A escola pode rejeitar matricular uma aluna por ela ter tatuagem?
Bom dia! Aconteceu uma coisa interessante com a filha de uma amiga minha. A garota tem 18 anos. Desculpem, eu me enganei com a idade. É uma boa menina. Falo, porque a conheço desde pequena. Todo mundo sabe que adolescentes adoram fazer moda. Com a permissão dos pais ela fez uma pequena tatoo. E, quando os pais foram matriculá-la em uma escola particular aqui na cidade, a garota foi rejeitada. O motivo: Ela tinha uma tatuagem! Pergunto: Isso, é legal? A escola está sendo preconceituosa? A escola pode ter como regra? Eu nunca havia ouvido falar nisso antes. Para mim, ou usa quem quer e gosta, ou ninguém usaria, para evitar esse tipo de vexame. O pai da garota é professor de uma universidade federal e a mãe também trabalha em uma grande empresa. É uma família bem estruturada. Agradeço a quem possa me responder esse "enigma" que ficou na minha cabeça! Mais uma vez. Obrigada.
Mais uma vez agradeço a todos que se empenharam em responder minha pergunta. Uma coisa que esqueci de falar. A menina tem 18 anos! Como falei antes, a tatoo é um símbolo do infinito " como um 8 deitado no pulso" a outra uma frase debaixo da axila que fica escondida embaixo da roupa. Eu não sei o que é porque eu nem sabia que ela tinha! Mas, eu NUNCA havia ouvido falar que uma escola rejeitasse um aluno por ele ter duas pequenas tatuagens. Isso, se enquadra em que? Uma pergunta que me faço: PORQUE essas coisas não acontecem com TODO mundo? Filho de rico pode? A lei não deveria ser igual para todos? Porque o que mais vemos são artistas parecendo revistas em quadrinhos de tantas tatuagens que fazem. O ECA diz que criança não pode trabalhar. Mas, na TV e cinema pode? São dois pesos e duas medidas? Bem, os pais vão coloca-la em outra escola. Mas, eu fiquei com dó da garota. Ser tratada como uma "aberração" por causa disso. Pode ser que no futuro ela se arrependa de ter feito. Mas, pior não é ver mulheres nuas no carnaval e cenas de sexo explicito em horário nobre como no BBB? E, o mais trágico: Vêem tudo como absolutamente Normal!
Se alguem acredita em seus ideais deve manter-se intrgro e não dar balela a opinião pública que, como dizia o sábio, a "unanimidade é burra".
Nada nos impede de não seguir padrões que alguns consideram normais. A impressão de que eles são muitos os que consideram certos padrões normais é devido justamente porque alguns poucos repetem com frequência o tal padrão.
Quem sabe se perderem o medo de ser descriminado alguém consiga estabelecer um outro padrão??
O mundo é dos audaciosos, dos que acreditam em sí mesmos!!!!
[...]
Agradeço-lhes as opiniões. Porém, não ficou claro para mim se a escola tem esse direito, de não aceitar uma aluna porque a mesma tem tatuagem. Isso é legal? É algum tipo de discriminação? Os pais já a matricularam em outra escola. Eu, quem fiquei a pensar se isto está correto. Fiquei com dó da garota. Para um adulto seria ruim uma situação dessas, imagine para uma adolescente? Sr. Barão de Ramalho, Tens toda a razão quando dizes que nada que uma herança de 22 milhões não supere. Infelizmente, não são todos que a possuem. Pois se assim fosse, teríamos pouco para nos preocupar. Grata a todos pela atenção a mim dispensada.
Estou a dizer do cidadão que vai responder em liberdade pelo crime que cometeu ó
gaja não estou a me referir de ti. A escola tem sim o direito de recusar uma pessoa que não esta em condições de cumprir com o regulamento dela .É bom que seja de inicio para que no futuro não venha a trazer complicações. isso esta claramente explicado ou vocês se fingem que não entendeu pensando que somos algum panaca.Se não es nada da pessoa estas a se preocupar qual o interesse procure um avogado e entre com uma ação na Secretaria de Educação ou no Conselho Estadual de Educação ou Delegacia de Ensino. a ver o que da.
