O futuro do Direito Alternativo
O Direito Alternativo já é, nos dias atuais, consolidado tanto no meio acadêmico como forense. Sendo assim, gostaria de indagar os companheiros de luta qual o próximo passo a tomar em nossa árdua luta contra a hipocrisia legal? Vida em abudância a todos!
DAniel Menezes
Caro Companheiro Daniel
Gostaria de discordar do seu texto inicial no que tange a consolidação do Direito Alternativo no meio forense e acadêmico. Na verdade, o que se precebe na lúdica e mágica Bahia é a apropriação do aparato jurídico por uma elite que insiste na exploração opressora de recursos humanos e na monopolização dos três poderes (legislativo, executivo e judiciário) afim de benefício próprio. O Direito Alternativo ainda é rebatido dentro da academia da forma mais perversa que poderia ser. Ou seja, na base da "fofoca" de corredor onde seus críticos negam-se a participar de um debate mais lúcido e politizado. Se esses entraves já estão superados em Campinas, parabéns companheiro. Se não a luta ainda é pela tentativa de conseguir trazer o Direito Alternativo na para a pauta do dia na academia, no juri, nos escritórios, nos gabinetes e principalmente sindicatos, entidades de classes, de raça, de gênero, ONG's e até mesmo para a sociedade civil não organizada.
Agredecimentos Luis Costa
Companherio,
Por erro meu não fui claro no texto inicial. A tão sonhada consolidação do Direito Alternativo nunca se deu nos tribunais, mas creio que vem se consolidando nos meios acadêmicos sim, principalmente se observarmos o crescente número de monografias de final de curso sobre o tema. Obviamente, o direito alternativo ainda é motivo de "piadinhas de corredor" por parte do entulho autoritário que habita as Faculdades de Direito. Mas isso é um bom sinal, pois mostra que estamos começando a incomodar. Por favor, deixe seu e-mail para no comunicarmos melhor, o meu é [email protected]
Abraço Daniel
Prezado Luís Vinicius
Sem dúvida, o direito alternativo se consolidou enquanto movimento crítico jurídico. Este , acredito o seu grande valor: chmara atenção para importantes apstectos do fenômento jurídico que a doutrina tradicional - intencionalmente ou não - se furta a perceber. Sou simpatizante das idéias do Movimento. Meu pensamento, bem como um estudo sobre o DA pode ser conferido em livro recentemente lançado pela editora Juruá de minha autoria intitulado: "Direito Alternativo: uma contribuição à teoria do direito em face da ordem injusta" Maiores informações em www.jurua.com.br Estou a disposição para debater e torcar informações sobre o tema Um abraço Bruno
Seguinte caro colega.... O grande nome do Direito alternativo Amilton Bueno de Carvalho tem um livro bem didático analisa e/ou comenta julgados reputados como de "uma visão alternativa do Direito". São básicamente decisões de direito penal e processopenal. Anote-o: CARVALHO, Amilton Bueno de. Teoria e Prática do Direito Alternativo. Porto Alegre: Síntese, 1998.
Além disso acho que a nota de rodapé do meu livro responde sua pergunta. Transcrevo:
Uma série de julgados tidos como de Direito Alternativo podem ser encontrados: na Revista de Jurisprudência Alternativa, organizada por Amilton Bueno de Carvalho, Editora Acadêmica, já no seu terceiro volume; e nos livros Teoria e Prática do Direito Alternativo (ver dados na bibliografia) e Direito Alternativo na Jurisprudência (Editora Acadêmica, 1993) ambos, também, de Amilton Bueno de Carvalho.
