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Mais de 70% das crianças para adoção têm mais de 10 anos

Agenda 20/05/2014 às 14:16

Índice de crianças aptas para adoção no Brasil

De acordo com matéria veiculada ontem (18.05.2014) na Folha de São Paulo, a grande maioria das crianças aptas para adoção na região de Ribeirão Preto/SP tem mais de dez anos de idade e quase nenhuma perspectiva de ser adotada. Esta realidade não está só na região de Ribeirão Preto, pois de acordo com o CNA (Cadastro Nacional de Adoção), 77% das crianças aptas à adoção no Brasil já passaram dos 10 anos de idade, enquanto que a faixa etária de 0 a 3 anos perfaz menos de 5% do total. Desta forma, as crianças que ultrapassam esta faixa etária estão destinadas a se tornarem adultas dentro dos abrigos, sob o cuidado de funcionários e tutela do Estado, exceto raríssimas exceções, já que, são consideradas "velhas" para a maioria dos requerentes no território brasileiro. De acordo com relatório expedido pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), 92,7% dos pretendentes desejam adotar uma criança com idade entre 0 e 5 anos, sendo que apenas 0,82% dos interessados aceitam crianças acima dos 10 anos de idade. De acordo com o juiz da Vara da Infância e da Juventude de Ribeirão Preto, Paulo César Gentile esta é uma realidade brasileira. Segundo ele "Com menos de dez anos é mais fácil colocá-las para adoção. Depois disso, as pessoas já não querem mais". Segundo, o juiz da Infância e Juventude de Jaboticabal, Alexandre Baptista dos Santos há um problema cultural que dificulta a adoção de crianças mais velhas no país. Culturalmente, o brasileiro pensa em adotar um bebê para integrá-lo com mais facilidade à família. Mas Santos diz que o adotante é quem deveria pensar em oferecer uma família à criança. No entanto, a questão cultural não é o único ponto que dificulta a adoção no Brasil. Outro ponto que atrapalha, e muito, a adoção no Brasil é a morosidade do sistema, seja para tornar uma criança apta à adoção, seja para efetivar o processo de adoção. Isto porque, antes de entrar para o cadastro de adoção, o menor precisa passar por um processo judicial de destituição familiar que pode levar anos. Todavia, na tentativa de mudar esse quadro negativo, algumas associações tentam incentivar a adoção tardia aos que buscam o processo, utilizando-se, por exemplo, da mídia para encontrar uma família às crianças e adolescentes.

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Sobre o autor
Eduardo Moblize

Advogado, pós graduado, full service, altamente qualificado, com destacada atuação nas mais diversas áreas do direito, tanto na condução de assuntos consultivos como também no patrocínio de medidas judiciais e administrativas do interesse de seus clientes, sempre contando com irrestrita dedicação e sigilo profissional. <br><br>Seu foco de maior destaque é a Consultoria e Assessoria Jurídica nos mais variados assuntos relacionados com o Direito de Família e Sucessões, tais como Holding familiar, partilha de bens, divórcio litigioso, sucessão empresarial, interdição, internação compulsória, dentre outros.

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