Conversa informal

Há 14 anos ·
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Pronto, inaugurado o tópico. Assim aqueles assuntos paralelos, sem ligação com os tópicos correspondentes podem vir para cá.

1452 Respostas
página 58 de 73
Heidegger (99% ateu)
Há 13 anos ·
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Pensador,

O que você escreveu sobre Foucault, a verdade dos vencedores, é uma das coisas que me motivou, nessas últimas semanas, a querer ler Foucault profundamente.

Pelo menos no meu pensamento, parece-me que essa verdade dos vencedores coloca em xeque a autoridade da tradição.

Como li recentemente, num livro do Durval (historiador):

“Como chama atenção Derrida em seu texto Mal de Arquivo, nada do que ficou arquivado do passado o foi inocentemente. O arquivo, seja de textos, seja de objetos, é fruto de operações políticas e de sentido. Mesmo aquele documento ou vestígio do passado que possa ter chegado até nós por puro acaso foi produzido no seu tempo obedecendo a intencionalidades, ou seja, as evidências em seu próprio tempo são fabricadas. Além do que, ao contrário do que nos faz parecer Thompson, as evidências não são encontradas nos arquivos, são fabricadas pelos próprios procedimentos, aparatos e pressupostos teóricos e metodológicos do historiador. Somos nós que evidenciamos, colocamos em evidência dado evento ou conjunto de eventos e, no mesmo ato, esquecemos ou jogamos para os bastidores outros tantos acontecimentos”.

Por isso que a filosofia, mais que desvelar o sentido oculto, serve para dar visibilidades àquilo que está tão próximo de nós que nos parece invisível.

Autor da pergunta
Advertido
Há 13 anos ·
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Pedrão,

Eu vejo de outra forma. A verdade dos vencedores é a própria tradição. Não existe tradição dos derrotados, vide a jurisprudência, que é a história de quem ganhou.

Apesar de não me filiar a Derrida, nesta parte derrida é uníssono com Foucault, Deleuze e outros.

A intencionalidade se trava na esfera de poderes. Aquilo que se escolheu para integrar a história é a própria construção da tradição.

E, discordo que a filosofia seja um istrumento de arqueologia histórica como faz entender. A filosofia é que vai confrontar tradição-história com pensamento, ratio.

Este é o desvelar, este é o encontro com o ser. O intérprete, ele mesmo dentro da tradição, questiona o ente, dentro do panorama onde ele está inserido, para buscar o novo, o verdadeiro desvelamento.

Não é o intérprete o repetidor da tradição, isso os positivistas já o fazem bem. O intérprete da nova hermenêutica é aquele que diferentemente de Nietzsche, consegue se libertar das amarras sem que para isso tenha que matar deus (tradição).

Heidegger (99% ateu)
Há 13 anos ·
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Tens razão Pensador,

A tradição é o que nos é transmitido.

E estamos sujeitos ao que é transmitido, pois é o que torna a compreensão possível, mas apenas como condição de possibilidade para se compreender, e não como proibição de interpretar.

O que me incomoda é o problema da verdade. Não que eu acredito em verdade real, mas quando falta alguma das condições de possibilidade de comunicação, se é que se pode chamar assim (veracidade, por exemplo), havendo uma desconfiança desde o início, e aí que estava pensando sobre a autoridade da tradição.

Mas, realmente, não tem nada a ver, pois para seguir ou não a tradição, os textos são os mesmos.

O que incomoda é saber que vivemos (ou podemos viver) apenas através mitos e mitologias.

Autor da pergunta
Advertido
Há 13 anos ·
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Esta questão da verdade deve ser um dos temas mais arduamente debatidos. Em todas as conferências e congressos.

Contemporaneamente quase todos os filósofos abandonaram a idéia de uma verdade ontológica para as ciências humanas. Vai desde foucault - incorporando um certo niilismo nietzschiano - até as teorias do consenso, onde é verdade aquilo que todos (maioria) acordam que é verdade.

Isto fica bem explícito na oposição entre verdade e veracidade, que é um conceito de plausibilidade e aceitabilidade.

Mais um pouco e nos declararemos sofistas de carteirinha.

Autor da pergunta
Advertido
Há 13 anos ·
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Isto fica bem claro na oposição verdade real x verdade processual.

Se pensar bem a fundo, o que é a verdade real? Ela no fim não fica guardada em lugar algum. No processo o que fica é a verdade processual. O que teve o melhor argumento e ganhou, construiu a verdade.

Heidegger (99% ateu)
Há 13 anos ·
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Li o edital do processo seletivo de Mestrado na Unisinos e estranhei o quanto é tranquilo.

Apenas um livro de leitura obrigatória e não há prova de proficiência em alguma língua estrangeira. Por ser Capes 6 pensei que fosse mais rigoroso.

http://www.unisinos.br/mestrado-e-doutorado/images/stories/PDF/editais/2013-1/edital_direito_2013-1.pdf

Elisete Almeida
Advertido
Há 13 anos ·
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Cavaleiro;

Este deve ser um livrão:

http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=7958

Mas olha o preço. Kkkkk!

Abraços

Autor da pergunta
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Há 13 anos ·
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Pedrão,

O livro Constituição, Sistemas Sociais e Hermenêutica é bem tranquilo, nada de extrema profundidade. São edições sequenciais dos trabalhos de pesquisa na Unisinos.