Acho que é isso. Espero ter auxiliado. Um abraço BRUNO
O direito alternativo nada prova, nem nada quer dizer. Admitir tamanho excesso de poder - levando em conta o que já tem - nas mãos de um julgador além de algo absolutamente temerário é algo que encontra óbice na própria lei.
jÁ TIVE A OPORTUNIDADE DE LER O LIVRO DE AMILTON BUENO E O QUE PODE INFERIR É QUE ELE NADA MAIS FAZ DO QUE JULGAR COM CONSCIÊNCIA, OA REVÉS DE MUITOS OUTROS QUE ANDAM POR AÍ PRATICANDO VERDADEIRAS A B E R R A Ç Õ E S !!! (diga-se de passagem que em alguns julgados proferidos por alternativistas, o réu foi condenado a pagar 15 "peruzinhos" (girar em torno do próprio dedo indivador enconstado num certo pontoa ao chgão) por ter desrespeitado uma autoridade.
Por outro lado, quando se tem consciência e senso de justiça faz-se o que o magistrado catarinense fez: manda soltar os "ladrões de galinha" que abarrotam os presídios do nosso país; isso, absolutamente não é direito alternativo, mas sim bom senso de justiça.
Ante essa inelutável constatação acredito que o futuro dessa verborréia é fadado ao esquecimento.
Queres ainda travar um embate?
Dentro da pauta do debate, é de fundamental importância alertar que o direito alternativo no Brasil tanto é praticado nos tribunais, principalmente no Rio Grande do Sul, de onde surgiu o movimento em nosso país, como este se difunde cada vez mais nos meios acadêmicos, possibilitando uma visão mais sociológica e filosófica do direito. É evidente que devido às críticas de algumas alas arcaicas e conservadora de juristas, que por não entenderem a essência do movimento, alegando a questão da insegurança jurídica,sua consolidação é impedida. Portanto, é de fundamental importância que nós, futuros operadores do direito, com o intuito de realizar nossa função social, nos engajemos no sentido de aderir a filosofia do direito alternativo, em entender o direito como algo em constante mutação, afastando uma visão da norma como algo unívoco,e retomando o princípio da eqüidade desenvolvido por Aristóteles, juntamente com o pensamento crítico de Marx, para que assim, possamos construir uma sociedade em que não prepondere a injustiça pautada nos dogmas burgueses contidos nas normas.
A dogmática do direito alternativo, que já pude comentar em outro link desta mesma seção de debates, torna possível afirmar que seria o caminho para uma visão sociológica e filosófica do Direito. Pode-se até afirmar que seria mais um caminho, mas dizer que é o único, não é justo com séculos de correntes de pensamento.
Do mesmo modo que não considero justo chamar de "arcaicos" todos que discordam de tuas idéias. Isto não é produtivo para um espaço que se pressupõe que seria de debates. Expor as próprias opiniões sem ofender as dos demais é bem mais saudável meio de conversar.
Sob o risco de ser chamado de "arcaico" por você, convido a ler os debates que já foram realizados sobre o tema, em que pude afirmar não ter qualquer ligação com o pensamento crítico de Marx a defesa do direito alternativo. Pois Marx era contra a existência do Direito (não de uma espécie de Direito) pois, como expressão do Estado seria, necessariamente, meio de repressão social a serviço da burguesia.
Escrevi sobre isto em "O Direito como Ideologia na Perspectiva Lukacsiana" e posso enviar por e-mail artigo de Marx sobre o tema publicado na Revista Práxis.
Claro que se eu não for "arcaico" demais para discutir com você.
Sérgio.
Caro Antonio,
Fico feliz por alguém, creio se diga anti-alternativista, se coloque disposto ao que chama de embate.
Primeiro permitida corrigí-lo, pois o Desembargador Amílton não é catarinense e sim gaúcho.
Começando o que você chama de "embate", creio estar equivocado quando coloca "nada prova sem nada dizer".
É óbvio que o juiz julga com conscisência, como você afirma. Entretanto, quando essa consiciência depara-se com o anti-valor da justiça contido na aplicação da lei, este afasta-a, aplicando os princípios gerais anteriores a qualquer lei. Está aí a diferença dos tradiconalistas, posição que você parece defender.
O termo "alternativo", não é de autoria dos alternativistas, e sim, fora colocado por tradicionalistas, os quais ficaram incomodados com a posição dos alternativistas.
