Conversa informal
Pronto, inaugurado o tópico. Assim aqueles assuntos paralelos, sem ligação com os tópicos correspondentes podem vir para cá.
Já evidenciei o "rebate-mentira" em outro tópico (adequado)***, portanto, não há lógica alguma em postar aqui.
OBS: Errei, por isso, irei editar a mensagem '08/09/2012 01:18' para não deturpar o espaço. (Desculpem por postar em local inadequado)
Atte. . . . ***EDIT: Esqueci de mencionar o Tópico em questão:
Olá Dr. O Pensador!
Desculpa ter sido evasiva, mas é fruto da minha atual confusão mental. Há algumas correntes respeitantes à ordem jurídica, como o neopositivismo, o jusnaturalismo contemporâneo, a doutrina da natureza das coisas, etc.
Vc acompanha o entendimento de alguma corrente?
Obrigada
Abraços
Dr. O Pensador;
Desculpa a minha franqueza, mas o meu grande problema, que somente agora estou a senti-lo, é que eu não tive matérias como ID, metodologia jurídica, filosofia jurídica, e andei a dormir nas aulas de sociologia do direito; esta ausência está a gerar uma enorme deficiência. (editado a partir daqui) Estou com dificuldades para compreender Dworkin, pois me falta base.
Abraços
Nobre Cavaleiro;
Obrigada, vou ler um pouco sobre o Neoconstitucionalismo, para tentar abrir os meus horizontes.
Amanhã, vou tentar lhe enviar a digitalização de 3/4 pgs sobre a posição de Baptista Machado e a posição de Castanheira Neves. Se for possível, gostava que vc emitisse um parecer.
Abraços.
Cavaleiro;
Na realidade não lhe enviarei um texto do Castanheira Neves, mas extratos da sua posição, é uma espécie de resumo feito pelo Doutor António dos Santos Justo, com muitas citações diretas.
Vou transcrever uma parte de um parágrafo:
"Segundo Castanheira Neves, a dimensão axiológica é "a dimensão capital, fundamentante e mesmo significante, da normatividade jurídica", que "a constitui como direito, isto é, como fundamento socialmente incondicional de validade", o que implica que "terá de reconhecer-se no valor, e não na norma, o prius da normatividade". E se "o problema é o de saber que valores estarão hoje a dar sentido fundamentante à normatividade jurídica e são susceptíveis de sustentar, através dela, o integrante consensus comunitário", urge "procurar esses valores no fundo ético da nossa cultura, neste momento histórico", ou seja, "no momento histórico-cultural e comunitário em que o problema se põe: no nosso momento histórico-cultural e na comunidade em que convivamos"...
Abraços
"Elisete Almeida 05/11/2012 21:00 Olá Dr. O Pensador!
Desculpa ter sido evasiva, mas é fruto da minha atual confusão mental. Há algumas correntes respeitantes à ordem jurídica, como o neopositivismo, o jusnaturalismo contemporâneo, a doutrina da natureza das coisas, etc.
Vc acompanha o entendimento de alguma corrente? "
Bom dia Dra Elisete!
Agora ficou esclarecido. Em que pese a ótima explanação do amigo Pedrão, vou declinar minha opinião:
Hoje, é difícil dizer que se segue determinada escola de pensamento. A própria velocidade de cruzamento dos pensamentos termina por fazer de todos um tanto ecléticos. Já não é possível dizer sou isso ou sou aquilo. Pelo menos não absolutamente.
Creio que o momento de ruptura daquilo que era uma divisão clara, se deu a partir da virada linguística.
Deixamos de ser puramente neoplatônicos, kantianos ou neokantianos, kelsenianos etc. Talvez a própria rotulação de escolas termine por diminuir os horizontes. Este foi o caminhar da filosofia e da jusfilosofia. Caminhar do seguro, dos pensamentos solidamente construídos, para o nada do pensamento. Iniciar do zero. Perceber que tudo aquilo que se construiu na história da filosofia foi como tábula rasa.
Por isso existem até hoje tantos que se apegam ainda a um esquema sujeito-objeto. Querem interpretar como se estivessem a olhar uma maquete. Estão como fora dos acontecimentos. Esquecem que eles mesmos são sujeitos históricos, que eles mesmos estão impregnados da mesma faticidade daquilo que interpretam.
Este é o caminhar humano. Saímos de uma sociedade dos mitos. Conquistamos nossa primeira independência do pensamento com os naturalistas, aqueles que buscavam causas físicas para tudo. Aqueles que buscavam a arché. Ainda perguntávamos daquilo fora de nós mesmos.
A conquista seguinte foi nos darmos conta de nós mesmos. Foi perguntar acerca do sujeito e não do objeto. Foi perguntar das verdades. Foi dada a largada para uma metafísica que nos acompanhou até a idade média.