O que parece que pega mesmo é a entrevista.

Autor da pergunta
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Há 13 anos ·
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Dra. Elisete, ficou uns posts passados, mas deixei a resposta a seu questionamento.

Elisete Almeida
Advertido
Há 13 anos ·
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Kkkkk!

Eu ainda não havia terminado de ler, por isso não disse nada.

Posso lhe dizer que fiquei mais confusa, não por falta de entendimento das suas palavras, mas pelo seu comentário sobre a falta de aprofundamento na fundamentação.

Bom, vou ler um pouco mais para me habilitar a uma discussão mais consistente, se é que isto seja alcançável. Kkkkk!

Obrigada

Abraços

Autor da pergunta
Advertido
Há 13 anos ·
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Dra. Elisete, não sei se me expressei mal, mas não disse nada a respeito de falta de aprofundamento na fundamentação nos posts anteriores...

Falei em tábula rasa, mas na questão de que existe muito mais a ser descoberto.

Falei do superficial, no sentido de estar falando do ente e não do ser. O superficial como uma camada onde se move a linguagem.

Elisete Almeida
Advertido
Há 13 anos ·
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Desculpa, foi o que depreendi das suas palavras:

"Ninguém quer saber de filosofia. O legal é decidir. De qualquer maneira, com qualquer fundamento."

Interpretei mal?

Abraços

Autor da pergunta
Advertido
Há 13 anos ·
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Ah sim, a parte final (risos).

Estava falando acerca de uma possível e abandonada possibilidade de respeito à integridade da filosofia.

Sou contrário a um tipo de decisionismo que decide primeiro depois vai buscar a fundamentação. Aquela que servir para o que o magistrado deseja decidir.

Assim, o mesmo magistrado circula sem nenhum pudor, pelo positivismo, pelo jusnaturalismo, pela hermenêutica, pelos princípios, pela argumentação. O que servir para o que ele deseja decidir.

Não é que o fundamento seja raso. Mas sim acerca do mau uso. A pessoa que usa o fundamento muitas vezes desconhece completamente a construção histórica deste pensamento, normalmente corta e cola um pedaço de alguma obra que no caso sirva. Às vezes nem faz sentido analisando o contexto da obra.

Era acerca disso...

Heidegger (99% ateu)
Há 13 anos ·
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Pensador,

Deva ser isso mesmo, opção da comissão de seleção em selecionar durante a entrevista. Não creio que faltem de candidatos, a não ser que o preço seja bem elevado.

Nunca tinha visto um processo seletivo de Mestrado sem prova de proficiência em alguma língua estrangeira e com a leitura de apenas um livro.

Na UNB, por exemplo, eram obrigatórias duas línguas para o Mestrado (espanhol e mais outra), e três para o doutorado. Ano passado, porém, foi alterado para apenas um no mestrado e duas no doutorado.

Eu tenho um volume dessa coleção. Não gostei, por isso não comprei mais. O artigo que o Lenio escreveu era apenas repetição, ipsis literis, de um trechinho do Verdade e Consenso. Os outros artigos, embora sejam bons, pelo custo / benefício, achei que não valia a pena.

Heidegger (99% ateu)
Há 13 anos ·
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Elisete,

Os livros estão cada vez mais caros. A Coleção do Pontes de Miranda custa mais de R$ 10.000,00. Não obstante ser sessenta volumes, a meu ver, é caro demais.

O Tratado do Roxin custa R$ 500,00 (apenas um volume). Há muitos livros com o preço nas alturas. Mas há muitos livros baratos também (ainda bem).

Heidegger (99% ateu)
Há 13 anos ·
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Pensador e Elisete,

Para quem acha que já viu de tudo:

http://www.sandrocaldeiramusicas.com/

Só não entendi se ele é professor ou comediante, embora, em minha opinião, já sei o que ele é.

Autor da pergunta
Advertido
Há 13 anos ·
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Caramba. Estamos a formar idiotas.

Vai ter futuro advogado por aí cantando musicas.

Profundidade do conhecimento: 0

Heidegger (99% ateu)
Há 13 anos ·
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Elisete,

O Livro que você procura é este: Hermenêutica e Argumentação Neoconstitucional.

É da Editora atlas. O livro resume as principais teorias que disputam hoje um lugar na teoria do Direito.

http://www.editoraatlas.com.br/Atlas/webapp/detalhes_produto.aspx?prd_des_ean13=9788522456567

No link acima dá para ver o sumário.

Elisete Almeida
Advertido
Há 13 anos ·
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Vini;

Se vc quiser obter algumas breves noções em D.Penal, vá ao link sugerido pelo Pedrão. Kkkkk!

Mas se prepara, pois o gajo é desafinado.

Elisete Almeida
Advertido
Há 13 anos ·
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Pedrão;

Fiz uma busca pelo google, com limitação a Portugal, o livro Hermenêutica e Argumentação Neoconstitucional, pelo que tudo indica, não há cá nem nas bibliotecas, muito menos para comprar.

Vou tentar adicionar à lista que fiz para minha irmã.

Obrigada

Esta pergunta foi fechada
Há 8 anos
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