O TJ-RS, a pedido de uma associação de lésbicas, determinou a retirada dos crucifixos de todos os prédios da justiça gaúcha. O pretexto? O Estado é laico. Digo eu, o crucifixo não representa apenas o sentimento dos cristãos, mas toda uma cultura de identidade do país.

Já se vão quase dois mil anos do tempo em que o apóstolo São Paulo disse que a cruz é  “escândalo para os judeus e  loucura  para  os  gentios”  (1Cor 1,23). Nada mais atual neste limiar do século XXI. A cruz continua incomodando os seres humanos. Esta semana o TJ-RS, a pedido de uma associação de lésbicas, determinou a retirada dos crucifixos de todos os prédios da justiça gaúcha.

O pretexto? O Estado é laico. Digo eu, o crucifixo não representa apenas o sentimento dos cristãos, mas toda uma cultura de identidade do país. Lembremos: o primeiro ato público celebrado no Brasil foi uma Santa Missa, em Cabrália, há quinhentos anos. O Rio de Janeiro se chama São Sebastião do Rio de Janeiro. Nossa capital econômica é São Paulo. O Estado de belas praias é Santa Catarina. Onde se come uma moqueca gostosa é no Espírito Santo. A sétima maravilha do mundo é o Cristo Redentor, que está, justamente, fincado no espaço público. Indago-lhe caro leitor? O crucifixo representa só os cristãos ou o próprio povo brasileiro?

Esta história de Estado laico a justificar a retirada dos crucifixos dos prédios públicos é balela, no fundo o que querem é colocar a “religião” em guetos, como já foi feito com os judeus no século passado. Vai chegar o dia que antes de sair da Santa Missa o padre vai nos alertar para esconder o crucifixo que se traz no peito, afinal, lá fora, o espaço é público, e onde está o público é vedado à religiosidade.

Como bem alerta o professor de Direito Constitucional da Católica Global School of Law, Joseph Weller, isto não é neutralidade, é sim dar uma mensagem clara às crianças e ao povo de que tudo é permitido, exceto um símbolo religioso. Pode Che Guevara, pode foto do Lula, da Dilma, pode pirâmide de cristal, foice e martelo, símbolo “nuclear não”, enfim, pode qualquer imagem, menos a religiosa. A neutralidade, representada pelo pluralismo de idéias, é justamente o contrário, a permissão do uso de símbolos religiosos nos prédios públicos, a demonstrar a tolerância de uma nação.

Na França o absurdo já se instalou. As crianças podem ir à escola com uma camisa “Che Guevara”, ou da “Adele”, mas não podem ostentar sua crença através do crucifixo ou da estrela de Davi, que seja. Na Itália, felizmente, o Tribunal Europeu de Direitos humanos reconheceu o direito de a Itália ter crucifixos nas paredes das escolas, ao mesmo tempo, que também reconheceu o direito da França não os ter.

A Europa é culturalmente cristã, assim como o Brasil. Por exemplo, a Dinamarca tem uma cruz na bandeira, a Inglaterra e a Grécia igual. Será que temos que pedir para estes países mudarem suas bandeiras em nome de um Estado Laico – pondera Joseph Weller. Evidente que não, isto é CRISTOFOBIA, não é neutralidade, é antes porque não gostam do cristianismo e da Igreja. Não podemos pretender que, se negarmos todas as religiões no espaço público isso é ser neutro.

Os Direitos humanos não são só um legado da Revolução Francesa, e sim, derivação direta da cultura judaico-cristã. Espero sinceramente, que no Brasil façamos valer nossa cultura cristã para afirmar a presença dos crucifixos no espaço público com uma identidade natural e cristalina de nossa cultura cristã, e que a doença da CRISTOFOBIA não se mascare por detrás do falacioso argumento do “Estado laico”, até porque o preâmbulo de nossa Constituição Federal é pedagógico ao invocar a presença de “Deus” sobre todos nós. Que possamos superar o “incômodo” da cruz, que tão somente nos aponta o caminho da honradez e misericórdia.