O grande passo seguinte, talvez tenha sido vários. Foi Kant ao deslocar a objetividade para a subjetividade na questão moral. Passamos a compreender que nada havia "lá fora" mas tão somente aqui "dentro". Husserl delineou bem as duas condições dos objetos: aparência e essência. Estes dois pensamentos, ainda calcados na teoria do conhecimento, no fim deram suporte para que as superássemos.
A grande implosão da teoria do conhecimento veio com Nietzsche. Ao negar a existência da própria verdade, pôs em xeque tudo aquilo que já tinha sido construído.
Para o direito foi dizer: Não existe uma verdade, o que existe são interpretações corretas.
Aqui, peço vênia para abandonar os livros da academia e voar no pensamento por alguns instantes.
O pensamento que se seguiu, afora a particularidade de cada um, não chegam a serem singulares. Foucault nos traz a verdade histórica, a verdade dos vencedores. Ora, transportado ao mundo do direito, o que é tão diferente do que Dworkin chama de integridade, o que Gadamer chama de pré-compreensão? No fim não estamos falando das mesmas coisas? Óbvio que temos construções teóricas distintas e que minha comparação não passa de algo superficial. Mas é exatamente desta superfície que estou falando.
Do que fala Husserl, do que fala Heiddeger? O que é essência e aparência que não seja ser e ente? óbvio que se desloca da coisa para o sujeito; óbvio também que de observador aquele que interpreta é também ator.
Do que fala Gadader e Heiddeger acerca do desvelamento? Oras, o desvelamento é construção histórica, é verdade histórica. No caso do direito é a história dos vencedores. É a história contada na jurisprudência.
Então chega Habermas, a falar das mesmas coisas de maneira diferente. Vem olhar o mundo através da comunicação - que é superfície, onde Heiddeger olhou através da compreensão do ser, que estava abaixo da superfície. Mas, longe de estarem tão opostos, eu vi Habermas falando do ser-com-os-outros. Aquilo que parecia solipsista em Heiddeger ficou claro. O ser-com-os-outros que era teórico ficou prático na ação comunicativa.
Disse tudo isso, e talvez tenha assombrado alguns jusfilósofos mais ortodoxos, para que a querida Dra. pudesse caminhar um pouco comigo pela filosofia. Para que pudesse ver que pouco importa a corrente de pensamento. Não estamos a carregar bandeiras de filósofo fulano ou filósofo beltrano. Estamos a construir uma etapa do pensamento. A etapa de nossa era. Vamos falar muitas besteiras ainda. Vamos errar muito. Mas alguns vão construir uma verdade histórica para tempos futuros.
Um grande abraço!
Prezado Pensador,
Estava mesmo pensando nisso, sobre ser eclético. Não gosto da ideia de ficar aprisionado a determinado paradigma, uma vez que, como os paradigmas não são eternos, devemos sempre renascer.
Como diz Bauman, uma característica da sociedade líquida-moderno é a impossibilidade de permanecer fixo (vivemos em tempos líquidos). Estamos sempre em movimento, e estar em movimento significa não fazer parte de nenhum lugar.
Entretanto, embora não queira ficar aprisionado, também não me agrada muito da ideia de ser eclético, pois me parece que sem um paradigma só restaria o subjetivismo. Ou então que seria se vincular a outro paradigma, como o pragmatismo, talvez.
Por isso, embora eu diga que me encontro vinculado a determinado pensamento, como disse uma vez Gadamer, levo em consideração tudo que leio.
O que acha Pensador, do pragmatismo? E o conceito de paradigma ainda tem utilidade?
Caro Pedrão,
Vivemos na sociedade do pragmatismo. Filosofia deixou de ser philo sofia para se tornar phronesis. O que não tem utilidade é descartado. Basta ver a jurisprudência. Decide-se primeiro e depois se buscam fundamentos. Sempre se irá encontrar um filósofo que embase a decisão. Temos para todos os gostos.
O pragmatismo tende a enterrar qualquer resquício de racionalidade. O pragmatismo é em si, obtuso. Pois trata de resultados e não dos motivos. Impõe a faticidade sobre o pensamento. Já não há uma relação dialética, mas de subordinação, de jugo.
Veja que tudo é paradigma, até que não seja mais. Hoje, temos realmente um paradigma da práxis, da efetividade a qualquer custo. Quando estamos falando da filosofia contemporânea, estamos falando de paradigmas. O que me preocupa realmente é a falta de densidade dos paradigmas, hoje a regra é rebater sem ir a fundo.
Da mesma maneira que se fala em integridade do direito, ou historicidade ou pré-compreensão. Precisamos buscar isso na filosofia. Não dá pra ficar pulando de galho em galho.
Hoje o que vemos é uma ausência de integridade na jusfilosofia, que reflete no conteúdo jurisprudencial.
Ninguém quer saber de filosofia. O legal é decidir. De qualquer maneira, com qualquer fundamento.
Eclético tá na moda.