Incomodo este, é o motivo pelo qual acredito no futuro do direito alternativo, o qual limpará as águas sujas de nossa sociedade.
Sugiro também ao colega, maior urbanidade em seus escritos, pois verborréia é termo forte, sendo que você demonstrou não ter tanto conhecimento para empregá-lo.
Daniel Menezes
O Direito Alternativo é que é arcaico! Retorna a temas batidos, como o conflito entre lei e justiça, esse tipo de coisa, quando já temos um material normativo capaz de oferecer excelentes soluções para os problemas sociais. A forma marxista de se expressar é que é arcaica, quando hoje, na filosofia, já falamos em pós-modernidade, queda das metanarrativas, pragmatismo. Tudo isso já não tem mais nenhuma ventilação na Europa ou nos EUA. Passou. Há formas muito mais criativas e científicas de dar respostas aos problemas levantados pelo Direito Alternativo. Basta ler um pouco e saber. Por exemplo, um autor que é citado pelos alternativos, mas parece que só lêem um capítulo da obra, é Ferrajoli, que não tem nada de alternativo, mas é excelente. Também ler Roxin, na área penal, ou Friedrich Muller, Dworkin, Alexy, etc.etc.etc. Há mil saídas para evitar o "Deus nos acuda" epistemológico dos alternativos. Hoje, a única forma de compreendê-los é como movimento social, inserido no Poder Judiciário, que é legítimo, como todo movimento social, mas não é científico.
Depois de tempos sem acessar o sítio do jus navigandi, entro na sua sala de debates e dou de cara com o andamento do debate sobre Direito Alternativo.
Como movimento jurídico progressista podemos dizer que percebemos um refluxo muito grande e um consequente esvaziamento político. O Movimento Direito Alternativo não é mais aquele movimento de 10 anos atrás. As causas infelizmente não tenho subsidios para comentar.
No entanto, na academia (e olha que não morro de amores por ela, muito pelo contrário) o DA continua a satisfazer as pretensões de inúmeros estuadantes que almejam um sociedade mais justa, fraterna, viável e popularmente referendada. O DA torna-se um refúgio dos estudantes que procuram um mundo melhor contra os estreitos da legalidade legitimadora da exclusão e da violência, e não a legalidade que oferece "um material normativo capaz de oferecer excelentes soluções para os problemas sociais" como almeja a quimera do colega Moysés Neto.
Considero que o velho Marx não traz a resposta completa de tudo, mas com força maior estou cada vez mais convicto de que o barbudo não pode ser abandonado com também sugere o colega apelando para a refenrência bibliográfica colonizada: "Tudo isso já não tem mais nenhuma ventilação na Europa ou nos EUA".
Se você for prestar muita atenção realmente a luta de classes faz diferença nas diversas relações sociais que encontramos na vida cotidiana. É só sair da acadêmia que você irá encontrar um vendendor de pastel em frente a Universidade, e esse mesmo vendedor de pastel não vai entrar na univbersidade por não tem o dinheiro do cursinho ou da matrícula. Mas não seria melhor que o vendedor tivesse seu diploma? Respondo: a nossa universidade é espaço de formação de quadros serviçais para a elite economica extraido das próprias elites e classe média (deculpe se eu falei a verdade... mas é a verdade... e dói).
Além do mais, a simples revisão pelo "pós-modernos" não indentifica um situação de crise. Muito pelo contrário, fácil bastante encontrar adeptos do "pós-industrialismo" forçando a legitimação do status quo através deseus escritos que sugerem o "fim da história" e uma "inevitável" vitória do Capitalismo (ver Fukuiama).
Ex-marxista (se é que existe) e adepto da pós-modernidade Boaventura dse Souza Santos oferece excelentes subsídios para uma crítica ao direito inaugurado na modernidade, que para aquecer a nossa tímida memória foi o direito escrito e codificado da classe vitoriosa da Revolução Francesa. No processo de positivação do direito, a classe antes revolucionária abandona o direito de resistência e passa a considerá-lo anomia social (neste sentido faz bem um leitura combinada, e crítica é claro, de Durkheim e Wolkmer).