Volto a afirmar para a consulente que deve constituir advogado. A recusa da instituição de ensino é descabida por diversos motivos. A conduta da instituição é discriminatória e incompatível com uma sociedade que se pauta pelo respeito à pluralidade.
Colide com o direito de liberdade, tanto de ação como de expressão e, pretende segregar a singularidade do indivíduo.
Aos que discordam, gostaria de ouvir os argumentos que validem tal proibição.
Boa tarde à todos. Queira desculpar-me Sr. Barão de Ramalho. Não tive nenhuma intenção de irritá-lo. Tampouco, sei de quem o senhor falava quando se referiu a pessoa que vai responder crime em liberdade por que tem 22 milhões. Interessei-me pelo caso porque sou Assistente Social. E, não vi em nenhum estatuto ou lei nada que se aplicasse ao caso. Por isso, recorri ao tão respeitado Fórum para ter uma resposta baseada na lei. Em nenhum momento pensei que o senhor se referia a mim quando falou em 22 milhões. Apenas, respondi o seu comentário. Não vi motivos para que o senhor usasse palavras onde diz que:..."isso esta claramente explicado ou vocês se fingem que não entendeu pensando que somos algum panaca." Palavras suas. Não minhas. Em nenhum momento deixei transparecer tal insinuação nem em entrelinhas! Apenas fiz um questionamento. Mais uma vez peço-lhe desculpas se o senhor se sentiu ofendido por algo que, de forma involuntária eu tenha escrito ou não me fiz entender bem. O Pensador, muito obrigada pela gentileza em responder-me. Se, por ventura eu me defrontar com outro caso semelhante saberei que não é uma atitude legal. Também penso como o senhor. Mas, fiz o questionamento a quem realmente entende de leis. Os Advogados. Mais uma vez, agradeço a todos que se manifestaram. E, encerro minha participação nesta questão. Desejo à todos uma excelente tarde.
Olá, Sr. pensador. Tentei trazer alguns argumentos em favor da escola:
O maior desejo dos pais é que os filhos tenham famílias prósperas, harmônicas, prolíficas e felizes. No frigir dos ovos, é para isso que pagam escola.
Naturalmente, na maioria das vezes é impossível atingir esse objetivo sem fazer alguma discriminação ou segregação, pois há pessoas cujos maus hábitos são incompatíveis com o objetivo que se busca e esses maus hábitos podem "contaminar" pessoas desavisadas ou curiosas, como os adolescentes.
Até posso imaginar a cena: Uma colega da garota tatuada vê a tatuagem no braço e pergunta: -Você tem outra? A garota tatuada responde: -Tenho sim, quer ver?
Ou seja, neste caso uma tatuagem pode funcionar como chamariz para a outra que está escondida de pessoas via de regra menos íntimas, como os professores.
Para alguns adolescentes a descoberta da segunda tatuagem pode ser apenas o início de uma longa viagem sem volta, os fins prováveis dessa viagem veremos adiante.
Respeitar a pluralidade dentro da sociedade é uma coisa, respeitar a pluralidade dentro da família é coisa bem diferente.
Na medida em que a escola procura preparar o aluno para os desafios e perigos da vida nesse mundo até excessivamente plural em que vivemos, ela deve ser vista mais como uma extensão da casa do que como uma praça pública, pois enquanto um mamífero selvagem pode acompanhar sempre de perto seus filhotes adolescentes alertando-os para os perigos facilmente identificáveis que encontrarão, o bom preparo de um ser humano adolescente com pais ausentes requer o afastamento de perigos não tão óbvios e cujas consequências podem ser percebidas só anos ou décadas depois da exposição.
Nenhum pai ou mãe, em sã consciência, gostaria de ver sua filha ou filho casado com uma pessoa improdutiva, promíscua e agressiva a ponto de prejudicar a prole, a harmonia e a felicidade familiar. Mas muitas vezes, é na escola que conhecemos futuros cônjuges. Outras tantas vezes, é na escola que adquirimos hábitos que influenciarão a escolha de futuros cônjuges. Não podemos fechar os olhos para isso.