Autor

  • Roberto Wagner Lima Nogueira

    mestre em Direito Tributário, professor do Departamento de Direito Público das Universidades Católica de Petrópolis (UCP) , procurador do Município de Areal (RJ), membro do Conselho Científico da Associação Paulista de Direito Tributário (APET) é autor dos livros "Fundamentos do Dever Tributário", Belo Horizonte, Del Rey, 2003, e "Direito Financeiro e Justiça Tributária", Rio de Janeiro, Lumen Juris, 2004; co-autor dos livros "ISS - LC 116/2003" (coord. Marcelo Magalhães Peixoto e Ives Gandra da Silva Martins), Curitiba, Juruá, 2004; e "Planejamento Tributário" (coord. Marcelo Magalhães Peixoto), São Paulo, Quartier Latim, 2004.

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Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

NOGUEIRA, Roberto Wagner Lima. O crucifixo e os prédios públicos. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 17, n. 3178, 14 mar. 2012. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/21284>. Acesso em: 20 set. 2018.

Comentários

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    Zambé Negrão

    O crucifixo representa só os cristãos ou o próprio povo brasileiro?

    R.: só os cristãos.
    Apesar de CRER que "a cultura cristã" é a "cultura brasileira", o professor se equivoca de forma prosaica ao ignorar a diversidade de CRENÇAS e culturas existentes.

    Vale a pena dar uma rápida googleada:
    "No Brasil, o catolicismo perde espaço a passos rápidos, caindo de 91,8% da população em 1970 a 64,6% em 2010. Mas os evangélicos - sobretudo os pentecostais - cresceram de forma vertiginosa e representam 22,2% da população, e os 'sem religião' passaram de 0,8% em 1970 a 8% em 2010, segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, estatal) baseados no último censo. (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/06/os-ateus-no-brasil-e-seu-medo-de-sair-do-armario.html).

    Assim, mais uma vez temos a prova de que a ostentação de títulos acadêmicos e laborais, bem como a autoria de livros, não representam a compreensão da realidade e de sua diversidade.

    É o retorno à infância intelectual: - Quando eu quero uma cruz, eu quero! E não quero dentro de minha casa, quero num prédio público! Para que todos vejam que minha crença é mais forte que a de todos!

    O professor de direto tributário, precisa saber (ao invés de acreditar) que o Estado é laico. E isso não é mero "pretexto".
    A LAICOFOBIA é uma doença séria. Tem contaminado de forma assustadora intelectuais, políticos, médicos, professores, entre outros ilustres profissionais.

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    ELISEU MACHADO

    "Data vênia! É lamentável o desconhecimento do verdadeira e doutrina de Cristo. Não foi isso que aprendemos com o VERDADEIRO EVANGELHO, anunciado por Nosso Senhor Jesus Cristo e pelos seus Apóstolos. Nesse sentido o Apóstolo Paulo escreveu: "Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo. E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério". Hebreus 6:4-6;
    "Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade.
    Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.
    O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo". 1 Timóteo 2:4-6
    "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro".
    Gálatas 3:13
    A Crucificação ou crucifixão foi um método de execução cruel utilizado na Antiguidade e comum tanto em Roma quanto em Cartago. Abolido no século IV, por Constantino, consistia em torturar o condenado e obrigá-lo a levar até o local do suplício a barra horizontal da cruz, onde já se encontrava a parte vertical cravada no chão. De braços abertos, o condenado era pregado na madeira pelos pulsos e pelos pés e morria, depois de horas de exaustão, por asfixia e parada cardíaca (a cabeça pendida sobre o peito dificultava sobremodo a respiração).
    Como está escrito: "Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus", Hebreus 10:12
    "Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados", Hebreus 10:26
    Ora, se alguém quer servir a Deus, deve examinar as escrituras. Como outra vez está escrito: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional". Romanos 12:1
    Sendo assim, essa trágica encenação ocorrida em Itararé, não é nada racional.
    Mais uma vez, LAMENTÁVEL é a ignorância!