Para terminar, gostaria de propor duas ações para os estudantes e profissionais que não querem se submeter a medíocre tarefa de copiar códigos nas provas escritas realizadas pelos nossos ilustres professores e não admitem a difícil e árdua tarefa de defender a frio gosto as intangiveis letras adormecidas nos códigos por vezes repressores:
Primeiro: Não se afastem dos Movimentos Sociais, se possível atuem neles, e não somente considere-os legítimos.
Segundo: Os "donos do poder" sempre se utilizaram do direito e da ciência para se perpetuar no poder e vendem o discurso da neutralidade por ser cômod a e fácil a manutençao do mesmo. Não deixem de realizar o pensamento crítico com o intuito de transformação da sociedade.
Luis, é complicado dialogar com alguém que acha que porque eu falo que os marxistas, e não Marx, não têm mais trânsito nos EUA ou na Europa, sou "colonizado". Esse tipo de discurso fascistóide para mim é coisa de viúva de Stalin e Fidel Castro. Não há dúvida que as pessoas - pelo menos a maioria - que estão ao lado do Direito Alternativo são bem intencionadas. Mas, se dessem uma estudadinha a mais, talvez ler um Dworkin, um Alexy, um Muller, ou pelo menos o Paulo Bonavides (!), veriam que temos um material normativo - leis, como o CDC, ou a própria Constituição - à disposição para reler o sistema jurídico sem apelar para escolhas idiossincráticas e vagas como a "busca da justiça no caso concreto". Ora, é óbvio que todo raciocínio jurídico busca justiça no caso concreto. A questão é: somos livres para dizer qualquer coisa, então? Ou temos que fundamentar com base naquele Poder que é investido pelo povo (Constituinte ou Legislativo) decide, dentro da sua competência? Será que os juízes podem ser metralhadoras giratórias de uma ideologia que deu origem a um regime totalitário? Houve um esvaziamento político por razões óbvias: o mundo não é mais o mesmo. Nosso Presidente é um exemplo disso. Outro problema dos marxistas: distorcem a imagem dos pós-modernos e falam bobagens como comparar Pós-Modernismo com Fukuyama. Falam de pós-modernismo como discurso do Capital, etc., etc., etc. Leiam pelo menos Lyotard (o livro, não o prefácio!), antes de falar estas asneiras. Há uma diferença significativa entre queda das metanarrativas e "fim da história". Ninguém está falando de neutralidade, ninguém está falando de copiar códigos. Basta ler um pouquinho e saber que com princípios a gente já resolve 90% do que os alternativos resolvem com o "que está na cabeça, o justo". Estamos falando de uma outra visão de resolução dos conflitos, não por meio de ideologias raivosas e ortodoxas, mas de forma negocial e sustentável. O Direito Alternativo não é nada disso.
Não sei como se pode defender que o direito alternativo seja um movimento "novo" ou "revolucionário".
Ser "novo" não é vantagem. Modismos ideológicos surgem a todo instante mas as grandes teses que movem os grupos sociais já são seculares, sem que a defesa do socialismo, da democracia, da anarquia, de teses religiosas, tenham sido extintas. Por outro lado, as "tendências" que surgem (neoliberalismo entre outros "neos") não mostram fôlego.
Não há qualquer traço "revolucionário" no direito alternativo. Revolução significa transformação radical da sociedade. Tivemos esta situação na transição provocada pela Revolução Francesa, podemos chamar de revoluções a Revolução Americana e Inglesa. Fora das revoluções liberais, a Revolução Russa marcou uma forma de sociedade em que, mesmo ainda existindo o capital, já não existia o capitalismo.
O direito alternativo é casuístico, ou seja, resolve apenas nos limites da decidibilidade forense em cada caso concreto e isolado. É grande poder aos juízes, o que foi muito relevante em tempos de ditadura, mas hoje temos outros mecanismos mais eficientes.