Infelizmente, como se vê nos dados abaixo, a prática de tatuar o corpo possui uma correlação significativa com hábitos menos saudáveis de vida, os quais podem acarretar sérios problemas familiares. E como a missão da escola é entregar os filhos aos pais em melhores condições do que os receberam, nada mais correto do que empenhar todos os esforços possíveis para evitar que os alunos sejam expostos a hábitos ou ideologias potencialmente prejudiciais. Afinal, o tempo que passamos na escola é relativamente curto e, depois de devidamente instruídos, os ex-alunos terão o resto da vida para fazer e viver suas escolhas.
http://www.annalsofepidemiology.org/article/S1047-2797(11)00287-0/fulltext#sec3.2
Na pesquisa vista no sítio acima, feita com 4366 mulheres (na mesma página também há uma pesquisa com homens), verificou-se que:
Quanto à constituição de família:
Das mulheres solteiras 14,3% tinham tatuagem.
Das mulheres com namorado fora 25,6% tinham tatuagem.
Das mulheres casadas apenas 11,4% tinham tatuagem.
Quanto ao uso de drogas:
Entre as mulheres não-fumantes apenas 9,1% tinham tatuagem.
Entre as mulheres fumantes 29,2% tinham tatuagem.
Entre as mulheres que não bebem apenas 10,1% tinham tatuagem.
Entre as mulheres que bebem, entre 13,6 e 16,3% tinham tatuagem.
Entre as mulheres que não fumam maconha (possível porta de entrada para outras drogas) apenas 11,8% tinham tatuagem.
Entre as mulheres que fumam maconha 40,4% tinham tatuagem!
Quanto à saúde mental:
Entre as mulheres livres de depressão 12,7% tinham tatuagem.
Entre as mulheres com relato de depressão 16,4% tinham tatuagem.
Quanto à promiscuidade:
Das mulheres heterossexuais apenas 13,3% tinham tatuagem.
Das mulheres não-heterossexuais ("outros") 24,0% tinham tatuagem.
Das mulheres sem histórico de DSTs 12,5% tinham tatuagem.
Das mulheres com histórico de DSTs 19,1% tinham tatuagem.
Das mulheres com entre 0 a 1 parceiro sexual durante a vida 3,3% tinham tatuagem.
Das mulheres com entre 2 a 5 parceiros sexuais durante a vida 11,4% tinham tatuagem.
Das mulheres com entre 6 a 10 parceiros sexuais durante a vida 20,3% tinham tatuagem.
Das mulheres com 11 ou mais parceiros sexuais durante a vida 30,0% tinham tatuagem.
Obs.: Quanto ao número de parceiros sexuais, outra pesquisa revelou que quanto maior o número de parceiros sexuais que uma mulher já teve, menor a sua propensão para estabelecer relacionamentos duradouros, os quais são tidos como mais benéficos para a criação dos filhos.
Quanto à capacidade/produtividade:
Entre as mulheres com pós-graduação apenas 10.0% tinham tatuagem.
Entre as mulheres sem pós-graduação entre 13,5 e 15,5% tinham tatuagem.
Entre as mulheres profissionais independentes apenas 9,8% tinham tatuagem.
Entre as mulheres profissionais associadas 15,2% tinham tatuagem.
Entre as mulheres trabalhadoras braçais qualificadas 14,9% tinham tatuagem.
Entre as mulheres sem qualificação 17,3% tinham tatuagem.
Ante os argumentos acima e o silêncio da consulente quanto ao teor da tatuagem, estou dando razão à escola, pois como pai, se eu tivesse que escolher entre duas escolas que levarão meu dinheiro, é claro que eu preferiria a que não permite alunos tatuados.
Acredito que a reprodução é a única forma de reencarnação cientificamente comprovada, portanto não se deve brincar com o bem estar e o futuro dos filhos.
Saudações.
Prezado Sr. Nelson Castro,
Isto que o Sr. postou acima, pretende que seja sério? Não posso crer.
Não apague sua postagem, terei prazer em rebater um por um estes pseudo argumentos, que fazem apologia à discriminação através de uma lógica tortuosa e conclusões nada científicas.
Pensei que não me aborreceria num domingo. Me enganei.