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    Luiz Teotony do Wally

    É DE SE LEMBRAR AO AUTOR QUE, O BRASIL É UM PAÍS LAICO, ISTO É, DESVINCULADO DE QUALQUER RELIGIÃO.

    NESSE SENTIDO, O CRISTO, A CRUZ E SEU APRESTOS, NÃO PODEM SER AFIXADOS EM REPARTIÇÕES OU ÓRGÃOS PÚBLICOS, POR VEDAÇÃO CONSTITUCIONAL.

    PARA ALÉM, QUALQUER ENVOLVIMENTO DO ESTADO COM QUALQUER RELIGIÃO SOFRE A MESMA VEDAÇÃO.

    AINDA NESSE COMPASSO, A RENÚNCIA FISCAL EM FAVOR DOS TEMPLOS RELIGIOSOS É INCONSTITUCIONAL. DE FORMA QUE O CÓDIGO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO DEVE SE ADEQUAR À CONSTITUIÇÃO. NESSE CASO ESPECÍFICO, MAIS UM PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL É AFRONTADO, O DA ISONOMIA.

    AGORA, UM COMENTÁRIO, SE OS DEFENSORES CRISTIANISMO E DOS SEUS SÍMBOLOS, DEFENDEM O USO DESSES NOS AMBIENTES DO PODER PODER PÚBLICO, ESTÃO DEFENDENDO A INCONSTITUCIONALIDADE.

    VEJA-SE, OS SÍMBOLOS DO ISLAMISMO ( NO BRASIL HÁ MESQUITAS), DO BUDISMO ( NO BRASIL HÁ TEMPLOS BUDISTAS), JUDAICO (NO BRASIL HÁ SINAGOGAS), E TODOS DAS RELIGIÕES AFRODESCENDENTES E DOS INDUS ETC. CERTAMENTE NÃO SERIA MAIS ÓRGÃO PÚBLICO, MAIS SIM, UM CENTRO ECUMÊNICO.

    FORA DESSE ENTENDIMENTO É DEFENDER OS COSTUMES RELIGIOSOS MEDIEVAIS, INCLUSIVE A CRUEL INQUISIÇÃO, PARA OS QUE NÃO ACREDITAVAM NO CRISTO NEM NO CRISTIANISMO.

    O MAIS ESPANTOSO, É QUE O ARTIGO É ESCRITO POR UMA PESSOA PREPARADÍSSIMA.

    E MAIS, INTELECTUALIDADE NÃO SE AFINA COM RELIGIÃO, EM ESPECIAL COM O CRISTIANISMO, JÁ QUE TEM A BÍBLIA COMO FUNDAMENTO, E ESSE LIVRO É APENAS UM LIVRO DE HISTÓRIAS DOS MITOS DA ANTIGUIDADE.

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    Usuário descadastrado

    É mais fácil falar mal de JESUS CRISTO e do crucifixo, do que dos problemas graves da nossa sociedade tais como políticos,criminalidades,fome,educação,saúde etc.Se este grupo de lésbicas não respeitam os cristãos ou outra religião, como nós poderemos conviver em sociedade com este grupo."Pai, perdoai-os... eles não sabem o que fazem"

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    patricio angelo costa

    Que beleza de trabalho! Mestre Roberto Wagner (que me faz lembrar aquele ator norteamericano), fiquei engrandecido lendo o seu comentário, digno de um Professor. Que beleza! Fico envergonhado como que nosso judiciário cede à um grupo de lésbicas para retirar do ambiente de trabalho um símbolo que traduz mais do que respeito, a simbologia do Cristo. Que pobreza. Diferentemente do Judiciário dos Estados Unidos (que é eficiente e rápido) tem como respeito, o qual tem como respeito, antes do início das Audiências e Depoimentos, a jura perante à Bíblia Sagrada, de seus depoentes. Que diferença de eficiência, cultura e sabedoria entre estes dois judiciários.Parabéns, Professor, é de pessoas de seu discernimento que este País tanto tem carência e que nos enche de orgulho.Parabéns, Mestre, que Deus ilumine cada vez mais seu caminho.

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