A possibilidade de interpretar o Direito aproveitando as suas lacunas não significa um "uso alternativo do Direito", mas apenas a prática profissional de qualquer operador do Direito. Todos podem fazer isto. A defesa de direitos metaindividuais não significa que alguém seja "alternativista", pois é dever constitucional do Ministério Público, consta no Código de Ética da OAB como dever de todos os advogados, enfim, está inserido na prática profissional de todos.
Por outro lado, o direito alternativo atrapalha mais do que ajuda. Pois o debate torna-se difícil com alternativistas porque consideram-se donos daquele que é O direito alternativo, como se não existissem tantas correntes jurídicas alternativas àquele que eles chamam de "direito do asfalto" ou "oficial".
Eugen Erlich, no começo do século XX, aintes dos alternativistas nascerem, já falava na co-existência de sistemas jurídicos diferentes em mesma sociedade. Nada há de novo nos termos defendidos por alternativistas e a sua crise atual, pois não conseguem se propagar nem aprofundar suas teses, mostram o quanto seu discurso é superficial.
No momento em que todas as soluções encontradas por alternativistas pressupõem atos no meio forense, eles defendem a continuidade do sistema jurídico como o conhecemos, logo são extremamente conservadores. Não conseguem pensar em outra forma de sociedade mas apenas em aproveitar falhas isoladas do sistema.
Mudando um pouco de assunto. Peter Kirkpatrick publicou um interessantíssimo artigo na revista Praxis sobre o marxismo nos Estados Unidos. Com a perseguição do macarthismo, os marxistas norte-americanos seguiram duas tendências. Por um lado, agruparam-se em algumas universidades, com ótimos centros de estudos marxistas. Por outro, levaram seus projetos para o Partido Democrata e, em vez de ouvirem ofensas por serem marxistas, tinham o verniz daquele partido para conseguirem vitórias políticas. Outros textos sobre o mesmo assunto foram escritos por Eric Hobsbawm ("Era dos Extremos"), István Mészáros ("Para além do capital"), Pierre Bourdieu ("Contracorrente"), além de ser assunto constante nas revistas brasileiras Reportagem, Caros Amigos e Novos Rumos (respectivamente: www.oficinainforma.com.br; www.carosamigos.com.br; www.mhd.org/novosrumos)
Ralph Nader, ao se candidatar a presidente dos EUA, conseguiu mais de um milhão de votos, sendo candidato do Partido Comunista daquele país. Além disto, é uma liderança sólida entre movimentos sociais desde as batalhas de Seattle da década de 1990. Mesmo nas artes, no cinema americano e na música, grupos marxistas podem ser encontrados.
Além do papel do marxismo nos EUA não estar tão isolado quanto parece, na Europa multiplicam-se os centros de estudos, os movimentos sociais marxistas. Exemplos são mostrados nos seguintes sites:
http://resistir.info http://globalization.cjb.net www.marxists.org
Mas não vou continuar escrevendo sobre este tema por não ser o assunto do presente debate, a não ser que alguém nele insista.
Att.
