições de Gestores entre outros. Pode participar efetivamente quando o assunto é angariar fundos monetários para a manutenção da Escola, usando de seus conhecimentos técnicos, pode organizar chás beneficentes, jantares, ações solidárias entre outras. Também pode atuar como incentivadora e mentora em programas como Amigos da Escola, Parceiros da Escola, Pais na Escola, Saúde e Prevenção na Escola.
Na revista Conexão Geraes do CRESS – Conselho Regional de Serviço Social da 6ª região traz uma entrevista esclarecedora sobre o papel do Assistente Social na escola. A entrevistada foi Janaína Andrade que em 2012 atuava como assistente social no Colégio Frei Orlando, em Minas Gerais.
Ao ser perguntada sobre: “De que forma o Serviço Social aborda a educação como campo sócio-ocupacional?”, Janaina responde:
A educação se constitui como uma política social pública. Ela demanda o envolvimento de diferentes sujeitos sociais e diversas categorias profissionais. Nesse contexto, vem se fortalecendo a atuação do assistente social. Um dos principais desafios do assistente social na atualidade é compreender a realidade a partir de sua leitura crítica, propondo um exercício profissional convergente com o nosso projeto eticopolítico. Temos como objetivo caminhar com os diversos movimentos pela defesa de políticas públicas de qualidade para todos. No campo da educação, devemos nos articular com os demais atores e promover debates que protagonizem e valorizem um ensino voltado para a emancipação do homem. Esta luta não é exclusiva dos assistentes sociais do campo da educação, mas também dos diversos atores atuantes na área, incluindo, evidentemente, a sua população usuária. (CONEXÃO GERAIS-CRESS. 2012, p 20).
Isso vem de encontro ao que abordamos até agora, que o Assistente Social tem importante papel na efetivação das políticas públicas e que sua atuação no âmbito escolar vem reforçar esse idealismo de garantia de direitos.
Ao ser questionada sobre: “Qual a importância do planejamento no trabalho do assistente social que atua na escola? Que tipos de estudos e levantamentos podem auxiliar nesse planejamento?” Janaína reforça o que havíamos compartilhado anteriormente respondendo:
Nós planejamos nosso calendário de atividades juntamente com a coordenação pedagógica, tomando por base as experiências do ano letivo anterior. O planejamento nos permite ter uma visão geral do trabalho. Através dele, nossa ação é mais elaborada e mais assertiva. Mas não pode ser um planejamento enrijecido. A flexibilidade deve existir para que, diante de situações inesperadas, possamos fazer mudanças nas atividades previstas. Às vezes um tema que acreditávamos estar bem assimilado pelos alunos pode reaparecer em decorrência de alguma determinada situação.(CONEXÃO GERAIS-CRESS. 2012, p 20)
Outra questão importante e de grande relevância abordada na entrevista foi sobre “Como o Assistente Social estimula a articulação entre família e professores na formação do aluno”. Janaína vem de encontro ao que anteriormente questionamos, e embasa de forma clara esse papel do A.S.
O assistente social tem um papel de mediador em diversas situações, não apenas na educação. Ele facilita o diálogo, o debate e o entendimento. Na escola, as reuniões são instrumentos valiosos para que pais, alunos, professores e coordenadores pedagógicos possam discutir e refletir sobre determinadas questões, buscando uma solução consensual. Cabe ao assistente social planejar estes encontros e orientar as discussões em cima de questões que estão sendo observadas no cotidiano da escola.(CONEXÃO GERAIS-CRESS. 2012, p 20).
Quando o assunto é baixo rendimento escolar e desinteresse pelos estudos, Janaina intervém tentando reverter esse quadro da seguinte forma:
É sempre importante conhecer o contexto em que um determinado problema se situa. Quando diagnosticamos um baixo rendimento escolar, realizamos conversas com o aluno e a família, para buscar possíveis causas da situação. Problemas de relacionamento em casa, separação dos pais, influência de amigos e diversos outros fatores podem gerar um desinteresse pelas aulas e estudos, tendo como consequência uma nota baixa. A abordagem diferencia de pessoa pra pessoa. Não há soluções prontas como uma receita de bolo. As estratégias devem ser pensadas considerando a especificidade de cada caso e buscando o envolvimento dos professores e, em alguns casos, de psicólogos. .(CONEXÃO GERAIS-CRESS. 2012, p 21).
Janaína também é questionada sobre o papel do Assistente Social quanto a questões sobre drogas, gravidez na adolescência, bullying e como são tratados esses temas dentro do ambiente escolar. Sobre isso ela responde:
Nós temos observado que o estresse, a agitação, a turbulência e a contestação, que são características da sociedade contemporânea, estão afetando muitos estudantes do ensino fundamental. Isso gera dificuldades psicocognitivas. Nesse contexto, surgem diagnósticos de déficit de atenção, déficit de alfabetização, hiperatividade, transtorno desafiador opositivo, etc. Diante de quadros como esses, é importante a compreensão e a participação de todos os atores da escola. Alguns fatores podem complicar a situação, tais como pais ausentes; dificuldade extrema de relacionamento com os amigos; problemas e dúvidas em relação à sexualidade que impeçam o seu desenvolvimento natural; cobrança excessiva em casa; falta de limites; conflitos exacerbados entre os pais; e excesso de atividades extracurriculares. Outro problema é que, muitas vezes, ocorre a rotulação das crianças e adolescentes no espaço escolar. Cria-se um modelo de aluno padrão e aqueles que fogem à regra são logo alvo de críticas. .(CONEXÃO GERAIS-CRESS. 2012, p 21).