Sérgio Coutinho
André, estou mais ou menos de acordo com você quanto ao papel do Direito Alternativo. Na época da ditadura, entendo que até tinha utilidade, porque era um meio de resistência. No ambiente democrático, só pode ser resistência à democracia, entretanto. Como você disse, e eu já havia dito, há outros instrumentos muito melhores. Basta olhar: é melhor convencer um juiz penal a absolver um ladrão de dez reais pelo princípio da insignificância ou pelas condições sociais desfavoráveis que não lhe deram alternativa de vida e blah blah blah? Temos que ser pragmáticos, as alternativas dentro do sistema são bem mais eficientes do que divagações que 90% dos juízes não vão aceitar (aliás, corretamente). É melhor estudar o Código de Defesa do Consumidor ou aplicar a "justiça do caso concreto" contra os juros dos "malvados bancos"? O que me preocupa mais é a questão da legitimidade desses juízes, que se acham profetas da verdade e da solução para os problemas sociais. Quanto ao fato de serem conservadores, também estamos de acordo. Um juiz que se diz alternativo na verdade rejeita toda e qualquer evolução legal e até metódica no Direito, capaz de transformá-lo em algo não "a serviço dos poderosos". O Direito seria instrumento de dominação, é o que está na cabeça deles que é instrumento libertário. Ora! Agora, quanto à segunda parte. Tb acho que aqui não é lugar para discutir marxismo, mas já que falamos... A própria descrição que deste do "importante" papel no marxismo nos EUA já diz claramente o quão não-importante é. Ou seja, exerceu um papel claramente marginal na sociedade americana. Os americanos sempre ouviram mais filósofos pragmatistas, como Dewey ou John Stuart Mill, hoje Rorty, talvez, em vez de Marx. Evidente que na Europa ou em qualquer outro lugar do mundo há muitos marxistas. Mas está muito claro que o paradigma está esgotado, não dá pra sugar mais quase nada da "doutrina". De Marx, ainda podemos salvar muita coisa. Mas dos marxistas, quase nada. Na Internet, se vc pesquisar bem, é capaz até de achar sites nazistas ou fascistas. Não será por aí que anda o astrólogo Olavo de Carvalho? Então não é argumento trazer sites à tona. Acho que estamos em face de uma realidade muito mais complexa do que a que Marx viveu. E até ele - que disse que não era marxista, mas ninguém quis ouvir - saberia disso. Quem não sabe são as viúvas de Stalin e Fidel, como o nosso Colega que acha que faço o discurso "dos colonizados".
Abraço!
Moysés,
Apesar de não ser lugar para discutir marxismo, já que retomou o assunto, épreciso fazer alguns esclarecimentos.
Não elenquei quaisquer sites, não são blogs pessoais nem home-pages de meia dúzia de desocupados, mas de revistas eletrônicas e centros universitários de estudos. Está convidado para visitar os endereços antes de usar o prosaico argumento de que na internet cabe qualquer coisa, logo nada devia ser levado em consideração. Lembremos que há centenas de comentários neste forum online, inclusive teus, e são textos que merecem consideração, mesmo sendo na internet.
Quando você afirma que quase nada se salva dos marxistas, mais uma vez usa de uma perigosa generalização. É teu direito discordar, mas desconsiderar o pensamento de Antônio Gramsci, György Lukács e István Mészáros como fez ao dizer que quase nada se salva não me parece algo justo. Se ainda quiser retomar o assunto, está convidado para se manifestar sobre estes autores terem-se tornado obsoletos. Marxistas não são "viúvas de Stalin e Fidel", mas adeptos de diferentes ideologias que têm como objeto comum a busca por meios de superar a luta de classes e a sociedade do capital. Não concordo com o método de debate que se baseia em esnobar o que não conhece.
Se nos Estados Unidos tivéssemos uma plena democracia, não seria preciso que os marxistas precisassem unir-se em núcleos restritos. Não é por fragilidade teórica, mas pelo macarthismo que esta corrente do pensamento não conseguiu se expandir mais naquele país. Se não considerasse sem importância os sites que trouxe ao debate, poderia confirmar o quanto o marxismo ainda influencia as lutas sociais no mundo.
Aguardando as próximas ofensas,
Sérgio Coutinho
Que é isso, Sérgio? Quem ofendeu vc? Acho que está na hora de começarmos a falar com mais sinceridade e menos formalidade. Não consigo ser formal, nem quero, pq acho que o único efeito desse tipo de tratamento é o distanciamento da realidade. Ah, e a valorização de coisas ruins. Por exemplo, o "douto não sei quem diz isso". Ele pode estar dizendo uma bobagem e não ser nem um pouco douto, mas para nós, do Direito, qualquer um leva esse tipo de titulação. Não estou muito preocupado em ser gentil ou respeitoso, mas de defender pontos de vista em relação a um intelocutor. Se, com isso, se sentiste ofendido, lamento, mas não vou pedir desculpas. Tá bom, são "centros de estudos". Tudo bem. O PSTU tb é um "partido político", né? Nem por isso eu concordo com o que eles dizem. Evidente que as coisas que estão na Internet devem ser levadas em consideração. Nunca disse o contrário. Acho até que estamos criando novas formas de comunicação e subjetividade, um pouco do que Pierre Lévy defende. Tanto que respondo os seus e-mails. Mas isso não as torna representativas, no sentido que eu dei, adequadas. Os filósofos que citaste, dentro do seu contexto, são importantes. Mas nasceram numa época de um mundo bipolar, onde o marxismo ainda era uma língua plausível. Hoje vivemos num mundo pós-moderno e temos que encontrar outras formas de discurso. Nem por isso vamos jogar fora noções como a de "intelectual orgânico", de Gramsci. Ou desprezar Adorno, Horkheimer, Habermas e a Escola de Frankfurt em geral, por exemplo. Nada a ver. O que eu quero dizer é que o discurso marxista convencional, aquele do PSTU mesmo, que é o do Direito Alternativo, esse sim está batido e só é defendido pelas viúvas. Os mesmos que precisam ver um massacre de presos políticos para creditar que Fidel é ditador. E tem uns que nem assim acreditam! O Boaventura, que o nosso Coletga citou, é um bom exemplo de marxista que abandonou, viu o esgotamento, do modelo marxista. Nem por isso abandonou Marx. Só que agora, para ele, Marx tem um mesmo valor de um Rorty, de um Dewey, de um Aristóteles ou de um Hegel. Entende? O que está esgotado é a "missa marxista". Não vou dar de advogado dos EUA, então não vou discordar da sua opinião do pq do marxismo não evoluiu nos EUA. Só que acho que não foi só por mackartismo, acho que também tem outros fatores fatores culturais que impedem esse tipo de ideologia nos EUA. Mas, como já disse, não vou dar de advogado.
Abraço.
Que é isso, Sérgio? Quem ofendeu vc? Acho que está na hora de começarmos a falar com mais sinceridade e menos formalidade. Não consigo ser formal, nem quero, pq acho que o único efeito desse tipo de tratamento é o distanciamento da realidade. Ah, e a valorização de coisas ruins. Por exemplo, o "douto não sei quem diz isso". Ele pode estar dizendo uma bobagem e não ser nem um pouco douto, mas para nós, do Direito, qualquer um leva esse tipo de titulação. Não estou muito preocupado em ser gentil ou respeitoso, mas de defender pontos de vista em relação a um intelocutor. Se, com isso, se sentiste ofendido, lamento, mas não vou pedir desculpas. Tá bom, são "centros de estudos". Tudo bem. O PSTU tb é um "partido político", né? Nem por isso eu concordo com o que eles dizem. Evidente que as coisas que estão na Internet devem ser levadas em consideração. Nunca disse o contrário. Acho até que estamos criando novas formas de comunicação e subjetividade, um pouco do que Pierre Lévy defende. Tanto que respondo os seus e-mails. Mas isso não as torna representativas, no sentido que eu dei, adequadas. Os filósofos que citaste, dentro do seu contexto, são importantes. Mas nasceram numa época de um mundo bipolar, onde o marxismo ainda era uma língua plausível. Hoje vivemos num mundo pós-moderno e temos que encontrar outras formas de discurso. Nem por isso vamos jogar fora noções como a de "intelectual orgânico", de Gramsci. Ou desprezar Adorno, Horkheimer, Habermas e a Escola de Frankfurt em geral, por exemplo. Nada a ver. O que eu quero dizer é que o discurso marxista convencional, aquele do PSTU mesmo, que é o do Direito Alternativo, esse sim está batido e só é defendido pelas viúvas. Os mesmos que precisam ver um massacre de presos políticos para creditar que Fidel é ditador. E tem uns que nem assim acreditam! O Boaventura, que o nosso Coletga citou, é um bom exemplo de marxista que abandonou, viu o esgotamento, do modelo marxista. Nem por isso abandonou Marx. Só que agora, para ele, Marx tem um mesmo valor de um Rorty, de um Dewey, de um Aristóteles ou de um Hegel. Entende? O que está esgotado é a "missa marxista". Não vou dar de advogado dos EUA, então não vou discordar da sua opinião do pq do marxismo não evoluiu nos EUA. Só que acho que não foi só por mackartismo, acho que também tem outros fatores fatores culturais que impedem esse tipo de ideologia nos EUA. Mas, como já disse, não vou dar de advogado.
Abraço.
Lembra destas frases?
"Esse tipo de discurso fascistóide para mim é coisa de viúva de Stalin e Fidel Castro".
"Outro problema dos marxistas: distorcem a imagem dos pós-modernos e falam bobagens ..."
"Leiam pelo menos Lyotard (o livro, não o prefácio!), antes de falar estas asneiras".
Se para você estas afirmações são aceitáveis num debate sério, se, como você inicia tua mensagem faltou-me sinceridade por respeitar o diálogo, então não responda. Não vou perder meu tempo respondendo a quem quando discorda chama de "asneiras", "bobagem", "arcaico" apenas o que diverge.
Se para debater marxismo você é capaz apenas de lembrar a guerra fria, Fidel e o PSTU, então é melhor você continuar usando apenas ofensas.
Se para você ter argumentos consistentes sem ofensas é "dar de advogado", se é isto não ofender o interlocutor, prefira continuar aproveitando-se da distância que a internet concede para ofender à vontade. Mas não responderei mais. E não lamento por isto.
Quando falta mínima maturidade não é possível o debate.
Sérgio.
Bom, Sérgio, não posso te obrigar a debater. Fique à vontade. Se usar termos coloquiais e não-eufemísticos te ofende tanto, realmente não vai dar pra discutir, porque não estou a fim de sutilezas. A discussão boa é a que mexe com os brios. Vc já assistiu um júri? Claro que já. Já deve até ter atuado, pois é advogado. Nunca disse que tu não foste sincero. Basta ler o que escrevi. Disse que eu estava sendo sincero. Na verdade, está incorreto: a palavra não é sincero, é espontâneo. Se vc não perde seu tempo comigo, tudo bem. Tb não perco o meu contigo, embora não considere um debate perda de tempo (isso que estamos fazendo agora é). Mas se PSTU, Fidel e guerra fria não são marxismo, o que é? Os marxistas não discutem mais isso? Avisa para eles, então! Já disse dez vezes, e vou repetir, não para ti, que já sabe, mas para qualquer um que ler essas mensagens, Marx é um pensador importante, como são Hegel, Nietzsche, Aristóteles ou Kant. Mas não vou utilizá-lo como Jesus Cristo. Por isso eu acho o marxismo um discurso ultrapassado. Vc não entendeu nada do "dar de advogado", ou entendeu e fingiu não entender. Só quis dizer que não assumiria uma posição favorável aos EUA, de forma geral, porque tb acho um país com numerosas deficiências, principalmente quanto ao pensar fora dos lugares-comuns. Era restrito a isso. Agora, se vc ficou magoado, não posso fazer nada. Só não pense que vou me sentir "imaturo" ou coisa do gênero. Meu Deus, o mundo do Direito é um saco mesmo! Ninguém aceita debater como se estivesse numa mesa de bar, que é como se tratam as pessoas na Internet. Vcs acham que essas listas são autos de um processo? Q porre, numa lista de filosofia ou política esse tipo de "delicadeza" não existe. É só ver, de uma maneira geral, o quanto são diferentes os diálogos dos juristas. Sempre com um formalismo triste!
Mas tudo bem, não precisa me responder. Pode ficar tranqüilo que não vou cortar os pulsos. Desculpe, aliás, importuná-lo com essa mensagem.